Fevereiro e o trânsito laplatense

Bem se vê que começou fevereiro. De um dia para outro, todos voltaram de sei-lá-onde (Mar del Plata? Punta del Este? Florianópolis?) e a cidade se encheu de gente. Na hora de ir à fundação, vi muitos estudantes caminhando pela rua, o que até então (por óbvio) não vira. Muitas lojas também já estavam abertas. E o trânsito ficou ainda mais complicado.

Vale dizer que aqui a lei de trânsito é, essencialmente, a lei do mais forte. Até agora não entendi bem quem tem preferência em uma rua em que não há semáforo. Me parece que são todos e ninguém ao mesmo tempo. Tudo bem, vão me dizer que é como no Brasil – em um cruzamento sem sinalização, venha o condutor de onde venha, tem que parar. Mas lá é muito mais comum haver placas de “pare”, das quais aqui não há muitas. A maioria dos cruzamentos é sem sinalização, o que dá, sim, um ar caótico ao trânsito.

Para o meu gosto, os argentinos usam a buzina em demasia. Buzinam por qualquer motivo, ou mesmo sem motivo. Pode ser por irritação no trânsito, ou talvez a explicação seja a mesma do parágrafo anterior: já que a lei de trânsito é a do mais forte, cada condutor não só acha que sempre tem razão como de fato a tem.

A frota é algo curiosíssimo. Há muitos carros novos e modernos (muitos dos quais, me disseram, são produzidos no Brasil), mas me lembro da observação que fez meu orientador depois de conhecer Cuba: sua frota tinha parado de evoluir no meio do século XX. Aqui a situação evidentemente não é tão drástica, mas há um grande número de carros antigos; os que me chamaram a atenção são da Fiat, da Peugeot e da Renault. Táxis, creio que tenha visto poucos novos.

E, tendo em vista a lei do mais forte, muitos dos carros que circulam na cidade estão amassados aqui ou ali. Pouco tempo antes de eu chegar à Argentina, Horacio, el jefe, sofreu um acidente. Felizmente ninguém se machucou, mas a porta do seu carro ficou toda amassada. E não é que seja um mau condutor. Já andei com ele e sei que não é o caso. Considerando o trânsito daqui… se entende bem que esse tipo de coisa seja freqüente!

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