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Festival de Hamamatsu: dia 2

Meu segundo dia no Japão começou com mais um café da manhã cinco estrelas na casa da Misako. O principal destaque da refeição foi para o nattō (“natô”), uma comida japonesa feita de grãos de soja fermentados (e grudentos), servida com mostarda ou molho shoyu e acompanhada de arroz. Gostei muito! E o outro destaque foi sem dúvida para os morangos, que no Japão são invariavelmente e deliciosamente doces.


Café da manhã: nattō no canto inferior direito

Após as bandas musicais e os carros alegóricos no centro da cidade no primeiro dia do Hamamatsu Matsuri, o plano para boa parte do segundo dia de festival foi assistir à batalha de pipas (Tako-Age) nas dunas da praia de Nakatajima.

Diz a lenda que no século XVI o governante de Hamamatsu empinou uma pipa para comemorar o nascimento do seu primeiro filho. Até hoje continua a tradição: primeiro se empinam as pipas menores (Hatsudako) em homenagem aos recém-nascidos.

Depois disso começa a batalha (é batalha, mesmo, à la O Caçador de Pipas) entre mais de 170 pipas enormes (tamanhos variando entre 2,5 e 3,6 metros quadrados), cada uma com o símbolo de uma localidade de Hamamatsu.


A caminho das dunas de Nakatajima


Chegada às dunas de Nakatajima: uma multidão e dezenas de pipas!


Time de uma localidade de Hamamatsu carregando sua pipa


O céu fica todo colorido com as pipas das diferentes localidades de Hamamatsu


Equipe preparando-se para empinar a pipa


Do alto das dunas, uma ideia melhor da área e da multidão que participa da festa


As dunas e a praia de Nakatajima

Após piquenique na praia e visita à irmã da Misako, à tardinha voltamos para o centro da cidade. Aproveitei para tirar uma foto da Act Tower, o maior arranha-céu da cidade (213 metros, 45 andares), em forma de harmônica (gaita de boca) – mais uma referência à importância da música na economia e na cultura de Hamamatsu.


Act City ao fundo; o edifício poligonal no primeiro plano é o terminal de ônibus

A volta ao centro à tardinha foi para encerrar o dia também imerso no Festival de Hamamatsu. No primeiro dia apenas assistimos ao desfile dos carros alegóricos (Goten Yatai). No segundo, fomos não só assistir, mas puxar nós mesmos o carro alegórico de Shijimizuka, o bairro onde mora a irmã da Misako! Foi uma excelente ideia o convite da Misako para comemorar de forma tão única e inesquecível o meu aniversário. 🙂


Vestindo happi, aniversariante pronto para puxar o carro alegórico


Apresentação musical das crianças em frente ao Shijimizuka-cho Goten Yatai


Um entre vários japoneses (garoto-propaganda Nikon) puxando o Shijimizuka-cho Goten Yatai


Trânsito intenso de Goten Yatai, já iluminados ao entardecer


Multidão acompanhando o desfile, em frente à sede da Yamaha


E o desfile continua à noite, com os Goten Yatai iluminados

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Festival de Hamamatsu: dia 1

A viagem de ônibus do post anterior – o primeiro da série sobre minha viagem ao Japão – foi para o centro da cidade para prestigiar o Festival de Hamamatsu (Hamamatsu Matsuri), comemorado na Semana Dourada (3 a 5 de maio). Hamamatsu é a sede mundial da Yamaha e, em parte por isso, uma cidade onde a música é parte importante da cultura. No festival, houve apresentações e desfiles das muitas bandas da cidade.


Apresentação musical no centro de Hamamatsu 


O prefeito de Hamamatsu e uma atriz mirim famosa participando do desfile


Guloseima festiva: bananachoco, banana coberta com chocolate!

Um dos destaques do Hamamatsu Matsuri é o desfile de mais de 80 carros alegóricos ou “altares móveis” pelas avenidas do centro da cidade. Cada carro de madeira trabalhada e esculpida é uma verdadeira obra de arte que representa uma parte ou bairro da cidade, com bandeiras, cortinas, lanternas, cores e diversos outros símbolos característicos.

