De volta ao TPG

TPG é sigla de “Transports Publics Genevois”, mas podia muito bem ser de “tempo de postagem do Guri”. Meus últimos posts foram escritos durante minhas viagens de ônibus e bonde entre Genebra e Troinex. Por um tempinho acabei deixando de lado o TPG (a ambiguidade é intencional!). Agora, de volta ao TPG (de novo!), explico o que aconteceu nas ultimas duas semanas.

Sexta-feira 22 de outubro fui de trem à Alemanha. Mesmo trabalhando de lá durante a semana, passei bastante tempo com meus familiares (reunião de família a 77%) – e especialmente babei nos meus sobrinhos recém-nascidos, Isabel e Felipe.

Sábado 30 encontrei o Lev, um grande amigo de Nova Iorque que mora em Colônia. Ele veio ao meu encontro de trem e seguimos juntos, de carro, até Loreley, uma rocha à margem do Reno, no trecho mais estreito do rio entre a Suíça e o Mar do Norte. É um lugar bem folclórico, conhecido por causa da história da Loreley, uma sereia-moça que encantava os navegadores com sua voz e assim causava a morte deles (coisa típica de sereia).

Fato curioso é que a poucos quilômetros de Loreley fica Damscheid, onde nasceram meus antepassados maternos. A beleza fascinante de Loreley, sua voz encantadora, seus olhos verdes e seus cabelos loiros confirmam o que dizem na região e que na minha família sempre se soube: Loreley era Lolô de Damscheid, minha tataravó.

E que ninguém venha me criticar dizendo que estou aumentando a lenda, porque nem lenda é. Muitos (inclusive eu, até poucos dias atrás) acham, erroneamente, que a história da Loreley vem de uma lenda antiga. Na verdade, ela se originou de um poema de Clemens Brentano. Esse poema foi seguido de vários outros, sendo o mais famoso o poema de Heinrich Heine (1797-1856). Dizem que é tudo ficção, mas pode muito bem ser uma “história baseada em fatos reais”. Lolô de Damscheid viveu na mesma época em que Heinrich Heine. Pra mim, é evidente que foi sobre ela que ele escreveu.

Às 13h busquei o Lev na estação de trem de Montabaur e às 17h já o deixei na estação de Koblenz, porque ele tinha de voltar logo para Colônia. Em apenas quatro horas, almoçamos com tranquilidade, dirigimos mais de 100Km em terras desconhecidas (para ambos), conversamos como dois amigos que não se viam há meses (o que era verdade!), e ainda fizemos um lindo passeio turístico. Um rendimento inacreditável, mas não tão inacreditável quanto a beleza das paisagens outonais que vimos durante a viagem e do alto de Loreley.


Lev e eu, no alto de Loreley


Do alto de Loreley


Sankt Goar, do lado de lá do Reno


Sankt Goarshausen e Burg Katz, do lado de cá do Reno


Mais provas de que estivemos lá! Hehe!


Damscheid fica praqueles lados


Vista “sul”


Com a Loreley


Burg Rheinfels, no outro lado do Reno (Sankt Goar)


Mais Sankt Goar


Heinrich Heine, o autor do poema


Na volta pra casa, na Isselbacher Straße. Ainda bem que não tinha ninguém, porque eu tive que parar pra tirar uma foto!


De volta a Isselbach, onde meus pais moram (no térreo)

Domingo 31, Dia da Reforma (e não me venham com outros eventos para essa data), ironicamente deixei para trás o país da Reforma Luterana para voltar a Genebra, de onde foi propagada a Reforma Calvinista. Vim de carro com meus pais – dirigi todo o trecho dentro da Suíça, o que foi um quase prazer. Logo na chegada em Genebra, fiz com eles a caminhada típica de boas-vindas: da margem do lago até a Catedral de Saint Pierre. Por três dias eles passearam por aí, visitando vários museus que eu sugeri (inclusive alguns que nem eu vistei ainda), enquanto eu trabalhava, e à noite algum tempo juntos. Terça-feira, por exemplo, fizemos algo tipicamente suíço: jantamos fondue (para mim, segunda vez desde que moro em Genebra). Ontem eles seguiram viagem, para a Alemanha, via Berna.

E eu fiquei por aqui… tentando me acostumar à de novo à rotina. Nesses primeiros dias da semana, como meus pais estavam aí de carro, dirigimos até o meu trabalho todas as manhãs. (De lá, eles pegavam ônibus ou trem para fazer seus passeios sem se preocupar com estacionamento.) A nova experiência de direção em Genebra serviu para confirmar que fiz um excelente escolha ao decidir não ter carro aqui. O trânsito em hora de pico é lento e irritante. Ganho muito mais passando esse tempo no TPG e usando-o como TPG.

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