Arquivo da categoria: Fotografia

Lorimer

Hoje fui ao Brooklyn ver um quarto para alugar. Não vou alugá-lo (pelo menos acho que não), mas não perdi totalmente a viagem. Pela primeira vez andando na linha L, fui até a estação Lorimer St. Além do bairro ali na volta parecer legal, gostei de três coisas na estação:

1) Lorimer St já chegou no futuro: painéis eletrônicos anunciam a chegada dos trens. Uau. Haha… Nada de espetacular, é óbvio, mas é raro encontrar esses painéis nas estações das linhas em que costumo andar aqui em Manhattan (ACE, BDFV, 123, 456).

2) Arte no metrô, parte 1: fé e destino.

 

3) Arte no metrô, parte 2: em homenagem ao Earth Day:

Cosmopolitan

Sábado fui com uma amiga japonesa a um show de flamenco – dança espanhola – da dançarina mexicana Pilar Rioja. (Bom, eu imaginava que ela tivesse entre 50 e 60 anos – acontece que descobri, ao voltar pra casa depois do show e fazer uma pesquisa básica, que ela tem 78! Fiquei tão em choque que quase não dormi.)

Também sábado era o aniversário de uma amiga dinamarquesa (nascida no Qatar de pai palestino e mãe libanesa). Então depois do show fui a um restaurante libanês para comemorar entre amigos: além da aniversariante, uma alemã, um brasileiro, um espanhol, uma indiana, um israelense, um suíço, e uma taiwainesa.

Galera andando de ônibus (pela primeira vez em Manhattan? haha!) na 5th Ave, depois do aniversário.

Domingo, depois do culto, almocei comida mexicana com o pessoal da igreja. Hoje à noite, enfim, fui com meus amigos americanos Justin e Kyle a “Little Egypt”, em Astoria (Queens), onde jantamos num restaurante egípcio. A sobremesa foi numa padaria grega por ali. Aproveitando que estávamos em Astoria, fomos ao US Brazil Deli comprar guaraná – “original do Brasil” – e Bono de doce de leite.

Depois de eu ensinar os amigos a pronunciar “bolachinha recheada” adequadamente, fizemos um brinde não-alcoólico – com guaraná – à diversidade cultural, em frente à estação do metrô. “To some foreign country!“, disse o Justin (de palhaçada, claro). “To preciseness!“, disse eu, agradecendo a especificidade do brinde.

O brinde

Cara de cansado, eu?

Metrô e nostalgia II

Como disse no primeiro post Metrô e nostalgia I:

Agora, a entrada/saída [de metrô] de que mais gosto é, sem dúvida, a da estação42nd Street – Bryant Park. Mas não qualquer entrada/saída: a da esquina sudeste da 42nd St com 6th Ave. Aliás, só a saída, mesmo – a entrada não tem nada de especial. O motivo é simples. A primeira coisa que se vê ao subir a escada é o Chrysler Building (que pode ter sido superado pelo Empire State em altura, mas não em beleza). É muito lindo sair da estação, pisar na calçada do Bryant Park e dar de cara com o Chrysler… Ainda preciso tirar uma foto naquela saída de metrô. É uma imagem de que não quero esquecer.

Pra não esquecer a imagem: aí está a foto, pois. Nem o dia chuvoso conseguiu estragá-la!

Outro sábado 20

Um mês – um longo e intenso mês – sem postar. É verdade que estou em jejum de facebook, orkut e twitter durante a Quaresma – mas o blog nunca esteve incluído nessa idéia. Pois então basta de jejum de blog. Hoje vou pôr as coisas em dia por aqui: resumir um mês em um post. Minha capacidade de síntese não é lá grande coisa, e nem estou muito seguro de que deveria mesmo me aventurar nesse tipo de exercício, mas é o único jeito. Não consigo deixar lacunas (especialmente num mês em que tanta coisa aconteceu). Preciso voltar a postar – e pra voltar a postar preciso vencer a inércia. Porém, neste post retroativo vou deixar um pouco de lado o meu “clássico” formato cronológico e organizar tudo em tópicos. (Ou seja: será um post menos tipicamente meu, mas nem por isso menos neurótico.)

