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Semana longa e linda

A semana passada foi provavelmente a mais longa e linda que já vivi. É incrível: há mais ou menos dez dias ainda estava na Alemanha, e agora estou de volta ao Brasil e totalmente imerso no meu quotidiano de maluco! Tanta coisa aconteceu, e não quero deixar isso tudo passar em branco… Por isso, retomo os acontecimentos da quinta-feira, dia 27/03, até hoje.c Aí entra um dos grandes propósitos do Blog do Guri: publicar minhas impressões sobre a vida, não só para o meu leitor paciente e persistente, mas também para o Guri de daqui a algum tempo, ou mesmo para os netinhos que provavelmente não virei a ter!

Quinta-feira, 27 de março

Como tinha dito no post anterior, fui à cidade de Colônia (Köln) com duas amigas estagiárias do Secretariado, e lá encontrei outra amiga, ex-estagiária. Visitamos a majestosa Catedral, a maior igreja gótica do Norte da Europa (seguida pela de York, que também visitei, em dezembro passado!) e com a segunda maior agulha de torre (só menor que a da Catedral de Ulm… que também visitei, e até subi ao topo da torre com meu cunhado Volker, quando fui à Alemanha pela primeira vez, em 2001… em termos de turismo sacro, meu currículo tá bem intressante!). Depois dali, jantamos em um restaurante bem legal, tivemos papos profundos… e ganhei (mais!) presentes de despedida! E mais aperto no coração…

A Catedral de Colônia: é praticamente impossível tirar uma foto de toda a igreja, por isso está cortada… mas por isso também dá pra ter uma idéia da sua grandiosidade!

Da esquerda para a direita: eu, Barbara (Alemanha), Weili (China) e Outi (Finlândia)

Sexta-feira, 28 de março

Dia de despedidas no Secretariado… Coletei as últimas assinaturas de check-out do Secretariado: burocracia nostálgica, dizendo adeus a várias pessoas! Em seguida, ainda fiz meu último projeto de trabalho: criei uma lista de bookmarks úteis para futuros estagiários do Departamento Jurídico (tudo no contexto do meu trabalho como “intern focal point” – em desvio de função, claro, mas não importa). Almocei na cantina indiana, como sempre, com minhas amigas estagiárias, como quase sempre, mais o Cam (supervisor-tio) e outro amigo, um consultor do Secretariado que estava indo embora no mesmo dia. Recebi meu certificado (yuhu – estágio concluído!) e uma carta de recomendação generosa da minha supervisora. Ela ainda me convidou para uma caminhada à beira do Reno, para falar de “duas áreas em que eu posso melhorar”; uma conversa franca, agradável e puramente construtiva. Um dia desses eu conto mais sobre um dos aspectos a melhorar, que é totalmente verdadeiro (percebi direto!) e suscetível de discussão com os leitores do BdG. 😉

Por fim, distribuí os cartões de despedida que vinha escrevendo nas semanas anteriores… e fiz meu último “goodbye tour” pelo sexto andar do Secretariado! Já era o fim do expediente e por isso a Outi e a Weili foram embora comigo. No jardim do Secretariado, fizemos tantas fotos de despedida que nos sentíamos até celebridades. Ainda fomos comer chocolates caseiros (MmMmMmMm…) e jogar mais conversa fora em uma casa de chá em the Famous Kessenich Centre-of-the-Universe (pra quem não conhece a história: tá aqui!).

Eu e Weili, em frente ao castelinho do Secretariado (Haus Carstanjen)

Outi e eu, também em frente à Haus Carstanjen
(Créditos da espinha na testa: muito crêpe em Paris no findi anterior!)

Amei essa foto: até parece que eu tô felicíssimo de estar indo embora,
mas essa cara feliz é só porque as gurias estavam fazendo palhaçada pra eu rir!

Depois de muita resistência, despedimo-nos finalmente e me fui pro meu quarto na Kessenicher Straße, dar um jeito de empacotar toda a minha vida em Bonn nos últimos quatro meses… A Ca e o Volker me buscaram tarde da noite, e no caminho até a casa deles em Untershausen fui contando tudo o que escrevi neste post – só que eles tiveram o privilégio (ou: fizeram o sacrifício) de ouvir tudo com mais detalhes!

