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Começando a Semana 3

O fim de semana com minha irmã e meu cunhado não foi muito produtivo em termos de passeios. Além das condições de tempo nada propícias (nublado, chuvoso, nhaca), eles tiveram duas reuniões na Igreja para organizar um retiro. Pra completar, sábado a noite tiveram de viajar… para Bonn. Dá pra acreditar? Eu vou pra casa deles em Untershausen pra passar o fim de semana, e eles me inventam de vir pra Bonn, e sem mim ainda por cima?! Hehe…

Mas tinham um bom motivo: o chefe do Volker (meu cunhado) mora aqui e fez uma festa de aniversário. O único desaforo real da história foi que não fui convidado. Hrumpf! Ou, no fim das contas, pode que não tenha sido tão grande desaforo assim: a festa foi num bar, e a lei que proíbe fumar em ambientes fechados ainda não entrou em vigor aqui no estado de Nordrhein-Westfalen. Ou seja, a Ca e o Volker voltaram defumados de cigarro até a alma, e eu fiquei em casa, cheirosinho. :P

Porém, se não passeamos, pelo menos avançamos muito no planejamento dos passeios! No fim de semana que vem vamos a Frankfurt, jantar na casa de uns amigos da Ca e do Volker. (Esses, sim, me convidaram! Iuhu!) No fim de semana seguinte teremos o retiro dos jovens da Igreja (esse que eles estão planejando). Mas o resultado maior do planejamento concluído ontem é que, depois de uma longa pesquisa, compramos as passagens aéreas para o feriadão da Páscoa… Paris, nos aguarde! ;) Até lá vou ter que encontrar algum francófono aqui na ONU pra tirar a ferrugem do meu francês!

Ontem à noite Ca e Volker me deixaram em Bonn, e acabei indo dormir bem tarde. Ainda assim, estava bastante empolgado para o início da Semana 3 no estágio, e no fim das contas o dia foi um balde de água fria… Começamos com a primeira staff meeting do Legal Affairs (das 10h ao meio-dia!), que não foi, digamos, muito interessante, já que eu cheguei há apenas duas semanas e sabia pouco a respeito dos temas que foram discutidos. Depois, pensava que teria uma reunião com minha supervisora sobre o trabalho que enviei a ela na quinta-feira da semana passada, mas a reunião acabou não acontecendo. Isso me chateou um pouco, porque fiquei sem poder avançar muito no meu projeto. Ela só me deu a resposta sobre o sumário provisório do meu paper hoje no fim da tardinha, e a reunião ficou pra amanhã… mas de amanhã não passa! ;)

Tudo de Bonn

Desde que voltei de Portugal, demorei a conseguir pôr a vida em ordem. Dia 7 comecei o estágio dos meus sonhos na ONU em Bonn, Alemanha. Na primeira semana do estágio, ainda morando na casa da minha irmã e do meu cunhado em Untershausen, viajava 90 Km todos os dias de carona com meu cunhado, de casa para o estágio, e mais outro tanto na volta. Desde dezembro vinha procurando um lugar para morar em Bonn até o fim de março, quando volto ao Brasil. A procura foi estressante e eu quase pus fogo na família inteira (meus pais e minha “outra” irmã e meu “outro” cunhado, após a viagem em família a Lisboa, ainda ficaram em Untershausen por uma semana). Felizmente, encontrei um quarto bem legal na sexta-feira, dia 11, a tempo de evitar queimaduras graves, e as leves já foram tratadas. :)

Na última segunda-feira, dia 14, fiz a mudança para o quarto alugado: duas malas de roupa e um rancho de supermercado supersized que minha irmã e meu cunhado me deram! A desvantagem é que o quarto não é muito perto do Secretariado do Clima; levo uns 40 minutos combinando dois ônibus e uma caminhadinha básica. Ainda assim, não é uma desvantagem em termos relativos, já que nenhum dos outros quartos ou apartamentos que poderia ter alugado era muito próximo da ONU.