NYU Law e Direito Internacional

Claro que não podia começar por outro tópico. O último mês foi menos produtivo academicamente do que deveria ter sido (não, não estou exigindo de mais de mim mesmo!); ainda assim, não foi pouca coisa! Nesse período terminou minha cadeira sobre a Organização Mundial de Comércio, com uma petição escrita e um painel simulado. No seminário de Política de Mudança Climática, escrevi uma redação como “iniciador” da discussão e, num outro dia, fui o “comentarista” sobre a redação de um colega. Mas o ponto alto das últimas semanas, sem dúvida – sem deixar a modéstia de lado –, foi a nota máxima no memorandum que escrevi para Metodologia Jurídica. Muito mais que o reconhecimento por um trabalho que deu mesmo bastante trabalho, aquele “A” melhorou bastante minha autoestima! Um dos melhores eventos do último ano, desde que fui aceito na NYU. Sério.

Pensando no futuro

Agora conto da parte frio na espinha das últimas semanas. Depois de consultas com “conselheiras profissionais” aqui da NYU e também com a ajuda de uma amiga editora, preparei uma carta de apresentação bem sólida, fiz os últimos ajustes no currículo, e passei a me envolver mais ativamente na busca por empregos e estágios. Semana que vem vou a Washington, DC, para a reunião anual da Sociedade Americana de Direito Internacional (da qual sou membro), para fazer contatos na minha área. Também enviei o pedido de prorrogação do meu visto por um ano e de autorização de trabalho. Mais frio na espinha.

Vida em Gotham

Nos últimos tempos tenho levado mais seriamente – embora não perfeitamente seriamente – meu “tempo sabático semanal”: 24 horas para não pensar em Direito, estar na igreja e na presença de Deus, passar tempo com amigos, descansar. Tem funcionado bem na maioria das vezes. Começo sábado à tardinha e vou até domingo à tardinha. No sábado à noite eu descanso, no domingo de manhã toco flauta na sala de música da City Grace, em seguida vou ao culto e lidero o ensaio do City Grace Choir, aí almoço com amigos da igreja, e por fim passo mais um tempinho descansando em casa.

Na parte musical, as últimas semanas foram muito boas. Assisti à Orquestra da NYU um dia desses com uma colega. O City Grace Choir anda a mil com os preparativos para a Semana Santa. Mais, os “tempos sabáticos” que passo na sala de música da igreja aos domingos de manhã têm me proporcionado alguns dos “momentos flauta-doce” mais inspirados da minha vida. Muito Bach nesta hora. Ainda não consigo tocar a Partita em Lá menor (BWV 1013) perfeitamente (é o eterno desafio da minha vida musical?), mas melhorei bastante. Comecei a ensaiar – e aprontei, na verdade – a Sonata em Dó (BWV 1033):

 

Com o Kyle, um amigo da City Grace, estou ensaiando o Trio em Fá (BWV 1040) de uma forma bem alternativa. Primeiro porque é um trio e estamos ensaiando apenas em duas partes (já fui criticado por isso – ok, admito que precisamos conseguir um terceiro aficionado por Bach…). Segundo porque o Kyle faz a parte do violino no mandolim e eu, a parte do oboé na flauta-doce. Está ficando interessante.

 

Por fim, o último mês foi um tempo de transições. Teve mais uma tempestade de neve (que rendeu boas fotos – a seguir – e mais um snow day, embora numa sexta-feira, quando eu igual não teria aula). Também teve chuvaradas terríveis, dias nublados, escuros, tenebrosos. E ainda teve dias ensolarados e quentes. Gotham já entrou no horário de verão e já rompeu a barreira dos 70 graus Fahrenheit (ou dos 20 graus Celsius, digamos). Primavera chegando, tanto que estou no fim do dito “spring break” (um interessante mix de recesso, procrastinação e trabalho).

No Washington Square Park, últimas fotos de neve da temporada… :(

From NYC winter 2010

Irresistível

A semana será mais curta que o normal. Mas não é por causa do carnaval, que aqui não há; é que hoje foi feriado nacional de Presidents Day. Semana mais curta, porém, não significa semana menos intensa: dois trabalhos para quinta-feira, muita leitura, aula extra na sexta-feira (que era pra ser meu “dia livre” de aulas… nem sempre funciona). Apesar de tudo o que me espera, e mesmo sem muito tempo, simplesmente não posso deixar de postar sobre a semana que passou. Muitos acontecimentos importantes – postagem irresistível.

