Arquivo da tag: Estados Unidos

Vida, obra e blog do Guri

Ao longo da semana aconteceram três coisinhas que me deixaram pensando sobre o blog. (E como eu fiquei pensando demais sobre o blog, acabei não postando…? Não, não foi bem isso. Tenho passado as semanas inteiras lendo para as aulas; raramente sobra tempo para fazer qualquer outra coisa além disso e das coisas de sobrevivência. E olha, as perspectivas de conseguir fazer sobrar tempo na semana para postar estão bem brabas!)

Primeiro, segunda-feira (14/09) veio um comentário no meu post The UK Tour 2007. O comentarista, Pedro Nercessian, simplesmente disse:

Que Irado, amigo. Um dia ainda vou fazer isso. Um abraço!

Segundo, quinta-feira (17/09) veio um comentário de Arlete Soffiatti ao meu post Tudo de Bonn:

Ola, Sei que este seu post é antigo mas bem atual pra mim. Moro em Bonn e meu blog chama www.tudodebonn.blogspot.com.

Coincidência, ne? Por acaso, tambem moro perto de onde voce trabalhou. Pena não termos nos conhecido na epoca, talvez voce pudesse ter arranjado um local pra morar aqui no meu bairro que é sensacional. Um abraço

(Bem, a Arlete andou comentando outros posts também – bem-vinda, Arlete! Agora, aproveito pra te responder: se foi coincidência eu não sei, mas o fato é que o meu post Tudo de Bonn é mais antigo que o teu blog… hehe!)

Fora o fato de que tanto Pedro quanto Arlete me mandaram abraços, há outra coisa comum às aparições de cada um deles no meu blog: eles chegaram a posts antigos (Pedro: 2007; Arlete: 2008), que há muito tempo não figuram na capa do meu blog. Isso me faz pensar na quantidade de informação que eu tenho colocado aqui, e em como tudo isso pode acabar aparecendo nas mais diversas buscas pelo google.

E isso me leva à terceira coisa que aconteceu esta semana. Recebi um e-mail da NYU, alertando todos os estudantes acerca das suas personas online. Começa assim (traduzi):

A maioria dos estudantes de Direito desenvolveram uma “persona online”, seja através de um blog pessoal, comentários e posts em outros blogs, participação em salas de bate-papo, perfis no Facebook [aqui orkut não é tão pop quanto no Brasil], Twitter, grupos e listas de e-mails, ou mesmo e-mails particulares que são encaminhados amplamente.

Os empregadores estão cada vez mais atentos às “personas online” dos candidatos, e estão voltando-se ao Facebook, ao Google, e a outras fontes online para “conferir” um candidato antes de tomar a decisão de contratação. Em resposta a isso, [a NYU] quer alertá-lo sobre o impacto sobre sua carreira de postar informações sobre si mesmo na Internet.

Dono de um blog que é mantido há mais de três anos (!) e que inclui um bocado de informações pessoais e opiniões – e também dono de contas no Facebook, Orkut e Twitter (bah, faz tempo que não entro lá!) -, minha reação imediata foi: “glup”. Depois me tranquilizei, vendo a lista de links que seguia no e-mail, com exemplos de coisas absurdas que as pessoas dizem e fazem online (um dos links é este aqui, in English).

Autodiagnóstico: “meu caso não é tão grave”. Estou livre desses perigos, porque o meu blog (e por aí me escapa a modéstia) é supersimpático, quase sempre em tom de “carta aos amigos”, com opiniões razoáveis e politicamente corretas (mesmo na coluna What really grinds my gears, que nem é tão frequente assim). Mesmo que o caso não seja grave, estão aí os exemplos de Pedro e Arlete para comprovar que a exposição da minha “persona online” existe.

O dia em que Mr. President almoçou na minha rua

Enquanto a Governadora Gaúcha literalmente brincava com fogo (valeu, Camila, por me manter atualizado sobre os fatos que estão acontecendo!), o Presidente dos EUA veio almoçar com Bill Clinton num restaurante que fica na minha rua.

After finishing his speech on Wall Street, President Barack Obama is headed to lunch with former President Bill Clinton at Il Mulino, a top-rated Italian restaurant in Greenwich Village. (Fonte!)