Além do mais, os pontos positivos do quarto escolhido são muito mais numerosos que os negativos! A localidade onde moro (Bonn-Kessenich) é tranqüila, e o bonde (Straßenbahn) para o centro de Bonn passa a cada 10 minutos. O quarto é espaçoso e totalmente mobiliado, e o valor do aluguel é justo. A proprietária fala um alemão claríssimo que eu compreendo quase sempre. O problema, por enquanto, é responder em alemão, mas quando me aperto falo inglês, que ela entende e fala bastante bem. No mais, a gente nem se encontra tanto assim. Eu saio cedo e volto tarde, e ela é aposentada e passa bastante tempo fora de casa (carpe diem)!

Agora, um pouco sobre o meu estágio. Nos primeiros dias precisei resolver muitos trâmites burocráticos com o fim de “existir” de fato e de direito na ONU: um verdadeiro tour por diversos departamentos, coletando assinaturas para ter contrato de estágio, Internet, intranet, telefone, crachá, cartão eletrônico para liberar as portas de acesso… Ainda assim, desde logo me deram algumas tarefas práticas, principalmente de pesquisa na “legislação internacional” sobre mudança climática. Na quinta-feira da primeira semana (dia 10) minha supervisora voltou de férias, e juntos estruturamos o projeto de pesquisa que devo desenvolver, com vistas a um artigo a ser escrito durante o estágio. Já estou aliás bastante adiantado na pesquisa: de acordo com o meu plano de trabalho, terminei ontem a tarefa da semana que vem. (¡Dale Guri!)

Os colegas do Legal Affairs (Compliance) Programme (que, evitando a pobreza da tradução literal, prefiro chamar de “Departamento Jurídico”) são show. Todos, por mais trabalho que tenham, são acessíveis, atenciosos e dedicados, da assistente administrativa até o chefão. O ambiente de trabalho também ajuda: o Departamento Jurídico fica no sexto andar, o mais alto e por isso também o mais bem iluminado do prédio C. Minha sala (C-609) tem duas áreas de trabalho, mas por enquanto estou sozinho. Tenho uma mesa enorme, um computador, um armário, além de material de consumo à disposição. Na porta da sala tem até uma plaquinha com meu nome… até parece que eu sou grande coisa! :P

O complexo onde o Secretariado do Clima está instalado fica às margens do Rio Reno, junto à Haus Carstanjen, um castelinho onde foi assinado o Plano Marshall. Fotos, fotos…

À esquerda, o prédio C do complexo; à direita, parte da Haus Carstanjen.

Haus Carstanjen, vista da margem do Rio Reno.

O Rio Reno, visto das proximidades da Haus Carstanjen!(O dia em que tirei essas fotos foi o último com sol antes de um tempo bem chuvoso na segunda semana. O inverno não está muito rigoroso [mudança climática!!!], e está bastante semelhante ao de Pelotas, com temperaturas entre 5 e 12 graus Celsius.)

Uma funcionária brasileira do Secretariado ficou sabendo que o Legal Affairs tinha um estagiário também brasileiro, e entrou em contato; uns dias depois almoçamos juntos ali por perto e conversamos bastante. Também há poucos dias conheci os outros estagiários: uma finlandesa (Outi), uma alemã (Barbara) e um alemão (pois é, que dúvida… Martin!). Todos têm mais ou menos a mesma idade, são alguns aninhos mais velhos que eu, e trabalham os três na mesma sala no ATS Programme (Adaptação, Tecnologia e Ciência). Na última quinta-feira, agora que eu sou um legítimo residente de Bonn, saímos os quatro juntos ao centro da cidade para uma divertida reuniãozinha de integração – pizza, café pra mim e cerveja pra eles (típico! haha!), e muito papo e trocas de experiências.

Falando em socialização e comida… Mmm! Quase todos os dias (quando não trago lanche de casa, porque o mega-rancho sobre o qual comentei precisa ser consumido!) eu vou almoçar na cantina do Secretariado. É um restaurante indiano; ou seja, muito curry, todos os dias! Ao combinar o almoço com a funcionária brasileira, ela me pediu, por favor, que fôssemos a outra cantina ali perto, que ela não podia mais com curry… Hehe! Eu (ainda) não me importo e tenho gostado; também é bom para mim porque não faltam comidas vegetarianas, e porque aproveito para almoçar conversando com o pessoal do Legal Affairs e funcionários de outros programas que já conheço ou que vou conhecendo nessas oportunidades, ou com os outros estagiários.

