A Economia desceu pelo ralo

Quando ganhei na Mega-Sena em agosto, comentei que não compraria um apartamento de três milhões de reais, por causa da minha frugalidade, entre outros pontos:

… a perspectiva (não vale a pena acumular “tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam”, Mateus 6:19) que orienta meus princípios (frugalidade é um deles) e prioridades (patrimônio não é uma delas).

Porém, pequei (tá, parei com o p agora) contra meu próprio ideal de frugalidade. Durante a viagem que fiz à Índia em janeiro, visitei Jaipur, famosa pela joalheria artesanal, e comprei um anel de formaturas para mim mesmo. Mais que um souvenir bonito, é único e personalizado, com três pedras — Direito, Economia e Mestrado. Não foi um autopresente tão caro quanto teria sido no Brasil, mas foi caro se considerada isoladamente sua utilidade: nenhuma.

Dias depois, percebi que a pedra do Mestrado estava solta e poderia cair. Fiquei bem chateado e deixei o anel na caixa por um bom tempo até encontrar alguém que pudesse consertá-lo. Só depois do retorno a Porto Alegre é que encomendei o conserto. O joalheiro fez um excelente trabalho. A pedra ficou bem segura. Comecei a usar o anel.

Isso até perceber que outra pedra, a da Economia, ficou bem pouco solta. Não achei que pudesse cair, mas meu subconsciente achou e me avisou. Várias vezes sonhei que a pedra tinha caído. (Sonhei várias vezes, mesmo.) E há poucos dias de fato caiu. Não vi quando exatamente, mas suspeito que tenha sido ao lavar as mãos. Acho que a Economia desceu pelo ralo, tanto quanto minha frugalidade desceu pelo ralo quando tomei a decisão de comprar o anel.

Talvez eu conseguisse uma pedra substituta com alguma facilidade. O Brasil é o maior produtor mundial de águas-marinhas, então imagino que consiga encontrar uma com lapidação semelhante à das outras duas. Depois, só teria de encontrar alguém que se dispusesse a fixá-la no anel.

Já contrariei meu instinto frugal, que me dissera para não comprar o anel. Também contrariei as sugestões do meu inconsciente, que tentou me avisar da perda iminente. E contrariei um amigo meu, que comentou ter gostado do anel, mas sugestivamente perguntou: “simboliza que estás casado com a academia ou com o trabalho?”

Depois de tanta contrariedade, o problema maior talvez seja ter vontade de tomar as providências e despender para consertar o anel. Por enquanto, ficará na caixinha.

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