Sábado e domingo, 29 e 30 de março

Foram dois dias de relax, reempacotamentos e acomodações (quem me dera poder ter feito as malas de forma eficiente e perfeita em quatro horas na sexta-feira!), mas também das mais difíceis despedidas: minha irmã e meu cunhado foram tudo de Bonn pra mim durante meu período na Alemanha. Desde o início de janeiro, e graças ao meu telefone ultrabaratex (30€ para falar por 3 meses!), potencializamos nossa capacidade de transmimento de pensação: não sei quantas vezes eu pensava em falar com a Carina e ela me ligava, ou eu ligava pra ela e ela me dizia que estava pensando em me ligar… 😛

Foram tempos inesquecíveis de compartilhar, principalmente em nossas inúmeras (e intensivas) viagens pela Europa. Passeamos muito mais do que eu poderia imaginar em relativamente pouco tempo: Koblenz, Frankfurt, Luxemburgo, Zurique, Lausanne, Genebra, Dachau, Viena, Berlim, Paris… e tenho até medo de estar esquecendo algum lugar especial. Ah, claro: Untershausen, o QG da família na Alemanha.

Eu tinha prometido que só choraria no avião (e sou fiel aos meus compromissos). Embora eu soubesse que igual morreria de saudade, nossa despedida tinha que ser mais um “até logo” que um “adeus” – até porque logo eles estarão aqui no Brasil. E quando digo “logo”, quero dizer LOGO, mesmo: semana que vem já estarão aí. Claro que é porque não conseguiram viver sem mim por perto. 😉

Volker, Carina e Martin, com o QG ao fundo (e a bandeira mais linda do mundo!)

Segunda-feira e terça feira, 31 de março e primeiro de abril

Cheguei a Buenos Aires às 6h da madrugada da segunda-feira e já fui recebido no aeroporto pelo meu amigo Enri. Buscamos minha mamá argentina, Virginia, que estava na cidade, e fomos até sua casa em La Plata. Reencontrar esses (e outros!) amigos queridos e rever lugares que me trazem recordações tão boas foi quase como uma volta ao passado. Rapidinho eu tinha esquecido a longa viagem e a noite mal-dormida no avião. Estava de volta à Argentina depois de mais de um ano (ver este post e os seguintes), só que perecia que tinha saído de lá apenas alguns dias antes!

Foram só dois dias de visita, mas acho que consegui completar minha to do list:

  • Visitar Enri, Virginia, Alvaro e a pensão onde me senti em casa em La Plata;
  • Fazer de novo a caminhada de todos os dias até a Fundación Biosfera, onde fiz estágio, e pôr a conversa em dia com Horacio, meu chefe;
  • Encontrar meu amigo Bruno e conhecer sua namorada Andrea (coitados: eu falei tanto das minhas viagens e do meu estágio que devem ter ficado tontos!);
  • Coisas básicas: comer facturas (medialunas e outras), comprar alfajores e dulce de leche da Havanna, tomar mate argentino…

Fiz tudo isso e tanto mais nas entrelinhas: conheci ainda mais pessoas legais (argentinos e yankees, haha!), dei boas risadas, e pra completar me deliciei com as comidas (inclusive uma raclette vegetariana) da Virginia, uma cozinheira grega de mão cheia! Hehehe… 😉

Com parte da grande familia Konstantinidis,
minutinhos antes do ataque à raclette vegetariana (hummm…!)

Andrea, Bruno e eu, na estação terminal de La Plata
(o “casal metálico” dançando tango, ao fundo, não me deixa mentir!)

As novidades não terminaram, mas a incrível viagem do Guri à Europa (com paradinha na Argentina no retorno), infelizmente, sim… Este post serve de suave transição para meu novo (?) tempo aqui no Brasil, que de novo, aliás, tem pouco: voltei a fazer exatamente o que estava fazendo há quatro meses, antes de viajar! A parte realmente boa foi o reencontro com meus pais e com aqueles parentes e amigos que já tive a oportunidade de rever (claro que faltam muitos, ainda, mas isso só se resolve com bastante tempo!). Uma hora ou outra publico postálbuns-resquícios das minhas viagens; sei que ainda estou devendo alguns.