Na última quinta-feira conheci o Herr Heisen, o “vizinho” que aluga o quarto ao lado. Ele mora em outra cidade com a família, mas trabalha nos Correios (Deutsche Post) em Bonn, e por isso às vezes pernoite na cidade. O vizinho gentilmente me ofereceu uma carona na sexta-feira de manhã até a sede dos Correios, conhecida como Post Tower. Trata-se de um dos maiores arranha-céus da Alemanha, com 162,5 metros e 41 andares. O Herr Heisen me contou que trabalha no décimo-oitavo, com vista para o Reno, e que nos dias bonitos do seu escritório consegue ver até a cidade de Colônia (30 Km ao norte de Bonn). Deve ser mesmo um ambiente de trabalho muito insalubre! Desumano… ;)

Saindo da Post Tower chego em 10 minutos de ônibus ao Secretariado. Será ótimo se puder contar com uma carona do Herr Heisen mais vezes, ou se finalmente levar a bicicleta da minha irmã para Bonn, mas mesmo sem essas facilidades já me viro superbem no transporte coletivo de Bonn, que é bastante abrangente (embora nem sempre tão pontual quanto eu imaginava e desejava!). Comprei (preciso ressaltar isto, com muito orgulho: comprei falando alemão com a funcionária!) um MonatsTicket de estudante/estagiário. Esse passe mensal sai bem mais em conta que comprar bilhetes de ida e volta todos os dias, e é até melhor, porque permite usar livremente todo o transporte coletivo de Bonn (metrô, bonde e ônibus).

Agora, uma semana depois de estar bem instalado, morando em Bonn e acostumado com a rotina, vou procurar me engajar nas atividades da Igreja Protestante Americana que há quase na frente do Secretariado… Poderia ser melhor – uma igreja anglófona quase em frente ao Secretariado?! Já conheço a pastora e o líder dos jovens dali. Pretendo me envolver no coro, se me aceitarem, e no grupo de jovens, se puder conciliar os horários das reuniões com o estágio.

O ideal talvez fosse procurar uma igreja de fala alemã, ou procurar um coro da cidade para cantar em alemão, mas simplesmente não tenho coragem… Também não quero ficar só sorrindo pras pessoas, entendendo muita coisa, mas sem conseguir me comunicar! Quem sabe daqui a algum tempo, quando estiver melhor no alemão? Tenho estudado em casa, à noite, depois do estágio. A proprietária da casa onde eu moro até me elogiou; disse que falo melhor dia após dia… :D Espero que não esteja apenas sendo simpática!

PRONTO! Nem acredito que consegui fazer um relato de todas as novidades das últimas duas semanas, e num nível razoável (profundo mas não demasiado) de detalhamento… ou será que me passei como sempre? Hay que ter em conta que cobri duas semanas, hein, então acho que não me passei muito, não! ;) Acho que a essas alturas deve estar bastante evidente o fato de que estou muito feliz com tudo o que tenho vivido nas últimas semanas. Eu já sonhava fazia algum tempo com este estágio na ONU… só não sabia que a experiência como um todo ia ser tudo de Bonn!

Relembrando Portugal

Antes de ir a Portugal, prometi a minha prima Marcelle, então vestibulanda, que tiraria uma foto junto ao túmulo de Luís Vaz de Camões. Hoje, resolvi publicar aqui a foto em homenagem a minha prima… ex-vestibulanda… agora bixo 2008 da Medicina da UFRGS!

Aproveito para lembrar um dos mais lindos e conhecidos sonetos de Camões, bastante popularizado pela canção “Monte Castelo”. Embora Renato Russo escrevesse lindas letras, o sucesso desta em particular ele deveu à genialidade de Camões e do apóstolo Paulo em I Coríntios 13! Mas voltemos a Camões…

Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Postálbum de Lisboa

Conforme prometido, dedico um post retroativo sobre minha viagem à capital portuguesa, na semana em torno da virada de ano.

