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Bach hoje em Porto Alegre

Hoje às 19h na Igreja da Reconciliação acontece o sexto concerto desta temporada do Projeto Vésperas, com obras de Johann Sebastian Bach, incluindo a Suíte Orquestral n. 3 (BWV 1068), uma seleção de corais da Paixão e o Osteroratorium (Oratório de Páscoa) (BWV 249). A entrada é franca! Novamente estarei lá, em meio aos baixos do Grupo Cantabile.

abril

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Não desejo receber material publicitário: semana 3

Na terceira semana da minha campanha contra publicidade indesejada na caixa de correio, o número de materiais indesejados aumentou (de dois, da semana anterior, para três), mas o nível de abusividade do material recebido diminuiu.

Dois dos itens eram do tamanho de cartões de visita: um, de uma fábrica de persianas; o outro, de um prestador de serviço de instalação, manutenção e reparo de persianas. Talvez sejam concorrentes, mas me pareceram complementares. Não importa: não quero saber de consertar persianas — nem de receber publicidade na caixa de correio.

O material abusivo da semana ficou por conta de Lojas taQi, que fizeram depositar na minha caixa de correio um caderno de ofertas. A Leroy Merlin respondeu várias vezes e com cordialidade; o Nacional nem se dignou a responder. Vamos ver o que faz a taQi.

Panfletagem não é sustentável

Recebi a resposta final (ou pelo menos acho que foi final) da Leroy Merlin à questão de como conciliar sustentabilidade e panfletagem. A loja esclareceu que busca minimizar o impacto de suas operações comerciais, imprimindo os folhetos em papel certificado pela FSC e com tinta de soja e incentivando a reciclagem.

Claro que não me convenci (porque a resposta não foi convincente). E claro que respondi:

É meritória a intenção da Leroy Merlin de buscar minimizar o impacto ambiental de suas operações comerciais. Um passo ainda mais consistente nesse sentido, mais ousado que imprimir folhetos em papel certificado e com tinta de fontes renováveis e incentivar sua reciclagem, seria cortar o mal pela raiz. Deixando de produzir folhetos para distribuição nas ruas e caixas de correio, a Leroy Merlin seria ainda mais sustentável, porque economizaria os recursos e a energia necessários à produção dos folhetos e à sua reciclagem.

Meu argumento é simples: panfletagem não é sustentável. O fato de os panfletos serem produzidos de forma sustentável não tem o condão de torná-la sustentável.

Não desejo receber material publicitário: semana 2

Minha campanha contra publicidade indesejada está trazendo bons resultados! Além de todos os publicitários estarem ao meu lado, como irrefutavelmente demonstrado na absoluta integralidade da blogosfera, nesta segunda semana minha caixa de correio tinha apenas dois materiais indesejados, três a menos que na semana anterior. O adesivo “Não desejo receber material publicitário” está impondo algum respeito.

O primeiro transgressor da minha vontade como consumidor nesta semana foi a farmácia Popularmed, que deixou folhetos com anúncio de medicamentos e um ímã de geladeira envolto em uma desnecessária embalagem plástica.

E o outro transgressor, que sorteei para abordar tal como fiz com a Leroy Merlin, é ninguém menos que o Nacional, bandeira gaúcha do Walmart, maior rede varejista do mundo e recentemente encrencada de novo em sua terra de origem — não por publicidade indesejada, mas por alegadas violações trabalhistas.

O folheto do Nacional inclui um pedido interessante: “Denuncie se estiver recebendo mais de um folheto igual a este.” Por que denunciar? Talvez porque o Nacional queira coibir a prática do seu panfleteiro espertinho que, para se livrar mais rápido da pilha de folhetos a distribuir, deposita mais de um na caixa de correio da mesma vítima.

Resolvi usar o e-mail indicado no folheto (nacionalevoce[arroba]wal-mart.com) para denunciar que estou recebendo “mais de nenhum” folheto:

Em minha caixa de correio, tenho um adesivo que indica claramente: “Não desejo receber material publicitário.” Mesmo assim, contra minha vontade expressa, recebi um folheto impresso com ofertas do Nacional. Por favor, peço providências para garantir que isso não mais ocorra. Resido no Bairro Tal, em Porto Alegre.

