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Dois dias na Filadélfia

Semana retrasada (a defasagem no blog está ficando incontrolável!) fui à Filadélfia a passeio. Saí bem cedo (peguei o ônibus às 7h) na sexta 27 e voltei bem tarde no sábado 28 (cheguei à meia-noite em NYC), pra aproveitar ao máximo a viagem. Também planejei com cuidado o passeio para dois dias meteorologicamente exemplares: dias de calor, mas nem tanto, e céu azul.

Altamente recomendado o guia que comprei no Dia Nacional do Waffle. É o Philadelphia Day by Day, da Frommer’s. Sugere atividades para um, dois, ou três dias, além de caminhadas pelos diferentes bairros da cidade e passeios ordenados por interesse (parques, artes, atividades outdoors, vida noturna etc.). Turistas hiperativos (como eu!) podem condensar os três dias de passeio em apenas dois e ainda fazer várias das caminhadas sugeridas.

Outra recomendação, especialmente válida para o turista com pouca grana (como eu!), é o Apple Hostel. Pra quem não se importa com as inconveniências dos albergues, a hospedagem é ideal. Localização é tudo: fica no centro antigo (Old Town) a uma quadra da Market Street, a rua central de Philly, que divide a cidade em norte e sul.

O que mais me impressionou na Filadélfia é a harmonia entre história americana e arte, presentes em todo canto da cidade. Foram dois dias intensos de caminhadas, museus e muita fotografia (umas 350 fotos!). Aqui no blog, mostro a seguir só uma seleçãozinha, contando alguns detalhes do passeio; a seleção (99 fotos) está no picasaweb do Guri.


Independence Hall: talvez um dos prédios mais históricos dos EUA. A construção foi finalizada em 1753 para servir de sede para o governo da Pensilvânia. No entanto, o prédio é mais conhecido por sediar o Segundo Congresso da Filadélfia (1775 a 1783) e a Convenção Constituinte em 1787. Tanto a Declaração de Independência quanto a Constituição dos EUA foram debatidas e assinadas no Independence Hall. Não dá pra perder a visita guiada, que é gratuita (só é preciso buscar ingressos no Visitor Center, a uma quadra dali).


Sala de reuniões do Senado, no Independence Hall


Franklin Court: prédios construídos por Benjamin Franklin na Market Street. Uma passagem (no centro da foto) leva ao local da antiga casa de Ben Franklin, que não existe mais, mas cujos contornos foram reconstruídos em uma estrutura metálica. Ali também há um museu sobre a vida de Ben Franklin, com entrada gratuita.


National Constitution Center: um museu moderno e interativo dedicado à Constituição dos EUA, atualmente a mais antiga constituição escrita em vigor. A entrada para o museu é paga. Comprei o City Pass, que é válido por dois dias e dá acesso a seis atrações: (1) 24h (a partir do primeiro uso) a bordo dos ônibus de dois andares e dos trolleys da Big Bus e da Trolley Works; (2) Adventure Aquarium; (3) Franklin Institute; (4) Philadelphia Zoo; (5) Eastern State Penitentiary OU Please Touch Museum; e (6) Academy of Natural Sciences OU National Constitution Center.


Liberty Bell: a mais visitada atração da Filadélfia. Este sino, originalmente colocado na torre do Independence Hall, veio a tornar-se um símbolo nacional da liberdade.


City Hall: sede do governo municipal. De 1901 (quando a construção foi concluída) até 1908, foi o edifício habitável (ou seja, excluindo monumentos) mais alto do mundo, com 167 m de altura. É hoje a segunda mais alta estrutura de alvenaria (sem aço) do mundo.


Masonic Temple: templo maçônico, em frente ao City Hall


Love Park: escultura moderna de Robert Indiana no Love Park


Cathedral-Basilica of Saints Peter and Paul: o Papa João Paulo II rezou missa ali em sua visita à Filadélfia em 1979.


Logan Circle

Hall de entrada do Franklin Institute


Estátua do Rocky, em frente ao Philadelphia Museum of Art


Philadelphia Museum of Art: um dos motivos para voltar à Filadélfia é que não cheguei a visitar o museu de arte! Foi construído sobre os muros de pedra de uma represa desativada. A foto é da famosa escadaria do filme Rocky.


