De Héro à Zéro

Sentado no banco de trás do carro, atrás do carona, eu estava ouvindo música no MP3 e contemplando a paisagem à minha direita. De repente senti a roda traseira esquerda bater. O carro tremeu, e pensei que tivéssemos atropelado algum animal, ou passado por cima de algum animal já morto no meio da estrada. Meu cunhado Volker, que estava na direção, de imediato parou o carro no acostamento. Foi só então que olhei pra trás e vi um Escort, no mesmo lado da rodovia, amassado contra a cerca metálica de proteção.

Eu não estava entendendo nada… Teria o Escort batido na traseira do nosso carro? Só sei que a Ca, minha irmã, pediu-me para anotar o número das placas e tirar fotos. Só depois de ela chamar a polícia é que me explicou o que tinha acontecido: o Escort que foi parar amassado contra a cerca atrás de nós na verdade trafegava no sentido contrário ao nosso. Na hora de fazer a curva, o condutor do Escort não reduziu suficientemente a velocidade, abriu para a pista contrária (ou seja, a nossa pista!) e acabou batendo de raspão no nosso carro, perto da roda traseira esquerda. Ao literalmente bailar na curva, o motorista perdeu de vez o controle do Escort: derrapou e rodopiou 180 graus, até bater na cerca de contenção do nosso lado da rodovia.

(Que baita exercício de descrição! É dificílimo explicar, por escrito e sem poder gesticular, como aconteceu o acidente. Espero que pelo menos tenha sido possível entender… Questionamentos são bem-vindos!)

Ufa, tudo bem: felizmente ninguém se feriu. No Escort estavam três guris, bem jovens. Eram provavelmente bem amigos: até onde sabemos, não disseram nem mesmo para a polícia qual deles estava conduzindo o carro! Enfim, qualquer que tenha sido o motorista, deverá perder um bom número de pontinhos (ou quem sabe a própria carteira?) e arcar com os prejuízos (próprios e da minha irmã e do meu cunhado!). O fato, porém, é que a situação poderia ter sido muito pior.

Nesse sentido, aí vão três detalhes chocantes:

Primeiro: como disse o Volker, a cerca de contenção (cujo conserto, aliás, o condutor imprudente também deverá pagar!) pode muito bem ter salvado a vida dos três. Não fosse por ela, teriam potencialmente capotado barranco abaixo. Nas palavras da Ca: o Senhor mandou vários anjos pra proteger aqueles guris (e também a nós)!

Segundo: uma observação cuidadosa de uma das fotos que eu tirei (e que obviamente decidi postar aqui!) permite constatar que naquela mesma curva, apenas alguns metros à frente do lugar do acidente, há uma cruz de metal. Eu, que vi de perto a cruz, garanto: alguém já perdeu a vida ali.

Terceiro, e mais arrepiante de tudo: no exato momento do acidente, eu estava ouvindo no MP3 De Héro à Zéro, uma música do grupo canadense Projet Orange. A mensagem central da música, pelo menos na minha opinião, é: La vitesse est le jeu des inconscients, isto é, a velocidade é o jogo (ou: a brincadeira) dos inconscientes. A letra traduz a mensagem de alguém que “está morrendo” (morreu, mas não está bem morto ainda?!) por causa de um acidente de carro (“un dernier appel avant qu’on m’enterre”: uma última chamada antes que me enterrem). É de engolir em seco! Encerrando, aí vão o clipe e a letra completa.

De Héro à Zéro

Projet Orange

Hey, j’ai un message à te faire
Un dernier appel avant qu’on m’enterre

L’honneur m’a fait prendre le décor
À près de 200 kilomètres à l’heure

J’aurais bien aimé changer la scène
Mais vois comme la vitesse est meurtrière

Soudain ma vie en éclats de verre
Ma leçon exemplaire, en héritage

Je revois les autres derrière
L’auto qui accélère
Entre le frein et la mort
Il y a le chemin qui se referme et m’entraîne à la fin de mon règne
L’erreur devient de plus en plus claire
De héro à zéro

Moi, dans la féraille à l’envers
Je laisse un dernier souffle et puis rends l’âme

J’espère que tes envies rétrogradent
Celles qui pourraient mettre en jeu tes rêves

Soudain ma vie en éclats de verre
Ma leçon exemplaire en héritage

Je revois les autres derrière
L’auto qui accélère
Entre le frein et la mort,
Il y a le chemin qui se referme et m’entraîne à la fin de mon règne
L’erreur devient de plus en plus claire
De héro à zéro

Demain je fais la une, la première page
Prends-le comme une sérieuse mise en garde

Non comme un jeu qui n’impressionne personne
La scène est bien trop familière

Il n’y a plus de vie à perdre
La vitesse est le jeu des inconscients

Rappelle-toi

Je meurs

Demain je fais la une, la première page
Prends-le comme une sérieuse mise en garde

Non comme un jeu qui n’impressionne personne
La scène est bien trop familière

Il n’y a plus de vie à perdre
La vitesse est le jeu des inconscients

Rappelle-toi

Je meurs

L’erreur est claire

De héro à zéro

2 ideias sobre “De Héro à Zéro

  1. Anonymous

    :Sq bom q está td bem.sempre qdo acontecem coisas como essa, fico imaginando se isso serviu de lição pros envolvidos, principalmente pro “culpado”. né?! 😛 tomara.

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