Até o momento, sem resposta.

Tive de perguntar pra Leroy Merlin

Foi da Leroy Merlin um dos materiais publicitários que recebi na minha caixa de correio na primeira semana da minha campanha individual contra publicidade indesejada. Ao visitar o site e a fan page da loja no Facebook, vi que há uma ênfase forte na sustentabilidade.

Fiquei intrigado. Como conciliar o enfoque na sustentabilidade (que pressupõe a redução do desperdício e da geração de resíduos) com a panfletagem (uma estratégia de marketing baseada na distribuição de papéis, com inevitáveis desperdício e geração de resíduos)?

Fiquei tão intrigado que tive de perguntar, num comentário a um post com a hashtag #sustentabilidade na fan page da loja no Facebook:

Olá! Observo que um dos enfoques da Leroy Merlin é a sustentabilidade. Em minha caixa de correio, tenho um adesivo que indica claramente: “Não desejo receber material publicitário.” Mesmo assim, contra minha vontade expressa, recebi um folheto impresso da Leroy Merlin. Independentemente do desrespeito à minha vontade como consumidor, gostaria que alguém me explicasse como a Leroy Merlin concilia o enfoque na sustentabilidade com a panfletagem.

Claro que eu não esperava resposta. Mas ela veio:

Olá, Martin. Pedimos desculpas pelo ocorrido. Iremos encaminhar seu relato aos responsáveis para que o ocorrido não se repita. Por gentileza, informe via mensagem privada um telefone de contato para que possamos prestar-lhe os devidos esclarecimentos.

Como eu contava até com a possibilidade de minha mensagem ser apagada da fan page, receber uma resposta tão cordial e tão bem-escrita foi uma agradável surpresa. Já na primeira frase: Olá, vírgula do vocativo, Martin. A emoção fez meu coração bater mais rápido.

Sim, eu me encanto com escritos bem-escritos, mas não a ponto de me fazer perder atenção ao conteúdo. Se eu não estou disposto a receber material publicitário na minha caixa de correio, tampouco quero voluntariar meu precioso número de telefone a uma loja.

Depois de uma saudação e de uma breve referência às trocas anteriores de mensagens, respondi o seguinte, por mensagem privada:

Gostaria de agradecer seu retorno cordial e rápido. Não costumo enviar meu número de telefone para contatos dessa natureza, mas gostaria muito de receber por escrito, em resposta a esta mensagem, os esclarecimentos solicitados.

Não quero que me telefonem para me persuadir da possibilidade de conciliar sustentabilidade com panfletagem. Prefiro memoriais a sustentação oral. Veio a resposta:

Certo, Martin. Por favor, informe um e-mail de contato para que possamos lhe enviar os devidos esclarecimentos.

Primeiro, pede meu telefone; depois, meu e-mail. Eu quero esclarecimentos sobre como a loja pretende conciliar sustentabilidade com panfletagem, mas não quero ser incluído em um cadastro e vir a receber mais publicidade indesejada – que, afinal, foi o problema que deu início a toda essa história! Respondi:

Olá! Preferiria que os esclarecimentos fossem por mensagem, aqui mesmo no Facebook. A intenção de obter minhas informações de contato (telefone ou e-mail) me dá a impressão de que a Leroy Merlin quer não apenas prestar os esclarecimentos solicitados, mas também incluir meu nome em um cadastro – o que eu não desejo que ocorra, deixo claro desde já. De qualquer forma, posso, sim, oferecer um e-mail de contato, desde que não seja usado para fins de cadastro: […]+leroymerlin[arroba]gmail.com. Muito obrigado! Fico no aguardo.

No gmail, se meu endereço é fulaninho[arroba]gmail.com, recebo qualquer e-mail enviado para fulaninho+qualquercoisa[arroba]gmail.com, porque o gmail simplesmente ignora a expressão “+qualquercoisa” e encaminha a mensagem a fulaninho[arroba]gmail.com.