Segunda-feira, dia 8, escrevi meu primeiro reaction paper para a disciplina de Direitos Humanos (reaction paper é uma reflexão pessoal em resposta às leituras da semana – preciso escrever quatro ao todo; cada um vale 25% da nota do semestre). Também terminei um memorandum para a disciplina de Metodologia – nada menos que 50% da nota do semestre. São dois “pesos acadêmicos” científicos que tirei das minhas costas.

Terça-feira, dia 9, fui doar sangue. A parte boa foi saber que minha pressão estava normalíssima em 11 por 7 (“pressão de criança”, segundo o Sam, o enfermeiro que me atendeu), bem diferente do que aconteceu na última vez que doei. A parte ruim foi que quase não me deixaram doar. Quando eu disse que sou brasileiro e que morei no Brasil até menos de um ano atrás, o Sam olhou seu manualzinho e disse que não ia rolar doação de sangue pra mim – porque no Brasil tem risco de malária. Eu expliquei que no Rio Grande do Sul, onde morei a vida inteira, esse risco não existe. Mesmo assim, o Sam complicou; chamou um superior, que queria saber por onde eu andei no Brasil…

Aiai, que cansaço. “Bom, mas em nenhuma das regiões onde estive existe risco de malária. Mesmo que eu não tenha viajado tanto assim pelo Brasil, fica difícil explicar… Se tiveres um mapa aí, posso te mostrar.” E não é que ele tinha mesmo um atlas? Lá fui eu, dar aula de geografia pro rapaz. “Aqui é o meu estado, também já fui pra esse outro estado aqui, a São Paulo, ao Rio de Janeiro, mas não mais ao norte que o Rio.” Então o chefe do Sam pegou o telefone e ligou para o seu chefe pra verificar se eu podia doar ou não. Finalmente ele disse que sim.

Claro que tive que perguntar pros dois carinhas, só por curiosidade, o que dizia no manual deles. Fiz a seguinte comparação pra eles entenderem: é como se eu morasse a vida inteira em Seattle (que fica bem no noroeste aqui dos EUA) e eles não me deixassem doar sangue por causa de uma doença que só tem na Flórida (no sudeste dos EUA). Expliquei que o Brasil era um país bem grandinho. (Talvez ele ficasse chocado se eu dissesse que o Brasil é maior que a parte contígua dos EUA – ou seja, 48 estados mais o Distrito de Colúmbia, ou “área total menos Alasca e Havaí”.) Por isso, tratar o país como “uma coisa só”, tanto no caso do Brasil quanto no dos EUA, não fazia sentido.

Aí ele até me alcançou o manual, para eu mesmo consultá-lo. E estava lá a lista de todos os estados do Brasil onde há risco de malária – sendo que todos eles são estados onde eu jamais estive. No fim das contas, todo o rolo foi por falta de preparação deles (em receber doações de estrangeiros!), e não por uma falha do manual. Olha, considerando as experiências desagradáveis que já tive ao doar sangue (vide histórico do blog!), fica cada vez mais difícil entender por que persisto como doador. Se não é por altruísmo, só pode ser por teimosia!

Quando voltei pra casa, vi que tinha e-mail da NYU, oferecendo a alunos do meu programa (International Legal Studies) a oportunidade de observar a reunião do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas, durante a segunda semana de março, na sede das Nações Unidas aqui em Nova Iorque. Apenas os vinte primeiros interessados teriam a oportunidade. Pensei que nem teria mais chance, porque o e-mail tinha chegado uma hora antes, mas resolvi tentar mesmo assim – e consegui! Tô dentro.

Na terça-feira à noite fui ao Carnegie Hall para o último concerto do meu pacote estudantil para a temporada. O concerto com a Orquestra Sinfônica de Pittsburgh foi, na minha opinião, o melhor dos três a que assisti (os outros foram com as orquestras da Juilliard e de Houston). A primeira parte do programa foi o Concerto para Violino de Brahms (Op. 77), com a violinista Anne-Sophie Mutter. Apenas o máximo. Só para deixar um gostinho do que foi o concerto: encontrei esta gravação do Allegro giocoso, ma non troppo vivace – Poco più presto (terceiro e último movimento) com a mesma violinista.