À frente de cada carro mulheres e homens, vestindo o happi (jaqueta) que identifica seu bairro, “puxam” com orgulho o carro alegórico pelas ruas, por cordas (é claro que as cordas hoje em dia são só pela tradição; todos os carros são motorizados). Dentro do carro crianças de cada localidade, vestindo trajes festivos bem coloridos, tocam instrumentos musicais tradicionais, numa apresentação musical chamada de ohayashi.

Outra parte marcante do festival é o Neri, o desfile dos estandartes e lanternas coloridas das localidades. Os moradores passeiam em blocos pelas ruas, ao som de cornetas e tambores, cantando “oisho, oisho“, e marchando todos no mesmo ritmo desse cântico. É impossível não sonhar com “oisho” depois de um dia de festival. É também praticamente impossível registrar o Neri em foto, porque os blocos passam muito rápido!

As atividades do festival vão até tarde da noite e as avenidas e ruas ficam tomadas pela multidão que acompanha os carros alegóricos e os blocos dos estandartes.

No fim da noite do primeiro dia de festival observei um sinal luminoso com tradução em língua portuguesa perto estação central de ônibus de Hamamatsu. Nossa língua não é muito comum no Japão de forma geral, mas bastante comum em Hamamatsu, para onde muitos brasileiros (de origem japonesa – os Nikkei – ou não) emigraram nos anos 1980 e 1990 em busca de emprego na indústria local. Já nos anos 2000, muitos brasileiros  desempregados no Japão receberam ajuda de custo do governo japonês para retornar ao Brasil. Hamamatsu é ainda hoje a cidade japonesa com o maior número de brasileiros. Em 2015, tinha 15,899 brasileiros, 60% da população estrangeira da cidade.

Na próxima, conto sobre as aventuras do segundo dia de festival – meu aniversário! 🙂

Pensa num país com J

A brincadeira do “pensa num país com…” começou em 2011, quando contei da minha viagem à Dinamarca, e seguiu em 2013, quando comecei a série de posts sobre meus passeios na Índia. Depois de um salto em 2015, volto em outro ano ímpar para começar a postar sobre as três semanas que passei de férias no Japão em maio.

E, como o atraso neste blog é gigante (melhor nem pensar se eventualmente estarei de novo em dia; a lista é grande e só aumenta), vou começar sem delongas.

Após pousar em Tóquio, fui de Shinkansen (o invejável trem-bala japonês) até Hamamatsu, onde passei uma semana com minha amiga Misako, que conheci na igreja de que participávamos em Nova York. Do trem tive a grata recompensa de ver o Monte Fuji – principal cartão-postal do Japão – pela primeira e única vez na viagem. (O roteiro desta vez não incluiu o Monte Fuji – ficou para o “gostinho de quero mais”.)


Monte Fuji ao entardecer, visto ao longe do Shinkansen entre Tóquio e Hamamatsu

Como eu suspeitava, minha amiga Misako foi uma anfitriã formidável. A semana em Hamamatsu foi perfeita para minha aclimatação ao Japão: comidas caseiras deliciosas, passeios exploratórios pela cidade, dicas culturais (inclusive gastronômicas) que valeram ao longo da viagem… Os desafios da comunicação com a mãe dela, que não fala outra língua além do japonês, foram uma boa prática para muitos outros lugares que visitei no Japão – onde o inglês é bem menos difundido do que eu imaginava.


Meu primeiro café-da-manhã no Japão. Um luxo! Salmão, sopa miso, algas marinhas, arroz, ohitashi komatsuna (“ohitashi” porque é um “vegetal fervido” com flocos de atum secos, molho shoyu e sementes de gergelim; “komatsuna” porque o “vegetal fervido” é uma espécie de espinafre), umeboshi (ameixa em conserva).


De carro com a Misako pelas ruas do bairro dela em Hamamatsu (mão japonesa!)

Minha chegada ao Japão fui justamente (e, claro, propositalmente) na chamada Golden Week (ou Semana Dourada), o maior feriadão japonês. Além de poder aproveitar mais tempo com minha anfitriã, tirei vantagem dos festivais e eventos culturais que acontecem nessa semana. Os três principais feriados comemorados são o Dia da Constituição (3 de maio), o Dia do Verde (4 de maio) e o Dia das Crianças (5 de maio).