Em primeiro lugar, foi uma viagem em família: mãe e pai, irmãs e cunhados, e eu – o avulso convicto. Nos últimos dois dias da estada, mais duas pessoas juntaram-se a nós: amigas brasileiras e cristãs que temporariamente trabalham na Igreja Anglicana em Londres. Na verdade, com a chegada delas, a viagem continuou sendo em família!

Em segundo lugar, foi uma experiência bastante intensa, e é uma pretensão muito ousada resumir tudo num só post. Ainda assim, é o que eu preciso fazer, porque a vida continua, e assim também deve acontecer com minha atividade de postagem, antes que comecem a surgir comentários com xingamentos – que, aliás, eu mereceria, porque tenho sido relapso com a atualização do blog!

Então vamos lá: Postálbum de Lisboa, um Guia de Viagem do Guri, com recomendações para o leitor e potencial visitante! Não podes deixar de…

1. Visitar o centro da cidade

Visitar a Praça do Comércio (Terreiro do Paço) e a margem do Tejo, caminhar pelas ruas do centro da cidade, observar os mosaicos das calçadas e os prédios da época da reconstrução pós-terremoto de 1755, tomar um eléctrico (português europeu para o que conhecemos como bonde!) para subir e descer as ladeiras nas ruelas estreitas, assistir a uma apresentação de fado tomando vinho do Porto… “Coisa de turista”, é verdade, mas isso não quer dizer que esses programas não valham a pena e não devam ser feitos! Quanto ao eléctrico, sugiro esperar por um que não esteja muito lotado… Superlotação atrapalha a vista e traz outros inconvenientes (por enquanto, faço mistério!).

No centro da cidade, um ponto a visitar é o Panteão Nacional, uma construção imponente e com uma bela vista para o Tejo, onde estão sepultadas diversas personalidades portuguesas.

2. Observar os azulejos

Os azulejos que revestem boa parte dos prédios de Lisboa são uma das peculiaridades mais encantadoras da cidade. Há de diversos padrões e cores. Observa também os edifícios que apresentam um tipo diferente de azulejo por andar: é surpreendente como as combinações dão certo mesmo que os tipos de azulejos não combinem entre si!

Ah, claro: para ir a fundo na azulejomania, vale visitar o Museu Nacional do Azulejo, que compreende uma exposição sobre o processo de fabricação dos azulejos, além de variados exemplares oriundos de diversos lugares e feitos em diferentes períodos.

3. Subir num elevador

Parte importante do passeio pelo centro turístico da cidade é subir algum dos elevadores que unem a cidade baixa e a alta. Minha família e eu fomos a apenas um, o Elevador de Santa Justa (ou do Carmo). Estar no elevador em si é como entrar em uma viagem ao passado, e a vista lá do alto é muito bonita. Na primeira foto, vê-se a cidade e, ao fundo, no topo do morro, o Castelo de São Jorge – aliás, outra visita interessante, tanto pela história quanto pela vista que se tem sobre a cidade.

Na segunda foto, também tirada do alto do elevador do Carmo, vê-se a Praça de Dom Pedro IV (o Dom Pedro I do Império do Brasil!), também conhecida como Praça do Rossio, e o Teatro Dona Maria.

4. Comer delícias tipicamente portuguesas

Lisboa é o sonho de consumo de toda formiga (como eu). A cultura do que costumamos chamar de doce de Pelotas nasceu lá. Experimentá-la é tão delicioso quanto ir a uma Fenadoce permanente. Claro que é igualmente calórico, por isso vale o lema aquele das propagandas de cerveja: aprecia com moderação! Pastéis de Belém são uma boa opção, especialmente se comprados em Belém mesmo, em uma das lojas tradicionais (que obviamente tende a cobrar um euro por um docinho – mas, afinal de contas, isso é turismo, meu amigo!).

