Situação inusitada

Queria tentar publicar o post-do-dia mais cedo, porque ontem perdi o ônibus (ohhh…). Apesar da tentativa, acho que ainda não vai ser hoje que vou conseguir! O que me amarra às vezes é que eu sinto uma grande necessidade de revisão do que eu escrevo… Relembrando a minha revolução redacional: “Escrita fácil produz leitura difícil” (McCloskey) e “O que é escrito sem esforço é em geral lido sem prazer” (Dr. Johnson).

Tinha várias idéias de post pra hoje, e acabou que uma situação inusitada na hora do almoço fez com que eu mudasse meu plano inicial. Almocei na cantina do Secretariado, como sempre, mas na pouco freqüente companhia da minha supervisora e do chefe do Legal Affairs (ou seja, companhia de alto escalão, literalmente).

Enquanto o poderoso chefão ainda estava passando pelo buffet, minha supervisora e eu encontramos uma mesa para nós três e já tomamos nossos lugares. Ela disse que poderíamos começar logo a almoçar, já que o chefe parecia que ainda ia parar pra conversar com não-sei-quem. Quando desejei a ela um “bon appétit” (não sou só eu o francófono metido a besta: nessas horas o “enjoy” da língua inglesa é absolutamente sem graça, e a maioria da galera aqui diz “bon appétit”), tive a nítida impressão de que ela fez uma rápida oração!

Eu já sabia que ela era católica, e inclusive alguém já me disse aqui no Legal Affairs que ela é bastante envolvida nas atividades da sua igreja. Por isso, em certo sentido não foi uma surpresa pra mim. Só fiquei um pouco envergonhado. Tendo sido criado numa família cristã, sempre soube que orar agradecendo pela refeição é um hábito muito bonito e um reconhecimento básico de que temos o que temos literalmente “graças a Deus”.

Mesmo assim, esse nunca chegou a ser um ato regularmente praticado lá em casa (basicamente porque a gente sempre almoça correndo, oh raios). Tampouco gosto de orar em restaurantes ou outros lugares públicos, talvez porque me pareça exibicionismo. Acabo sempre lembrando daquela passagem do sermão do monte que nos instrui a não orar por aí afora, nas esquinas da cidade, para sermos vistos, mas sim a recolher-nos e orar discretamente.

Como quase sempre, o caso parece ser de encontrar um meio termo (a virtude!) entre dois extremos (o vício pela falta e o vício pelo excesso!). Será que orar publicamente (rapidinho e com discrição), no caso de refeições em restaurantes, pende mesmo para o extremo ruim (exibicionismo)? Minha conclusão pelo menos preliminar nessa busca por um meio-termo é que orar antes das refeições é apenas mais um dos exemplos da minha supervisora que eu deveria tentar seguir!

3 ideias sobre “Situação inusitada

  1. Lu

    Gosto da oração, mas me pergunto se, nestas condições representa um momento de reflexão ou um ato involuntário como “me passe o sal”. Nunca me pareceu bom rezar sem sentir as palavras, mas também penso que cada um deve fazer o que lhe faz bem.

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  2. Carolina Grassi

    Oi Martin, fazia tempo que eu não visitava teu blog, e me surpreendi com a super atualização em que ele se encontra…mas já me atualizei de tudo!! Adorei as novidades!! Nossa teu estágio na Onu deve ser um sonho mesmo, quando li o tópico Tudo de Bonn, pensei cá comigo, “será que um dia ou conseguir um estágio na ONU”, pergunta que não quer calar…Mas estou muito feliz por ti, e aproveita muito essa oportunidade única! Meu projeto está um pouco atrasado, porque estava viajando e não tinha acesso à internet, mas agora ele vai deslanchar…Estou em Belo Horizonte, então vou aproveitar e ir na biblioteca da Faculdade de Direito da UFMG e no Centro de Estudos de Direito Internacional (CEDIN) para fazer uma revisão bibliográfica para me auxiliar na elaboração do meu projeto…assim que eu tiver algo concreto te envio para tu dares uma olhada!Era isso…bom trabalho ai colega…é ótimo saber notícias tuas, continua escrevendo, tens aqui uma leitora assídua.Beijos

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  3. MDBrauch

    Luciana: acho que “sentir as palavras” não é um problema quando oramos sinceramente. O importante me parece ser não permitirmos (no coração) que o momento se torne um ato involuntário! :)Carol: amei saber notícias tuas! Volta sempre – e continua em contato sobre teu projeto quando tiveres novidades! Ah, claro, e aproveita as Minas Gerais! 😉

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