Vista do alto da escadaria do Philadelphia Museum of Art


Water Works (uma antiga estação de bombeamento da água do Rio Delaware para o reservatório, sobre o qual atualmente está o Philadelphia Museum of Art); ao fundo, o museu e o skyline da cidade.


Boathouse Row: clubes de remo à beira do Rio Delaware


Obras de arte abertas ao público estão espalhadas por toda a cidade


Rodin Museum: outro motivo para voltar à Filadélfia é visitar o museu com obras do escultor francês Auguste Rodin. Aqui, em frente ao “Portão do Inferno” (a construção clássica ao fundo), uma dos originais de Le Penseur (O Pensador).


Benjamin Franklin Parkway: é a avenida que muitos chamam de “Champs-Elysées” da Filadélfia; uma diagonal que vai do City Hall até o Philadelphia Museum of Art. Em mastros ao longo da avenida há as bandeiras de todos os países. Aqui, a bandeira do Brasil e, do outro lado da rua, a da Suíça. Achei curioso. De onde somos e pra onde vamos!


Pôr-do-sol, perto do City Hall


Entardecer à beira do Rio Delaware; ao fundo, a Ponte Benjamin Franklin. A foto foi tirada do Penn’s Landing, uma antiga zona portuária que foi revitalizada para servir de centro de lazer e palco para shows.


Início do segundo dia do passeio. Elfreth’s Alley
: a mais antiga rua continuamente habitada dos Estados Unidos.


Christ Church, construída no século XVIII


Interior da Christ Church


Depois de visitar Elfreth’s Alley e Christ Church (ambas em Old Town e perto do albergue onde estava hospedado), fui no ônibus de dois andares até a Eastern State Penitentiary, a primeira penitenciária, inaugurada em 1829.


Interior da Eastern State Penitentiary


Na Eastern State Penitentiary, uma reconstituição (no local original) da cela uma vez ocupada por Al Capone. O famoso mafioso de Boston ficou preso na penitenciária por pouco menos de um ano, não por suas atividades na máfia, mas por porte ilegal de arma!


Da penitenciária, fui com o ônibus de passeio ao Philadelphia Zoo, o mais antigo zoológico dos EUA (1874).


Depois da visita ao zoológico, fui no tour de trolley até o Please Touch Museum, uma atração dedicada a crianças (como sugere o nome: Museu “Por Favor, Toque”). O prédio do museu, Memorial Hall, foi construído em 1876, para a primeira Expo Mundial nos EUA (comemorando os 100 anos da Declaração de Independência).


Casas em Society Hill, um dos bairros históricos ao sul de Market Street


South Street: um ponto de encontro de jovens, com muitas opções de restaurantes. E foi ali que eu encontrei uma sorveteria da Häagen Dazs e saboreei um inesquecível milk-shake de Baileys. Tudo de bom.


Pennsylvania Hospital: o mais antigo hospital dos EUA (1751)


Interior da Pine Street Presbyterian Church, em Society Hall


Carpenters’ Hall: sede do Primeiro Congresso da Filadélfia


Rittenhouse Square, no bairro Rittenhouse


Comcast Center: o arranha-céu mais alto da cidade, com 58 andares e 297 metros de altura. A aparência de drive USB não foi intencional!


Comcast Experience: telão de LED de alta definição no hall de entrada do Comcast Center, com 7,7 metros de altura e 25,7 metros de largura


Pennsylvania Railroad Suburban Station


Um dos 3.000 murais espalhados pela cidade


Clothespin, escultura de Claes Oldenburg (1976)


Your Move, de Daniel Martinez, Renee Petropoulis e Roger White (1996)


My Move: Guri fazendo arte com a arte alheia


Wanamaker Building: esse prédio espetacular, inaugurado em 1910, foi a sede de uma das mais antigas lojas de departamentos dos EUA, a Wanamaker’s. Hoje, o luxuoso edifício abriga uma Macy’s. Wanamaker, cidadão da Filadélfia, financiou a campanha pela criação do Dia das Mães, de 1908 a 1914.


