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Rajastour, dias 3 e 4 (Jodhpur): Bazaar Sardar e vilarejo Bishnoi

Admito: tá difícil terminar essa série de posts sobre minha viagem à Índia! A justificativa geral é serem muitas fotos e muitos relatos, mas a justificativa recente é a visita a Jodhpur, assunto dos últimos posts, ter sido minha parte menos preferida da viagem.

Não sei explicar por que exatamente Jodhpur foi a menos preferida. Não é que eu não tenha gostado de Jodhpur; apenas não gostei tanto quanto das outras cidades. Então, para de uma vez por todas arrancar esse esparadrapo, vamos lá, bem rapidinho.

Depois do Jaswant Thada e do Forte Mehrangarh, ainda no mesmo dia, visitei o Bazaar Sardar, no centro antigo de Jodhpur. Ali encontrei os mesmos traços da vida urbana indiana (caos, pechincha, diversidade) que tinha encontrado no bazaar de Jaisalmer.

No centro do bazaar, chama a atenção a Ghanta Ghar ou torre do relógio cuja construção foi encomendada pelo marajá Sardar Singh (a propósito, veio dele o nome do bazaar!).

Bazaar Sardar visto do alto, do Forte Mehrangarh, com destaque para a torre
Detalhe da torre do relógio do Bazaar Sardar

Algumas cenas selecionadas do bazaar

No dia seguinte, comecei com um café da manhã com vista para o Forte Mehrangarh, do terraço do hotel onde fiquei hospedado (Pal Haveli). Em seguida, o guia me levou por um passeio de jipe pelas redondezas de Jodhpur, especialmente a um vilarejo Bishnoi. Os Bishnoi são um povo que vive de forma bem simples, observando 29 princípios relacionados principalmente ao ambientalismo. Por ali vi trabalhos em cerâmica e tapeçaria e até assisti a (observa o verbo empregado: “assistir a”, e não “participar de”) uma cerimônia de chá de ópio, tradicionalmente usada pelos Bishnoi para acolher os visitantes.

Concluo o post com algumas das cenas deste quarto dia do Rajastour, na despedida de Jodhpur.

Durante o café da manhã, no Pal Haveli, com vista para o Forte Mehrangarh
No jipe, pronto para o caminho aos vilarejos Bishnoi
No jipe, deixando para trás o portal do Bazaar Sardar
Trabalhos em cerâmica em vila Bishnoi
Vasos de cerâmica
Trabalhos em tapeçaria
Moradia Bishnoi
Entrada de um dormitório da moradia Bishnoi
Cozinha em moradia Bishnoi
Sendo recepcionado como um marajá, com direito a turbante, logo após a cerimônia do chá de ópio
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Rajastour, dia 3 (Jodhpur): Forte Mehrangarh

Do memorial Jaswant Thada, diretamente para o impressionante Forte Mehrangarh. Construído em 1459, o forte fica no alto de uma rocha de 125 metros de altura.

As altíssimas defesas do Forte Mehrangarh
Jai Pol, o portão de entrada do Forte Mehrangarh
Pintura de Ganesh no Jai Pol, entrada do Forte Mehrangarh
Jodhpur, a Cidade Azul, vista do alto do Forte Mehrangarh

Dentro do forte, há diversos palácios e salões deslumbrantes, habitados por diversos governantes desde a época da construção do forte e principalmente nos séculos XVII e XIX. Hoje esses ambientes deram lugar a um museu muito interessante, com pinturas em miniatura, itens da decoração dos palácios, armas e armaduras, roupas dos marajás, trabalhos em tapeçaria e até uma coleção de berços reais.

Fachada de um dos edifícios do Forte Mehrangarh
Entrando no museu do forte
Um Mahadol, ou palanquim, usado para transportar marajás (um só de cada vez, é claro)
Exemplo de pintura em miniatura, retratando a (dura) vida de um marajá
Sheesha Mahal, o Palácio dos Espelhos, um dos cômodos do forte
O elegante Phool Mahal, ou Palácio das Flores, foi construído no século XVIII, para cerimônias do marajá
No teto de madeira do Takhat Mahal, chama atenção a decoração de inspiração europeia,
com bolas de árvore de Natal (sem significado cristão, é claro; são meramente decorativas)
Num dos extremos do Takhat Mahal
Detalhe de um berço de marajá
Um dos berços de marajá no Jhanki Mahal, ou Palácio para Espiar
(Ao fundo, é possível ver as janelas com treliças entalhadas na pedra,
de onde as mulheres poderiam observar os pátios internos do forte.)
Moti Mahal, ou Palácio da Pérola, o salão de audiências do marajá, construído no século XVI.
As paredes parecem ter um brilho, como de pérola, porque conchas moídas foram misturadas ao gesso.
À direita, das “janelinhas” no alto da parede lateral, as esposas do marajá podiam observar as audiências.
Ainda o Moti Mahal, com destaque ao trono do marajá e aos vitrais coloridos

Rajastour, dia 3 (Jodhpur): Jaswant Thada

Jodhpur é conhecida como Cidade Azul por causa da pintura azul índigo de muitas construções antigas, sobretudo no entorno do Forte Mehrangarh. Antigamente, somente os membros da casta dos brâmanes podiam pintar suas casas de azul, com a intenção de afastar espíritos maus. Hoje, qualquer pessoa pode pintar sua casa dessa cor, e a intenção é repelir insetos. (Funciona?)