E quarta-feira nevou. O dia inteiro. Muito. Uns 30 centímetros. A nevasca foi forte a ponto de a NYU declarar snow day e fechar as portas – coisa que, segundo disseram por aqui, acontece muito raramente. Na quinta-feira, assim que me liberei da última aula, fui tirar fotos do Central Park coberto de neve.

 

 

Sábado fui de novo ao Carnegie Hall, dessa vez com meu ingresso baratinho de estudante para a Filarmônica de Nova Iorque. A primeira peça (e acho que minha preferida da noite) foi a ouverture de Rienzi (a gravação aqui não é da NY Phil), de Wagner. A orquestra, claro, é espetacular, mas o maestro – Alan Gilbert – faz o seu próprio show. Ele rege energicamente como se fosse ter um ataque cardíaco a qualquer momento.

Muito inspirador para mim: domingo de manhã voltei a ensaiar o City Grace Choir! Vamos preparar uma música para Sexta-Feira Santa e duas para a Páscoa. Acho que, além do coro, vamos organizar um quarteto só de guris. Ah, e talvez cantemos uma música em português… veremos! Depois do culto, mais um ensaio do coral (sim, um antes e outro depois do culto), almoço às 15h, passeio na Strand (uma biblioteca de usados enorme na Broadway).

Pra terminar o dia, fui ao Empire Hotel Rooftop com uma amiga – que vai permanecer anônima pra ninguém ficar me incomodando! – em comemoração ao Valentine’s Day, dia dos namorados aqui. Não, não foi um encontro romântico – foi um encontro de amigos solteiros, hehe! Mas com direito a chocolate e cartão (de amizade…). :)

555

Alguns affairs hoje em Midtown. Na ida para o Carnegie Hall (ingresso de estudante para a New York Philharmonic!), uma foto na esquina 555.


5th Ave & 55th St
The St. Regis & The Peninsula

CowGuri em San Antonio, Texas

Fiquei com parte da família em San Antonio, Texas, durante pouco mais de uma semana (primeiro a 9 de janeiro). Foi mais um tempo de férias intensivamente curtidas, matando saudade dos queridos e cometendo alguns excessos em termos de sono, entretenimento (passeios, Guitar Hero, seriados, e filmes), alimentação, e consumo de forma geral (em bom inglês, shopping!). Pra não me passar muito nos detalhes, que é uma tendência minha, faço um post-álbum resumo, com alguns dos melhores momentos.

Ainda no dia primeiro, caminhada em família pelo Riverwalk (Paseo del Río) à noite, para ver as decorações de Natal.

Mais do Riverwalk

Corte de Justiça do Condado de Béxar

Catedral San Fernando, na praça principal

San Antonio skyline, vista do alto do prédio de Lu & James

Vista do meu quarto… apartamento de visitas ou resort?

Experiências fotográficas durante a espera pelo jantar :)

Durante o passeio de barco pelo Riverwalk: prédio ou só fachada?

Ainda durante o passeio de barco

Passeio de barco…

Ainda do barco: árvore enraizada na parede

No museu do Álamo

Pôr-do-sol no Jardim Japonês

Riverwalk… depois de drenado para a limpeza anual!

A limpeza do Riverwalk :P

Escadaria do Riverwalk para a praça principal

Río amanzado…

Rio San Antonio e a cidade ao fundo.
Destaque para o Tower Life Building.
(“Mock Empire State”, que na verdade é mais antigo que o Empire State!)
Modestamente, uma das fotos mais bonitas que eu já tirei :)

Rio San Antonio, ares outonais.
Ao fundo, a Torre das Américas, uma torre de 229m de altura.
(No alto dela fica o restaurante onde jantamos – aquele da foto sépia acima.)