Escultura relembrando as experiências de Ben Franklin com pipas


Guri na Ponte Ben Franklin


Pôr-do-sol e Philly skyline; vista da Ben Franklin Bridge


Uma última razão para voltar: a loja de doces Shane é a mais antiga dos EUA. Fica a uma quadra do hostel! Deixei para passar ali antes de ir embora e acabei encontrando a loja fechada… :/


Minutos antes de voltar a NYC, ainda tive a oportunidade de ver a Chinatown Friendship Gate à noite.

National Waffle Day

Continua chovoso por aqui, o que inviabiliza as minhas caminhadas fotográficas pela cidade. De manhã, passei um tempinho em Midtown.

Primeiro, comprei numa Barnes & Noble (mapa) um guia de viagem, já planejando minha ida para ____ (em breve!).

Depois, um estratégico pit-stop numa Crumbs Bake Shop (mapa), uma das melhores confeitarias de cupcakes aqui de NYC, onde comprei um Baba Booey: cupcake de chocolate com manteiga de amendoim.

Em seguida, fui para o Greenacre Park, um microparque particular, de menos de 600 metros quadrados; um oásis em East Midtown.

Um cartaz bem à entrada do parque dizia que não era permitido tirar fotos. Eu fui obediente até que uma moça ficou insistentemente tirando fotos com sua supercâmera (inclusive programando-a para tirar fotos de si em frente à queda d’água) e que um homem ficou insistentemente tirando fotos do menino que o acompanhava (pai e filho, talvez). Bueno, se assim descaradamente pode, acho que uma discreta com o celular também deve poder.

Greenacre Park

Fato curioso sobre o nome do parque é que Greenacre (assim como Blackacre e Whiteacre) é um nome fictício para imóveis, tipicamente usado em aulas de Direitos Reais aqui nos EUA.

De volta pra Roosevelt Island, recebi mais uma visita de despedida, também de uma ex-colega do mestrado.

Terminei o dia com uma pequena comemoração pelo National Waffle Day. O Dia Internacional é 25 de março, seguindo uma tradição sueca. O Dia do Waffle aqui nos EUA é 24 de agosto, aniversário da primeira patente americana de uma forma de waffle (1869).

Embora waffleiro de fama e experiência internacionais (já fiz waffles em várias cidades do Brasil, bem como na Alemanha e nos Estados Unidos), aqui não tenho prensa de waffle, então tive que me contentar com os waffles da Titia Jemima.

Como não tive tempo no súper [“supermercado” em bom pelotês] para encontrar maple syrup (acompanhamento tradicional de waffles, especialmente aqui e no Canadá), precisei turbinar a doçura do waffle com chocolate. Não era Kinder, mas veio com uma surpresa (!).

Surpresa: chocolate ao leite da Nestlé produzido no Brasil

Happy National Waffle Day!

Waffle e a vista noturna para a Triborough bridge

De Roosevelt Island ao Prospect Park

Sexta-feira fiz mais uma longa caminhada por Nova Iorque, passando por três boroughs. Distância total percorrida: cerca de 16 Km (10 milhas). O trajeto que eu fiz foi mais ou menos este. O ponto de partida foi Main Street, Roosevelt Island (minha rua!). Atravessei a Ponte Roosevelt Island, entrando assim no em Long Island City, Queens.

Eu moro num desses prédios marrons feiosos :)

Caminhei por algumas áreas bem industriais de Long Island City, o que não foi lá tão cênico. O que valeu a pena, mesmo, foi passar pelo Queensbridge Park e pelo Gantry Plaza State Park.

Sede das Nações Unidas e o Chrysler, vista do Gantry Plaza

Atravessei a Ponte Pulaski (do Queens para o Brooklyn). O primeiro bairro é Greenpoint, tradicionalmente polonês; depois vem Williamsburg, onde hoje há muitos artistas. A parte sul de Williamsburg é um reduto judeu ortodoxo. Vi muitas pessoas com vestimentas tradicionais judaicas, além de muitas placas em hebraico.