Para o Dia das Crianças, é comum as famílias japonesas enfeitarem seus pátios com bandeiras em formato de carpa, ou Koinobori (鯉のぼり) (a palavra koi, também usada em inglês, significa carpa). Em japonês, essa palavra é homófona de outra que significa “afeição” ou “amor”, e por isso o peixe é um símbolo de amor e amizade no Japão. No Dia das Crianças, os koinobori coloridos e festivos simbolizam o desejo de uma infância saudável e de um futuro feliz!


Koinobori na casa de um dos vizinhos da Misako

Apesar da ocidentalização, em muitos aspectos o Japão me surpreendeu como um país muito diferente de outros que já visitei mundo afora – mesmo nos lugares comuns do cotidiano. No supermercado, além da organização e da limpeza impecáveis, chamou minha atenção como as prateleiras são baixinhas (bom, digamos que mais adequadas à altura média da população). Nunca me senti tão gigante! Na farmácia (e em muitos outros lugares), um pouco do que eu chamaria de poluição visual – uma mistura de cores e letras grandes e imagens… E, em ambos os lugares, muita luz fluorescente!


Vista geral (de drone? não, da altura dos meus olhos, mesmo!) do supermercado Entetsu


Variedade de máscaras descartáveis à venda na farmácia para elas e para eles. É quase um acessório de moda no Japão!

Outro aspecto que me chamou a atenção foi a integração entre o urbano e o rural numa mesma zona. É quase como se cada cada tivesse não o seu jardim, mas a sua pequena lavoura (em muitos casos até de arroz irrigado). Achei inicialmente que fosse uma particularidade da área onde a Misako mora, mas vi cenários parecidos em outros lugares que visitei mais adiante na viagem.


Casas, mas também lavouras e máquinas agrícolas


Tecnologia e energias renováveis em toda parte: painéis solares…


… e usinas eólicas, às margens do Rio Tenryū, onde deságua no Oceano Pacífico


Paragliders coloridos à beira do Oceano Pacífico, em Hamamatsu

Depois do passeio de exploração do território na parte da manhã, almoçamos okonomiyaki (お好み焼き) caseiro feito pela Misako e pela mãe dela. É uma espécie de panqueca salgada com repolho ralado, farinha, batata doce, ovos… e camarão (mas também pode ser com carne vermelha ou de porco). Provei outras variedades do prato em outras áreas ao longo da visita ao Japão.

Por fim, a experiência de andar de ônibus em Hamamatsu! Os veículos são muito limpos e bem cuidados e o sistema é bem organizado, pontual e ambientalmente consciente (é costume desligarem o motor nas sinaleiras, por exemplo). A tarifa não é única (depende das paradas de embarque e desembarque) e me pareceu um pouco cara, considerando a distância dos trajetos.

Ao entrar no ônibus o passageiro retira uma ficha de papel, que contém um número, a data e uma espécie de código de barras. O número impresso no ticket muda a cada parada. Um painel eletrônico na frente do ônibus, atualizado a cada parada, indica, para cada número, a tarifa a ser paga. No desembarque o passageiro deve colocar o bilhete e o pagamento (em moedas ou cédulas pequenas) numa mesma máquina, que lê o código de barras, reconhece o valor pago e devolve o troco. Pouco prático, mas high tech!

Mas a maior dificuldade inicial foi mesmo se achar pela cidade, porque os anúncios das paradas pelo sistema de som eram em japonês somente… Nas primeiras vezes contei com a ajuda da Misako e logo me acostumei. Ainda bem que os japoneses usam os algarismos indo-arábicos – na falta de conhecimento do idioma japonês, entender o número da parada, o número do ônibus e o valor da tarifa me ajudou bastante!


Foto da primeira viagem de ônibus… mas o destino desta viagem – meu primeiro passeio no centro de Hamamatsu durante a Golden Week – fica para o próximo post!]

Catedral de Sal de Zipaquirá, Colômbia: expectativas superadas!