Tirei a foto antes de comer uma rabanada em uma especial homenagem à Sandrine, uma querida amiga que, se está lendo este post, deve estar babando a essas alturas. Sandi: provei rabanada e amei! Ainda assim, é bom advertir: é uma bomba calórica daquelas de comer uma vez na vida, e era isso. Tá bem – uma vez por ano, talvez. ;)

5. Visitar o Parque das Nações

O Parque das Nações foi construído para sediar a Expo 1998. Fora o teleférico ao longo do Tejo, a Torre Vasco da Gama (edifício mais alto de Lisboa) e o Oceanário, aparentemente não há muitas atrações permanentes. O que vale no Parque é caminhar e ver a arquitetura moderna e criativa: as referências à navegação são evidentes, como na foto acima. Partindo do centro chega-se lá bem facilmente através de uma linha de metro (não metrô!).

6. Ir a Belém

Patrimônio Mundial segundo a UNESCO, o Mosteiro dos Jerónimos é, na minha opinião, um dos pontos altos da visita a Lisboa/Belém. Há quem ache bobagem, mas eu me detive um bom tempo no gigantesco painel de três linhas: numa, a cronologia descrevendo a história de Portugal; noutra, a do mosteiro; na terceira, a mundial. Em seguida, vale dar um pulo no Padrão dos Descobrimentos e na Torre de Belém, também Patrimônio Mundial.

Detalhe externo do Mosteiro

Nave da Igreja

Claustro do Mosteiro

Padrão dos Descobrimentos

Torre de Belém

7. Acreditar no que dizem os cartazes

Um dos momentos de mais adrenalina da viagem, em um eléctrico desumanamente lotado a caminho de Belém, foi sentir a minha carteira sair lentamente do bolso de trás da calça jeans. Minha sorte foi que me virei subitamente e, por causa do movimento, fiz com que a carteira caísse no chão. A partir daí, claro, passei a andar com a carteira no mais profundo dos bolsos da minha mochila.

O curioso da história é que eu nunca gostei de andar com a carteira no bolso, nem tenho esse costume. Certas coisas acontecem pra ensinar lições que a gente já sabia…

Carteiristas (Portugal) = batedores de carteira (Brasil)
(A diferença é que no Brasil são mais bem treinados!)

8. Ir a Sintra

O Palácio Nacional da Pena, outrora residência de verão da família real portuguesa, é sem dúvida o mais deslumbrante entre os que há na vila histórica de Sintra, tanto a construção em si quanto a decoração dos ambientes. De lá se pode ver o Castelo dos Mouros, construído no século VIII. Mais próximo da vila fica o Palácio Nacional de Sintra, utilizado pela família real portuguesa até o fim da monarquia, no início do século XX.

Palácio Nacional da Pena

Castelo dos Mouros

Palácio Nacional de Sintra

Um excelente fechamento para a visita a Sintra, bem como para este postálbum, é a Quinta da Regaleira. As descrições supermísticas sobre o parque contidas nos guias turísticos de Sintra assustam, mas a verdade é que o parque é uma aventura, com grutas secretas, o poço iniciático (uma espécie de torre invertida). O palácio, de projeto do italiano Luigi Manini, é de interesse mais arquitetônico do que histórico. A dica é não perder muito tempo no palácio e ir desvendar os mistérios do parque, preferencialmente aproveitando a luz do dia.

Palácio da Regaleira

Capela da Quinta da Regaleira

UK Tour: London-Oxford

Os três últimos dias do tour pelo Reino Unido foram muito intensos…

Dia 20 de dezembro: London!

Depois do último pernoite em Newark-on-Trent (A), fomos a Maidenhead (B). O Shaun deixou o carro em frente à casa de um casal de amigos, e tomamos um trem direto a Londres (C). O sistema de transporte, como já me tinham dito, é muito eficiente, mas também caro. Compramos um Oyster card, um cartão magnético recarregável que serve de passe para o metrô, ou melhor, para o Underground ou “Tube” de Londres.

O dia estava bastante… digamos… londrino: bastante neblina! Isso não nos impediu de caminhar muito pelas ruas da cidade e ver os principais pontos turísticos: Palace of Westminster, Westminster Abbey (em reformas, claro – minha sina!), Buckingham Palace… Já estava escurecendo quando demos um pulinho em The O2 (antes Millenium Dome, transformado em uma arena de entretenimento) e na Tower Bridge. Por ali, num “Christmas/German Market” (Weihnachtsmarkt) às margens do rio Thames, tomamos um mulled wine (tipo quentão).