Vista para Manhattan da Ponte Pulaski

Ônibus escolar em Williamsburg

Sinagoga em Williamsburg

Na parte final da caminhada, passei por Clinton Hill e Prospect Heights para chegar ao destino final: Prospect Park.


Casas em Prospect Heights, Brooklyn

Arco dos Soldados e Marinheiros

Entrada principal do Prospect Park

Prospect Park

Baseball no Prospect Park

Prédios na Prospect Park West, Park Slope, Brooklyn

Catedral, parque, doçaria

Continuei hoje minhas caminhadas fotográficas por aí. De manhã, fui de metrô até a Cathedral of Saint John The Divine = Catedral de São João, o Divino (mapa). A construção ainda não está finalizada e, pra complicar, um grave incêndio em 2001 exigiu sete anos de reconstrução do transepto norte. Mesmo assim, é uma das maiores igrejas do mundo, pelo menos segundo o critério área: 11.200 metros quadrados.


Foto-aquarela da Saint John The Divine


Vitral


Nave central


Altar


Capela


Exterior

Em seguida, dei uma volta no Central Park. Literalmente, dei uma volta no Central Park: toda a Central Park West, toda a Central Park South, toda a 5a. Avenida, toda a Central Park North. Mais de 10Km em 2h.

Terminei o passeio na Hungarian Pastry Shop (Doçaria ou Pastelaria Húngara), onde tomei um café gelado húngaro, saboreei um Rigo Janci (sobremesa de chocolate com mousse de chocolate), e ainda trouxe de lá um doce de amêndoa. De certa forma fico feliz que o lugar seja longe de casa! (Mapa de todo o trajeto, incluindo a doçaria.)


Central Park West (Upper West Side)


Central Park West (Upper West Side)


Harlem Meer


Central Park North (Harlem)

Cenas ineditas em Roosevelt Island

Há pouco recebi a visita de uma amiga que está indo embora de Nova Iorque amanhã. Ela nunca tinha vindo a Roosevelt Island, então demos uma caminhada por aí, até o Lighthouse Park, apreciando a vista para Manhattan. Eu vinha comentando com ela que já tirei tantas fotos dessa paisagem que dificilmente veria algo novo. Claro que esse comentário foi um convite para o gerador de improbabilidades voltar a funcionar… e me contradizer duas vezes logo em seguida.

Primeiro, grafitti novo na área! Um tempo atrás, quando passei por essa parte da ilha, estava escrito “nerd life” = “vida de nerd”. Achei engraçado e até pensei em voltar um dia ali com a câmera pra tirar uma foto (eu aparecendo, obviamente). Hoje, porém, vi um novo grafitti: “in God we Trust” = “confiamos em Deus”.

Depois, de volta em casa (para preparar pão de queijo e tomar guaraná!), vimos pela janela da cozinha um arco-íris, lá pras bandas do Queens. Não me lembro de ter visto outro arco-íris desde que estou em Nova Iorque.

Meia-maratona na Broadway

Depois do passeio sem cabimento ao extremo sul do estado de Nova Iorque, surgiu a ideia de outro passeio sem cabimento: uma caminhada pela Broadway do extremo sul ao extremo norte da ilha de Manhattan.

Ver mapa

O Naoki (fotógrafo do último post) topou me acompanhar. Levamos cinco horas do Battery Park até Marble Hill (um pedacinho de Manhattan fora da ilha de Manhattan). Distância total percorrida: aproximadamente a de uma meia-maratona (mais de 21 Km). Muitas fotos. Aqui só vou postar algumas; a seleção completa está no picasaweb do Guri.

The Sphere, escultura que estava junto às torres gêmeas

O início da caminhada!

Broadway, número 1

O touro de Wall St fica na Broadway

Bleecker & Broadway

Flatiron Building de um ângulo menos típico

MetLife Tower, visto do cruzamento Broadway & 5th

Empire State, Broadway & 34th St

Times Sq

Momento “mãe, tô na Globo!”

Marco 100

125th St Station

Um McDonald’s com estacionamento. Nem parece NYC.