Depois de terminar seu discurso em Wall Street, o President Barack Obama foi almoçar com o ex-Presidente Bill Clinton no Il Mulino, um restaurante italiano cinco estrelas em Greenwich Village.

Ilustrando: A é onde eu moro; B é onde fica o Il Mulino.

Ver mapa

(Por alguma e$$$tranha razão (ainda) não fui almoçar no Il Mulino…)

Bom, deve dar pra imaginar o que foi a vinda do Obama pra cá: rua interrompida (tipo assim, na frente de casa!), praticamente toda a NYPD (polícia de NY) aqui na volta, e provavelmente uns quantos atiradores de elite do serviço secreto escondidos nos prédios da faculdade de Direito… sei lá.

Eu tinha mais o que fazer (adivinhem: ler!), por isso não fiquei na volta pra ver o Obama passar cantando coisas de amor, mas vários colegas meus (que se empuleiraram no Furman Hall, que é o prédio do Direito que fica do outro lado da rua) conseguiram vê-lo quando ele estava saindo do restaurante.

Mendelssohn

Encontrei no youtube uma música de que gosto muito e que estou ouvindo agora em CD. Gravação da New York Philharmonic (!) com Itzhak Perlman como solista: Felix Mendelssohn, Concerto para Violino em Mi Menor (Op. 64), segundo movimento (Andante). O youtube não permite “colar” esse vídeo no blog, então tem que clicar no link.

O blog do Guri adverte: é música de domingo à noite; reações adversas podem acontecer (tipo arrepios ou uma vontadezinha boa de chorar). :)

Semanão

Pelo tanto que li e estudei esta semana (tanto, aliás, que nem postei no blog, como se pode observar), nem parece que a semana teve só quatro dias. Mal voltei de um feriadão em Albany e já quero férias.

O nível de exigência aqui na NYU Law é altíssimo, muito além de qualquer das minhas três (!) experiências acadêmicas na UFPEL. Em vista disso, às vezes penso que era mil vezes melhor estar em uma cidade totalmente sem graça – assim, pelo menos não sentiria tanto remorso como agora, estando em NYC e nem sempre podendo aproveitar tanto quanto gostaria.

Mas não posso nem vou me queixar. Primeiro porque estudar na NYU é um sonho realizado, e segundo porque até a meteorologia tem colaborado comigo: tem feito dias horríveis. :P Além disso, a própria mudança de estação está vindo a meu favor (ou melhor, a favor do meu confinamento nos estudos): aos poucos já se podem sentir os primeiros sinais do outono. Cada dia anoitece um pouquinho mais cedo; cada noite é um pouco mais fria que a anterior.

Há também constatações meteorológicas e climáticas bastante divertidas. Ontem, por exemplo, cheguei a uma conclusão bastante óbvia, mas muito importante: aqui, o minuano vem do norte. Ainda mais divertido foi ouvir uma colega carioca se queixar do frio hoje de manhã (16 graus Celsius). Só pude sorrir e dizer, “hã? frio?”. Espero que ela se prepare, porque a tendência por aqui não é ficar muito mais quente até o fim do ano…

* * * * *

Acontecimentos importantes da semana: comprei ingressos estudantis para três concertos no Carnegie Hall. Também vou assistir à peça Othello (de William Shakespeare) aqui no teatro da NYU. Com isso ficou garantido o calendário cultural da temporada 2009-2010.

* * * * *

Acontecimentos menos importantes da semana: hoje, 11 de setembro, enquanto NYC relembra com tristeza e respeito o atentado de 2001, a International Law Society da NYU deu uma festinha de boas-vindas para integrar JDs (“graduandos”) e LLMs (mestrandos). Tá, meio sem noção a data do evento, mas fui; estava legal.

Aí voltei pra casa, e minhas vizinhas do 702 estavam dando uma festinha pra integrar a galera toda do sétimo andar. Elas tinham me convidado, mas não sou muito a favor dessas programações americanóides, que incluem desde conversas de bêbado até comas alcoólicos. Só pra se ter uma ideia: quando saí do elevador no sétimo andar, já senti o hálito etílico da horda que se ajuntou no 702. Bah, a única coisa que fica pro dia seguinte é a dor de cabeça. Não vale a pena.