No mais, meu desafio agora (como muito bem colocado pela mamá Vir, que de La Plata às vezes lê o blog!) é, mesmo de volta ao Brasil e à minha rotina universitária sem-graça, continuar mantendo o BdG interessante (se é que ele já é interessante pra alguém). Se vou ter sucesso ou não, só o leitor poderá dizer, com o tempo. O certo é que vou seguir a empregar meus melhores esforços para vencer esse desafio! 😉

C’est (presque) fini

A semana passada foi bastante turbulenta, por causa da finalização do meu paper, e curta, por causa do feriado da Sexta-Feira Santa. No feriadão da Páscoa (sexta-feira até segunda-feira inclusive), a viagem a Paris foi maravilhosa, mas não propriamente rejuvenecedora: Ca, Volker e eu fizemos muitos passeios e voltamos bastante exaustos. Pra completar, esta (última) semana está sendo igualmente atribulada (e, aliás, igualmente curta, já que a segunda-feira também foi feriado).

Terça-feira: papo de despedida com minha simpática landlady (a dona da casa onde fica o quarto que eu alugo aqui em Bonn). Ela queria ver fotos da minha família, então mostrei as da minha formatura da Economia, do ano passado.

Quarta-feira: janta de despedida com o chefe do Legal Affairs, minha supervisora e o meu tio-supervisor; foi um momento muito agradável, em um lugar lindo aqui de Bonn-Bad Godesberg (o Godesburg), e com comida excelente (e eu, como convidado, yay!).

Quinta-feira (ou seja, hoje, daqui a algumas horas), vou à cidade de Colônia (em alemão: Köln) com algumas amigas estagiárias. Mais despedidas…

No trabalho aqui no Secretariado, terminei o paper e mandei a versão final ontem (e a finalíssima hoje, aiai!). Durante o dia de hoje preparei o meu relatório de estágio, que pretendo revisar e concluir até o fim do expediente. E até amanhã preciso terminar de coletar assinaturas no meu formulário de check-out (em duas palavras: trâmites burocráticos).

E no mais, em casa, ando escrevendo (a mão, coisa incrível) cartõezinhos de despedida para um mooonte de amigos que fiz aqui no Secretariado. É uma tarefa demorada, mas que vale muito pela carga emocional que contém!

E por falar em emoções… além da janta de despedida, ganhei cinco CDs (entre eles música clássica, sacra e Coldplay – amo muito tudo isso!) da assistente aqui do Legal Affairs. Ela é simplesmente o máximo, muito querida! Eu disse a ela que não deveria fazer isso, gastar tanto em presentes, e ela disse que só faz isso pros estagiários com quem ela simpatiza. Claro que depois disso eu me derreti… 😛 Ah, e hoje após o almoço uma colega estagiária chinesa veio ao meu escritório deixar um DVD com seu filme favorito. É um filme japonês e o DVD é alemão, então no futuro (talvez depois de ver o filme) eu ponho o título e comento aqui no BdG.

Et c’est ça : c’est presque fini ! Nem acredito, mas amanhã já é meu último dia desse período tão bom da minha vida! Não sei quando vou postar de novo, porque ainda tenho que fazer malas e preparar outras coisas, e ainda quero aproveitar o tempo que resta com a Ca e o Volker.

Depois, um pulinho de dois dias na maravilhosa La Plata (Argentina), e depois de Buenos Aires ao glorioso Aeroporto Internacional Salgado Filho, e da Capital (claro, Capital com C maiúsculo é Porto Alegre, ora!) mais três horinhas de viagem até a Paris Rio-Grandense (hahaha, forcei um pouco, mas claro que estou me referindo a Pelotas). Longa viagem…

Mais tarde, quando estiver de volta ao Brasil e a poeira da viagem sentar, atualizo o blog com postálbuns de tantas viagens sobre as quais faltou publicar por aqui. À la prochaine ! 😉

Reflexões de um estrangeiro

Foi tal a freqüência de eventos sinistros, tristes ou difíceis (ou tudo isso ao mesmo tempo!) nos últimos dias que acabei relaxando na postagem. Acho que tudo começou com o acidente no sábado passado, mas continuou durante a semana passada com o suor para a finalização do meu paper (sim: mandei o último rascunho para a SUPERvisora na sexta-feira e agora só estou à espera dos comentários!). Vejamos se consigo pôr a postagem e as notícias em dia.

