Não era pra ser um blog trimestral

Mas nem tudo acontece como a gente quer. E tudo bem, porque os imprevistos da vida, agradáveis ou não, edificam. O lado mais agradável de um hiato na postagem parece ser a diferença de perspectiva que o passar do tempo proporciona. Vejo bem mais claramente hoje que ao longo dos últimos três meses o que realmente importou nesse tempo.

Primeiro, estar com toda a minha família reunida. A bênção de poder reunir com razoável frequência uma família tricontinental compensa até mesmo a forte dor da despedida (sempre acompanhada de choradeira) ao final de cada reencontro.

Segundo, crescer naturalmente no trabalho – e sentir o trabalho crescer naturalmente em mim. É tão difícil acreditar que já completei meio ano de advocacia quanto acreditar que completei apenas meio ano de advocacia. Há desafios novos a cada dia e nem os percebo mais, porque estou cada vez mais acostumado a enfrentá-los sem medo.

Terceiro, cumprir a árdua missão de “mobiliar o apartamento, com calma, simplicidade, conforto e estilo – mas sem torrar grana em luxos”. Há semanas tenho a impressão de que nada me falta em casa. Isso libera minha mente e meu tempo para atividades mais nobres.

É aí que entra a parte nem-tudo-são-flores do post. Apesar dos avanços evidentes, ainda não atingi o equilbrio desejado entre as atividades fora do trabalho: ler, assistir a filmes, nadar, fotografar, estudar idiomas, caminhar, tocar música, escrever. Manter contato com os amigos de longe. Passar tempo com os amigos de perto. Fazer novos amigos.

E, por fim, tem a parte do post em que eu admito um incômodo sentimento de pro-resto-da-vida. Em contraste com os últimos anos (desde julho de 2009) de dinamismo instável, relatados aqui no blog, estou estranhando um pouco a constância dos últimos meses. Antes, vivia incomodado porque não tinha nem mesmo uma vaga ideia de para onde a vida ia; agora, porque tenho a impressão de saber com excessiva precisão para onde vai.

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Uma ideia sobre “Não era pra ser um blog trimestral

  1. Felipe

    Que dramático esse final, hein? É bom saber com precisão para onde a vida vai, afinal isso nos permite manter ou alterar o seu rumo.Tá de parabéns pelo sucesso em mobiliar a casa. Conciliar calma, simplicidade, conforto e estilo sem torrar em luxos é um desafio – compensador, mas ainda assim um desafio.

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