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Nervos em frangalhos

Há pouco – ao receber o muito bem-vindo comentário dos sempre muito bem-vindos amigos Karina e Felipe – me dei conta de que nem título coloquei no último post… pela primeira vez no bdG, post sem título.

No fundo, é apenas um dos sinais de que estou à beira de um breakdown por causa dessa espera pelo resultado da dinâmica de grupo. Apesar do e-mail que mencionei no último post, nada. Nada! Acabei de conferir de novo. Passei o dia inteiro conferindo…

Tudo bem, disseram que o resultado seria publicado “ainda hoje”, e “hoje” tecnicamente ainda não terminou – mas acho muito difícil que publiquem depois de encerrado o horário comercial.

Odeio promessas não cumpridas. Hrumpf.

Dinâmica de grupo

Recebi por e-mail a informação de que o resultado da dinâmica será divulgado ainda hoje. Bah, uma lágrima chegou a correr no cantinho do meu olho. Tudo bem, não terá sido tecnicamente “no início da semana”, mas de qualquer forma virá para aliviar minha tensão.

Bom dia, São Paulo

Eu não me oporia a dormir mais quinze minutos.

Mas entre 6h e 7h o trânsito fica tão pesado e barulhento, especialmente por causa dos ônibus arrancando Brigadeiro acima, que é impossível não acordar e igualmente impossível voltar a dormir. O dia começa a contragosto, autoritariamente. Bom dia pra ti também, São Paulo.

Sutilezas específicas da Avenida Paulista

Na Livraria Cultura, vi vários aspectos alusivos ao ano da França no Brasil, como ilhas com filmes e livros franceses e cartazes de propaganda. Num deles li a seguinte pergunta provocativa: “O que há de comum entre a Champs-Elisées e a Avenida Paulista?“. Me deixou pensando – acho que essa era a ideia!

Já tinha tentado comparar a Avenida Paulista com a Nueve de Julio de Buenos Aires, sei lá, por causa da largura, do trânsito – mas, por alguma razão, a comparação me pareceu um pouco estranha. A comparação com a Champs-Elisées também não me pareceu perfeita. Na comparação com a Nueve de Julio, talvez falte na Paulista um Obelisco (o daqui está “deslocado” no Parque do Ibirapuera!). Na comparação com a Champs-Elisées, talvez falte na Paulista um Arco do Triunfo ou um ar menos metropolitano e mais europeicamente chique – cafés, boutiques, cinemas. Talvez a Paulista com as mansões de outrora tivesse mais a ver com a Champs-Elisées (de sempre).

Caminhando de volta pra casa, passei por um cara tocando flauta-doce no meio da calçada. Primeiro, achei sofisticadíssimo; algo bastante europeu, diga-se de passagem. Depois me alegrei com a coincidência – sendo eu também um flautista-doce (quase aposentado por invalidez). Por fim, fiquei surpreso com uma coincidência ainda maior: ele tocava o refrão de Chuvas de bênçãos, uma melodia bastante conhecida, que no hinário luterano tem a seguinte letra:

Chuvas de bênçãos, chuvas de bênçãos dos céus!
Gotas benditas já temos; chuvas pedimos a Deus.

E o povo seguia caminhando, indiferente. Claro que ninguém deu bola. Eu achei legal e comecei a assobiar. Claro que ninguém deu bola.

Sutilezas da semana de paulistano

Confesso que tinha certo preconceito quanto a São Paulo e a paulistas. (Os bons sempre pagam pelos maus: foi por causa de um paulista específico, por quem não coloco minha mão no fogo… hehe! Quem me conhece bem, deve saber.) Felizmente passou.

Andar por aí tem sido uma experiência interessante, de certa forma preparatória, um período de transição – de SLS a NYC.

De um lado, São Lourenço do Sul, a cidadezinha pacata do interior do Rio Grande, onde em dois meses de tentativa ainda não tenho Internet banda larga, onde durante a noite um espirro parece uma explosão estrondosa em meio ao absoluto silêncio, onde todos se dizem “bom dia” quando se cruzam pelas calçadas.

De outro lado, São Paulo, a metrópole no centro econômico do país, onde a avenida das mansões agora tem praticamente só arranha-céus, onde o trânsito é barulhento e incessante dia e noite, onde as pessoas caminham rápido e sem parecer se importar com a presença dos outros ao redor. De um jeito ou de outro, tem a ver com NYC.

