Meu primeiro casamento indiano

Há cerca de um ano recebi por e-mail o convite de casamento da Rahela, uma das boas amigas indianas que fiz durante o mestrado na NYU: casamento marcado para o início da segunda quinzena de janeiro de 2013.

Fiquei empolgado e desde logo quis ir, mesmo que implicasse algum $acrifício. Um autêntico casamento indiano, na Índia, com a oportunidade de rever, além da própria noiva, outros amigos do mestrado (também convidados), não é algo que me aconteça muito frequentemente.

Fiquei empolgado, mas não planejei nada, porque a data parecia tão distante! Lá por setembro a Rahela pediu meu endereço postal para enviar o convite impresso. Por erro do correio indiano, o convite foi enviado ao Equador (?) e reenviado de lá a Porto Alegre.

Afinal, só no início de dezembro marquei férias, pedi (e consegui!) o visto indiano, comprei as passagens e reservei com um agente de viagem indiano recomendado pela Rahela um pacote pós-casamento – tudo para viajar em meados de janeiro!

Porto Alegre – São Paulo – Dubai – Mumbai… Quase 19h de voo depois, cheguei à Índia por volta das 8:30 da manhã no horário local, no dia 16 de janeiro. A Índia tem um meio fuso horário: se lá eram 8:30, no Brasil eram 7h30min mais cedo (1:30 da manhã).

Já na chegada ao aeroporto, ficou em evidência pela primeira vez a organização neurótica da noiva (é um elogio, porque eu amo organização neurótica!): um motorista me esperava para me levar ao Grand Hotel Bombay, em Ballard Estate, um simpático e muito bem localizado hotel onde a noiva tinha pré-reservado quartos de hotel para todos os convidados da NYU.

O trânsito do aeroporto ao hotel é uma história à parte. Foi um tratamento de choque para o turista recém-chegado. O trânsito na Índia é caótico. Levei mais de duas horas (no horário de pico!) para percorrer uma distância de uns 24 quilômetros. E o motorista não tinha muita certeza de onde ficava o hotel, porque “endereço”, na Índia – tipo rua e número, mesmo – não é lá algo muito comum. “Bairro tal, perto do posto do correio” é um endereço megapreciso para os padrões indianos que conheci.

Chegando ao quarto do hotel, mais uma surpresa: a noiva tinha pedido para deixarem na mesa de centro do meu quarto uma bandeja de madeira, pintada a mão por crianças envolvidas em um projeto social e coberta com guloseimas indianas, para lanches rápidos.

Sobre a minha cama, havia um pacote com uma calça pyjama bege e uma espetacularmente linda túnica kurta azul-petróleo com bordados, exatamente do meu tamanho – roupa em estilo indiano para eu usar no evento principal do casamento (porque houve vários!).

Enquanto fazia os planos de viagem, eu tinha comentado com a Rahela por e-mail que gostaria de usar roupas indianas e que nem levaria terno. Pedi a ela que me recomendasse lojas onde comprá-las em Mumbai e me indicasse alguma amiga ou amigo dela que pudesse me ajudar com isso, já que ela, como noiva, não teria tempo para isso.

Ela de pronto me respondeu que as sugestões de lojas e amigos estariam em uma folha de contatos no hotel, mas que eu só precisaria usá-los se quisesse comprar mais um conjunto de roupas indianas – porque um conjunto ela já tinha comprado para mim! Hospitalidade indiana é algo.

Depois de me instalar no hotel, almocei em um restaurante ali no entorno uma comida muito boa, mas apimentadíssima. Bem feito, porque na primeira refeição eu já me esqueci da recomendação da minha irmã Lu, que tinha ido à Índia uns seis meses antes de mim: pede sempre que preparem a comida o menos apimentada possível. Mas por mim tudo bem, porque acho que comer lacrimejando (em prantos, na verdade) e fungando deveria mesmo fazer parte da experiência.

À tarde eu dormi, porque estava exausto da viagem, e à noite saí para jantar com a Rahela e o Murtuza (o noivo), as irmãs da noiva e todo o pessoal da NYU. Fomos ao Leopold Café, na Colaba Causeway, que ficou (ainda mais) famoso em Mumbai por causa do ataque terrorista de 2008.

No próximo post, contarei sobre o piquenique à beira do lago!

2 ideias sobre “Meu primeiro casamento indiano

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