A importância de Chico Pedreiro

Embora de uma forma bem diferente da que eu imaginava na minha adolescência (mas o que eu imaginava não é o assunto deste post!), vivo da palavra. Como advogado consultivo, a palavra é meu principal instrumento de trabalho para interpretar o Direito, aconselhar clientes, redigir contratos e revisar (ou reescrever, em casos extremos) contratos preparados por outros.

Há poucos dias, conversando sobre redação com uma colega que pensa bastante como eu quanto ao assunto (ambos adotamos a definição de “escrever” como “a arte de cortar palavras“), chegamos à discussão sobre “certo” e “errado” na escrita. Nesse contexto foi que me me lembrei do texto do post anterior, que escrevi para uma disciplina de Linguística e Comunicação no Curso de Jornalismo da UFRGS, em 2003 (longínqua época em que Linguística ainda se escrevia com trema). Em homenagem ao décimo aniversário do texto, resolvi publicá-lo aqui no blog.

Normalmente não gosto do que escrevo, mas esse texto quase podia ser uma exceção. Observa que não chega a ser exatamente isso. Gosto do texto, pela ideia, pela mensagem, pela nostalgia. Hoje a nostalgia é dupla, porque diz respeito tanto ao tempo em que “desimportante não existia” quanto ao tempo em que, um dia por semana, eu viajava três horas e meia na ida de Pelotas a Porto Alegre e mais três horas e meia na volta, só para estudar Linguística na Úrguis.

Ao mesmo tempo, o texto me envergonha pelo pedantismo de primeiranista de Bacharelado em Direito, aquele pedantismo que muitos colegas juristas parecem levar consigo deliberadamente não só até o fim do curso, mas até o túmulo, para a desgraça das profissões jurídicas e, com um pouco de exagero aceitável, da humanidade. O texto me faz perceber o quanto minha redação hoje é menos metida a besta e mais concisa. Nesse sentido, gosto dele até porque não gosto dele; ele me provoca, como Camões talvez colocasse, um contentamento descontente.

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