Repensando necessidades

Acostumar-se com um aumento no padrão de vida é tranquilo; difícil é aceitar uma diminuição. Desde os casos mais trágicos (perder bens por causa de uma enchente) aos tragicômicos (depois de ter banda larga, mudar-se para uma cidade onde não há portas de banda larga disponíveis e, por isso, ter de voltar à conexão discada), o padrão inferior incomoda e infelicita a vida.

Mas e se, em vez de acidental e súbita, a diminuição no padrão de vida for deliberada? E se for insignificante ou apenas aparente?

É o que tenho pensado ultimamente quanto a deixar de ter um carro. Na linha do último texto, andei conversando sobre o assunto com amigos e parentes no último final de semana. Cada vez fico mais convicto de que o custo de ter um carro não cobre a comodidade.*

Pelo menos para mim. Claro que isso é muito pessoal. Para um pai de família que mora no subúrbio (como a Zona Sul de Porto Alegre), ter carro é muito mais importante que para um solteiro que mora ao lado de dois shopping centers e pode chegar ao trabalho com um só ônibus.

As pessoas com quem tenho conversado parecem um pouco preocupadas: “pensa bem; não age impulsivamente”. Claro. Tenho pensado bastante.

Mas me parece que em parte a preocupação das pessoas (bem-intencionada, sim) se deve a pressupostos diferentes dos meus. Muitos pensam “por que não ter um carro, podendo ter um?” em vez de “por que ter um carro, não precisando de um?”. Talvez pensem mais que eu no status social. Talvez pensem que deliberadamente deixar de ter um carro seria um retrocesso: querer trocar banda larga de 10 Mbps por discada de 56 Kbps… ou por uma vida sem conexão à Internet!

Quando me sinto mais próximo de uma decisão, as dúvidas dos outros me contaminam, mas não num sentido ruim: é bom ter essas dúvidas, porque assim me resguardo de uma decisão impulsiva. Vou seguir brincando de não ter carro (já voltou do conserto, mas ainda não chegou minha carteira de habilitação renovada) e ver como me sinto nas próximas semanas. E aí decidirei.

* Cada vez fico mais convicto de que o custo de ter um carro não cobre a comodidade. Hoje estou aliterando como se não houvesse amanhã. E na verdade não há.

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5 ideias sobre “Repensando necessidades

  1. Carolina Grassi

    Oi, MARTIN!! Muito boa a tua reflexão. Eu acredito que quanto menos nos apegarmos às coisas que aparentemente precisamos melhor. Digo que o mundo de hoje está todo tempo nos dizendo o que precisamos para sermos felizes. “Só serei feliz se tiver um telefone de última geração, table, notebook, carro, etc.” Acontece que isso não nos fará realmente felizes. Eu sou da opinião que se tu tens à disposição um bom transporte público, o carro torna-se dispensável. Para os fins de semana, taxi. Com certeza, se colocares na ponta do lápis, a conta sairá mais barata. Infelizmente, não posso me dar ao luxo de ficar sem carro em Brasília. Mas tenho fé, que o transporte público aqui vai melhorar. E um dia, quem sabe, vendo meu carro e me livro de IPVA, seguro obrigatório, licenciamento, seguro privado, gasolina, revisão e por ai vai. Um beijo. Carol

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    1. Martin D. Brauch Autor do post

      Oi, Carol! Que bom voltar a contar com teus comentários no blog! 🙂 Olha, ainda estou bastante em dúvida. O transporte coletivo é bem melhor em POA que em BSB (#fato), mas não sei se chega a ser tão bom a ponto de eu poder ficar sem carro. Estou em dúvida. Decide por mim? 😀 Beijo!

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  2. Daniela

    Pois embora eu AINDA tenha um carro, acredito ser uma decisão muito sábia não tê-lo. Aproveite enquanto ainda podes não ter um carro. O custo, definitivamente, não cobre a comodidade.

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    1. Martin D. Brauch Autor do post

      Pois é, Dunys, na verdade, ainda não decidi se “ainda posso não ter um carro”. Tenho mais duas semanas para decidir!

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  3. Pingback: Vergonhosamente motorizado | Martin D. Brauch

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