Hilli & Silvio, Lu & James, e os meus waffles!
Depois de Pelotas e Porto Alegre (Brasil) e Untershausen (Alemanha), ter feito waffles em San Antonio (EUA) me coloca na posição de waffleiro tetrapolítico (grego) ou quadriurbano (latim) e trinacional (grego, latim e francês, sei lá). (Felipe, revisa aí por favor as questões etimológicas.) Geeente, meus waffles com nozes ficaram muito bons.

Tapete e guardanapos combinantes no apartamento de Lu & James
(depois de um golinho de vinho, começa minha piração fotográfica)

Carpete do corredor do prédio, quase combinante com o tapete e os guardanapos (não falei que tinha começado a piração fotográfica?)

Nos restaurantes no Texas, para poderem vender bebidas alcoólicas, os garçons pedem para conferir o documento de identidade de qualquer pessoa que aparente ter 30 anos ou menos. Pedi uma margarita só pra testar, e o garçom NÃO me pediu documento. Decepção total. A idade pesa sobre os meus ombros. Foi-se (foice!) o vigor de minha juventude. Estou acabado e decadente. O sorriso da foto é cínico.

Casa Manos Alegres – “Casa Mãos Alegres”, claro,
mas a gente quis que fosse “Casa dos Manos Alegres”, e pronto.
Foto em homenagem à Ca, a “Mana Alegre” faltante.

Lu, nesta foto, colocou uma fantasia de cubinhos coloridos. (Detalhe: meus óculos escuros ainda estão por cima da aba do meu chapéu.)

Deixei o frio em NYC ao ir para o Texas? Não necessariamente: temperaturas negativas e um vento cortante. Lu desaparecendo no meio de um amontoado de roupas e casacos não quer dizer muito, mas eu de chapéu e luvas, isso sim, pode acreditar, é sinal de frio. (Detalhe: aí eu já estava sem meus óculos, que caíram e no chão e se fizeram em mil pedacinhos pouco depois de tirada a foto anterior.)

A história da propaganda no século XX através de anúncios de metrô

Algumas das propagandas legais (engraçadas, curiosas, interessantes…) que encontrei nos vagões de metrô antigos no New York Transit Museum (ver relatos sobre o museu e mais fotos no post anterior).


Poema em propaganda do sabonete facial Woodbury.
Acho que hoje não colaria muito… O
McDonald’s tentou.
Mas McDonald’s emplaca com qualquer coisa, mesmo. :P


“Como você deixa suas roupas tão brancas?”
“Ora, é fácil: eu uso Rinso!”
Rinso: economiza trabalho – – economiza tempo.
(Entendes agora o que a tua mãe/vó quer dizer com “brancura Rinso”?)


Sim, fermento Royal! Sim, na mesma embalagem!
Meus amigos americanos nunca tinham visto.


“Ajude a acabar com a tuberculose:
faça um raio-X do peito”


“Varra os comunistas pra fora do nosso governo:
eleja Dewey e Warren – vote nos Republicanos!”

New Year’s in the City

Continuando a viver intensamente meu recesso de inverno, dia 28 fui pela primeira vez ao Queens (o aeroporto JFK fica no Queens, mas isso não conta)! Fiquei sabendo de uma loja que vende produtos brasileiros em Astoria, Queens (US-Brazil Deli & Grocery). Fui lá com o objetivo específico de refazer meu estoque de mistura para pão de queijo Yoki (!), mas acabei voltando também com guaraná Antarctica (!!) e bolachinhas Bono de doce de leite (!!!).

Dia 30 fui com um grupo de amigos italianos (Daphne, Eugenia e Sarah) e japoneses (Misako e Naoki) patinar no gelo no Bryant Park. Quer dizer, pelo menos essa era a intenção. Quando chegamos lá, por volta de 11:30, ficamos sabendo que a pista estava fechada até as 13h por causa de um evento particular.

A vontade de patinar era grande, então resolvemos persistir. Para matar tempo, fomos à FAO Schwarz (uma loja de brinquedos da 5th Avenue que aparece no filme Big – o qual, por sua vez, não me lembro de ter visto!). O problema foi que matamos tempo de mais: acabamos chegando ao Bryant Park depois das 13h. A fila já dava voltas e voltas no parque!