No domingo visitei com minha irmã e meu cunhado o campo de concentração de Dachau, que foi o primeiro a ser construído no regime nazista e persistiu até o fim da Segunda Guerra. Claro que não dá pra dizer que esse tipo de visita seja “legal”, mas é sem dúvida interessante, algo que todo o mundo deveria fazer (talvez só) uma vez. Tirei apenas quatro fotos. Não vale a pena postá-las aqui: o que vale, mesmo, é a mensagem. Numa parte do memorial, diz, em francês, inglês, alemão e russo: Que o exemplo daqueles que foram exterminados aqui entre 1933 e 1945 porque resistiram ao nazismo ajude a unir os vivos pela defesa da paz e da liberdade, em respeito pelo ser humano (tradução minha). Noutra parte diz simplesmente: Nunca mais (tradução minha), em hebraico, francês, inglês, alemão e russo. Claro que uma visita assim só podia me deixar pensativo…

Na segunda-feira, indo de bonde (Straßenbahn) do centro de Bonn para (a gloriosa) Kessenich, conversava com minha irmã pelo celular. No mesmo vagão, uns guris estavam brincando uns com os outros, mas naquelas brincadeiras meio violentas, que não dá pra saber direito se é carinho ou se é porrada. Se me lembro bem, a Ca me disse para ficar um pouco quieto no telefone, porque poderiam inventar de me incomodar. Eu achava que não tinha problema, porque eles estavam no lado oposto do trem.

Porém, depois que desceram, umas duas paradas antes da minha, e antes do bonde voltar a andar, um deles bateu com tudo no vidro da janela, bem onde eu estava sentado. E quando eu digo “bateu com tudo” quero dizer: com vontade de botar pra quebrar, mesmo. Engoli em seco e me concentrei em ficar na minha; não queria parecer assustado nem mudar de lugar, porque devia ser bem isso que eles queriam. Disfarcei o susto (estou bastante seguro de que consegui!) e segui conversando normalmente ao telefone. Em segundos, o trem fechou a porta e começou a se mover… e o cara veio de novo bater com tudo na janela do trem, bem onde eu estava!

Pelo telefone contei pra minha irmã o que tinha acontecido e brinquei que, a rigor, com essa cara de alemão que eu tenho, eu não deveria ter problemas com neonazis. Só com a resposta dela é que fui me dar conta: posso até ser “imune”… mas só enquanto não abro a boca e falo português!

Na noite do dia seguinte, terça-feira, fiquei trabalhando até mais tarde no Secretariado, e antes de sair troquei umas palavras com uma assistente administrativa do Legal Affairs, a única que também ainda estava por lá. Contei sobre o incidente da véspera e ela, que também é estrangeira (filipina), me disse que alguns bairros da cidade são desaconselhados para estrangeiros, por causa da xenofobia de alguns moradores locais. Disse também que uma vez gritaram para um conhecido dela algo em alemão do tipo: “volta pra casa!” (querendo dizer: pro teu país de origem).

Com duas amigas estagiárias, fui ao Langer Eugen na quarta-feira para uma sessão de cinema restrita para funcionários da ONU. (“Sessão de cinema”, aqui, quer dizer projeção de DVD em um datashow! 😉 Mesmo assim, não se pode reclamar: a imagem e o som estavam excelentes!) O filme? Hotel Ruanda. E aí está, mais uma das minhas recomendações de cinema! Sei, mais um filme-de-catálogo, mas muito boa sugestão pra quem ainda não viu! Minhas duas amigas saíram chorando e, pra ser bem sincero, eu também estava quase lá! O filme é bastante pesado, triste, emocionante, e talvez ainda assim “adocicado” perto dos horrores que na realidade devem ter acontecido. E pensar que tudo ocorreu por causa de um ódio entre grupos étnicos inventados, cujas diferenças existiam apenas na sua imaginação, que nutria preconceitos infundados…

