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Sampa indo pros finalmentes

Não, não me estava fazendo de louco postando sobre o álbum do Coldplay para download gratuito. Sei que devo outras satisfações.

Dormi da 1h até as 8h, o que até foi bastante nesses tempos em São Paulo, mas acordei com cara de alguém que nunca dormiu na vida. As olheiras iam até a altura dos calcanhares. Mas melhoraram bastante até que chegasse ao Consulado dos EUA para a entrevista do visto.

Estava nervosérrimo. Quando a minha senha apareceu como uma das próximas no painel eletrônico, verifiquei a pulsação por 15 segundos. Não precisei nem pôr os dedos no pulso ou no pescoço – todo o meu ser retumbava. Deu 20 batimentos, ou seja, 80 por minuto. Em repouso. E aí me lembrei que depois de exercícios pesados nos treinos de natação, nos meus bons e curtos tempos na equipe do Clube Diamantinos, dava 17 ou 18.

Todo esse fiasco cardíaco pra nada. Cheguei na janelinha da entrevista e entreguei os formulários obrigatórios. A funcionária perguntou (e eu respondi) pra onde vou (Nova York), pra que (Mestrado em Direito Internacional), em que universidade (NYU). “You’re going to N-ah-Y-ah-U? That’s awesome!!! You’re gonna love living in New York. And ah, the Village… [suspiros]” (O Village – Greenwich Village – é onde fica a NYU e onde moravam os personagens de Friends.)

Bom, tive de pagar mais umas taxinhas. Aditamento para este post aqui: envio de sedex: 39 reais; taxa de visto de estudante: 40 dólares – será que isso não termina nunca? Mas, fora isso, nada mais. Tranquilíssimo. (Sim, é isto: tenho um visto de estudante para os EUA!)

Depois de almoçar no Subway do Shopping Center Ibirapuera, e de esperar 1h20min pelo ônibus 5154-10 Estação da Luz (que tinha passado um minuto antes de eu chegar à parada de ônibus), voltei caminhando pro apartamento da minha prima (e é claro que o 5154-10 passou por mim um minuto depois, quando eu já não podia voltar para o corredor a tempo de apanhá-lo).

Mas foi legal. Gosto de conhecer os lugares caminhando. Caminhei moooito, até fazer calo no pé. (Ops, eu já tenho um – ósseo, aliás!)

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No mais, pra não restarem dúvidas: o resultado da dinâmica de grupo, aquele que deveria ter saído ao longo da semana, não saiu. Se for aprovado, terei de voltar a São Paulo (talvez já na semana que vem?) – o que, não fosse pelo bolso, nem poderia ser considerado penoso. Ou seja, espero ter de voltar, porque gostei, e porque espero ser aprovado!

Pra fechar todas: apareceu no ar nossa foto na night paulistana: da esquerda pra direita, o aniversariante-do-dia, o primo-cunhado, a prima-irmã e o Guri.

LeftRightLeftRightLeft by Coldplay

De hoje até o fim da turnê 2009, Coldplay disponibiliza para download gratuito o álbum ao vivo LeftRightLeftRightLeft. Imperdível. Dizem eles que é um agradecimento aos fãs… De nada! Já baixei, claro.

Tem algumas coisinhas bem “pop”, que estouraram nas rádios, desde a antiguinha Clocks (A Rush of Blood to the Head, 2002), passando pela intermediária Fix You (X&Y, 2005) e chegando na recente Viva la Vida (Viva la Vida, 2008). Também vale a pena por outras coisinhas menos “pop”, mas com uma sonoridade bem agradável, como Glass of Water (mais recente ainda: Prospekt’s March, 2008).

Nervos em frangalhos

Há pouco – ao receber o muito bem-vindo comentário dos sempre muito bem-vindos amigos Karina e Felipe – me dei conta de que nem título coloquei no último post… pela primeira vez no bdG, post sem título.