Nueva York hispánica. Amei a rima ridícula.

Más de Nueva York hispánica

Inwood, na ponta norte de Manhattan

215th Step-Street: a rua é a escada!

Broadway, número 5134

Já do outro lado do Harlem River: estação 225th St

Olhando de volta para Manhattan. Broadway bridge.

Entardecer sobre o Harlem River

George Washington Bridge vista do NYC Greenway

Voltando pra casa, na 181st St Station

Fotos do domingo social e gastronômico

Para “ilustrar” o último post, especialmente sobre as aventuras sociais e gastronômicas do domingo 14, publico aqui algumas fotos. São todas do amigo Naoki Okada, estudante de inglês, professor de japonês, excelente fotógrafo! Não costumo postar fotos que não sejam minhas, mas não tirei fotos no domingo… e o Naoki me autorizou a publicar as dele.

Le Figaro Café, ou “aquele da cachoeira”

Menu no Serendipity 3: destaque para o Golden Opulence!

Chamando o garçom

Momento embasbacamento com o tamanho do Forbidden Broadway

Martin, Ryan e Naoki no Serendipity 3

Ataque de riso (sem motivo aparente) por uns 15 minutos

You’re not Brazilian, are you?

Living in a foreign land is an exercise in (re)defining identities—your own and, to a given extent, that of your home country. It’s not just a matter of helping to deconstruct established national stereotypes; you also have to make an effort to convince people that, even when an aspect of a national stereotype is accurate or at least somewhat justifiable, you might just be one of those oddballs who don’t conform to the expected pattern.

Every time I meet someone for the first time, I learn about a new misconception about Brazil, or an additional trait of mine that doesn’t conform to the stereotype, or both. Yes, there are blond, white Brazilians. No, I don’t samba and I’m not that much of a soccer fan. Yes, I do speak Spanish, but the official language in Brazil is Portuguese. No, I didn’t live in a tree house. [Sigh.] These are some answers that I had to give (or that I didn’t really have to give, but that I thought it would be funny if you thought I did) in conversations with Americans here in the U.S., but I’m sure it could happen anywhere, with anyone. Except in Brazil or with Brazilians. Or so I thought.

One of these days I went to a Brazilian grocery store in Queens to buy some Brazilian products—chiefly, guaraná (a type of soda) and pão de queijo (an appetizer or snack). Sure, the Brazilian grocery store in Queens is formally part of U.S. territory. That said, you can sort of think of it as a small part of Brazil. You find Brazilian food there. You meet Brazilians who go shopping there. You can speak Portuguese with the store clerk. You need a visa to go there if you’re American—not really; I got carried away. Plus, the guy behind the counter was Brazilian: I heard him speak perfect Brazilian Portuguese with one customer, and later he spoke English with another customer—perfect English, but with an obvious Brazilian accent.

After getting everything I wanted to buy, and as I was putting all the items on the counter to check out, I asked the guy (in Portuguese, of course) if they no longer sold a certain brand of guaraná that I particularly like but couldn’t find in the store. In Portuguese, he reluctantly said, “no,” and later asked me, “you’re not Brazilian, are you?”

Now that was a bit startling! I had just spoken Portuguese with him. Why would he ask me that? I replied, in Portuguese, “sure, I’m Brazilian; I’m gaúcho.” (Gaúcho: a person born in Rio Grande do Sul, the southernmost state or, quite simply, the best state in Brazil. Rio de Janeiro? Bahia? São Paulo? Nah. Just another common misconception I’m helping to deconstruct here. Ok, I admit it: we gaúchos might be just a bit parochial. But that’s only because we really are the best there is in Brazil. And we never lie.)

The guy finished adding up the prices and told me how much it was. “Thirty-one, twenty cents [or however much it actually was].” In English! Then I was completely startled. I had spoken Portuguese with him and told him I was Brazilian after he had put it into question. Oh, come on—drop the English, dude! It got even worse, though, when he didn’t help me to bag the groceries. That’s not how it works—neither in Brazil nor around here—and I started to feel awkward and unwelcome. At that point, I just wanted to leave as soon as I could show my passport to the U.S. Customs and Border Protection officer standing at the sidewalk just outside the store—sorry, I got carried away again.