Eu, mestrando em Direito e em indiferença (esforços de socialização tem limites bem estreitos pra mim), fui lavar roupa (embora hoje não tenha estado tão lindo na cobertura-lavanderia, porque o Empire State está em meio às nuvens de chuva). Agora vou dormir no meu quarto com cheirinho de roupa limpa.

11 de setembro

Não, meu quarto não tem vista para o Empire State Building, mas teria vista para as Torres Gêmeas: esta semana ligaram luzes no Ground Zero do World Trade Center, para lembrar os oito anos (já!?) do 11 de setembro de 2001.

Labor Day weekend in upstate NY

Conforme anunciado, passei o findi do Dia do Trabalho (7 de setembro) na região de Albany, NY. Foram dias bastante agradáveis e intensivos de passeios com Sue e Tom, os pais do meu cunha James. De volta a NYC, preparei um rápido postálbum da viagem. E era isso, porque acabou o feriadão, e os livros gritam pela minha atenção.

Advertência preliminar: este post não tem nada a ver com o contexto do blog, porque saí de New York City e fui aos Estados Unidos (uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa). Talvez também valha lembrar que sim, ainda sou eu; o blog não mudou de dono… é que as programações foram bem mais rurais do que o meu normal! Foi bom sair da cidade, mudar de ares – só faço a advertência pra não deixar ninguém perplexo. :)

Sexta-feira, 4 de setembro

Chegada em Albany, almoço no Olive Garden (tipicamente americano – restaurante de rede!), ida até Rexford (onde moram Sue e Tom). Colhemos flores de “Queen Anne’s Lace” (uma espécie de cenoura selvagem) pra fazer geleia (ao escrever isso, fico pensando em como a advertência preliminar foi mesmo necessária!). Tudo bem, eu não fiz geleia. Mas ajudei a colher a matéria-prima. :P

Sábado, 5 de setembro

Almoço em família em Rexford. De volta a Albany para um “duck tour” pela cidade. Os “ducks” (patos) são veículos anfíbios (terra e água) que foram usados durante a guerra; atualmente são usados para passeios turísticos. Começa como um tour de ônibus qualquer – só que depois o ônibus se atira na água.

Duck – o veículo!

A maior casa de passarinho do estado de NY
(um só pedaço de madeira!)

Visita ao Governador do Estado de NY na sua residência oficial ;)

Prédio da Delaware & Hudson Co., visto do barco no rio Hudson

Tom, Sue e eu – pós duck tour!

Cohoes Falls – cachoeira no encontro do rio Mohawk com o rio Hudson

Eu como bombeiro honorário em Rexford!
(Mais uma vez, a advertência preliminar se justifica.
Enfim, é difícil explicar como certas coisas acontecem! Hehe…)

Domingo, 6 de setembro

Fomos à 190a. edição da Schaghticoke Fair: uma legítima “expofeira”, em bom gauchês! Animais, parque de diversões, comércio, antiguidades… de tudo.

Aqui, Sue e eu aprendemos a fazer uma corda com um fazendeiro
(que, aliás, deve ser parente direto do Papai Noel).
E, mais uma vez, a advertência preliminar se justifica!

E aqui eu encontrei uma família Dietrich!
De Marlene Dietrich
aos patrocinadores do show de cavalos da Feira de Schaghticoke,
passando por estudantes de Direito Internacional da NYU,
tá tudo dominado pela família Dietrich!

Segunda-feira, 7 de setembro

No último dia do feriadão, Sue e eu visitamos duas cavernas da região: Howe Caverns e Secret Caverns. Minhas duas primeiras cavernas!

De manhã, ganhei blueberry pancakes (panquecas de mirtilo)
com maple syrup (xarope de bordo)! (Ai, que traduções esquisitas.)
Tudo de bom! É uma combinação típica do estado de NY e também do Canadá.

Agora, sim: Howe Caverns!

Mais uma das formações incríveis nas Howe Caverns

Howe Caverns, de novo

Haveria muito mais que contar sobre a viagem, mas o tempo é escasso. Também tirei muitas fotos mais – há algumas outras no picasaweb do guri. (Desta vez, mais do que nunca, estou ansioso pelos comentários!)

Brazilian Day

P.S.: Não é que eu esteja fugindo do Brazilian Day (6 de setembro), mas não, não estarei lá.

Holiday… celebrate…

(Como eu ando musical nos títulos dos posts ultimamente!)

