New Year’s in the City

Continuando a viver intensamente meu recesso de inverno, dia 28 fui pela primeira vez ao Queens (o aeroporto JFK fica no Queens, mas isso não conta)! Fiquei sabendo de uma loja que vende produtos brasileiros em Astoria, Queens (US-Brazil Deli & Grocery). Fui lá com o objetivo específico de refazer meu estoque de mistura para pão de queijo Yoki (!), mas acabei voltando também com guaraná Antarctica (!!) e bolachinhas Bono de doce de leite (!!!).

Dia 30 fui com um grupo de amigos italianos (Daphne, Eugenia e Sarah) e japoneses (Misako e Naoki) patinar no gelo no Bryant Park. Quer dizer, pelo menos essa era a intenção. Quando chegamos lá, por volta de 11:30, ficamos sabendo que a pista estava fechada até as 13h por causa de um evento particular.

A vontade de patinar era grande, então resolvemos persistir. Para matar tempo, fomos à FAO Schwarz (uma loja de brinquedos da 5th Avenue que aparece no filme Big – o qual, por sua vez, não me lembro de ter visto!). O problema foi que matamos tempo de mais: acabamos chegando ao Bryant Park depois das 13h. A fila já dava voltas e voltas no parque!

A Misako tinha chegado um pouco mais cedo; estava um tanto mais à frente na fila. As italianas logo desistiram de esperar, até porque tinham outro compromisso logo em seguida. A fila estava andando, por isso o Naoki e eu decidimos esperar. A Misako entrou no rinque de patinação, e a fila continuava andando. Estávamos certos de que logo estaríamos lá também.

O rinque começou a superlotar, com muitos entrando e poucos saindo, e fila começou a ficar lenta, e mais lenta, até que estancou. Duas horas e quinze minutos depois de termos entrado, e ainda com muita gente à nossa frente (no ritmo que estávamos, passaríamos mais meia hora de fila, no mínimo), o tédio e o frio nos impeliram a sair. Além do mais, a Misako já estava de saco cheio de patinar (e de nos esperar!), e a ideia era patinarmos todos juntos… Foi um pouco difícil tomar a decisão de desistir, porque, depois de tanta espera, a tendência é virar “questão de honra”. Mas logo percebemos que era bobagem: já estávamos tão chateados com a fila que a vontade de patinar até tinha passado. Esperamos a Misako sair e fomos os três tomar café con leche no Juan Valdez Café da Times Square (café colombiano, muito bom e barato, mesmo sendo na Times Square).

A fila (à frente e depois dobrando à esquerda), pouco antes de sairmos

Fonte congelada no Bryant Park

Depois do café voltei pra casa, coloquei meu traje de gala, e fui à opera: Les Contes D’Hoffmann, de Offenbach, na Metropolitan (Met) Opera House do Lincoln Center! Foi uma experiência inenarrável, como diria o Sami. Raramente assisto a operas, mas normalmente gosto. Estou mais para “apreciador eventual minimamente instruído” que para “conhecedor aficionado”.

No último dia do ano, fui ao Brooklyn pela primeira vez (bom, eu já tinha ido ao Brooklyn Bridge Park, do lado de lá da ponte, mas isso também não conta!). Meu amigo Kyle e eu fomos pra lá na hora do almoço. Excelente ideia. Comida boa e muito, muito barata: cada um pagou $7 (com imposto e gorjeta) por uma porção generosa de “pad thai” mais chá gelado! Refeição completa por esse preço em Manhattan é coisa rara ou quase inexistente.

A Leslie nos encontrou no restaurante, e de lá fomos os três ao New York Transit Museum. É um museu da MTA (autoridade de trânsito metropolitana) que conta a história do sistema de metrô e ônibus de NYC, e mostra algumas peças antigas. Fica numa estação de metrô desativada (Court Street) num bairro muito simpático, o Brooklyn Heights. Tivemos só uma hora pra visitar o museu, mas foi muito divertido o passeio, especialmente na parte dos vagões antigos de metrô. (O meu registro fotográfico entitulado “A história da propaganda no século XX através de anúncios de metrô” vai ganhar um post específico a seguir!)


Brooklyn Borough Hall


Em frente ao Borough Hall


Injustiça arquitetônica: McDonald’s num prédio bonito


Ah, como eu queria me lembrar de que década era esse vagão…
Primeiro quartel do século XX, sem dúvida.
Um dos mais antigos do NY Transit Museum.


“Cuspir no chão deste vagão: multa de $500 dólares, um ano de prisão, ou ambos.” Ah, se o metrô de NYC fosse tão limpinho assim ainda hoje! Multa de $500 não é coisa pouca por uma cuspida, e detalhe: na época $500 valiam bem mais do que hoje (lembrete: inflação existe)! Na foto, pra quem não percebeu: eu, no papel de advogado (ou law enforcement officer), tentando prevenir que o Kyle cuspisse no chão. (Isso, claro, depois de muitas tentativas frustradas de tirar essa foto, tentando conter as risadas.) 😀


Leslie, entre dois vagões, o que hoje, sim, pode dar multa!