A primeira visita foi o Jaswant Thada, memorial de mármore branco construído por Sardar Singh no final do século XIX em memória do Marajá Jaswant Singh II. Também foi o primeiro de muitos memoriais de mármore branco que eu viria a visitar ao longo da viagem à Índia! É interessante observar a mistura de características da arquitetura muçulmana (as cúpulas laterais) e indiana (a cúpula central).

Fachada principal do Jaswant Thada
Colunas do Jaswant Thada
Interior do Jaswant Thada
Interior do Jaswant Thada

Do morro onde fica o Jaswant Thada também se veem belas paisagens da cidade e do Forte Mehrangarh.

Cemitério (à esquerda) e Forte Mehrangarh (ao fundo, à direita)
Em primeiro plano, parte da cidade, com algumas construções azuis.
Mais ao fundo, a muralha da cidade.
Ao longe, palácio Umaid Bhavan (que não visitei):
construção concluída em 1943; parte hotel, parte palácio

Rajastour, dia 1: Rumo a Jaisalmer

Após o fabuloso casamento, comecei um tour de nove dias pela Índia, organizado por mim e pela agência de viagem Diethelm Travel a partir de roteiros sugeridos e dicas de amigas (a noiva Rahela e a Fernanda Kaur) e irmã (Lucy).

Na primeira parte do tour, fiz um “Rajastour”, visitando três cidades do Rajastão: Jaisalmer, Jodhpur e Jaipur. O Rajastão (Terra de Reis), na fronteira com o Paquistão, é o maior estado da Índia. É a terra dos marajás e de lindos e muito antigos fortes e palácios. Entrei no Rajastão pelo aeroporto de Jodhpur.

Área de desembarque do aeroporto de Jodhpur, onde provavelmente era proibido fotografar
Caos urbano de Jodhpur (mas poderia ser em qualquer outro lugar da Índia que eu tenha visitado)

Em Jodhpur, já me aguardavam o agente de viagem local e o Muni, que seria meu motorista pelos próximos dias. Dali comecei a viagem de cinco horas (!) a oeste, rumo a Jaisalmer, o primeiro destino do passeio.

Salvo poucas exceções (sobre as quais contarei mais adiante), fiz todos os traslados de carro (Tata Indigo) com motorista. De início, achei a ideia luxuosa e, portanto, absurda (eu? de carro alugado e motorista?), mas não me arrependo. A Índia não é a Europa, em muitos sentidos: o trânsito na Índia é confuso, as cidades não são exemplos de boa sinalização para turistas, a segurança é incerta, o transporte público (quando existe) não é necessariamente recomendável. Aventura de mochileiro pela Índia até seria legal, mas percebi que teria riscos de contratempos incompatíveis com o pouco tempo que eu tinha para aproveitar. Optei pelo carro com motorista para ter garantia do menor risco possível de contratempos.

Um caminhão levemente sobrecarregado…
Deserto rumo a Jaisalmer
Vaca (no meio da rodovia): uma instituição indiana
Deserto rumo a Jaisalmer

Lá pelo meio da tarde, fiz pausa para almoço em um hotel à beira da estrada. Provei o delicioso Shahi Paneer: cubos de queijo coalho cozidos em gravy de castanha de caju, servidos com creme e manteiga e  acompanhados de naan (pão indiano) de queijo e, só pra não perder o costume, masala chai.

Portão do hotel onde fiz pausa para almoço
Almoço: Shahi Paneer
Parque eólico no deserto

Cinco horas depois… enfim, Jaisalmer! Logo na chegada da cidade, chama a atenção o Forte de Jaisalmer, um dos maiores do mundo e ainda habitado. Foi construído em 1156 por Rao Jaisal (Jaisalmer = Jaisal + Mer = Forte de Jaisal). A onipresença do arenito, tanto no forte quanto na maioria das construções urbanas fora dele, dão à cidade desértica de Jaisalmer um aspecto dourado, especialmente no pôr-do-sol. Por isso, Jaisalmer é conhecida como a Cidade Dourada.

No próximo post, mais relatos e fotos da cidade e do forte. Encerro este com as fotos finais do dia de traslado e do lindo hotel onde fiquei, o Rang Mahal. (Confesso que, depois de achar lindo o hotel, meu primeiro pensamento foi “bah, não acredito que estou pagando duas diárias nesse palácio”. Minhas acomodações talvez pudessem ter sido mais simples. Mesmo assim, sem arrependimentos!)

Chegando a Jaisalmer: primeira vista do Jaisalmer Fort
Ala onde fiquei hospedado no Hotel Rang Mahal
Área da piscina e do bar no Hotel Rang Mahal
Hall de entrada do Hotel Rang Mahal
Sala de espera do Hotel Rang Mahal
Fachada externa do Hotel Rang Mahal