Palace of Westminster (Houses of Parliament)

Buckingham Palace: depois de bater um papo cabeça com a Rainha

Mulled Wine (Glühwein) no German Market; Tower Bridge ao fundo

Voltamos a Maidenhead (B) e jantamos com Ruth e Mike, o casal de amigos do Shaun que nos hospedou por dois dias. Gente finíssima e com o sotaque mais padrão (compreensível!) que eu já tinha escutado no Reino Unido!

Dia 21 de dezembro: London!

Começamos o dia na Tower Bridge. Visitamos a exposição sobre a história de um dos principais cartões postais de Londres, e desfrutamos de uma vista privilegiada sobre a cidade. De lá, fomos ao Britain at War Experience, um museu que mostra como era a vida em Londres na Segunda Guerra Mundial. A última visita foi ao museu de Madame Tusseauds, onde há inúmeras estátuas de cera de personalidades atuais e históricas. Resolvi publicar no blog apenas duas, mais significativas para a Inglaterra!

Londres vista da Tower Bridge

Família Real no Madame Tussauds

The Beatles no Madame Tussauds

À noite, encontramos Ruth e Mike no teatro, para assistirmos a The Lord of the Rings. Definitivamente não é meu gênero preferido de literatura (exceção feita às crônicas de Narnia, de C. S. Lewis, e só pela moral cristã!). Nunca tinha lido o livro, nem qualquer dos filmes. Aliás, um bom tempo atrás eu cheguei a começar a assistir a um deles, e foi uma das raras vezes em que peguei no sono durante um filme! Por fim, resumir mais de 1000 páginas de uma história (já bastante confusa) em duas horas e meia de teatro não poderia deixar de ser um desafio… De qualquer forma, assistir à peça foi uma ótima experiência. O só fato de entrar no teatro já valeria a pena, e a produção foi mesmo espetacular.

22 de dezembro: Oxford e… volta à Alemanha!

Despedimo-nos de Ruth e Mike e fomos a Oxford (D), cidade onde se encontra a mais antiga universidade do Reino Unido. Fizemos um passeio de ônibus (com um “guia turístico eletrônico”) por todo o centro da cidade. Nenhuma foto saiu excepcionalmente linda, mas o passeio serviu para aprender bastante sobre a história da cidade e da universidade. Aliás, as histórias de uma e de outra são mesmo indissociáveis!

E assim terminou o Tour pelo Reino Unido 2007… De Oxford (D), fomos até o aeroporto de East Midlands (E).

Depois de uma despedida sem choradeiras (tipo “até logo”, porque é bem possível que o Shaun ainda venha à Alemanha enquanto eu estiver por aqui!), voltei para Untershausen, na casa da minha irmã e do meu cunhado. A próxima viagem será em família, na virada de ano, a Lisboa… Aguardem, pois mais posts virão! Atrasados, é claro, mas virão! ;)

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UK Tour: Lincoln

O passeio de hoje foi a Lincoln. Começamos subindo a rua que não por acaso se chama Steep Hill, ou seja, “morro íngreme”. O trajeto é muito bonito, com a convivência de construções de vários períodos, e ainda a decoração de Natal (felizmente, havia menos tumulto de compras que em Newcastle e York). Steep Hill leva ao coração da cidade antiga, onde ficam o castelo e a catedral, um de frente para o outro e separados por um portão de pedra. As grandiosas torres da Catedral, no ponto alto da cidade, podem ser vistas de longe.

Steep Hill

Steep Hill e Lincoln Cathedral ao fundo

Re$olvemos não visitar a Catedral e ir ao Castelo de Lincoln: caminhamos pelas enormes muralhas e subimos a torre do observatório. No pátio interno, há uma corte de justiça ainda em funcionamento (prédio de pedra). Visitamos ainda o prédio de tijolo à vista, uma prisão do século XIX, onde há uma exposição com um dos quatro exemplares remanescentes da Magna Carta (programa indispensável para qualquer estudante de Direito!).

