Buzina

Alguém buzinou pra mim enquanto eu caminhava pelo Village, da estação de metrô à biblioteca, arrastando minha mala (literalmente: é uma pequena mala, dessas de levar de bagagem de mão) com os livros para meus estudos. Às 8h da manhã, com o Village quase deserto, dá pra ter certeza: a buzina era pra mim. Não foi uma buzina-xingamento; foi antes uma buzina rápida e simpática.

Em Pelotas, buzina rápida e simpática normalmente significa que um conhecido te viu na rua e quis te cumprimentar. Aqui, porém, a chance de isso acontecer é nula: ninguém que eu conheça tem carro. Mas mesmo assim eu olho, como há pouco olhei, pra ver quem era. Claro, sou de Pelotas. Vai que seja algum conhecido? Santa ingenuidade.

Outra vez que isso aconteceu (em pleno domingo de manhã, na caminhada de uma quadra entre a igreja e o prédio onde eu morava), baixaram o vidro do carro e cumprimentaram meus atributos físicos, de uma forma tão particularmente nova-iorquina que prefiro não transcrever aqui. Nada de mais, e nem teria sido incômodo, não fosse por um detalhe: era um cara (!). Não sei por que eu insisto em olhar… Ignorar e seguir caminhando (o que em Pelotas é grosseria) aqui é sempre a opção certa.

Hoje, de novo, não resisti e olhei. Obviamente não era nenhum conhecido. Era um taxista. O táxi estava reduzindo a velocidade e pouco a pouco se aproximando do meio-fio. Aí que me dou conta (sabe como é, de manhã o raciocínio é um pouquinho mais lento): como me viu puxando uma mala, talvez o taxista tenha suposto que eu gostaria de pegar um táxi. Estranho, de qualquer forma, porque conseguir um táxi em Manhattan é a coisa mais trivial; se eu realmente quisesse um, estaria dentro de um, não caminhando na calçada. Aí por aqueles segundinhos incômodos ficou o taxista a me olhar, meio que indagando se eu queria um táxi. Quando me dei conta, claro, fiz o que deveria ter feito desde o início (ignorar e seguir caminhando), pra ver se o taxista seguia seu rumo. E foi o que ele fez.

Já é a segunda vez que tenho esse tipo de interação com taxistas. Vai ver que os taxistas de NYC estão ficando sem serviço e estão correndo atrás da demanda? Impossível. Vai ver, então, que estão se tornando mais simpáticos? Duvido ainda mais. Acho que isso só acontece para eu ter aleatoriedades matinais para postar no blog.

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