On my way back home, I kept thinking—why would he act as if he didn’t believe I was Brazilian? Granted, there’s always the possibility that he was simply a weird person, but I had the impression he might have thought that I was an American trying to pass as a Brazilian, just because I don’t look stereotypically Brazilian (whatever that means). If he was really Brazilian, as I assumed he was, he should know better. I shouldn’t need to explain to him that there are blond, white Brazilians. Well, there are at least a few of us. And most of the few of us don’t live in tree houses anymore.

Not that I really care that the guy behind the counter in the Brazilian grocery store in Queens might think I’m not Brazilian. I have stockpiled guaraná and pão de queijo for the rest of my time here in New York. That conclusively proves that I am.

Semana social e gastronômica

Os primeiros oito dias do meu segundo ano em NYC (domingo 8 a domingo 15) foram intensos tanto social quanto gastronomicamente! Com amigos da NYU e da igreja, estive pela primeira vez em restaurantes excelentes; também repeti alguns dos de sempre, daqueles que sempre vale a pena repetir.

Antes de começar, e antes que alguém me chame de comilão desocupado: tô meio que de férias, mas pera lá, que também foi uma semana produtiva. Tive reunião com meu orientador na NYU, falei com minha conselheira no escritório de orientação profissional sobre estratégias de carreira, troquei e-mails com minha futura supervisora na Suíça (pedindo trabalho adiantado), planejei e ainda estou planejando mirabolâncias musicais para meus últimos meses na NYU. Além disso, caminhei muito, talvez mais até do que o meu pé (ah! o pé lesionado!) preferia que eu tivesse caminhado. Em outras palavras, estar meio que de férias também é estar meio que não de férias.

Domingo 8: almoço no Whole Foods da Union Square (mapa), onde tem supermercado de comida orgânica e também buffet por libra.

Segunda-feira 9: almoço no Angelica Kitchen (mapa), um restaurante no East Village que também prima pelos ingredientes orgânicos e apoia a agricultura sustentável.

Terça-feira 10: janta no Ging Sushi & Asian (mapa), um restaurante asiático no Upper East Side. Bom, foi o plano B: o plano A era ir à Nina’s Argentinian Pizzeria (mapa), que estava fechada (não esquecer: fechada às terças-feiras).

Quarta-feira 11: brunch no Tartine (mapa), um café francês que é a cara do West Village e que fica perigosamente próximo da Magnolia Bakery (mapa), outro ícone da área. Os cupcakes ali são deliciosos. Parada obrigatória para sobremesa.

Quinta-feira 12: janta de despedida de duas amigas no Hakata Tonton (mapa). Salada de atum sashimi, bacalhau, sobremesas incríveis (pedimos umas quantas para compartilhar). Sem exagero, uma das melhores refeições que já fiz.

Sexta-feira 13: nem social nem gastronômica! Passeio em Staten Island.

Sábado 14: fui ao U.S. Brazil Deli (mapa), em Astoria, e comprei guaraná e pão de queijo para um piquenique com amigos da City Grace no Lighthouse Park, aqui em Roosevelt Island.

Domingo 14: almoço no Le Figaro Cafe (mapa), um dos favoritos para o brunch de domingo com o pessoal da igreja. Também é conhecido como “Waterfall Place”, porque na parte dos fundos do restaurante tem um jardim de inverno com uma pequena cachoeira artificial (e porque ninguém se lembra do nome do restaurante e se refere a ele como “aquele da cachoeira”).

De lá, caminhamos para East Village e acabamos fazendo uma pausa de café no Ciao for Now, bem na frente do Tompinks Square Park. O café fica dentro da loja Sustainable NYC (mapa), uma loja superlegal de produtos “locais, orgânicos, fair trade, reciclados, reaproveitados, biodegradáveis, [e feitos com] eneriga alternativa”. Pra combinar com esse ambiente, o café tem várias opções orgânicas e vegetarianas.

