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Agra (4/4): Aurora no Taj Mahal

A ideia de uma visita ao Taj Mahal logo após o nascer do Sol foi uma das melhores da agência de viagem. A experiência é muito favorecida pela iluminação natural do alvorecer, com seus tons suaves de azul e rosa, e pela quantidade relativamente baixa de turistas (é um dos monumentos mais visitados do mundo, então sempre há um número significativo de turistas).

Depois da longa fila no ar gelado da manhã, avistar o Taj Mahal de longe já foi compensador.

Outra vantagem de visitar o Taj Mahal pela manhã é que, bem cedo, os jatos do espelho d’água ainda não foram ligados. Só assim (e num dia sem vento, como no da minha visita) é que se conseguem reflexos límpidos do mausoléu sobre o espelho d’água.

Olhando para trás, o portão de entrada e seu reflexo sobre o espelho d’água.

Turística foto, sentado no mesmo banco onde a Princesa Diana foi fotografada 21 anos antes, em 1992, quando viajou à Índia com o Príncipe Charles. Além da ironia de Diana ser fotografada sozinha em frente a um dos mais significativos monumentos ao amor, é irônico que tenha sido naquele mesmo ano, meses depois, que ela e Charles se separaram.

Fofocas da realeza à parte, sigo com as fotografias do meu passeio!

Impressiona a riqueza de detalhes do Taj Mahal, mesmo nas partes mais altas.

No detalhe, decorações florais e passagens do Alcorão, o livro sagrado do Islamismo. Essas textos também foram feitos com a técnica de pietre dure, com mármore preto incrustado no branco.

Nas paredes da entrada do mausoléu (dentro do qual a fotografia é proibida), há entalhes florais em placas de mármore, com uma moldura de padrões florais em pietre dure.

Vale ressaltar a dificuldade técnica desses entalhes. Enquanto outros tipos de mármore (como o de Carrara, muito usado para esculturas na Europa) são considerados mais macios, a dureza do mármore de Makrana torna-o mais propício à construção de estruturas, como o próprio Taj Mahal.

Detalhe dos arcos que há em cada corte dos vértices do mausoléu. Tudo perfeitamente simétrico.

A mesquita do Taj Mahal, ao Norte do mausoléu.

Uma foto do lado Sul do mausoléu, sem os minaretes. Resta pouco da iluminação do alvorecer.

Última foto: o Taj Mahal, inteiro e plenamente iluminado, no seu lado Sul.

Agra (3/4): Pietre dure

Pietre dure é uma técnica de arte decorativa que consiste na incrustação de pequenas pedras, delicadamente recortadas e altamente polidas, em uma pedra maior, que serve de substrato.

As pedras pequenas podem ser preciosas ou semipreciosas, como cornalina, lápis-lazúli, turquesa e malaquita; madrepérola também pode ser usada. A base sobre a qual são incrustadas é normalmente uma placa de mármore branco, preto ou verde.

A técnica foi aperfeiçoada principalmente em Florença. Teria sido importada à Índia pelo imperador Jahangir; lá, é chamada de parchin kari. Foi muito usada na decoração do Taj Mahal e outros edifícios de mármore do Império Mogul.

As famílias de artesãos da região de Agra tem mantido viva a técnica, produzindo hoje peças decorativas que imitam os desenhos florais em pietre dure do século XVII. Visitei uma das diversas oficinas de Agra onde se pode conhecer o trabalho desses artesãos.

Mármore de Makrana

No caminho de Jodhpur a Jaipur, passei pela cidade de Makrana, de onde provém o mármore usado na construção do Taj Mahal.

Na base de mármore, o artesão esboça a imagem que formará com a técnica de pietre dure. Entre os artesãos de Agra, predominam os padrões florais como os feitos no Taj Mahal.

Em seguida, o artesão abre sulcos na base de mármore. Nesses sulcos é que serão encaixadas as pequenas pedras polidas, formando um moisaico.

O trabalho de corte e polimento das pedras semipreciosas e preciosas que serão incrustadas na base de mármore requer bastante paciência. (Acho que eu teria essa paciência toda, mas aqui só fiz pose de artesão para a foto, bem turisticamente!)

Nos sulcos abertos na base de mármore, o artesão cola os pedacinhos de pedra polida, usando as diferentes cores das pedras para formar os desenhos.

O resultado final é uma linda peça decorativa de mármore, com incrustações de pedras preciosas e semipreciosas. Por ser translúcido, o mármore de Makrana permite a passagem de luz pelos cristais da pedra. O Taj Mahal e outras construções que empregam a pedra (com ou sem a técnica da pietre dure) apropriam-se de forma inteligente com desse efeito de iluminação.

Em Agra, a oferta de souvenirs de mármore de Makrana (das diversas qualidades de artesania, com ou sem pietre dure) é bem maior que o tamanho do meu bolso. Porta-joias, tampos para mesas de diferentes tamanhos, porta-copos, pratos decorativos — há de tudo. As lojas até oferecem para empacotar e mandar entregar na residência do turista.