Mas nem tão livre assim quarta 13/5/9

Livre, livre, livre no post anterior, mas preciso ainda dizer que queria mais liberdade. Afinal, hoje, aniversário de 121 anos do fim da escravidão no país (121, justo o número do homicídio no Código Penal), achei que ficaria livre da escravidão do F5 (“atualizar o browser”, para os não-iniciados no transtorno obsessivo-compulsivo) no site pra ver o resultado da dinâmica de grupo.

Mas não. Ainda sem resultados. Ainda preso aos grilhões do F5. Tinham prometido divulgar no “início da semana”. Pra mim, início da semana já acabou ontem.

Ora, início da semana, pra mim, é segunda e terça. “Meio da semana” vai de terça a quinta (existe aqui uma certa superposição). “Fim da semana” é quinta e sexta, e “fim de semana”, claro, sábado e domingo. Tô certo ou tô errado?

Paulista Cultura quarta 13/5/9

Livre, livre, livre de preparativos da inscrição para a bolsa de estudos, hoje consegui estudar bastante durante o dia e me sentir ainda mais livre pra passar um pouco à tardinha.

Voltei a subir até a Paulista e, desta vez, caminhei cosmopolitamente direito à Livraria Cultura. Troquei o vale-presente que ganhei de formatura da Gabi Zago (antes tarde do que nunca, né, Gabriela! haha) e ainda comprei… praticamente nada, considerando o tamanho da vontade
de comprar. Mas a necessidade de economizar é ainda maior, então me contive.

Paulista Masp terça 12/5/9

Com a chegada dos documentos para a entrevista do visto, estava pronto para pôr os pés na rua. Aliás, atravessei a rua, peguei grana no BB, atravessei de volta e fui ao Citibank pra pagar a taxa de entrevista no consulado. E pra quem pensa em estudar nos EUA:

  • AFCOE: 50 dólares
  • SEVIS: 200 dólares
  • Agendamento de entrevista: 38 reais
  • Taxa do consulado: 275,10 reais
  • Estudar na NYU: não tem preço infinity gazillion dollars

Depois fui à agência dos Correios – ao lado do Citibank (não dá pra acreditar que tudo é tão perto) – e enviei a inscrição que vinha preparando para a outra bolsa de estudos. Finalmente livre!

Resolvi passear um pouco, pra não dizerem que vim a São Paulo sem ver São Paulo. “É legal estar na Paulista”, me dissera minha tia. “Adoro caminhar na Paulista à tardinha – com aquele movimento – horrores de gente – me sinto super cosmopolita”, me dissera a Fah. Então, finalmente livre, às 15h em ponto, subi a Brigadeiro até a Paulista.

Conferi, primeiro, que é bom mesmo estar e caminhar na Paulista e se sentir cosmopolita. Em seguida, fui aproveitar o dia dos pobre: entrada franca no Masp. Apenas uma exposição podia ser visitada: a de Vik Muniz – natural de Sampa, morador de NYC.

Quem sou eu pra falar de arte – mas vamos lá.

Minha (parca) experiência com arte contemporânea até então tinha sido mais através do desagradável, do nojento, do revoltante – mas tudo sem deixar de ser interessante e intrigante.

Já da exposição de Vik Muniz gostei por causa do agradável. Fotografias feitas pelo artista de suas próprias obras, moldadas ou pintadas a partir dos mais diversos materiais: numa, usou calda de chocolate; noutra, peanut butter and jelly; e por aí vai: arame, areia, açúcar, pedaços de revista, sucata, terra, retroescavadeira no terreno duma mineradora – tudo inteligentemente usado e contextualizado.

Preparativos segunda 11/5/9

Há semanas debruçado sobre os textos para mais um pacote de inscrição de mais uma bolsa de estudos, finalmente consegui pôr fim a essa ladainha. E meus pais colocaram no correio a documentação para a entrevista de visto no Consulado dos EUA. Quase livre!

Milagre domingo 10/5/9

Dia perfeito para um milagre: no domingo consegui marcar pela Internet, para sexta-feira 15/5, entrevista de visto no Consulado dos EUA em São Paulo! Nunca imaginei que conseguiria tão rápido.

Mas nem tudo é perfeito: claro que os documentos que a NYU me enviou, necessários pra marcar a entrevista de visto, chegaram a São Lourenço no dia em que eu cheguei a São Paulo. Grrr.