No terceiro e último da série de posts sobre a viagem à Colômbia, conto um pouco sobre o passeio à pequena cidade de Zipaquirá, 50 Km ao norte de Bogotá. Lá fica a Catedral de Sal (mapa, site oficial), primera maravilla de Colombia, projetada dentro de uma mina de sal, a 190 metros de profundidade. No início tivemos dúvidas se valia a pena nos aventurarmos fora de Bogotá, mas as dúvidas se dissiparam logo que chegamos — foi uma experiência única!

Não é uma visita para claustrofóbicos. Necessariamente com guia, entra-se na parte desativada da mina por um túnel, com um sutil declive. Ao longo de 386 metros e com 13 metros de altura estão dispostas as 14 estações da Via Crucis, a representação do caminho feito por Jesus Cristo desde seu julgamento, passando pela crucificação, até a sepultura. Cada estação fica junto a um dos enormes socavões abertos na montanha para extrair sal.

Tudo ao redor, por incrível que pareça, é sal. Para tirar a dúvida, basta lamber a parede. Não confirmarei se o fiz ou não. Tampouco negarei.

Seguem algumas fotos das impressionantes estações da Via Crucis:

Iēsus Nazarēnus, Rēx Iūdaeōrum = Jesus Nazareno, Rei dos Judeus

Essa do gurizinho contemplando a cruz vazada é minha preferida 🙂

A última estação da Via Crucis é a do túmulo vazio!

Ao fim das estações da Via Crucis chega-se ao Coro, do alto da nave central da Catedral.

Vista do Coro

Nave central, vista do Coro

Em homenagem aos mineiros, algumas ferramentas de trabalho em exibição

As escadas, com ar de labirinto, representam caminhos pelos quais os cristãos deveriam passar, como penitência, para ter acesso à Catedral.

Nave Central tem 80 metros de comprimento e 10 metros de largura. Nela foram talhadas quatro grandes colunas (sem função estrutural) que representam os quatro Evangelhos. De lá também se vê a imensa cruz do altar, que, embora não pareça, é vazada; uma bela ilusão de ótica! No centro da Nave Central há o medalhão da criação, feito em homenagem à obra de Michelangelo na Capela Sistina.

Presépio

O medalhão da criação

A imponente cruz vazada no altar da Nave Central

Da frente da Nave Central, olhando para o Coro

Na Nave da Ressurreição há uma escultura de pietà, que representa o fim da vida terrena de Jesus Cristo

Na saída da Catedral, um impressionante espelho d’água!

Escultura talhada na pedra de sal por artistas locais

Luz no fim do túnel na saída da mina

Luz no fim do túnel na saída da mina

No Parque de la Sal, há outras atrações além da Catedral, como um teatro subterrâneo (em mais um dos socavões!) onde se pode assistir a um vídeo sobre a formação da montanha de sal, um museu de mineração e geologia, além de muitas lojas de souvenirs (obviamente).

Depois da visita e no caminho de volta para Bogotá, passamos pelo centro de Zipaquirá, que também é muito simpático, especialmente pela arquitetura em estilo colonial espanhol.

Estação do trem turístico de Zipaquirá — é possível ir de trem de Bogotá a Zipaquirá!

Praça Central de Zipaquirá

Prefeitura de Zipaquirá

A Catedral – não de sal! – de Zipaquirá, com fachada em pedra, construída entre 1760 e 1870

Casario em estilo colonial espanhol no entorno da praça central de Zipaquirá

Ouro, café e outras preciosidades colombianas em Bogotá

Nem só calor e praias paradisíacas há na Colômbia: também há muito que visitar em Bogotá, a capital colombiana e megacidade de mais de 7 milhões de habitantes, situada a 2640 metros de altitude no Planalto Cundiboyacense, na Cordilheira dos Andes.

Passamos quatro noites lá, chegando na tarde de sábado. Nesse primeiro dia, fomos obedientes às recomendações gerais e pegamos leve, para nos habituarmos à altitude. No domingo, passeios intensos. Na segunda-feira, passamos metade do dia em Zipaquirá, onde visitamos a Catedral de Sal (tópico do próximo post!). Aproveitamos a terça-feira tanto quanto a chuva permitiu e na quarta-feira seguimos para Cartagena.