A Misako tinha chegado um pouco mais cedo; estava um tanto mais à frente na fila. As italianas logo desistiram de esperar, até porque tinham outro compromisso logo em seguida. A fila estava andando, por isso o Naoki e eu decidimos esperar. A Misako entrou no rinque de patinação, e a fila continuava andando. Estávamos certos de que logo estaríamos lá também.

O rinque começou a superlotar, com muitos entrando e poucos saindo, e fila começou a ficar lenta, e mais lenta, até que estancou. Duas horas e quinze minutos depois de termos entrado, e ainda com muita gente à nossa frente (no ritmo que estávamos, passaríamos mais meia hora de fila, no mínimo), o tédio e o frio nos impeliram a sair. Além do mais, a Misako já estava de saco cheio de patinar (e de nos esperar!), e a ideia era patinarmos todos juntos… Foi um pouco difícil tomar a decisão de desistir, porque, depois de tanta espera, a tendência é virar “questão de honra”. Mas logo percebemos que era bobagem: já estávamos tão chateados com a fila que a vontade de patinar até tinha passado. Esperamos a Misako sair e fomos os três tomar café con leche no Juan Valdez Café da Times Square (café colombiano, muito bom e barato, mesmo sendo na Times Square).

A fila (à frente e depois dobrando à esquerda), pouco antes de sairmos

Fonte congelada no Bryant Park

Depois do café voltei pra casa, coloquei meu traje de gala, e fui à opera: Les Contes D’Hoffmann, de Offenbach, na Metropolitan (Met) Opera House do Lincoln Center! Foi uma experiência inenarrável, como diria o Sami. Raramente assisto a operas, mas normalmente gosto. Estou mais para “apreciador eventual minimamente instruído” que para “conhecedor aficionado”.

No último dia do ano, fui ao Brooklyn pela primeira vez (bom, eu já tinha ido ao Brooklyn Bridge Park, do lado de lá da ponte, mas isso também não conta!). Meu amigo Kyle e eu fomos pra lá na hora do almoço. Excelente ideia. Comida boa e muito, muito barata: cada um pagou $7 (com imposto e gorjeta) por uma porção generosa de “pad thai” mais chá gelado! Refeição completa por esse preço em Manhattan é coisa rara ou quase inexistente.

A Leslie nos encontrou no restaurante, e de lá fomos os três ao New York Transit Museum. É um museu da MTA (autoridade de trânsito metropolitana) que conta a história do sistema de metrô e ônibus de NYC, e mostra algumas peças antigas. Fica numa estação de metrô desativada (Court Street) num bairro muito simpático, o Brooklyn Heights. Tivemos só uma hora pra visitar o museu, mas foi muito divertido o passeio, especialmente na parte dos vagões antigos de metrô. (O meu registro fotográfico entitulado “A história da propaganda no século XX através de anúncios de metrô” vai ganhar um post específico a seguir!)


Brooklyn Borough Hall


Em frente ao Borough Hall


Injustiça arquitetônica: McDonald’s num prédio bonito


Ah, como eu queria me lembrar de que década era esse vagão…
Primeiro quartel do século XX, sem dúvida.
Um dos mais antigos do NY Transit Museum.


“Cuspir no chão deste vagão: multa de $500 dólares, um ano de prisão, ou ambos.” Ah, se o metrô de NYC fosse tão limpinho assim ainda hoje! Multa de $500 não é coisa pouca por uma cuspida, e detalhe: na época $500 valiam bem mais do que hoje (lembrete: inflação existe)! Na foto, pra quem não percebeu: eu, no papel de advogado (ou law enforcement officer), tentando prevenir que o Kyle cuspisse no chão. (Isso, claro, depois de muitas tentativas frustradas de tirar essa foto, tentando conter as risadas.) :D


Leslie, entre dois vagões, o que hoje, sim, pode dar multa!


Este, se não me engano, era um vagão de pouco antes da Segunda Guerra.

Vagão dos anos 1940/1950 (pós-guerra).


Leslie e Kyle no mesmo vagão da foto anterior.


Brooklyn Heights (um bairro simpático, não?)


Manhattan vista do Brooklyn Heights Promenade, o passeio à beira do East River. “I had been dreaming of a White Christmas”, mas no fim das contas o que foi branco foi o Ano Novo, e não o Natal!

