Belle époque sobre trilhos subterrâneos

Em 1913, após dois anos de escavações e construções, foi inaugurada a Línea A do subte, o metrô de Buenos Aires. Assim surgiu a primeira linha de metrô da América Latina e do hemisfério austral, apenas alguns anos depois do underground (tube) de Londres, do métro de Paris, do U-Bahn de Berlim e do subway de New York City.

Entre os primeiros trens usados no subte estavam os fabricados na década de 1910 pela empresa La Brugeoise, na cidade de Bruges, Bélgica. Os vagões tinham revestimento e bancos de madeira, luminárias em forma de tulipa, portas com abertura manual.

Quando fui a Buenos Aires pela primeira vez, em 2007,  fiquei deslumbrado que esses trens centenários ainda circulassem na Línea A. Tive a oportunidade de andar neles algumas vezes. Era um passeio ao início do século XX. A penumbra dos vagões ainda exalava a nostalgia da belle époque porteña, em que Buenos Aires era conhecida como a París de Sudamérica.

Ao voltar a Buenos Aires em 2014 e novamente andar na Línea A do subte, senti falta das “Brujas”, como são conhecidos os trens, por causa do nome espanhol (Brujas) da cidade belga (Bruges) onde eram produzidos. Como “bruja” também quer dizer “bruxa”, ficou o trocadilho.
O que eu não sabia é que em 12 de janeiro de 2013 houve uma caça às bruxas: os centenários trens, então os mais antigos em operação no mundo, foram tirados de circulação.

A ideia, naturalmente, era modernizar o sistema, mas, também naturalmente, houve oposição e polêmica. As Brujas foram formalmente declaradas patrimônio histórico e cultural da cidade de Buenos Aires. Algumas estão sendo restauradas e voltarão a circular, mas fora de serviço, apenas para passeios turísticos em finais de semana. Em 2014 já se fizeram alguns testes com Brujas cujos componentes eletromecânicos foram restaurados e modernizados.

Até que os trens de metrô mais antigos do mundo voltem a circular, ficamos só na nostalgia…

Alguns links recomendados, para quem quiser ler ou ver mais:

  • A revista Perfil e a BBC prepararam galerias de fotos com a história do subte, incluindo a construção e os primeiros anos de operação.
  • Mais leituras e fotos sobre o Taller Polvorín, construído em 1914 pela Compañía de Tranvías Anglo-Argentinas como lar para os trens da Línea A, então chamada de Línea Anglo-Argentina.

3 ideias sobre “Belle époque sobre trilhos subterrâneos

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