Acho que poderíamos ter tido um pouco mais de tempo por lá. Tivemos um pouco de azar ao topar com algumas atrações fechadas, porque um dos dias em que estávamos lá era Corpus Christi, feriado nacional na Colômbia. Assim, não pudemos visitar o Museo Botero (site oficial, mapa), o mais importante museu de arte. Mesmo assim, no tempo de que dispusemos absorvemos um tanto da cultura e das paisagens urbanas. Registro neste post apenas alguns destaques: o Museo del Oro, o centro histórico (La Candelaria) e o Cerro de Monserrate.

Mas, antes de começar com os destaques, algumas palavras sobre segurança.

Segurança

Antes e depois da viagem, todos me perguntaram. “Bogotá? Sério? É seguro?” Durante a viagem, muitos nos advertiram. Perdi a conta de quantas vezes bogotanos bem-intencionados, nas ruas, chamavam a atenção do meu pai e do meu tio para que não andassem com as câmeras fotográficas à vista — e de quantas vezes eu mesmo insisti nisso (e de quantos ataques de nervosismo tive porque eles nunca atendiam a essas recomendações)! No centro histórico, a uma quadra da Plaza Bolívar, um homem praticamente nos parou no meio da rua: “Não sigam adiante. É uma zona perigosa.” Achei um pouco chocante e potencialmente exagerado, mas o lugar realmente não era muito convidativo. Demos meia-volta. Um dia andamos de transporte coletivo (o TransMilenio, um sistema de ônibus que andam por corredores dedicados). Um policial nos escoltou do guichê de passagem até o embarque. Achei que isso beirou o ridículo (e fiquei com muito mais medo de ser extorquido pelo policial que de ser assaltado entre o guichê e o embarque!). Mas, por educação, aceitamos a escolta (e não fomos extorquidos). Quando decidimos ir a Zipaquirá, minha irmã (que não estava conosco) queria que desistíssemos. “Vocês vão para outra cidade? Li que há ataques de guerrilheiros nas zonas rurais.” E afinal o que vimos foi uma rodovia bastante boa (muito melhor que muitas em que transitamos no Brasil!), duplicada, policiada, com um trânsito organizado, e um trajeto de belas paisagens verdes, indústrias, estufas para a produção de flores. E nenhum sinal de guerrilha.

É verdade que algumas partes da cidade (no centro histórico, em especial) realmente parecem inseguras ou suspeitas — mas nada pior que, digamos, o centro de Porto Alegre. Em muitas outras áreas de Bogotá, a impressão é mais positiva que negativa: calçadas e ruas geralmente limpas, jardins floridos em casas e condomínios sem muros altos nem grades, prédios em boas condições. Estaria mais inclinado a ficar tranquilo que a ficar tenso.

Porém, com todas as advertências, a sensação de insegurança foi inevitável. Nas ruas, eu andava um pouco tenso, olhando sempre ao meu redor e principalmente ao redor dos meus pais e tios (de novo: como faço no centro de Porto Alegre!). Afinal, felizmente, não tivemos problemas. Por sorte? Por prudência na medida certa? Ou porque a cidade não é (mais) tão terrivelmente insegura quanto fazem parecer?

Museo del Oro

O Museo del Oro (site oficialmapa), mantido pelo Banco de la República, é uma das atrações mais deslumbrantes de Bogotá: 55.000 peças de ouro e outros materiais contam a história e a cultura de diferentes povos pré-colombianos que habitaram o que hoje é o território da Colômbia. Fizemos a visita num domingo, sem saber que é dia de entrada franca — o que foi positivo pela economia, mas um pouco negativo pela grande quantidade de visitantes.

Em 2008 o museu foi totalmente restaurado e ocupa um edifício amplo. A organização interna é excelente e há informações em espanhol e inglês. A exposição permanente está disposta em cinco salas (no site oficial há informações detalhadas sobre cada uma, inclusive fotos):

  • O trabalho dos metais: técnicas de mineração e metalurgia antigas.
  • A gente e o ouro na Colômbia pré-hispânica: os metais no contexto político e religioso.
  • Cosmologia e simbolismo: temas míticos, xamanismo, simbologia.
  • A oferenda: cerimônias e rituais religiosos envolvendo os metais.
  • O Exploratório: sala interativa sobre o patrimônio do museu.