Torre do observatório do Castelo de Lincoln

A cidade de Lincoln vista de cima das muralhas do castelo

Pátio interno do castelo

Foto clássica de turista (juro que a sugestão foi do Shaun, hehe!)
Caixa de correio, cabine telefônica e Martin – todos em vermelho! ;)

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UK Tour: York

Com muitos agradecimentos, hoje me despedi dos pais do Shaun. Foi nosso último pernoite no QG em Barlick. Antes de partir, ainda passamos pelo Leeds and Liverpool Canal. A navegação no canal foi muito importante para o desenvolvimento de Barnoldswick em tempos idos, mas hoje serve muito mais ao lazer que ao transporte de mercadorias.

Casa dos pais do Shaun

Leeds and Liverpool Canal em Barlick

De Barnoldswick (A) fomos a um Park & Ride para então poder entrar em York (B) (o centro da cidade também estava fervilhando com as compras de Natal). Como o Shaun tinha algumas coisas a fazer para seu trabalho, ficou na biblioteca, e acabei passeando sozinho quase todo o dia.

A cidade de York, fundada pelos romanos, tem quase 2.000 anos. Chegou a ser uma das capitais do Império Romano na Grã-Bretanha. Lá, no ano de 306, Constantino foi proclamado Imperador. A fortificação medieval persiste na sua quase totalidade e encerra o centro urbano, onde o trânsito de automóveis é bastante restrito.

Portão na fortificação de York e casas medievais

Também na parte fortificada da cidade está York Minster, a segunda maior catedral gótica da Europa (a primeira é a de Colônia, perto de Bonn, onde será meu estágio).

As grandes catedrais na Grã-Bretanha costumam cobrar (não, não é uma simples “doação”) pela entrada de visitantes. Mesmo que pareça um tanto abusivo exigir dinheiro para entrar em uma igreja, isso até se justifica, considerando-se que são construções gigantes e antigas que requerem manutenção constante e cara. Se eu fosse visitar várias igrejas, as libras fluiriam (em volume ainda maior…) para fora dos meus bolsos! Porém, eu não podia deixar de visitar o interior de alguma catedral: escolhi a de York, pela sua importância histórica.

Estátua de Constantino em frente a York Minster

Saindo de York (B), voltamos a Newark-on-Trent (C), para jantar e pernoitar (como na primeira noite do tour) na casa de amigos do Shaun. Desta vez, eu finalmente os conheci: Paul e Kirstin. Casal muito simpático, eles gostam muito de viajar e são apaixonados por Portugal! E o sotaque deles (o da Kirstin em particular) é bem mais compreensível, então voltei a achar que eu realmente sabia alguma coisa de inglês. :P

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UK Tour: Alnwick-Newcastle

Insatisfeitos com a vista do castelo de Edinburgh só do lado de fora (ontem), saímos de Wooler (A) para Alnwick (B), onde o Shaun pretendia me mostrar um castelo de verdade também pelo lado de dentro… mas estava fechado para visitação! (Ah, o inverno…)

Alnwick Castle

Alnwick Town Centre

De Alnwick (B) para Newcastle Upon Tyne (C) para outra dose de civilização. Deixamos o carro em um estacionamento fora da cidade e fomos de metrô até o centro, que aliás estava mais intransitável que o normal por causa da correria de compras para o Natal. Shoppers everywhere!!!

Caminhamos por Newcastle, atravessamos para o outro lado do rio Tyne até Gateshead e voltamos pela Millenium Bridge até o centro de Newcastle.

No Theatre Royal de Newcastle, assistimos a uma pantomime, uma tradição inglesa. Trata-se de uma espécie de musical (teatro, dança e canto), tipo os da Broadway mas necessariamente cômico e voltado ao público infantil. O Shaun faz parte de uma pantomime society na cidade onde mora, e por isso insistiu que víssemos uma peça. Valeu muito a pena! O espetáculo a que assistimos (Aladdin) era muito bem produzido em todos os sentidos: cenário, música, figurino, efeitos visuais (o Gênio da peça era em 3D!)… A atmosfera é muito leve, porque há bastante interação entre os atores e o público; a comédia não é forçada e os atores também se divertem (e por vezes eles mesmos não conseguem conter o riso). O teatro estava lotado de crianças, que vaiavam o malvado da história, aplaudiam o mocinho… Impossível não se divertir!