Este, se não me engano, era um vagão de pouco antes da Segunda Guerra.

Vagão dos anos 1940/1950 (pós-guerra).


Leslie e Kyle no mesmo vagão da foto anterior.


Brooklyn Heights (um bairro simpático, não?)


Manhattan vista do Brooklyn Heights Promenade, o passeio à beira do East River. “I had been dreaming of a White Christmas”, mas no fim das contas o que foi branco foi o Ano Novo, e não o Natal!

A aventura de virada de ano continuou com uma janta com vários amigos da City Grace Church no Fetch Bar & Grill, um restaurante temático de cachorros muito engraçadinho no Upper East Side. (Nalatos, esse tava totalmente pra ti!) Em seguida, as gurias foram para uma festa para a qual nem todos estavam convidados, hehe, e a gurizada foi para um bar tomar cerveja (sim, eu, que não gosto de cerveja, tomei cerveja – até que não estava ruim, mas continuo não gostando, haha) e jogar dardos.

Mais tarde chegaram mais duas amigas da igreja, e fomos com elas para uma festa de amigas delas… Ou seja, terminei 2009 e comecei 2010 na companhia exclusiva de pessoas que conheci bem no início do segundo semestre de 2009 (amigas e amigos da igreja) e de pessoas que conheci bem no fim do segundo semestre de 2009 (amigas e amigos das minhas amigas da igreja). 😛

Na hora da contagem regressiva, subimos para o telhado do prédio com nossos copinhos de plástico, cada um deles com um golinho de champanha, e brindamos! Não vimos a bola cair na Times Square, e estávamos muito felizes de não termos estado na Times Square desde as 2h da tarde só pra ver a bola cair.

Ao voltar pra casa, na rua e no metrô, não vi ninguém vestido de branco; só chapéus e acessórios multicoloridos e classificados em no mínimo uma das seguintes categorias: brilhantes, fiasquentos, ridículos.

Dia primeiro, cheguei ao Village às 3h, fui dormir às 4h, acordei às 8h. Reguei o Jacinto (a palmeira da Dori, minha amiga mexicana que viajou no recesso e me encarregou de baby sitter da planta), juntei meus brinquedinhos, e me fui pro aeroporto LaGuardia. Uma hora de metrô e ônibus.

No LaGuardia, o improvável aconteceu: encontrei a Flávia e o namorado dela. A Flávia é carioca, também faz Mestrado na NYU (embora não em Direito Internacional), foi minha colega na cadeira de Introdução ao Direito Americano, e é minha vizinha de andar aqui no D’Ag (nome carinhoso do prédio de dormitórios). A Flávia e eu éramos os únicos brasileiros que não tínhamos ido ao Brasil para as Festas! Enfim, ela e o namorado estavam indo para a Florida, e eu fui para San Antonio, Texas.

Minha conexão era via Chicago, um dos aeroportos mais arriscados de se fazer uma conexão nessa época, com riscos de atrasos e cancelamentos por causa de nevascas e outras condições meteorológicas desfavoráveis. Tudo pela passagem mais barata… Felizmente, tudo certo! Apesar do frio de -15 graus em Chicago, o céu estava de brigadeiro, e tudo correu bem.

No portão de embarque em Chicago, prontinho pra ir ao meu destino final, os funcionários da United anunciaram que tinha overbooking, e que eles talvez precisassem de cinco assentos. Pediram, então, por cinco voluntários que estivessem dispostos a abrir mão de seus assentos naquele voo; em troca, os voluntários receberiam, além de uma passagem no voo seguinte para San Antonio (três horas depois do original), uma voucher para uma viagem gratuita para qualquer lugar nos 48 estados contíguos dos EUA.

Claro que eu praticamente me atirei no balcão e me voluntariei. Uma espera de apenas três horas em troca da oportunidade de viajar de novo muito valeria a pena! Infelizmente a United acabou não precisando de nenhum dos cinco assentos, e pediu que eu e os demais voluntários embarcássemos no voo original. Mesmo assim, antes de embarcarmos, nos chamaram para o balcão e nos deram vouchers de $50. Posso não ter ganhado uma viagem extra inteira, mas já ganhei uma parte-de-viagem… e sem esforço.

À noite cheguei em San Antonio e fui efusivamente recebido por Hilli & Silvio e Lu & James, com direito a uma minifestinha aeroportuária incluindo língua-de-sogra, bolhinhas de sabão, e chocolates. Alguém se atreve a dizer que nasci na família errada?

Num próximo post, relatos das aventuras texanas do cowGuri!

3 ideias sobre “New Year’s in the City

  1. Stella Schneider

    Saudades do frio, sorte tua Martin, aproveita muito pq nós aqui estamos praticamente fritando! haaha Lindas fotos, lugares lindos…

    Curtir

    Resposta
  2. Pingback: Belle époque sobre trilhos subterrâneos | Martin D. Brauch

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