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Budapeste ao anoitecer – Danúbio iluminado

E a Expedição 2015, com seus n posts, chega ao post n-1… Hoje farei a despedida noturna de Budapeste, com uma seleção de fotos das melhores vistas no entorno do Danúbio ao entardecer e à noite – do lado Buda e do lado Peste!

No último dia da participação especial da minha amiga Stephanie na Expedição 2015, fizemos – com minha irmã Lu e meu cunhado James – um passeio de barco pelo Danúbio ao entardecer, fortemente recomendável. O dia estava um pouco nublado, então não muitas fotos ficaram boas. Independentemente disso, o passeio valeu muito.

Também gosto do desafio da fotografia na hora mágica e de longa exposição (aqui no blog há exemplos de Köln, New York, Genève, Paris, San Antonio… e provavelmente outros de que nem me lembro), por isso não podia deixar de convidar a Lu a pegar seu contêiner de paciência e me acompanhar numa caminhada fotográfica ao longo do rio.

Pra começar, claro, o Parlamento, tal como se pode ver no passeio de barco: bem de perto e bem de frente. Mesmo atravessando a Buda é difícil ter a mesma vista.

Caminhando perto do Memorial dos Sapatos tirei esta foto da Igreja Mátyás e do “terraço” Bastião dos Pescadores, ambos já iluminados ao entardecer (o post sobre a visita a Buda conta mais sobre essas construções).

Ainda fotografando a partir do lado Peste, capturei o Castelo de Buda iluminado ao entardecer, com a Ponte das Correntes, igualmente iluminada, “atrapalhando a vista” (isso da “ponte iluminada atrapalhando a vista” virou mania fotográfica minha, como se verá a seguir).

Noutro dia, mais uma da Igreja Mátyás, do Bastião dos Pescadores e da Ponte das Correntes (atrapalhando a vista), todos iluminados ao entardecer.

Nesse mesmo dia achei um bom lugar, pertinho do Vigadó, para fotografar o Castelo de Buda, que aqui parece revestido de ouro!

Então atravessamos a Buda. Uma das paradas para foto foi o Várkert Bazár (ou Bazar dos Jardins do Castelo). É o prédio alongado (e também muito bem iluminado) que se vê “aos pés” do Castelo na foto acima.

Não comentei sobre o Várkert Bazár em outros posts porque, inacreditavelmente, não o visitamos (ficou como “gostinho de quero mais”). Foi construído de 1875 a 1883 em estilo Neo-Renascentista, como um portão aos jardins do Castelo de Buda. Até pouco tempo atrás, o lugar estava praticamente em ruínas, mas foi lindamente restaurado no início da década e hoje recebe eventos, concertos, mostras de arte.

O vídeo promocional mostra a beleza do prédio restaurado e dos jardins:

Budapeste é mesmo inesgotável. Nem me despedindo eu consigo me despedir. 🙂

Continuando a caminhada fotográfica noturna, à noite, vimos o Parlamento ao longe, revestido de ouro (com a Ponte das Correntes atrapalhando a vista).

Também vimos o elegante Gresham Palota, ou Palácio Gresham, onde hoje funciona o hotel Four Seasons em Peste. A cúpula da Basílica de Santo Estêvão também aparece ao fundo. E nesta foto a Ponte das Correntes aparece, mas até que não atrapalha tanto a vista.

Por fim, como não poderia deixar de ser, paramos (por bastante tempo) perto da Batthyány tér para fotografar o Parlamento.

A Grande Sinagoga de Budapeste

De volta ao bairro judeu de Budapeste, dedicamos um post a mais uma sinagoga (além da Ortodoxa, já mostrada aqui): a Grande Sinagoga da Rua Dohány (Dohány utcai nagy zsinagóga). É a maior da Europa e representa um centro importante do Judaísmo Neológico.

Foi construída entre 1854 e 1859 pelo arquiteto vienense Ludwig Förster. Inspirada em modelos islâmicos do Norte da África e da Espanha medieval, tem estilo neomourisco ou neoislâmico, mas também com elementos bizantinos e góticos. Na fachada principal, chamam a atenção as duas torres octogonais de 43 metros, com cúpulas douradas, e a rosácea.

Detalhe da fachada principal da Grande Sinagoga

O interior – com capacidade para quase 3.000 pessoas – é deslumbrante, com afrescos do arquiteto húngaro Frigyes Feszl. Vários elementos lembram igrejas cristãs, como os mezaninos e, ainda menos comum em sinagogas, o órgão de tubos. O original, com 5.000 tubos, foi construído em 1859 e usado por músicos famosos, como Franz Liszt e Camille Saint-Saëns.

O templo, como se poderia supor, também sofreu durante a Segunda Guerra: foi bombardeado  em 1939 pelo Partido da Cruz Flechada (o primo húngaro do Partido Nazi alemão), e depois usado como base de rádio para os alemães e até como estábulo. De novembro de 1944 a janeiro de 1945, formou parte importante do Gueto de Budapeste, abrigando muitos dos judeus isolados por ordem do governo. Voltou a ser templo durante o período comunista e foi finalmente restaurado ao seu esplendor original nos anos 1990.

Nave principal da Grande Sinagoga

Detalhe da parte dianteira, onde se observa o órgão de tubos

O púlpito, outro elemento que lembra igrejas cristãs

Lustre e claraboia

Parte posterior do templo (mais alguns tubos do órgão, à direita)

Ainda no complexo da sinagoga, fica o Templo dos Heróis, para 250 pessoas; é o “templo de inverno” da congregação. No pequeno pátio lateral fica um cemitério, o que tampouco é usual haver ao lado de uma sinagoga. É que ali, muito por falta de alternativa, foram jogados e posteriormente sepultados os corpos de mais de 2.000 judeus que morreram durante o período do Gueto de Budapeste.

Na parte dos fundos, há o Memorial do Holocausto Raoul Wallenberg, em homenagem aos pelo menos 400.000 judeus húngaros mortos na Segunda Guerra. Destaca-se a Árvore da Vida, a escultura de um salgueiro-chorão, do artista Imre Varga; nos ramos estão inscritos nomes de vítimas. Ali também há o túmulo simbólico de Raoul Wallenberg, um diplomata sueco que resgatou muitos judeus, concedendo-lhes passaportes suecos e enviando-os para abrigos – e mais tarde, acusado de espião norte-americano, foi executado pelos soviéticos. Perto do túmulo há uma parede-vitral que simboliza o fogo do Holocausto.

A Árvore da Vida

Parede-vitral

Por fim, no prédio atrás do memorial (que se vê iluminado pelo sol na foto acima), há o Museu Judaico. Além de relíquias religiosas e objetos rituais, há uma sala que trata da vida dos judeus durante a Segunda Guerra. Para encerrar, fotos da repugnante propaganda anti-semita (traduções e explicações nas legendas).

No cartaz superior, um judeu com um saco de dinheiro e a inscrição: “Tomarei o reino e o poder”. No inferior: “A arma dos judeus é dinheiro. Não se entregue nas mãos de armas inimigas!”

Na entrada do gueto, o cartaz: “Bairro Judeu (Zsidónegyed): Cristãos estão proibidos de entrar”. (Faltou completar: e judeus, de sair…)

“Szalámi” é “salame”, mesmo. 🙂 Destaque para o judeu “devidamente” identificado com a estrela de Davi e para a curiosa igualização entre comunismo (a foice e o martelo) e judaísmo (a estrela de Davi).