Um celular deveria bastar

Primeiro comprei um número daquela azul dos 25 centavos por dia. Estava indo muito bem, até que comprei meu primeiro celular (todos até então tinham sido os antigos de pais, irmãs e cunhados). No novo aparelho, a conexão à Internet por aquela azul dos 25 centavos não funcionou, não sei por quê. Migrei meu número para aquela vermelha dos 21 centavos.

Só que eu já estava mal-acostumado a falar com muita gente por 25 centavos. Além disso, muita gente estava acostumada a falar comigo por 25 centavos e não conseguiu se acostumar com o fato de que meu número passou a ser da vermelha de 21 centavos. Causei confusão.

Então resolvi comprar mais um número da azul de 25 centavos, e usá-lo em um dos celulares antigos, herdados, sobressalentes. Anunciei o novo número ao pessoal da azul de 25 centavos. Continuei usando o número da vermelha de 21 centavos no telefone novo, principal, com Internet.

Ambos são pré-pagos. Gasto no máximo 40 reais por mês e me recuso a gastar mais com celular.

Confusão resolvida – para todos, menos pra mim. Tenho de andar por aí com dois aparelho. Às vezes me esqueço de levar ou de carregar um deles (o sem Internet, o secundário, só para chamadas da azul de 25 centavos). Ou perco chamadas de um ou de outro. Ou me esqueço de bloquear o teclado e faço ligações sem saber. Ou todas as anteriores incontrolavelmente.

Tenho uma colega que optou por não ter celular (mais ou menos como estou quase por optar por não ter carro). Acho admirável. É um fator de estresse a menos.

Pra mim, estresse seria ficar sem celular: não tanto pela telefonia (quase não uso), mas pela Internet. Não me imagino sem. A regra pra mim quanto ao número de celulares é a do “um é pouco, dois é bom, três é de mais”, mas menos um. Nenhum celular seria pouco. Um seria bom. Dois já são de mais.

O problema é que não se tem outra opção. Conheço muita gente que, para economizar, tem números de mais de uma operadora, aproveitando as vantagens de cada uma. Fora dos 21 ou 25 centavos nas chamadas para números da mesma operadora, as tarifas são altíssimas – quatro ou cinco vezes as promocionais. As prestadoras de serviço de telefonia móvel não competem: somente dividem, fidelizam, escravizam. E lucram, claro.

Enquanto isso, na Suíça, uma operadora oferece chamadas internacionais por 5 centavos por minuto. Nos EUA, por menos de 50 dólares tinha um pacote ilimitado em tudo: ligações para fixos e celulares em todo o país, SMS para celulares de todo o país e de qualquer operadora, Internet todos os dias sem limitação de volume de tráfego. Todas as operadoras ofereciam pacotes assim.

Um dia a telefonia no Brasil chega lá. Por enquanto, a dica pra quem quer ter telefone móvel sem gastar um absurdo é confundir os amigos tendo vários celulares pré-pagos, um de cada operadora disponível no mercado, para aproveitar as vantagens de cada uma delas.

E, pra carregar tudo isso, com muito estilo, uma pochete.

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