Antes que me acusem de enrolador: o próximo será o tão esperado post, o último sobre Agra, com fotos da minha visita ao Taj Mahal logo após o nascer do sol.

Agra (2/4): Mausoléu de Itmad-ud-Daulah (Baby Taj)

Itmad-ud-Daulah foi um tesoureiro do Império Mogul. Em 1622, sua filha mandou construir para ele um lindo mausoléu, que levou seis anos para ser concluído.

Os detalhes refinados da construção de mármore branco incluem telas de treliça e incrustações de pedras preciosas e semipreciosas. O estilo e a artesania serviram de ensaio para a construção do Taj Mahal, poucos anos mais tarde. Por isso, acabou conhecido como Baby Taj.

Não só o mausoléu é perfeitamente simétrico: também o jardim em seu entorno. A cada lado do túmulo, que é quadrado, corresponde um portão em arenito vermelho.

Portão Leste do Mausoléu, visto de fora (ao fundo, o mausoléu)

O mausoléu, visto do lado Sul (mais iluminado)

Mosaico na parede do mausoléu

Uma das impressionantes telas de mármore;

cada uma é esculpida em uma placa única

Detalhe de uma das portas do mausoléu

O mausoléu emoldurado pela sombra do Portão Oeste

Panorâmica feita do lado Sul.
À esquerda, o Rio Yamuna e o Portão Oeste.
Ao centro, o mausoléu.
À direita, o Portão Leste (entrada do jardim).

Após a visita ao Baby Taj, uma primeira espiadinha no Taj Mahal mais de perto — mas do lado oposto do Rio Yamuna. A visita oficial ficaria para o dia seguinte…

“Projeto Espeto Noite Jovem” na Índia!

Um viajante europeu que visitou Agra no século XVII, Jean-Baptiste Tavernier, escreveu que Shah Jahan tinha começado a construir um mausoléu para si no outro lado do Rio Yamuna, idêntico ao Taj Mahal (que ele havia construído para sua esposa, Mumtaz Mahal), mas em mármore preto. O imperador só não teria levado adiante a construção da Kaala Taj (coroa preta) por ter sido deposto e aprisionado por seu filho Aurangzeb no Forte de Agra. Arqueólogos contemporâneos revelam que se trata de lenda, que se mantém viva por meio dos guias turísticos indianos…

Do lado de cá do Yamuna,
o muro que, segunda a lenda, seriam as fundações da Kaala Taj

Agra (1/4): Forte de Agra

O Forte de Agra começou a ser construído por Akbar, imperador Mogul, entre 1565 e 1573, com fortificações de arenito vermelho. Entrei no forte pelo portão Sul, chamado de portão Amar Singh ou Lahore, e fui em direção ao Diwan-i-Aam, o salão de audiências públicas.

Portão Amar Singh ou Lahore, entrada Sul do Forte de Agra
Diwan-i-Aam, salão de audiências públicas do Forte de Agra
Colunas de mármore branco do Diwan-i-Aam

Passando pelo Anguri Bagh, ou Jardim das Uvas, visitei o Khas Mahal, palácio de mármore onde ficavam os aposentos das princesas Jahanara e Roshanara, filhas do imperador Shah Jahan e de sua esposa preferida, Arjumand Banu (conhecida como Mamtaz Mahal, ou a escolhida do palácio).

Foi o Shah Jahan que mandou construir o Taj Mahal, como mausoléu para Mamtaz Mahal, que faleceu no parto. Na velhice, Shah Jahan foi aprisionado pelo filho Aurangzeb no Forte de Agra, na Musaman Burj, uma torre octogonal. Dali, podia contemplar o Taj Mahal, saudoso da esposa a quem tinha verdadeira devoção. Diz a lenda que foi ali, olhando para o Taj Mahal, que ele veio a falecer, nos braços de Jahanara, a filha preferida (que ficou com metade de sua fortuna).

Anguri Bagh, o Jardim das Uvas
Khas Mahal, onde há os aposentos das princesas
Musamman Burj, a torre onde Shah Jahan passou seus últimos anos
Exemplos da técnica pietre dure: incrustações de pedras preciosas e semipreciosas no mármore.
Infelizmente, as pedras preciosas não resistiram à ganancia de conquistadores e visitantes…
À esquerda, no primeiro plano, a torre Musamman Burj;
à direita, à distância, o Taj Mahal/ também se vê o rio Yamuna

A parte final da visita ao Forte de Agra foi o Jahangiri Mahal, palácio do reinado de Akbar.

Em um dos espaços do Jahangiri Mahal
Detalhes da arquitetura hindu no Jahangiri Mahal
No principal portão do Jahangiri Mahal, símbolos de diversas religiões:
arcos muçulmanos (Islamismo), flores de lótus (Hinduísmo) e estrelas de Davi (Judaísmo)
Fachada principal do Jahangiri Mahal