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Pensa num país com J

A brincadeira do “pensa num país com…” começou em 2011, quando contei da minha viagem à Dinamarca, e seguiu em 2013, quando comecei a série de posts sobre meus passeios na Índia. Depois de um salto em 2015, volto em outro ano ímpar para começar a postar sobre as três semanas que passei de férias no Japão em maio.

E, como o atraso neste blog é gigante (melhor nem pensar se eventualmente estarei de novo em dia; a lista é grande e só aumenta), vou começar sem delongas.

Após pousar em Tóquio, fui de Shinkansen (o invejável trem-bala japonês) até Hamamatsu, onde passei uma semana com minha amiga Misako, que conheci na igreja de que participávamos em Nova York. Do trem tive a grata recompensa de ver o Monte Fuji – principal cartão-postal do Japão – pela primeira e única vez na viagem. (O roteiro desta vez não incluiu o Monte Fuji – ficou para o “gostinho de quero mais”.)


Monte Fuji ao entardecer, visto ao longe do Shinkansen entre Tóquio e Hamamatsu

Como eu suspeitava, minha amiga Misako foi uma anfitriã formidável. A semana em Hamamatsu foi perfeita para minha aclimatação ao Japão: comidas caseiras deliciosas, passeios exploratórios pela cidade, dicas culturais (inclusive gastronômicas) que valeram ao longo da viagem… Os desafios da comunicação com a mãe dela, que não fala outra língua além do japonês, foram uma boa prática para muitos outros lugares que visitei no Japão – onde o inglês é bem menos difundido do que eu imaginava.


Meu primeiro café-da-manhã no Japão. Um luxo! Salmão, sopa miso, algas marinhas, arroz, ohitashi komatsuna (“ohitashi” porque é um “vegetal fervido” com flocos de atum secos, molho shoyu e sementes de gergelim; “komatsuna” porque o “vegetal fervido” é uma espécie de espinafre), umeboshi (ameixa em conserva).


De carro com a Misako pelas ruas do bairro dela em Hamamatsu (mão japonesa!)

Minha chegada ao Japão fui justamente (e, claro, propositalmente) na chamada Golden Week (ou Semana Dourada), o maior feriadão japonês. Além de poder aproveitar mais tempo com minha anfitriã, tirei vantagem dos festivais e eventos culturais que acontecem nessa semana. Os três principais feriados comemorados são o Dia da Constituição (3 de maio), o Dia do Verde (4 de maio) e o Dia das Crianças (5 de maio).

Para o Dia das Crianças, é comum as famílias japonesas enfeitarem seus pátios com bandeiras em formato de carpa, ou Koinobori (鯉のぼり) (a palavra koi, também usada em inglês, significa carpa). Em japonês, essa palavra é homófona de outra que significa “afeição” ou “amor”, e por isso o peixe é um símbolo de amor e amizade no Japão. No Dia das Crianças, os koinobori coloridos e festivos simbolizam o desejo de uma infância saudável e de um futuro feliz!


Koinobori na casa de um dos vizinhos da Misako

Apesar da ocidentalização, em muitos aspectos o Japão me surpreendeu como um país muito diferente de outros que já visitei mundo afora – mesmo nos lugares comuns do cotidiano. No supermercado, além da organização e da limpeza impecáveis, chamou minha atenção como as prateleiras são baixinhas (bom, digamos que mais adequadas à altura média da população). Nunca me senti tão gigante! Na farmácia (e em muitos outros lugares), um pouco do que eu chamaria de poluição visual – uma mistura de cores e letras grandes e imagens… E, em ambos os lugares, muita luz fluorescente!


Vista geral (de drone? não, da altura dos meus olhos, mesmo!) do supermercado Entetsu


Variedade de máscaras descartáveis à venda na farmácia para elas e para eles. É quase um acessório de moda no Japão!

Outro aspecto que me chamou a atenção foi a integração entre o urbano e o rural numa mesma zona. É quase como se cada cada tivesse não o seu jardim, mas a sua pequena lavoura (em muitos casos até de arroz irrigado). Achei inicialmente que fosse uma particularidade da área onde a Misako mora, mas vi cenários parecidos em outros lugares que visitei mais adiante na viagem.


Casas, mas também lavouras e máquinas agrícolas


Tecnologia e energias renováveis em toda parte: painéis solares…


… e usinas eólicas, às margens do Rio Tenryū, onde deságua no Oceano Pacífico


Paragliders coloridos à beira do Oceano Pacífico, em Hamamatsu

Depois do passeio de exploração do território na parte da manhã, almoçamos okonomiyaki (お好み焼き) caseiro feito pela Misako e pela mãe dela. É uma espécie de panqueca salgada com repolho ralado, farinha, batata doce, ovos… e camarão (mas também pode ser com carne vermelha ou de porco). Provei outras variedades do prato em outras áreas ao longo da visita ao Japão.

Por fim, a experiência de andar de ônibus em Hamamatsu! Os veículos são muito limpos e bem cuidados e o sistema é bem organizado, pontual e ambientalmente consciente (é costume desligarem o motor nas sinaleiras, por exemplo). A tarifa não é única (depende das paradas de embarque e desembarque) e me pareceu um pouco cara, considerando a distância dos trajetos.

Ao entrar no ônibus o passageiro retira uma ficha de papel, que contém um número, a data e uma espécie de código de barras. O número impresso no ticket muda a cada parada. Um painel eletrônico na frente do ônibus, atualizado a cada parada, indica, para cada número, a tarifa a ser paga. No desembarque o passageiro deve colocar o bilhete e o pagamento (em moedas ou cédulas pequenas) numa mesma máquina, que lê o código de barras, reconhece o valor pago e devolve o troco. Pouco prático, mas high tech!

Mas a maior dificuldade inicial foi mesmo se achar pela cidade, porque os anúncios das paradas pelo sistema de som eram em japonês somente… Nas primeiras vezes contei com a ajuda da Misako e logo me acostumei. Ainda bem que os japoneses usam os algarismos indo-arábicos – na falta de conhecimento do idioma japonês, entender o número da parada, o número do ônibus e o valor da tarifa me ajudou bastante!


Foto da primeira viagem de ônibus… mas o destino desta viagem – meu primeiro passeio no centro de Hamamatsu durante a Golden Week – fica para o próximo post!]

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