À noite, voltamos para a casa dos pais do Shaun em Barlick (D).

Em Newcastle (lado de cá do rio Tyne), olhando para Gateshead (lado de lá)

Em Gateshead, olhando para Newcastle

Millenium Bridge de Gateshead

Newcastle City Centre, com o Monument ao fundo, perto do Theatre Royal

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UK Tour: Scotland

Hoje passamos bastante tempo na estrada…

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Saímos de manhã do albergue em Crianlarich (A) e fomos para Oban (B), uma pequena cidade portuária, onde tomamos café da manhã.

Oban

De lá fomos até Fort William (C). Por ali perto fica o Ben Nevis, montanha mais alta das Ilhas Britânicas (1.344 m). Dali em diante, o Shaun colocou uma trilha sonora poderosa para tocar no carro (tipo Gladiador e Senhor dos Anéis), tudo a ver com a grandiosidade das Highlands of Scotland! Como de civilização por ali não tem muito, paramos apenas algumas vezes à beira da estrada para algumas fotografias.

No meio do caminho (sinceramente não me lembro do nome do lugarejo, entre C e D!), paramos para ver uma pequena cachoeira – e o Shaun aproveitou para “caracterizar” o carro um pouco… O que eu quero dizer com isso? As fotos são auto-explicativas! ;) Eu achei bem legal!

Também no meio do caminho (de C a D) em algum lugar, paramos para ver um castelo. Não: não era um castelo “de verdade”; só a casa (!) de algum nobre metido a besta. Hehe…

Shaun: “This is no proper castle.” ;)

Em seguida, chegamos ao ponto D do mapa: Queen’s View, considerada uma das mais belas paisagens da Escócia (embora ninguém saiba com certeza se a Rainha a que se refere é Victoria ou Isabella). A foto definitivamente não faz jus à paisagem: a vista é mesmo muito linda e deve ser ainda mais no verão!

Finalmente, Edinburgh (E)! De volta à civilização, já era noite quando andamos pelo centro da cidade. Caminhamos pela Royal Mile até o castelo, residência oficial da Rainha na Escócia… ou o lugar onde moraria o rei da Escócia se a Escócia ainda tivesse um rei!

Castelo de Edinburgh

Depois de jantar (em um pub-restaurante na Royal Mile), fomos até Wooler (F), já de volta à Inglaterra. Lar doce lar? Coisa nenhuma! O albergue de juventude onde deveríamos ter passado a noite estava fechado! Ah, inverno, amado inverno… Como o Shaun não agüentava mais dirigir, ficamos (de improviso) em um hotel que tinha cara de anos 1970 e que nos cobrou absurdamente caro. Emagreci muitos pounds num só pernoite! :/

UK Tour: The Lake District

Depois de uma boa noite de sono (pernas doloridas da caminhada de ontem), partimos do nosso “QG” em Barnoldswick para uma viagem ao norte da Inglaterra e Escócia! Passamos a oeste dos Yorkshire Dales e fizemos a primeira parada em The Lake District, outro parque nacional do Reino Unido.

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A partir de Pooley Bridge, fizemos um passeio de barco pelo lago Ullswater até Glenridding. Na ida, fomos na parte de cima do barco, olhando a paisagem e fotografando, até que quase congelamos :P e resolvemos entrar. No resto do trajeto, o Shaun dormiu. Na volta também. Haha… digamos que ainda estávamos um pouco cansados da caminhada de ontem!

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No outro extremo do lago: Glenridding

De volta a Pooley Bridge, fizemos um longo trajeto de carro até Crianlarich… já na Escócia! Jantamos e paramos em um albergue de juventude. O Shaun foi dormir tipo às 8h da noite – sim, ele ainda tinha sono!!! Hehe… :D Eu ainda tive energia para ler um pouco e ver na TV um documentário sobre a Escócia e Edinburgh (vamos pra lá amanhã!). Diz o Shaun que a BBC tem um plano de “escotizar” o Reino Unido, colocando narradores escoceses em muitos programas nacionais. Eu até não acho o sotaque tão enrolado assim; até foi mais fácil de entender que o de Yorkshire! :P

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