Finalmente, de lá, caminhamos longamente (umas 60 quadras!) até o Serendipity 3 (mapa), uma doçaria famosa de Nova Iorque. Tempo de espera para conseguir uma mesa, pode acreditar: 1 hora e 40 minutos. (Colocamos nosso nome na lista de espera e saímos para dar uma volta!) As porções são gigantescas. Com toda a minha voracidade por doce, não consegui terminar (muita frustração!) o meu Forbidden Broadway Sundae: bolo de chocolate, fudge e sorvete (eu pedi sem o chantilly, porque aí fica light).

Para quem tem mais grana pra torrar (não é o meu caso, obviamente), no Serendipity tem até um sundae por 1.000 dólares. Eu suspeitei que fosse piada e perguntei para o garçom. Segundo ele, umas três pessoas por ano pedem o tal Golden Opulence Sundae. Encontrei um artigo (em inglês) sobre o que há de tão especial no doce.

O quinto borough

Dos cinco boroughs de Nova Iorque, faltava conhecer só um: Staten Island. Foi o que inventei de fazer ontem. Decidi na hora do almoço, assim de improviso, e o plano era de início meio maluco. Não sei como deu certo. Fui atualizando o twitter pelo celular, então acabei ficando com um registro bem preciso do horário em que estive em cada lugar.

13:46 Saída de Roosevelt Island.

14:32 Chegada ao Battery Park. Perdi o ferry por questão de alguns minutos… Aproveitei pra tirar umas fotos dos arredores e dar uma espiadinha pra ver se a Estátua da Liberdade ainda estava no mesmo lugar dos mesmos 124 anos. Estava.

Battery Park

Lady Liberty

15:19 No Staten Island Ferry, em algum ponto entre Whitehall (o terminal do ferry em Manhattan) e Saint George (terminal de Staten Island). O ferry é este lindo barquinho laranja que aparece nas fotos seguintes. O melhor dele, claro, é o custo: grátis. Claro que é um veículo de transporte público, mas também serve para fazer um belo passeio pela enseada de Nova Iorque, sem precisar pagar nada.

Staten Island Ferry, Brooklyn ao fundo

Deixando Manhattan (esq.) e o East River para trás.
As pontes: Brooklyn, Manhattan e Williamsburg.

Downtown Manhattan… e que as nuvens fiquem por aí

16:05 Caminhando em terra firme em Staten Island! Tirei fotos do alto do terminal do ferry. Do terminal, mudei os planos (improviso total) e peguei um ônibus para Fort Wadsworth.

Staten Island Borough Hall, vista do alto do terminal to ferry

16:37 Perdido em algum bairro perto de Fort Wadsworth… haha! Nessas horas eu sinto falta de acesso à Internet pelo celular! Errei a parada de ônibus… Bom, na verdade eu não tinha como acertar a parada de ônibus, porque não sabia exatamente aonde estava indo. Parte da aventura é não pedir informações e adaptar os planos conforme a necessidade. ;) Enquanto ainda estava meio perdido, visitei o simpático Parque Von Briesen. Saindo dali, logo me dei conta de que o tal parque era exatamente ao lado de onde eu queria chegar.

16:53 Passeio pelo parque Fort Wadsworth. A área abriga uma antiga fortificação (Battery Weed), criada para proteger a baía de Nova Iorque de invasões por mar. Ali também fica a ponte Verrazano-Narrows, que atravessa o estreito de Narrows, unindo o Brooklyn a Staten Island.

No Fort Wadsworth

Battery Weed; Jersey City, Manhattan e Brooklyn ao fundo

Battery Weed e a ponte Verrazano-Narrows

Um veleiro muito simpático resolveu passar por ali bem na hora em que eu estava tirando fotos da vista espetacular do alto do Fort Wadsworth.

