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São Lourenço

Faz tempo que voltei a São Lourenço. Cheguei aqui em 5 de março, cinco dias antes da enxurrada que atingiu metade da área urbana da cidade. Desde então estou “domiciliado e residente” aqui, mas, ao todo, devo ter passado mais tempo em outros lugares que em casa. Foram muitas idas e vindas, que resumirei em outros posts.

Na terça-feira desta semana fui à piscina – a única piscina térmica da cidade. Não nadava desde fevereiro, quando saí da Suíça, e estava sentindo falta. Resolvi mergulhar (!) em um plano intensivo de natação: quatro vezes por semana. Nesta primeira semana do plano, cumpri a meta. É surpreendente ser lembrado tão rapidamente do diferencial de qualidade de vida que a natação me traz. “Já estou melhor, obrigado.

O ginásio da piscina fica do lado de lá do rio – e perto da beirada. Com a enxurrada, ficou quase completamente submerso. A água chegou a alcançar 30 cm acima do marco superior da porta. As marcas na pintura comprovam. Difícil imaginar o cenário de destruição, até porque o ginásio foi reformado e reaberto há duas semanas.

Para chegar à piscina, tenho feito de bicicleta (meu sustentável meio de transporte, devo dizer com orgulho) o trajeto das águas da enxurrada, mas em sentido contrário – da praia onde moro, “a periferia do desastre”, até a beira do rio. O ginásio fica logo depois da ponte e, normalmente, eu vou rápido e ansioso para chegar e nadar!

Porém, não consigo passar por ali sem observar como é bonita (num sentido  bem puro e simples de beleza) a vista de cima da ponte, especialmente em dias lindos como os desta semana. Ainda se pode notar, às margens, um pouco da devastação deixada pela enxurrada, mas no conjunto da obra as imperfeições desaparecem. Como pode?


Rio São Lourenço – vista de cima da ponte

Detalhe – prédios no porto

Por favor, ajuda São Lourenço do Sul!

São Lourenço do Sul, RS (onde estou morando desde 5 de março), sofreu em 10 de março enxurrada nunca antes vista na cidade. Uma onda como um tsunami invadiu metade da área urbana, alagando as casas de 20.000 pessoas e alcançando 3 metros em menos de uma hora.

Centenas de casas estão cobertas com uma grossa camada de lodo. A população está empilhando seus pertences danificados em frente às suas casas. Seguro contra enchentes não é comum aqui, e a população necessitada é muito grande. Muitas ruas, calçadas e mesmo prédios foram danificados ou destruídos. O trabalho de limpeza, reorganização e reconstrução parece interminável.

A água é imprópria para o consumo, por causa de provável contaminação do sistema. Teme-se um grande problema de saúde pública. Além de água potável, as pessoas precisam de comida, material de limpeza, colchões, eletrodomésticos, entre outros itens.

Por favor, ajuda São Lourenço do Sul no trabalho de limpeza e reconstrução! Há muitas formas de ajudar:

  • Enviando doações para a população daqui através da Defesa Civil da tua cidade. A Prefeitura Muncipal de São Lourenço do Sul informa os itens mais necessários:

    Alimentos não Perecíveis
    Materiais de Limpeza e Higiene
    Colchões e roupas de cama em geral
    Eletrodomésticos

  • Depositando qualquer valor nas contas bancárias da Prefeitura Municipal de São Lourenço do Sul:

    Banrisul
    Conta Corrente Prefeitura Municipal – Doações Enchentes
    AG: 0870
    C/C: 04.029179.0-7

    Caixa Econômica Federal
    AG: 0512
    C/C: 006.269-3

    SICREDI
    AG: 0663
    C/C: 56275-0

  • Depositando qualquer valor na conta bancária da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de São Lourenço do Sul

    Banco do Brasil
    AG: 0327-1
    C/C: 1063-4

  • No exterior, visitando e divulgando o site SOS Flood Relief:

http://SOSfloodRelief.blogspot.com

Obrigado pelo apoio!

Vive la France ! e outras aleatoriedades

Todo ano o 14 de julho me chama a atenção; não sei por quê. E em seguida me lembro de que 14 de julho é le quatorze juillet, a Fête Nationale da França, equivalente ao nosso sete de setembro. Já que este é o Ano da França no Brasil, só um lembretinho de que hoje, na França, é o Dia da França. Vive la France !

Ontem, dia que na França foi le treize juillet e que aqui foi treze de julho (tá, e daí?), recebi a notícia de que não fui aprovado na dinâmica de grupo da Seleção de bolsa número 2. E nem dei bola.

Incrível como uma notícia desagradável como essa (o fracasso – depois de investir tempo e dinheiro em inscrição, deslocamento até Porto Alegre etc.) pode simplesmente não ter tido impacto nenhum. Foi assim: abri meu gmail, li a mensagem, “tá”, e passei pra outra mensagem. Acho que a minha falta de reação se deveu a que, no fundo, eu já sabia.

A estrutura do e-mail veio no formato sanduíche (no qual eu ouvi falar pela primeira vez graças ao Leo Monasterio):

“Obrigado por participar no processo seletivo…”
[blablablá preambular, agradável, em tom de elogio]

“Infelizmente [preciso dizer mais?]…”
[conteúdo do sanduíche: a notícia ruim transmitida]

“Desejamos sucesso em seus projetos…”
[blablablá final em tom simpático]

Previsível. Quando se escreve só por educação, melhor a objetividade. Como na minha resposta:

“Obrigado pela sua mensagem e pelo seu desejo de sucesso.”

E que o Papai do Céu me ajude a ter sucesso sem bolsa.