Meu professor de Arbitragem teve que cancelar a aula de amanhã, e segunda-feira é feriado por aqui também (não pela Independência do Brasil, obviamente: aqui será Labor Day, Dia do Trabalho!). Portanto, resolvi aproveitar e ir visitar os pais do meu cunha James, que moram nos arredores de Albany.

Albany, pra quem não conhece, uma cidadezinha de menos de 100.000 habitantes, é a capital do estado de NY. Fica a 219 Km ao norte de NYC.

Ver mapa

New York com muito estilo

Minha situação capilar (?) estava insustentável, então hoje finalmente fui cortar o cabelo. Com um cara russo (“It’s New York City…” * explicação na nota de rodapé). Fiquei bem satisfeito, principalmente porque ele conseguiu disfarçar bem meus redemoinhos.

Atenção especial, demais vítimas dos redemoinhos! Muito importante pra mim hoje foi a dica da minha amiga Danielle: redemoinho, em inglês, é “double crown” (coroa dupla) – até então eu não fazia a menor ideia disso. Também pode ser “cowlick” ou “hair whorl”.

Depois fui nadar (terceira vez!). Na volta, encontrei uma amiga que me disse que me achou “bronzeado”. Uau, que estilo. Haha, não, não. Eu tava era vermelho por ter recém (gauchês total) saído da piscina térmica.

Pra terminar com ainda mais estilo: estou em dia com as leituras!

(E nem é madrugada ainda!)

* Ok, vamos à explicação. Um dia desses cheguei à conclusão de que a frase “It’s New York City…” (“É Nova Iorque…”) é a justificativa mais usada por aqui. Parece que ela explica todas as coisas malucas (ou pelo menos altamente inesperadas) que a gente pode encontrar.

Barbeiro russo falando hebraico com a esposa latinoamericana? It’s New York City… Maluco gritando na rua e ninguém dando bola? It’s New York City… Nota de $20 dando sopa no meio da rua? It’s New York City…

A lista poderia continuar, mas quero dormir mais cedo hoje, já que estou em dia com as leituras. “Porque eu mereço.” (Eu e a guria da L’Oréal.)

O mundo é uma ervilha

Foi o que disse minha irmã Lu depois que eu contei pra ela o que vou contar aqui. E eu nem me atreveria a discordar.

Como já comentei recentemente no blog, estou frequentando a City Grace Church (bem, já fui a dois cultos). No segundo culto (último domingo) um dos pastores me convidou para ajudar na organização do curso Alpha, o qual eu já fiz (como participante, “aluno”, mesmo) no Brasil em 2003.

Resolvi aceitar o desafio. Dizendo assim, em uma frase de quatro palavras, parece que foi fácil, mas essa decisão só veio depois de bastante reflexão e de um processo de consultas com minha família. :)

Hoje foi o primeiro treinamento para os ALPHA helpers, na casa de uma pastora (de outra igreja) que coordena o curso Alpha aqui em Manhattan. Como no treinamento tinha várias pessoas que não se conheciam, houve uma pequena rodada de apresentações.

Na minha vez, disse o básico: sou do sul do Brasil, vim para estudar na NYU, e o pastor da City Grace me convidou para ajudar no Alpha. Então a pastora e o marido dela (os anfitriões da reunião) se entreolharam… e perguntaram: “Do sul do Brasil? Da comunidade do Pastor Samuel?”

SIM, da comunidade do Pastor Samuel. Fiquei em choque. SIM, é o mesmo Pastor Samuel. Eles – os anfitriões – conheceram o Pastor Samuel em um treinamento do curso Alpha em Londres. E também já estiveram várias vezes no Brasil…

“O mundo é uma ervilha” é uma das conclusões plausíveis, muito bem extraída pela minha irmã (que, a propósito, ou melhor, totalmente fora de propósito, nem gosta de ervilha).

Outra conclusão, por fim, é que Deus manifesta sua fidelidade através de várias formas, e eu tenho tido a oportunidade de experimentar isso. Encontrei uma igreja legal rapidamente; desde logo fui muito bem acolhido; recebi tão prontamente um convite para servir a Deus por aqui; encontrei conexões incríveis com as minhas origens… Enfim, tudo me remete àquele meu sentimento que já comentei no post de domingo.