No fundo, é apenas um dos sinais de que estou à beira de um breakdown por causa dessa espera pelo resultado da dinâmica de grupo. Apesar do e-mail que mencionei no último post, nada. Nada! Acabei de conferir de novo. Passei o dia inteiro conferindo…

Tudo bem, disseram que o resultado seria publicado “ainda hoje”, e “hoje” tecnicamente ainda não terminou – mas acho muito difícil que publiquem depois de encerrado o horário comercial.

Odeio promessas não cumpridas. Hrumpf.

Dinâmica de grupo

Recebi por e-mail a informação de que o resultado da dinâmica será divulgado ainda hoje. Bah, uma lágrima chegou a correr no cantinho do meu olho. Tudo bem, não terá sido tecnicamente “no início da semana”, mas de qualquer forma virá para aliviar minha tensão.

Bom dia, São Paulo

Eu não me oporia a dormir mais quinze minutos.

Mas entre 6h e 7h o trânsito fica tão pesado e barulhento, especialmente por causa dos ônibus arrancando Brigadeiro acima, que é impossível não acordar e igualmente impossível voltar a dormir. O dia começa a contragosto, autoritariamente. Bom dia pra ti também, São Paulo.

Sutilezas específicas da Avenida Paulista

Na Livraria Cultura, vi vários aspectos alusivos ao ano da França no Brasil, como ilhas com filmes e livros franceses e cartazes de propaganda. Num deles li a seguinte pergunta provocativa: “O que há de comum entre a Champs-Elisées e a Avenida Paulista?“. Me deixou pensando – acho que essa era a ideia!

Já tinha tentado comparar a Avenida Paulista com a Nueve de Julio de Buenos Aires, sei lá, por causa da largura, do trânsito – mas, por alguma razão, a comparação me pareceu um pouco estranha. A comparação com a Champs-Elisées também não me pareceu perfeita. Na comparação com a Nueve de Julio, talvez falte na Paulista um Obelisco (o daqui está “deslocado” no Parque do Ibirapuera!). Na comparação com a Champs-Elisées, talvez falte na Paulista um Arco do Triunfo ou um ar menos metropolitano e mais europeicamente chique – cafés, boutiques, cinemas. Talvez a Paulista com as mansões de outrora tivesse mais a ver com a Champs-Elisées (de sempre).

Caminhando de volta pra casa, passei por um cara tocando flauta-doce no meio da calçada. Primeiro, achei sofisticadíssimo; algo bastante europeu, diga-se de passagem. Depois me alegrei com a coincidência – sendo eu também um flautista-doce (quase aposentado por invalidez). Por fim, fiquei surpreso com uma coincidência ainda maior: ele tocava o refrão de Chuvas de bênçãos, uma melodia bastante conhecida, que no hinário luterano tem a seguinte letra:

Chuvas de bênçãos, chuvas de bênçãos dos céus!
Gotas benditas já temos; chuvas pedimos a Deus.

E o povo seguia caminhando, indiferente. Claro que ninguém deu bola. Eu achei legal e comecei a assobiar. Claro que ninguém deu bola.

Sutilezas da semana de paulistano

Confesso que tinha certo preconceito quanto a São Paulo e a paulistas. (Os bons sempre pagam pelos maus: foi por causa de um paulista específico, por quem não coloco minha mão no fogo… hehe! Quem me conhece bem, deve saber.) Felizmente passou.

Andar por aí tem sido uma experiência interessante, de certa forma preparatória, um período de transição – de SLS a NYC.

De um lado, São Lourenço do Sul, a cidadezinha pacata do interior do Rio Grande, onde em dois meses de tentativa ainda não tenho Internet banda larga, onde durante a noite um espirro parece uma explosão estrondosa em meio ao absoluto silêncio, onde todos se dizem “bom dia” quando se cruzam pelas calçadas.

