A vida em São Lourenço do Céu Sol Sul

Muitos dos amigos – em especial aqueles com quem não tinha tido muito contato ultimamente – não estão entendendo muito bem essa história de eu morar em São Lourenço do Sul. Na verdade, é simples: há algum tempo meus pais perceberam que a casa que tinham em Pelotas era muito grande, mesmo pra nós três, quanto mais para eles dois sozinhos quando eu saísse de casa. Depois da minha formatura, terminou a desculpa deles de que a casa não podia ser vendida antes da minha formatura… e então a casa foi vendida (e viva a simplificação).

Viemos para a casa de praia em São Lourenço do Sul. No meu caso, é temporário. Minha ideia era ir a Porto Alegre para fazer mestrado e/ou trabalhar; agora, com a aceitação pela NYU, o plano é New York City, baby. No caso dos meus pais, também é temporário – pelo menos nesta casa, porque querem construir outra aqui na praia.

E essa história toda me leva a pensar: o que mesmo existe, na vida nesta Terra, que não seja temporário? Algumas coisas são infelizmente mais temporárias (tipo um quadradinho de chocolate que se desmancha na boca) e outras são felizmente mais temporárias (tipo a dor de um beliscão). Há também coisas infelizmente menos temporárias (tipo a saudade de alguém que está longe e que não se vê faz tempo) e coisas felizmente menos temporárias (tipo uma grande amizade). Mas, no fim das contas, é tudo temporário.

E a vida em São Lourenço do Céu Sol Sul, é qual dos tipos de coisa temporária? Difícil saber ao certo, porque faz pouco tempo que me mudei pra cá, mas desconfio que pra mim seja do tipo “feliz” se durar pouco (pouco = curto prazo = até um ano) e “infeliz” se durar muito.

Noutras palavras, estou bem por estar aqui. (Feliz eu sou; bem eu estou com a situação.) Algumas coisas me incomodam (“saudade” e “a relativa precariedade do setor terciário” resumem bastante), mas o balanço é positivo. Ajudei meus pais na mudança, o que foi bom pra mim e pra eles. Estou conseguindo – talvez com um pouco mais de dificuldade do que se estivesse em Pelotas, mas igual conseguindo – fazer tudo o que preciso pra encaminhar pedidos de bolsa e viabilizar economicamente a NYU. Moro a 100 metros da praia e ontem mesmo fui nadar na lagoa – sim, 30 de abril. Neste outono que mais parece um verão que não quer acabar, dá perfeitamente pra nadar na lagoa. Hoje só não nadei porque parece que vai chover… 😛

Já me sinto lourencianíssimo, talvez porque quase sempre veraneei aqui e porque meus pais são daqui e porque encontramos conhecidos em cada esquina. Hoje troteei no centro resolver detalhes pra concluir minha inscrição para a bolsa da Fundação Estudar (concluída!) e fiquei pensando que estou e me viro bem por aqui. Vamos ver até quando, porque é temporário.

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