Como a coleção é mesmo enorme e impressionante, mostro uma seleção de fotos dos diferentes itens expostos: muitos adereços (brincos, narigueiras, colares, tornozeleiras…), mas também objetos de uso ritual, funerário e militar.

Alguns dos adereços expostos no Museo del Oro

Máscara funerária, capacete militar e outros objetos rituais e de decoração

A primeira peça do museu, aberto em 1939, é o poporo da etnia quimbaya, produzido por volta de 300 a.C. e encontrado no departamento de Antioquia no século XIX. Um poporo é um vaso cerimonial usado no mambeo (ou mastigação) da folha de coca. A peça imita um fruto de calabazo (um tipo de abóbora) com formas arredondadas relacionadas ao corpo feminino.

Outra peça em destaque é a balsa muisca elaborada entre 600 e 1600 d.C. e encontrada em Pasca, que parece representar o ritual de El Dorado. Segundo a lenda, nesse ritual um poderoso cacique muisca e seus sacerdotes entravam em uma balsa para jogar ouro e esmeraldas nas águas da laguna, como oferendas aos deuses.

O poporo quimbaya e a balsa muisca expostos no Museo del Oro

No outro lado do Parque Santander, bem próximo ao Museo del Oro, está o Museo Internacional de la Esmeralda (mapa, site oficial), no 23o. andar do Edifício Avianca (o quarto mais alto arranha-céu de Bogotá, com 161 metros e 41 andares). É um museu também muito interessante, embora bastante menor que o do ouro, com apenas 3.000 peças. A visita guiada é obrigatória e a fotografia, proibida. A Colômbia responde por mais da metade da produção mundial de esmeraldas, que, portanto, tem importante peso econômico e cultural no país.

La Candelaria

La Candelaria (onde, aliás, ficam os museus do ouro e da esmeralda) é o centro antigo de Bogotá, onde há a maior concentração de edifícios coloniais e barrocos de importância histórica. No seu coração está a Plaza Bolívar.

Plaza Bolívar; Catedral Primada ao centro

A Catedral Primada de Colombia, dedicada à Imaculada Conceição, fica no lado leste da raça. Foi construída entre 1807 e 1823, em estilo neoclássico.

Catedral Primada de Colombia

No lado sul da praça fica o Capitolio Nacional de Colombia, sede do Congreso Nacional, órgão máximo do poder legislativo. O edifício foi construído entre 1846 e 1926 em estilo neoclássico.

Capitolio Nacional de Colombia

O lado oeste é dominado pelo Palacio Liévano, em estilo renascentista francês. Foi construído entre 1843 e 1907 para as Galerías Arrubla, o primeiro centro comercial da cidade. Desde 1910 funciona ali a Alcaldía Mayor de Bogotá — a prefeitura. No pavimento térreo há uma bela arcada, onde há 24 placas comemorativas sobre a história da cidade.

Palacio Liévano

No lado norte fica o Palacio de Justicia de Colombia, cuja construção, em estilo internacional, foi finalizada no ano 2000. É a sede da Suprema Corte, órgão máximo do poder judiciário. É o terceiro prédio já construído no mesmo lugar para o mesmo fim.

Palacio de Justicia

Ali perto também fica a Casa (ou Palacio) de Nariño, sede da Presidência da República e também residência oficial do Presidente. Infelizmente só pudemos passar pela parte de trás do palácio, porque a parte da frente estava fechada por motivos de segurança.

Fundos da Casa de Nariño

No limite sul da área turística (como nos disseram, “dali não passem!”) fica o Santuario Nacional Nuestra Señora del Carmen, uma simpática igreja em estilo gótico florentino.

Nuestra Señora del Carmen

Perto do centro, na parte alta de La Candelaria (limite leste da área turística – “dali não passem!”), vimos a igreja de Nuestra Señora de Egipto.