De outro lado, São Paulo, a metrópole no centro econômico do país, onde a avenida das mansões agora tem praticamente só arranha-céus, onde o trânsito é barulhento e incessante dia e noite, onde as pessoas caminham rápido e sem parecer se importar com a presença dos outros ao redor. De um jeito ou de outro, tem a ver com NYC.

Mas nem tão livre assim quarta 13/5/9

Livre, livre, livre no post anterior, mas preciso ainda dizer que queria mais liberdade. Afinal, hoje, aniversário de 121 anos do fim da escravidão no país (121, justo o número do homicídio no Código Penal), achei que ficaria livre da escravidão do F5 (“atualizar o browser”, para os não-iniciados no transtorno obsessivo-compulsivo) no site pra ver o resultado da dinâmica de grupo.

Mas não. Ainda sem resultados. Ainda preso aos grilhões do F5. Tinham prometido divulgar no “início da semana”. Pra mim, início da semana já acabou ontem.

Ora, início da semana, pra mim, é segunda e terça. “Meio da semana” vai de terça a quinta (existe aqui uma certa superposição). “Fim da semana” é quinta e sexta, e “fim de semana”, claro, sábado e domingo. Tô certo ou tô errado?

Paulista Cultura quarta 13/5/9

Livre, livre, livre de preparativos da inscrição para a bolsa de estudos, hoje consegui estudar bastante durante o dia e me sentir ainda mais livre pra passar um pouco à tardinha.

Voltei a subir até a Paulista e, desta vez, caminhei cosmopolitamente direito à Livraria Cultura. Troquei o vale-presente que ganhei de formatura da Gabi Zago (antes tarde do que nunca, né, Gabriela! haha) e ainda comprei… praticamente nada, considerando o tamanho da vontade
de comprar. Mas a necessidade de economizar é ainda maior, então me contive.

Paulista Masp terça 12/5/9

Com a chegada dos documentos para a entrevista do visto, estava pronto para pôr os pés na rua. Aliás, atravessei a rua, peguei grana no BB, atravessei de volta e fui ao Citibank pra pagar a taxa de entrevista no consulado. E pra quem pensa em estudar nos EUA:

  • AFCOE: 50 dólares
  • SEVIS: 200 dólares
  • Agendamento de entrevista: 38 reais
  • Taxa do consulado: 275,10 reais
  • Estudar na NYU: não tem preço infinity gazillion dollars

Depois fui à agência dos Correios – ao lado do Citibank (não dá pra acreditar que tudo é tão perto) – e enviei a inscrição que vinha preparando para a outra bolsa de estudos. Finalmente livre!

Resolvi passear um pouco, pra não dizerem que vim a São Paulo sem ver São Paulo. “É legal estar na Paulista”, me dissera minha tia. “Adoro caminhar na Paulista à tardinha – com aquele movimento – horrores de gente – me sinto super cosmopolita”, me dissera a Fah. Então, finalmente livre, às 15h em ponto, subi a Brigadeiro até a Paulista.

Conferi, primeiro, que é bom mesmo estar e caminhar na Paulista e se sentir cosmopolita. Em seguida, fui aproveitar o dia dos pobre: entrada franca no Masp. Apenas uma exposição podia ser visitada: a de Vik Muniz – natural de Sampa, morador de NYC.

Quem sou eu pra falar de arte – mas vamos lá.

Minha (parca) experiência com arte contemporânea até então tinha sido mais através do desagradável, do nojento, do revoltante – mas tudo sem deixar de ser interessante e intrigante.

Já da exposição de Vik Muniz gostei por causa do agradável. Fotografias feitas pelo artista de suas próprias obras, moldadas ou pintadas a partir dos mais diversos materiais: numa, usou calda de chocolate; noutra, peanut butter and jelly; e por aí vai: arame, areia, açúcar, pedaços de revista, sucata, terra, retroescavadeira no terreno duma mineradora – tudo inteligentemente usado e contextualizado.