Domingo em La Plata (não em Buenos Aires!)

Horacio havia convidado para o almoço de domingo. E para lá me fui, às 11h da manhã, não sem antes me desembaralhar de um montón de números: saí de casa à rua 55 quase esquina com a 2, caminhei até a rua 1, entre as ruas 51 e 53, peguei o micro 338 para City Bell, desci na rua 456 e encontrei a casa de número 1426. A casa de Horacio fica em um simpático subúrbio de classe média de La Plata, chamado City Bell. É um bairro tranqüilo, arborizado, com terrenos grandes, casas espaçosas e com piscina. Enfim, como disse: um subúrbio de classe média.

De início, enquanto ele preparava a parrilla (carne e verduras na churrasqueira), discutimos algumas idéias para meu projeto sobre economia da mudança climática. Acontece que sexta-feira foi publicado o 4º relatório do IPCC (painel de cientistas da ONU) sobre mudança climática, prevendo um aumento na temperatura entre 1,8 e 4ºC até 2100, o que teria várias conseqüências graves. Os jornais de toda a Argentina e também pelo mundo afora tinham como manchetes principais: “a mudança climática é real”. Todo o mundo relacionava o relatório com o calor que tem feito nos últimos dias e comentava e sobre a gravidade do efeito estufa e tal e coisa. E Enrique e eu nos sentíamos como “profetas” que nunca receberam crédito e respondíamos: “Eu avisei! Eu avisei!”.

Pois bem, nesse contexto de súbita conscientização pública, disse a Horacio nada mais que o óbvio – é preciso aproveitar a oportunidade para divulgar meu projeto e o trabalho da Fundación Biosfera. Pretendo escrever um artigo para publicação em jornal por aqui. Além disso, vamos divulgar uma palestra sobre o meu trabalho, a ser feita ao fim do meu estágio, com sorte contando com o apoio da Universidad Nacional de La Plata. A idéia me atrai muito; vejamos se dá certo!

Depois da conversa, almoço com muitos familiares e amigos do anfitrião e banho de piscina. E às 17h saí meio que às pressas de volta ao centro da cidade, para ir ao culto. Sim: Enrique e eu tínhamos ficado sabendo que a pastora tinha voltado das férias e que hoje haveria culto. Mas não houve. Cheguei ao centro às 17:30, caminhei umas 20 quadras (!) até a igreja e cheguei lá às 18h, horário previsto para o culto. E nada: tudo fechado, ninguém por ali. Dei uma volta, fui a um cyber, falei um pouco com uma de minhas irmãs, que estava online, e voltei à igreja às 19h. E nada.

Por fim, bastante desapontado, resolvi parar de tentar (!) e voltar para casa. Nisso, é claro, depois de todo o calor que fez nos últimos dias, começou uma tormenta. Nem precisaria dizer que não tinha guarda-chuva. Pensei em tudo o que tinha que caminhar e pedi ao Papai do Céu que segurasse a água lá em cima só um pouquinho. Por um minuto fiquei esperando sob um toldo; a chuva logo parou e caminhei rápido para casa. Mal pus os pés em casa, voltou a chover. Em uma aplicação teológica de uma idéia de Adam Smith, e com muita licença poética, recomendo: nunca duvides da divina mão invisível.

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