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Parlamento da Hungria e Memorial dos Sapatos

Visitar Budapeste e não ver o Parlamento (Országház) é mais ou menos como visitar Paris e não ver a Torre Eiffel nem de longe. É difícil perder de vista um edifício neogótico com 268 metros de comprimento, 123 metros de largura na parte mais larga e (tal como a Basílica) 96 metros de altura, às margens do Danúbio, em Peste. Obra do arquiteto húngaro Imre Steindl, foi construído de 1885 a 1902, usando materiais de procedência húngara sempre que possível.

Ao redor do Parlamento

A melhor visão geral do Parlamento é a que se tem a partir de Buda, do outro lado do Danúbio.

Mas as outras fotos de Buda ficam para outro outro post. Agora volto a Peste para dar uma volta ao redor do Parlamento e mostrar o prédio de diferentes ângulos.

Entrada principal, à Praça Kossuth Lajos

Indo para o lado norte do Parlamento; ao centro, a cúpula

Detalhe da fachada Norte

Mais um detalhe da fachada Norte

Já olhando para a fachada Oeste, que fica de frente para o Danúbio

Escadarias, torres e cúpula, vistas da margem do Danúbio

Memorial dos Sapatos

Perto do Parlamento fica o Memorial “Sapatos à Margem do Danúbio”, que presta homenagem aos judeus mortos por milícias do Partido da Cruz Flechada (Arrow Cross), semelhante ao Partido Nazi alemão, durante a Segunda Guerra Mundial. Os milicianos ordenavam que as vítimas tirassem seus calçados e executavam-nas à beira do Danúbio. Os corpos eram levados pelo rio – e os sapatos eram deixados para trás.

Shoes on the Danube Bank

O monumento Sapatos à Margem do Danúbio ao anoitecer; ao fundo, iluminados, a ponte Széchenyi e o castelo de Buda

Visita guiada ao Parlamento

Começando pelas desvantagens: a visita guiada é rápida (40 a 50 minutos, contando o tempo para passar por procedimentos de segurança tipo de aeroporto), a demanda é alta (e por isso há necessidade de comprar ingressos com antecedência, o que se pode fazer online, mas não evita a necessidade de esperar em fila) e o roteiro é bastante restrito. Mesmo assim, vale a pena. O prédio, além de importante política e historicamente, é rico em detalhes decorativos.

Nos corredores do Parlamento

Teto dourado de uma das 29 escadarias

Uma das partes mais deslumbrantes do Parlamento é a Grande Escadaria, com seus 96 degraus (novamente lembrando o ano de 896, quando as tribos húngaras se assentaram no atual território da Hungria), os tapetes vermelhos, os vitrais de Miksa Róth e, no teto, as pinturas de Károly Lotz.

A visita guiada passa pelo Salão de Entrada da Câmara Alta, com esculturas que lembram os antigos grupos de artesãos da Hungria. É também nesta sala que fica o maior tapete feito manualmente em toda a Europa. Eu fiquei tão horrorizado ao pensar no trânsito intenso de turistas (incluindo eu mesmo) sobre aquele rico tapete desprotegido que esqueci de fotografar.

O Salão de Entrada da Câmara Alta

E do Salão de Entrada se vai às galerias do antigo Salão da Câmara Alta, planejado para ter uma excelente acústica. O Parlamento Húngaro é hoje unicameral, por isso não há mais câmara alta ou baixa; o ambiente é usado para conferências e reuniões.

Por fim, a visita guiada também leva ao Salão da Cúpula, onde infelizmente não se permite fotografar. Tem uma cúpula interna de 27 metros de altura; acima dela é que fica cúpula externa de 96 metros, no centro geométrico do Parlamento. É ali que fica a antiga Coroa Real da Hungria. Há outras belíssimas na galeria oficial de fotos do Parlamento.

* Só para registrar: foi neste lindo edifício que, em julho de 2015, os parlamentares húngaros aprovaram a construção de uma cerca para barrar imigrantes e refugiados.

Caminhadas pelo Distrito VII de Budapeste

No Erzsébetváros, nosso lar temporário durante a Expedição 2015 a Budapeste, há elegantes prédios antigos, construídos antes da Segunda Guerra. Muitos foram restaurados, mas há outros bem decadentes, com fachadas marcadas por poluição e abandono. Em muitos prédios de uso comercial é curioso ver que a restauração chegou só à fachada do andar térreo, onde ficam as vitrines; os demais andares continuam deteriorados. Há prédios que estão quase em ruínas — e muitos desses mesmo assim estão habitados ou ocupados pelos ruinpubs, famosas atrações da vida noturna de Budapeste.

Não restaurado, mas nem por isso menos elegante

Restaurado — e já precisando de retoques

Bela fachada de edifício na Klauzál tér, 2, pela Nagy Diófa utca (a Grande Rua das Nozes)

Pertinho do final da Akácfa utca, fica a Avilai Nagy Szent Teréz Plébánia, a Igreja de Santa Teresa de Ávila. Também ficou conhecida como “nossa igreja amarela”, porque ficava perto do apartamento, caminhávamos bastante por ali e servia de ponto de referência. E porque notamos que por alguma razão há várias igrejas amarelas em Budapeste — mas aquela era a “nossa”. O edifício foi construído no início do século XIX (1801–1809). O interior foi restaurado no século XX e está muito bem preservado.

Nossa Igreja Amarela de Santa Teresa de Ávila

Interior neoclássico da Igreja de Santa Teresa de Ávila

Na diagonal da igreja chama a atenção um prédio neogótico, construído em 1847.

Ainda no Erzsébetváros — a caminho do Parque da Cidade — visitamos Árpádházi Szent Erzsébet templom, a Igreja de Santa Isabel, construída na virada do século XIX para o XX, também em estilo neogótico. O templo sofreu com um bombardeio durante a Segunda Guerra. A partir de 1993, ocorreu a renovação do teto e de uma das torres, mas na parte interna se vê que reparos adicionais são necessários.

A fachada principal da Igreja de Santa Isabel, com a rosácea e as torres de 76 metros de altura

Interior da Igreja de Santa Isabel

Voltando para pertíssimo do apartamento, na própria Akácfa utca, um prédio muito importante no nosso quotidiano: a sede da

Budapesti Közlekedési
Zártkörűen Működő
Részvénytársaság

“Budapesti” é tranquilo entender… e o resto?

Nossa plena fluência em húngaro (mas principalmente o logo sugestivo) nos permitiu concluir que se tratava de “alguma coisa municipal referente a transportes”. Mais precisamente, é a sede da Budapest Transport Privately Held Corporation (BKV Zrt.), que opera metrôs, trens suburbanos (HÉV), bondes e ônibus.

Para encerrar o post, outro destaque do Distrito VII: os belos murais pintados nos paredões de alguns prédios. Na montagem a seguir vemos dois. No da direita, uma homenagem aos costureiros de Budapeste; no da esquerda, a imitação da fachada do mesmo prédio. Há muitos outros desses murais — como retrata este post do site BeBudapest.hu.