Iglesia Nuestra Señora del Egipto

Casario típico de La Candelaria, na Calle de la Plenitud

Ainda no entorno da Plaza Bolívar fica o Museo de Trajes (mapa, site oficial), que apresenta vestimentas pré-colombianas, indígenas, coloniais, campesinas e europeias. Também mostra oficinas, materiais, ferramentas e técnicas relacionadas à fabricação de trajes, além de reservar espaço para exposições temporárias sobre moda contemporânea.

O prédio do Museo de Trajes, em si mesmo, é uma atração!

No Museo de Trajes

Café com C de Colômbia

Pertíssimo da Plaza Bolívar fica o Arte y Pasión Café: Escuela de Baristas (mapa, site oficial), apenas um dos vários lugares onde se pode (e deve) tomar o delicioso — e mundialmente famoso por ser delicioso — café colombiano!

Outra parada obrigatória para viciados são os cafés da rede Juan Valdez, espalhados Colômbia afora e presentes também nos Estados Unidos (em 2010 eu tomei café na loja que havia na Times Square!). No Brasil, salvo engano, parece-me que ainda não há lojas. Infelizmente.

Meu pai posando de “modelo de mão” segundos antes de provar seu café

Cerro de Monserrate

O último destaque da visita a Bogotá é o Cerro de Monserrate (mapa, site oficial) o morro que é símbolo da cidade. Subimos de funicular e descemos de teleférico; o caminho para subir ou descer a pé estava fechado. E, de qualquer forma, não tínhamos muita vontade e tempo para subir a pé ao alto do morro, que fica 500 metros acima de Bogotá, a 3152 metros de altitude!

A vista lá do alto é, como se podia esperar, maravilhosa. Lá fica a Basílica del Señor de Monserrate, um local de peregrinação religiosa. Almoçamos no Restaurante Casa Santa Clara (mapasite oficial), localizado em uma linda casa com vista ainda mais deslumbrante.

Na base do Cerro de Monserrate (ao fundo)

Começando a subir, deixando para trás a estação do funicular

Skyline de Bogotá visto durante a subida de funicular

Do alto do Monserrate — e um cantinho do lindo prédio do Restaurante Casa Santa Clara

O belo ajardinamento no alto do Monserrate

Cerro de Guadalupe, visto do Cerro de Monserrate

Basílica del Señor de Monserrate

Interior da Basílica del Señor de Monserrate

Vista de Bogotá do ponto mais alto do Cerro de Monserrate

Projeto mapa mundi martinbrauch.com

Meus posts de viagem agora estão cartograficamente catalogados! Seguirei mapeando os posts futuros. Para facilitar, incluí o mapa mundi no menu de navegação do site. Há pela web diferentes ferramentas para elaborar esse tipo de mapa, mas resolvi ficar mesmo com o Google Maps, que é simples, eficaz e bastante fácil de usar.

Para ver os posts com relatos de viagem e fotos da cidade ou do país, é só clicar nos Google pins. Por padrão, aparecem apenas os pins de países. Para ver os pins de cidades (agrupadas por regiões), basta abrir o painel do mapa, clicando no ícone do canto superior esquerdo; outra opção é ver o mapa em tela cheia, clicando no ícone do canto superior direito.

Segundo dia em Bratislava, Eslováquia

Começamos o segundo dia com o plano de visitar o Palácio do Primado (Primaciálny palác, mapa). Hoje sede da Prefeitura de Bratislava, esse palácio neoclássico foi construído no final do século XVIII (concluído em 1781) para ser a residência do Arcebispo József Batthyány. No pátio interno do palácio está a Fonte de São Jorge (Fontana Sv. Juraja), esculpida em arenito no século XVII e originalmente instalada nos jardins do Palácio Grassalkovich.

Mas nosso plano foi interrompido por uma invasão napoleônica.

Palácio do Primado (Primaciálny palác)

Fonte de São Jorge (Fontana Sv. Juraja)

Quando menos esperávamos, começaram a surgir – vindos da Praça Principal para a frente do Palácio do Primado – soldados com vestimentas de época, marchando por aí e dando tiros de festim para o alto. Demorou um tanto até entendermos que era parte da encenação das batalhas de 1809 entre o exército napoleônico e o exército húngaro (sim, húngaro, mesmo: lembrando que na época Bratislava – ou Pressburg – fazia parte do território húngaro). Napoleão sitiou Bratislava por quase um mês. Bem que tentou conquistá-la, mas fracassou: foi sua primeira derrota. Essa encenação se repete a cada ano na cidade, para comemorar esse momento histórico.