Finalmente, no sábado fomos a Berlim. O postálbum, incluindo o relato dos passeios tão interessantes que fizemos e até de um agradável reencontro de amigos, vai ficar para outra hora; por enquanto, só consigo pensar em algumas coisas que me entristeceram. Fiquei negativamente supreso com a quantidade de “gente estranha”, perdida na vida, que vi pelas ruas. Às vezes tinha a impressão de que nem estava na Alemanha. Foi a primeira vez que me senti verdadeiramente inseguro desde que estou por aqui. Na noite de sábado, a Ca ainda me contou que, anos atrás, soube de um estudante brasileiro que apanhou por um grupo de jovens furiosos por não saber falar alemão (direito). Aliás, bem no início do passeio, já no trajeto do aeroporto para o hotel, nazivandalismo no trem: quatro pequenas suásticas desenhadas num dos bancos. Minha irmã me disse que, para não ter qualquer problema, seria melhor não publicar a foto no blog enquanto estou na Alemanha.

Posso até não publicar foto nenhuma; aliás, acho nem depois de voltar ao Brasil. O que não consigo é esconder minha inquietação e deixar de expressá-la aqui, por meio de palavras. Eu simplesmente não entendo. Num um povo que já passou por uma história tão triste e que vive diariamente em meio a memoriais erguidos em homenagem a todos os que foram exterminados… A cidade de Berlim, por exemplo, é um grande monumento, e parece impossível que alguém, morando lá ou tendo ido pelo menos alguma vez para lá, seja capaz de esquecer-se das atrocidades do nefasto nacional-socialismo. Como pode que, nesse ambiente, alguns (ainda) não tenham aprendido a lição?

Ao escrever este post, tenho a especial preocupação de ser justo e de não deixar margem para que me entendam mal. Há tanta gente neste país que é “do bem” (a começar em grande estilo pelo meu cunhado) e que por isso não merece que essa gente “do mal” faça com que gente estrangeira como eu construa uma imagem negativa da Alemanha e um conceito perverso dos alemães. Enfim: o mal existe e temos de aprender a conviver com ele, mas isso de forma alguma significa aceitá-lo! O segredo (ou parte importante dele) veio no meu devocional da quarta-feira passada, que me surpreendeu com uma lição que não posso deixar de repassar aqui; um consolo que é ao mesmo tempo um desafio:

É no fogo dos insultos, grosseiros ou refinados, que o cristão se vai definindo, que ele vai sendo trabalhado e lapidado. Se ele retribuir na mesma moeda – dente por dente, e olho por olho – deixa de ser uma testemunha de Jesus. Antes deverá aprender a reagir como uma laranjeira carregada de frutas: ela responde com saborosas laranjas aos que atiram paus e pedras. Não é nenhuma reação natural de nossa parte. É a graça de Deus que nos capacita a amar até os que nos odeiam. (Orando em Família, 2008, p. 83)

E o vento levou

Acabo de receber no e-mail do trabalho um boletim meteorológico (adaptei e traduzi):

…até quinta-feira, 13 de março de 2008, às 4:00, há um alerta meteorológico para o estado de Nordrhein-Westfalen: chuvas esporádicas e ventos de até 90 km/h, em alguns casos chegando até 115 km/h. Os ventos mais fortes devem ocorrer hoje entre 11h e 21h.

Acho que hoje vou voltar pra casa voando… 😛 Que o Papai do Céu me proteja!

Haribo

Outi (a estagiária finlandesa) e eu temos muito orgulho de Kessenich, a vizinhança onde moramos aqui em Bonn. O “centro” do lugarejo consiste em uma quadra com um supermercado, duas agências bancárias, alguns estúdios de cabeleireiros, papelaria, café, academia – e era isso! Ainda assim, mereceu de nós o título de Kessenich Centre (seguindo o padrão britânico aqui do secretariado, hehe!), que depois acabou evoluindo para the Famous Kessenich Centre-of-the-Universe.