Assim, se a Leroy Merlin usar o endereço que lhe dei (com o +leroymerlin), e se eu passar a receber e-mails de terceiros endereçados a esse mesmo endereço, terei fortes indícios de que a Leroy Merlin terá cadastrado meu e-mail (contra a minha vontade) e, pior ainda, vendido a terceiros esse cadastro.

Mas isso, claro, é excesso de zelo meu, simplesmente porque sei que há empresários que fazem isso. Não afirmo que a Leroy Merlin o faça. Aliás, espero que não o faça. E, na resposta, pareceu demonstrar que realmente não fará:

Olá, Martin. Solicitamos o seu contato apenas para esclarecimentos referente ao ocorrido, de qualquer forma, agradecemos pelas informações prestadas e em breve lhe contataremos.

Respondi, enfim, ontem:

Nesse caso, ótimo! Estou ansioso por receber o contato. Obrigado!

Meu atendimento pelo responsável pela fan page da loja foi educado e profissional, mesmo diante das minha evidente desconfiança. Recebi um pedido de desculpa pelo ocorrido e duas promessas: a de que não ocorrerá novamente e a de que me serão enviados por e-mail os esclarecimentos que solicitei. Estou mesmo ansioso por recebê-los!

Não desejo receber material publicitário: semana 1

Ao fim da primeira semana da minha campanha individual contra publicidade indesejada, minha caixa de correio tinha apenas sete itens. Dois eram correspondências endereçadas a mim. Os outros cinco eram publicidade indesejada:

Um folheto da Leroy Merlin (1) e outro da pizzaria A Fornalha (2). Interessante observar que o primeiro vinha com o pedido, “Não jogue este folheto na via pública”, e o segundo, “Mantenha a cidade limpa, não jogue este impresso no chão.” Ou seja, poluição nas ruas não pode, mas publicidade indesejada (isto é, poluição) na minha caixa de correio pode?

Outro folheto me sensibilizou e me irritou ao mesmo tempo: um pedido de doações a uma associação de cegos (3). Ainda que a causa seja nobre, não tenho certeza de que a distribuição de folhetos em caixas de correio seja a melhor forma de divulgá-la.

Por fim, os dois últimos itens (4 e 5) eram dois do mesmo: o anúncio de uma dita espiritualista que alegadamente teria impressionado o Brasil inteiro ao comprovar seus poderes na TV. Promete a solução de problemas sentimentais, profissionais, financeiros e familiares — inclusive trazer a pessoa amada de volta em três dias. (!)

A publicidade indesejada recebida nessa primeira semana evidencia o que pode haver de comum entre empresas respeitáveis, entidades beneficentes e charlatães.

Não desejo receber material publicitário

A ideia surgiu quando escrevi sobre a publicidade indesejada que recebo na minha caixa de correio:

Se eu afixar um adesivo dizendo “Não desejo receber publicidade — obrigado” na minha caixa de correio aqui em Porto Alegre, será que fará diferença? E se todos nós que não desejarmos receber publicidade na caixa de correio o fizermos?

A resposta à segunda pergunta virá com os resultados de uma campanha que eu ainda hei de começar. Mas a base de dados que me permitirá responder à primeira pergunta eu já comecei a construir. Minha amiga Évelyn preparou e eu afixei na minha caixa de correio o seguinte adesivo:

Não desejo receber material publicitário

Sim, eu sei que as caixas de correio do meu condomínio precisam de reforma. Mesmo assim, sugiro focarmos no adesivo que diz: “Não desejo receber material publicitário.” É meu sincero desejo, afixado na minha caixa de correio na manhã do dia 20 de janeiro. Semanalmente, ao recolher a correspondência, colherei o resultado da afixação do adesivo.

E compartilharei esse resultado semanal aqui, claro. Anunciante que deposita material publicitário na caixa de correio de alguém que expressamente manifesta sua vontade de não receber material publicitário em sua caixa de correio não deve ter vergonha de ser publicamente exposto por fazer isso, certo?