O veleiro aponta para o Rio Hudson;
à esquerda, Jersey; à direita, Manhattan

Manhattan no centro

E nosso veleiro chegando à Ponte Verrazano-Narrows

Passando a Ponte Verrazano-Narrows

Ponte Verrazano-Narrows

Bem por acaso, espiando pra lá da ponte, encontro ao longe uma estrutura conhecida que me faz reconhecer um lugar onde já tinha estado: Coney Island! Bem no centro da foto seguinte está o Parachute Jump, uma das atrações falidas do parque de diversões de Coney Island. O relato sobre minha visita a Coney Island está naquele post de 4.000 palavras… Uma imagem vale mais que mil palavras, mas não mais que 4.000 palavras. Mesmo assim, em consideração ao leitor que não vai voltar praquele post agora, coloquei abaixo uma foto de Coney Island mostrando o Parachute Jump, só pra lembrar.

Coney Island

Coney Island: Boardwalk e Parachute Jump

17:57 No Staten Island Railway (SIR), rumo ao sul da ilha. O SIR é uma estrada de ferro de 150 anos que atravessa Staten Island. É operado pela MTA (a companhia de transporte público de NYC), os trens são versões modificadas (e bem mais velhas) dos metrôs… é praticamente uma linha de metrô na superfície. O MetroCard mensal ilimitado que eu tenho vale para toda a rede de metrôs e, portanto, também para o SIR. Só um detalhe: na maioria das estações não há catracas. Ninguém conferiu meu MetroCard em momento algum da viagem. Ataque de flashback: me senti em Bonn de novo.

18:35 Chegada a Tottenville, a última estação do SIR, no sudoeste de Staten Island. A estação fica à beira do Arthur Kill, o canal que separa Staten Island do estado de New Jersey, à oeste (no continente). Só pra tranquilizar o leitor: nenhum Arthur matou ou morreu por ali. “Kill”, aqui, é uma palavra derivada do holandês antigo; significa “canal”. Pois é, vai saber.

Arthur Kill

Vista para o lado oeste: cidade de Perth Amboy, NJ

A ponte Outerbridge Crossing e o Arthur Kill

18:53 Chegada ao Conference House Park, meu destino final (e determinado desde o início!). O parque fica no extremo sul, não só de Staten Island, não só da cidade de Nova Iorque, mas de todo o estado de Nova Iorque. Não sei se é porque eu estava tão perto do Brasil como podia estar sem sair do estado de Nova Iorque (!), mas vi cenas que me pareceram familiares: mesmo sendo uma baía no bom e velho Atlântico Norte, parecia a Lagoa dos Patos.

Conference House Park (ou São Lourenço do Sul?)

Conference House Park (ou São Lourenço do Sul?)

Levei um susto ao ver um caranguejo-ferradura, um artrópode (não um crustáceo). Nunca tinha visto um… mas ouvi dizer que eles estão por aí faz tempo!

19:35 Entardecer no extremo sul do estado. Se Nova Iorque tivesse um Chuí, digamos que só podia ser ali. Acontece que, antes de começar essa jornada sem cabimento, eu vi na Internet uma foto de um poste que indicaria o extremo sul do estado, com a palavra “South”. Pois bem. Andei por todo o parque (até sair dele pelo outro lado, na Brighton Street), mas não encontrei o tal do poste para tirar uma foto dele. Posso garantir que não está mais lá.

Tudo bem, pois tirei fotos que demonstram, de forma rudimentar, porém eficaz, que estive lá. Era fim da tarde; sol, portanto, a oeste. Aquela sombra comprida é a minha sombra, estendendo-se a leste. À direita da sombra fica o sul. Como se vê, Staten Island terminava por ali mesmo; nada mais ao sul. Meia-volta, volver: tirei a foto seguinte, contra o sol, demonstrando que nada mais havia ao sul (desta vez, à esquerda da foto) além daquele pouquinho de areia.

O ponto sul do estado de Nova Iorque!

Pôr do sol no ponto sul

20:07 Saída de Tottenville. Tomei o ferry das 21h e cheguei a Roosevelt Island pouco depois das 22h, certo de que não faço mais viagens dessas a Staten Island. Para esse tipo de aventura, uma vez basta. Da próxima (será que ainda consigo ir mais uma vez?), fico só no nordeste da ilha e visito os museus de Alice Austen (fotógrafa) e Garibaldi (o próprio).