Apenas “mais um” dos motivos de orgulho para os habitantes de Kessenich é a fábrica da Haribo, nada menos que a maior produtora de guloseimas dos tipos gummi e jelly do mundo, fundada em Kessenich em 1920. “Gummi bears”, os famosos ursinhos, são seu principal produto (imagem abaixo). O nome da empresa vem do nome de seu fundador e da sua cidade: Hans Riegel Bonn, e o slogan rima bem bonitinho, mas fica meio sem graça quando traduzido:

Haribo: macht Kinder froh (und Erwachsene ebenso)

Haribo: faz crianças felizes (e adultos também)

Sexta-feira passada dois amigos (Barbara e Martin, ambos alemães) terminaram seu período de estágio aqui no Secretariado. Como programação de despedida, visitamos a loja da Haribo: um supermercado onde se pode comprar pás e pás de doces, literalmente! Das prateleiras com os mais diversos tipos de doces da Haribo, cada formiga, digo, cada consumidor pega uma pá e faz sua própria seleção. Tem que estar muito firme na dieta pra resistir a um atentado desses… (Eu, claro, não estava firme em dieta nenhuma!)

Arte e Ponta

Conforme mencionei ontem neste post, recebi da Fabi o prêmio “Arte e Ponta” ou Arte y Pico, cujas regras são as seguintes:

  1. Elegem-se 5 blogs que sejam merecedores do prêmio, por sua criatividade, desenho, material interessante e aporte à blogosfera, sem importar o idioma;
  2. Cada prêmio outorgado deve ter o nome do autor do blog e o link, para que todos o possam visitar;
  3. Cada premiado deve exibir o prêmio e colocar um link para o blog da pessoa que o premiou;
  4. Premiado e premiador devem exibir o link de Arte y Pico, para que todos saibam qual a origem deste prêmio, e exibir também as regras.

Aí vão as indicações da Fabi:

1. O blog da Isabel. Não é leva-e-trás, mas esse blog me inspirou muito a criar o meu, misturando o cotidiano, com as coisas da música, com as coisas da arte, com as coisas do mundo… tudo junto, misturado, e devidamente separado em marcadores. (não tinha como evitar).

2. O Blog do Guri, do meu amigo Martin, um cara cidadão do mundo, que reparte suas maravilhosas experiências internacionais e internas através de seus textos super-bem escritos. [Obrigaduuu, Fabi!]

3. O blog do Rodomar, No Coração do Pai, por escrever tão bem sobre as coisas do coração de Deus e pelas belas fotos.

4. O blog os OculOs, da Giovanna, que não conheço pessoalmente, mas tem um blog super-legal, que fala de tudo um pouco e a cada blogagem, descobrimos novas afinidades.

5. O blog da Igreja São João, não porque fui eu que criei, mas está muito legal, muito informativo para a comunidade cibernética. Engatinhando…

E agora, as minhas indicações para o prêmio:

  1. Amor e Vida de Mulher, by Fabi Luckow. Não é marmelada, não: as regras permitem, e além do mais o blog realmente merece. E por quê? É uma manifestação do jeito leve de ver a vida desde a perspectiva cristã e multisensorial da multiartista que é a autora. O sobrenome dela não mudou depois do casamento, mas bem poderia ter mudado para “Fabi Versátil”: artes visuais, musicais e literárias – ou será que tem ainda mais e eu não sei?
  2. De gustibus non est disputandum, blog coletivo atualmente by Cláudio Shikida, André Carraro, Ari Araújo Jr., Fábio Pesavento e Pedro H. C. Sant’Anna. Sim, trata-se de um blog sobre Economia, mas não, isso não foge ao escopo do prêmio; quem disse que Economia não tem seu lado criativo? As sacadas geniais que o blog oferece são verdadeiras lições de vida. Ou de Economia. Dá no mesmo.
  3. Obra Aberta, by Bruno Angelo. Do mesmo grupo dos meus amigos artistas cristãos e versáteis, o Bruno expõe no seu blog alguma de suas reflexões, exercícios literários, poesia. Tá certo que o blog anda “no limbo”, como o próprio autor algum tempo atrás, mas isso não faz com que deixe de merecer a indicação, como incentivo para que volte a postar logo!
  4. ius communicatio, by Gabriela Zago. Taí um blog que, preciso admitir, fazia tempo que eu não visitava, mas que tem mantido seu padrão de qualidade e postância. Se Economia também é arte, tanto mais Jornalismo, uma das minhas paixões – “ah, se eu tivesse tempo para concluir meu curso três…”. Os posts da Gabi são informativos e bem escritos, e evidenciam o quê de jornalista-jurista da autora. Vale a pena conferir.
  5. Licença para transgredir: ultimamente tem sido difícil manter a postância, quanto mais a visitância… por isso, não tenho quinta indicação. Isso tem um lado bom: mesmo que a lista acima não seja estritamente ordinal, no meu blog não deixo margem para ninguém pensar que ficou em último lugar. 😉 Além disso, acho que cobri a maior parte do que se precisa na blogosfera: abordagens cristãs, artísticas (musicais e visuais), econômicas e informativas ou jornalísticas. Fechou todas!

Langer Eugen parte 2

Só pra deixar um gostinho do que estou fazendo aqui no Langer Eugen (Campus da ONU em Bonn) desde ontem e até amanhã: vejam aqui a transmissão em vídeo (das partes públicas) da reunião de que estou participando. Apareço já no primeiro link (“Opening of the meeting”)! Nesse vídeo estou ao lado do “Chair”, desempenhando a função de “spotter”, ou seja, fazendo a lista de inscrições dos participantes que desejam fazer pronunciamentos. Pode parecer que não, mas para mim tem sido divertidíssimo! Ontem saí daqui, assim como também hoje devo sair, física e intelectualmente exausto… vale a pena!

Duas fotos: uma do Langer Eugen, tirada da “minha” parada de ônibus. A parada chama-se Deutsche Welle, porque aquele prédio branco (no primeiro plano da foto, com parabólicas no telhado) é a própria! O prédio alto, no segundo plano, é o da ONU, como muito bem atesta o logotipo no alto! Tem 29 andares: contem de cima para baixo até o décimo-nono… ali estou eu durante estes dias!

A segunda foto foi a surpresa de ontem de manhã: neve! Foi a primeira vez que vi neve em Bonn desde que cheguei aqui, e isso já faz dois meses. (Chegou a nevar outra vez, mas num findi; portanto, eu não estava aqui.) Fiquei literalmente em choque quando, de manhã cedo antes de sair para o trabalho, abri a janela e vi tudo coberto de branco na rua, e acabei não resistindo: tirei uma foto, mesmo com os olhares de estranhamento de alguns dos meus vizinhos curiosos!

BdG premiado

Uau, mesmo na minha inatividade recente (inatividade de postagem, claro, porque de resto estou trabalhando loucamente!) tenho a surpresa de receber um prêmio! Fui o segundo colocado nas recomendações de blogs pela Fabi (blog: Amor e Vida de Mulher).

Entendi que essa indicação tem algumas regras e traz conseqüências para mim; por exemplo, eu devo seguir a tradição e fazer eu mesmo indicações a partir do Blog do Guri. Infelizmente isso vai ter que ficar para outro dia, porque hoje tenho apenas DEZ minutos de tempo de postagem disponível! Por favor, não me deixem de cumprir (mesmo atrasado) essa obrigação blogosférica, ok?

Postálbum de Viena

Uma semana depois, finalmente tenho tempo de organizar um postálbum da viagem do trio Carina-Volker-Martin a Viena, Áustria. Na análise in loco, confirmei (talvez depois de um choque inicial, do tipo: “é assim o leste europeu?”) que a cidade tem mesmo muitos encantos! Os passeios foram muito intensos, mas preciso (por motivo de tempo) me restringir a comentários sobre algumas fotos selecionadas!