A aventura de virada de ano continuou com uma janta com vários amigos da City Grace Church no Fetch Bar & Grill, um restaurante temático de cachorros muito engraçadinho no Upper East Side. (Nalatos, esse tava totalmente pra ti!) Em seguida, as gurias foram para uma festa para a qual nem todos estavam convidados, hehe, e a gurizada foi para um bar tomar cerveja (sim, eu, que não gosto de cerveja, tomei cerveja – até que não estava ruim, mas continuo não gostando, haha) e jogar dardos.

Mais tarde chegaram mais duas amigas da igreja, e fomos com elas para uma festa de amigas delas… Ou seja, terminei 2009 e comecei 2010 na companhia exclusiva de pessoas que conheci bem no início do segundo semestre de 2009 (amigas e amigos da igreja) e de pessoas que conheci bem no fim do segundo semestre de 2009 (amigas e amigos das minhas amigas da igreja). :P

Na hora da contagem regressiva, subimos para o telhado do prédio com nossos copinhos de plástico, cada um deles com um golinho de champanha, e brindamos! Não vimos a bola cair na Times Square, e estávamos muito felizes de não termos estado na Times Square desde as 2h da tarde só pra ver a bola cair.

Ao voltar pra casa, na rua e no metrô, não vi ninguém vestido de branco; só chapéus e acessórios multicoloridos e classificados em no mínimo uma das seguintes categorias: brilhantes, fiasquentos, ridículos.

Dia primeiro, cheguei ao Village às 3h, fui dormir às 4h, acordei às 8h. Reguei o Jacinto (a palmeira da Dori, minha amiga mexicana que viajou no recesso e me encarregou de baby sitter da planta), juntei meus brinquedinhos, e me fui pro aeroporto LaGuardia. Uma hora de metrô e ônibus.

No LaGuardia, o improvável aconteceu: encontrei a Flávia e o namorado dela. A Flávia é carioca, também faz Mestrado na NYU (embora não em Direito Internacional), foi minha colega na cadeira de Introdução ao Direito Americano, e é minha vizinha de andar aqui no D’Ag (nome carinhoso do prédio de dormitórios). A Flávia e eu éramos os únicos brasileiros que não tínhamos ido ao Brasil para as Festas! Enfim, ela e o namorado estavam indo para a Florida, e eu fui para San Antonio, Texas.

Minha conexão era via Chicago, um dos aeroportos mais arriscados de se fazer uma conexão nessa época, com riscos de atrasos e cancelamentos por causa de nevascas e outras condições meteorológicas desfavoráveis. Tudo pela passagem mais barata… Felizmente, tudo certo! Apesar do frio de -15 graus em Chicago, o céu estava de brigadeiro, e tudo correu bem.

No portão de embarque em Chicago, prontinho pra ir ao meu destino final, os funcionários da United anunciaram que tinha overbooking, e que eles talvez precisassem de cinco assentos. Pediram, então, por cinco voluntários que estivessem dispostos a abrir mão de seus assentos naquele voo; em troca, os voluntários receberiam, além de uma passagem no voo seguinte para San Antonio (três horas depois do original), uma voucher para uma viagem gratuita para qualquer lugar nos 48 estados contíguos dos EUA.

Claro que eu praticamente me atirei no balcão e me voluntariei. Uma espera de apenas três horas em troca da oportunidade de viajar de novo muito valeria a pena! Infelizmente a United acabou não precisando de nenhum dos cinco assentos, e pediu que eu e os demais voluntários embarcássemos no voo original. Mesmo assim, antes de embarcarmos, nos chamaram para o balcão e nos deram vouchers de $50. Posso não ter ganhado uma viagem extra inteira, mas já ganhei uma parte-de-viagem… e sem esforço.

À noite cheguei em San Antonio e fui efusivamente recebido por Hilli & Silvio e Lu & James, com direito a uma minifestinha aeroportuária incluindo língua-de-sogra, bolhinhas de sabão, e chocolates. Alguém se atreve a dizer que nasci na família errada?

Num próximo post, relatos das aventuras texanas do cowGuri!

Empire State natalino

Empire State com iluminação de Natal; vista da lavanderia aqui do prédio! Fica assim até dia 6, Dia de Reis, fim da temporada de Natal.