Depois da encenação, foi engraçado ver as ruas da cidade tomadas pelos soldados – como nesta foto, em frente ao nosso café favorito, o Schokocafe Maximilian.

Uma vez que expulsamos o exército napoleônico, fomos almoçar no Restaurante UFO, no alto da polêmica Ponte SNP (Most Slovenského národného povstania, mapa).

Essa ponte estaiada sobre o Danúbio foi construída em 1972, como uma demonstração das virtudes da engenharia comunista. A polêmica ficou por conta da parte significativa da cidade antiga de Bratislava que foi demolida para criar a rampa de acesso à ponte. Entre essa parte destruída estava praticamente todo o bairro judeu, inclusive uma importante sinagoga. A ponte também passa perigosamente da Catedral de São Martin: o tremor causado pelo tráfico pesado e intenso na rampa de acesso tem causado danos estruturais à igreja.

No alto do pilar único de 84,6 metros de altura da ponte fica o restaurante onde fomos almoçar, o UFO, em uma estrutura em formato de disco voador (daí o nome!). Meu ex-colega de NYU – Matus, meu único amigo eslovaco! – e sua família vieram nos encontrar para almoçar conosco. O UFO oferece belas vistas sobre o Danúbio e o centro antigo de Bratislava; pela que a chuva e a névoa não colaboraram muito!

Centro antigo de Bratislava, com destaque à Catedral de São Martin

Castelo de Bratislava

Nossa janela no UFO, com vista privilegiada!

Meu elegante prato no UFO

No caminho da saída do restaurante, a Lu encontrou (eu era capaz de nem ter visto…) a famosa estátua Paparazzo. Ela costumava ficar na esquina das ruas Radničná e Laurinská (onde havia um restaurante chamado Paparazzi, hoje permanentemente fechado), discretamente tirando fotos dos transeuntes! Essa estátua é uma das preferidas dos turistas e está praticamente em todos os guias de viagens e blogs sobre Bratislava que tínhamos lido. Tínhamos procurado bastante por ela na véspera – foi uma surpresa encontrá-la no UFO!

Aí está o Paparazzo, agora no bar do UFO

E aí está a Lu, fotografada a partir da esquina onde a estátua do Paparazzo costumava ficar, no centro de Bratislava

Entre o almoço, a busca das malas no hotel e o horário do trem, sobrou pouco tempo. Caminhamos do centro – passando pela Filarmônica Eslovaca (Slovenská filharmónia, mapa, site oficial) e pelo Museu Nacional Eslovaco (Slovenské národné múzeum, mapa, site oficial) – até o Danúbio para um passeio à beira do rio… abaixo de chuva.

Filarmônica Eslovaca (Slovenská filharmónia)

Museu Nacional Eslovaco (Slovenské národné múzeum)

Acabamos no shopping center Eurovea (mapa), onde encontramos mais estátuas interessantes, inclusive uma das minhas preferidas: a delicada estátua de uma equilibrista na corda-bamba, parte de uma instalação maior, com outras personagens circenses.

Entrada do Eurovea

A estátua da equilibrista e seus colegas de circo, sob diferentes ângulos

Em Bratislava vimos muitos prédios com símbolos e resquícios do comunismo, como este abandonado e vandalizado, com estátuas de trabalhadores da indústria e da agricultura.

A última agradável surpresa de Bratislava foi encontrarmos a Igreja de Santa Isabel (Kostol svätej Alžbety, mapa), também conhecida como a Igreja Azul. Foi construída em estilo Secessão (o Art Nouveau húngaro) nos anos 1907 e 1908. Já tínhamos visto projetos e fotos dessa igreja em Budapeste quando visitamos o Museu de Artes Aplicadas, onde havia uma exposição sobre a obra do arquiteto Ödön Lechner, que também projetou o próprio palácio do museu.