O primeiro lugar a visitar foi o Palácio de Hofburg, residência de inverno da dinastia dos Habsburg (Império Austro-Húngaro). Lá visitei os aposentos do Imperador Franz Joseph I e da Imperatriz Elisabeth, ou Sissi, com uma exposição sobre a fabulosa (e controvertida) história dela. A foto é de uma das alas do Palácio de Hofburg.

Em seguida, uma longa caminhada pelo centro. Na foto, a Catedral de Santo Estêvão (Stephansdom). Em obras, claro: como a Abadia de Westminster, a Catedral de York, a Catedral de Lausanne… Eu não tenho sorte, mesmo!

Na noite do sábado, fui a um concerto de músicas de Strauss e Mozart, dois compositores clássicos e vienenses, no Kursalon, onde o próprio Strauss realizou apresentações. Já contei um pouco sobre o concerto aqui. Na primeira foto estou tocando violino ao lado do Strauss (só pra esclarecer: o cara dourado é o Strauss; eu sou o cara com o violino invisível). A segunda foto é de uma das alas do Kursalon.

No domingo, passamos rapidamente pela roda gigante Ferris, construída ainda no século XIX.

Dizem que o panorama da cidade a partir da Ferris é muito bonito, mas resolvemos ser mais ambiciosos: fomos até a Torre do Danúbio (Donauturm), a mais alta edificação de Viena, com 252 metros de altura total. Nas fotos a seguir, eu à caminho da torre (notem o look verão: estava tri quente, tipo uns 15 ou 16 graus Celsius) e uma das vistas que se tem lá de cima.

Na volta para o centro da cidade, uma passadinha pelo bairro internacional, onde fica o complexo-Viena da ONU (foto). (A Haia, Nova York, Bonn, Geneva, Viena… e a próxima deverá ser Paris! Depois que a situação ficar mais calminha por lá, quem sabe Nairóbi?)

Já de volta ao centro, espiamos a Hundertwasserhaus, essa construção super original e de certa forma “ecológica” do arquiteto vienense Friedensreich Hundertwasser.

Mais pro fim do passeio, em alto estilo, o Palácio Schönbrunn, a modesta (nossa, quase simplória!) residência de verão da dinastia dos Habsburg. Do morro atrás do palácio se tem uma bela vista sobre o palácio e a cidade de Viena (primeira foto). E pra encerrar a parte fotográfica do postálbum, nada melhor do que as carinhas dos três aventureiros, contentes por curtir o entardecer com uma vista digna de imperadores! 😉

Antes de voltar à Alemanha, ainda visitamos a Figarohaus, como é conhecida a casa onde Mozart morava nos tempos em que compunha a ópera “As bodas de Fígaro”. Ela aparece no filme Amadeus, que hoje, ainda no clima vienense, vou assistir pela segunda vez com mana e cunha (que nunca assistiram!). O filme é de 1984, mas passa por 2000-e-alguma-coisa tranqüilamente – “ótima sugestão, aliás, pra quem ainda não viu”!

(Não se preocupem: não pretendo terminar todos os posts com sugestões de filmes… é que desta vez foi realmente inevitável!)

Langer Eugen

Muito trabalho nos últimos dias, porque os gregos vêm aí! Só para não abrir um rombo na minha postância, aí vão algumas notícias de ontem. Bah, ler jornal da véspera é cruel, né? Mas não é o caso: aconteceu ontem, mas continua sendo atual, pelo menos até o fim da semana que vem! 😉

Com um pessoal aqui do Legal Affairs, fui ao Langer Eugen, o prédio maior do Campus da ONU aqui em Bonn (no link acima, em alemão, um pouco da história do prédio e também fotos). Lá é que será realizada a reunião do enforcement branch na semana que vem.

No Langer Eugen nós “inspecionamos” as instalações onde se realizará a reunião. Nada ruins, devo dizer: uma sala muito ampla no décimo-nono andar, com vista sobre o rio Reno na direção da cidade de Köln (Colônia). A cantina onde almoçaremos, então, é ainda mais privilegiada, no vigésimo-nono, que se não me engano é o último.

Ah, claro: o meu escritório durante a reunião será… numa cabine de tradutor! É claro que me lembrei do filme The Interpreter – ótima sugestão, aliás, pra quem ainda não viu!