Duas dúzias incompletas

Em fevereiro fui com minha irmã Lu e alguns amigos a um show da Alanis Morissette em Porto Alegre. A verdade é que eu conhecia pouco de Alanis – pouco além do básico, que a maioria das pessoas já ouviu na rádio –, embora já gostasse do pouco que conhecia. Comecei a ouvir mais e a gostar ainda mais por causa do show.

E foi assim que ouvi pela primeira vez Incomplete, a última música do último CD da Alanis, Flavors of Entanglement. Se por um lado a música fala do incompleto, por outro ela está repleta de significado. A letra me encantou tanto – tudo a ver com coisas que tenho pensado e vivido – que resolvi fazer uma paráfrase, contendo minha interpretação e a expressão do tanto dessa música que absorvo como sentimentos meus, iguais ou análogos.

Tenho preparado a reflexão a seguir nas últimas semanas, de a pouco, mas resolvi deixar para postá-la só hoje, véspera de completar duas dúzias de anos de vida – um dia perfeito para colocar no ar algumas conclusões incompletas acerca da minha própria incompletude.

* * * * *

Duas dúzias incompletas

Um dia,

serei um bom amigo,
e conseguirei retribuir à altura a amizade dos bons amigos;

serei autoconfiante,
e não mais me importarei com o que pensam ou dizem de mim;

minha mente estará em paz,
e não mais terei medo da vida e dos seus desafios;

não terei pressa alguma,
e me deliciarei com as experiências da vida, uma a uma;

serei autêntico,
e pensarei, falarei, cantarei e escreverei com plena liberdade;

terei reconhecido meu valor intrínseco,
e serei avaliado para além do meu currículo;

saberei aceitar meus erros,
e serei mais tolerante quanto aos erros dos outros;

serei empático,
e em troca, sem me dar conta, receberei mais simpatia;

estarei curado,
e aprenderei a suportar feridas e a perdoar com facilidade;

estarei pleno de fé,
e isso será perceptível, e aproveitará a todos ao meu redor.

Um dia,
terei o privilégio de encontrar Deus pessoalmente,
e ficarei eternidades conversando face a face com Ele,
e tirando dúvidas sobre tantas coisas que nunca entendi.

Sempre batalhando e crendo,
Sempre arriscando e confiando,
Sempre aprendendo e melhorando,
mas nunca pronto.

Tenho corrido e suado tanto, durante toda a vida, sempre ansiando por uma linha de chegada.

E nesse tempo todo tenho deixado de aproveitar o entusiasmo de ser sempre incompleto.

* * * * *

Para ouvir e ver Alanis cantando Incomplete, aí vai um vídeo do youtube (vale ressalvar que eu prefiro a versão do CD!).

Incomplete

Alanis Morissette & Guy Sigsworth

One day, I’ll find relief
I’ll be arrived
And I’ll be a friend to my friends who know how to be friends

One day, I’ll be at peace
I’ll be enlightened
And I’ll be married with children and maybe adopt

One day, I will be healed
I will gather my wounds, forge the end of tragic comedy

I have been running so sweaty my whole life
Urgent for a finish line
And I have been missing the rapture this whole time
Of being forever incomplete

One day, my mind will retreat
And I’ll know God
And I’ll be constantly one with her – night, dusk and day

One day, I’ll be secure
Like the women I see on their 30th anniversaries

I have been running so sweaty my whole life
Urgent for a finish line
And I have been missing the rapture this whole time
Of being forever incomplete

Ever unfolding, ever expanding
Ever adventurous and torturous
But never done

One day, I will speak freely
I’ll be less afraid
And measured outside of my poems and lyrics and art

One day, I will be faith-filled
I’ll be trusting and spacious, authentic and grounded and whole

I have been running so sweaty my whole life
Urgent for a finish line
And I have been missing the rapture this whole time
Of being forever incomplete

© Sigasong Ltd; Szeretlek

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3 ideias sobre “Duas dúzias incompletas

  1. Raquel Reinke

    Engraçado eu resolver abrir teu blog no dia do teu aniversário. Mais engraçado ainda tu falares sobre a Alanis nesse último texto, pois lembro bem – hm, ok; talvez nem tão bem – da época das nossas aulas de flauta, e naquela época eu era fã alucinada da Alanis (ainda sou um pouco). O terceiro (e último, eu prometo) engraçado do texto é que tu não curtias Alanis naquela época. Eu dizia: “Martin, escuta Alanis, escuta rock também”. Tu respondia: “Nah, Raquel, escuta Mozart, Haendel tb”.:DBelo texto.

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    Resposta
  2. Pingback: 95.000 quilômetros | Martin D. Brauch

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