You know what really grinds my gears? Essa gente (crianças, ou adultos abobados) que toca a campainha e sai correndo. Isso me dá muito nos nervos, especialmente quando eu estou sozinho em casa e tomando banho, como me aconteceu hoje.

Sabe essas brincadeiras de criança que quando criança a gente acha o máximo e que depois de adulto a gente reprova? Pois é: essa não é uma delas, porque nem quando criança eu gostava. Eu me lembro vividamente de um dia em que a gurizada da vizinhança queria fazer isso na casa de um dos vizinhos, e eu fui contra. Sempre eu, o certinho…

Talvez, se eu não fosse o certinho, teria um pouco de malícia, e com isso teria ganhado a bolsa, e teria passado o quatorze juillet comemorando. Ah!, se eu pudesse viver minha infância de novo, sem dúvida eu seria de novo o certinho da gurizada.

Faísca atrasada

Acabo de me dar conta que falta menos de um mês para minha chegada a NYC! Chego dia 7/8/9 (nada a ver com numerologia – aliás, também só agora é que me dei conta do que há de engraçadinho na data).

Muitos preparativos, ainda… melhor nem pensar… melhor fazer! E quem ainda quiser se despedir, é bom se agilizar, hein?

Ontem postei cedo demais

No fim das contas, sim senhores, vim a Pelotas no dia do aniversário da cidade! Puro acaso. No início da tarde de ontem me liga uma tia, “tive que vir a São Lourenço… estou aqui!”. Além de ganhar visita em São Lourenço, ganhei carona pra Pelotas. Como igual teria que vir hoje para uma aula, resolvi aproveitar a carona e também passar um tempo com tios e prima.

Quem sabe, quando menos esperar, ganho uma carona pra cá no bicentenário? Só Deus sabe como será o futuro. (E não é apenas força de expressão; eu creio muito nisso!) Ainda bem que é assim.

Salve, salve, ó Pelotas querida

Aniversário de 197 anos da minha terra Natal! O título do post é o primeiro verso do estribilho do hino da cidade.

Salve, salve, ó Pelotas querida
Formisíssima terra do Sul
Tens coberta de glórias a vida
Como é lindo o teu céu tão azul

Quando criança, pensava que estaria presente na festa do bicentenário da minha cidade. Mas será? Nem agora estou, morando a apenas 40 milhas (sim, preciso ir me acostumando) da cidade… E a tendência é que não esteja mais perto que isso em 7 de julho de 2012.

Aliás, onde será que estarei?

Inverneio

Eu moro a uns cem metros da Lagoa dos Patos. Quase me esqueci disso, porque, desde a última vez que nadei ali, passei poucas vezes pela praia.

Ontem fez um dia de inverno bem ao meu gosto: azul, frio, seco e com vento. Fui fotografar a praia antes do último pôr-do-sol do semestre.

Are we human or are we dancer?

Depois de “Já estou melhor, obrigada”, sigo em busca de frases intrigantes. A do título do post é da letra da canção Human, da banda The Killers. Não vou nem discutir se gosto ou não da música, nem sobre as críticas de que a letra seria só idiota ou também gramaticalmente incorreta. Em defesa do compositor, acho que não é nem uma nem outra coisa, mas, como disse, não é sobre esses aspectos que eu quero escrever. (Posso até escrever sobre eles noutra oportunidade, se provocado pelos comentaristas!). O que eu quero dizer é que nos últimos dias eu me lembrei da pergunta da música do The Killers em dois momentos.

Primeiro, por causa da morte de Michael Jackson. Acho que “Are we human or are we dancer?” não tem uma resposta universalmente válida. Porém, quanto a Michael Jackson, ele definitivamente, em muitíssimos aspectos, não era human. Era dancer.

Segundo, por causa da segunda fase (prova prático-profissional) do Exame de Ordem (dos Advogados do Brasil), que eu fiz ontem. Assim como o Felipe disse que “Já estou melhor, obrigada”, no meu caso, seria “Tudo, e tu?”, acabei adaptando a pergunta do The Killers para a minha situação de candidato a advogado: “Are we human or are we lawyer?“. Sem querer cantar vitória antes do tempo (resultado oficial só em 20/07), acho que em breve deixarei de ser human para me tornar lawyer.

Coisa de gente grande

Essa estória de fazer aniversário é brincadeira. Não, nem brincadeira é, porque já não sou criança pra ficar de brincadeira. Tenho compromissos sérios.

Um deles é ler com calma e atenção o Estatuto do Idoso, pra saber tão logo possível os direitos que muito em breve aplicar-se-me-ão.

Outra tarefa importantíssima é aprender a escrever, porque essa coisa de “aplicar-se-me-ão” não pode estar de acordo com qualquer norma de escrita. E, se estiver, é porque esse mundo tá mesmo muito torto.

Tô dizendo! “Esse mundo tá mesmo muito torto”? Frase de velho. Ok, apesar da decadência evidente, pelo menos ainda tenho autocrítica. Mais uma tarefa: mantê-la.

Como se vê, vários indicativos da maturidade surgiram do nada, subitamente interrompendo minha juventude. No último post eu ainda estava com duas dúzias incompletas de anos de vida, e agora as pessoas já me dizem que estou “rumando ao quarto de século”. Peraí, não mesmo. Nego peremptòriamente. (Ai, esses dias caiu o tal do acento subtônico, não é?)

O derradeiro indicativo do declínio, agora mais oficial do que nunca (depois de publicado no Diário Oficial da União, ninguém se atreve a dizer que não é oficial): fui aprovado em concurso público, do IPEA.

Fiquei no cadastro de reserva (décimo-oitavo de nove vagas). Tudo bem, porque sempre corro o risco de ser nomeado uma hora dessas, e isso seria ótimo. Afinal, preciso garantir a subsistência na velhice.