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Mesmo quando não pode ser visto, Ele está lá

Faz tempo que não publico em A história da fotografia, a categoria de posts em que conto sobre a origem de cada uma das fotos (todas próprias) que uso no cabeçalho do site. Contei primeiro a história da fotografia do teto de biblioteca que um dia trarei para casa. Também contei de quando verifiquei que as nuvens são mesmo de algodão. E contei da viagem aos Campos de Cima da Serra, quando fiz a foto panorâmica do Cânion Fortaleza.

Em meio a minhas reflexões cariocas — depois de contar das reflexões de 2012, mas antes de passar às de 2013 —, vou contar da foto com vista para o Corcovado (morro onde fica a estátua do Cristo), tirada por mim na visita ao Pão de Açúcar (morro onde fica o bondinho) com o pessoal do Alpha em 2012. A foto do cabeçalho é um recorte da seguinte original:

O dia estava muito nublado; tirei a foto acima tirada num dos rápidos momentos em que a vista melhorou. Pouco antes disso, estava assim (foto em preto e branco):

Pippa Gumbel, esposa do Nicky Gumbel, poeticamente comentou: “Às vezes certas coisas ficam no caminho e não O enxergamos, mas devemos saber que Ele sempre está lá.”

Reflexões cariocas 2012

Muito de importante aconteceu na minha vida recentemente por causa do Alpha.

Em 2009, começava a frequentar a City Grace Church em NYC. Quando comentei com o pastor que eu tinha feito o Alpha em 2003, ele me convidou para ajudar na primeira edição do Alpha naquela comunidade. Foi aí que, num exemplo arrepiante de como o mundo é pequeno, ganhei “pais nova-iorquinos”, a pastora Nancy e seu esposo Ali. Em 2011, logo depois que voltei ao Brasil, vi-os novamente, em mais um exemplo arrepiante de como o mundo é pequeno: eles vieram ministrar em Pelotas um treinamento Alpha, em que servi de intérprete. Em novembro de 2012, como comentei, uma conferência Alpha me levou ao Rio de Janeiro. E agora, início de novembro de 2013, outro evento Alpha me levou de novo ao Rio.

Mas vou com calma, porque hoje quero contar da viagem Alpha ao Rio em 2012. Foi bem fraca fotográfica e turisticamente, mas me enriqueceu muito em outros aspectos.

Relacionalmente, o enriquecedor do tempo no Rio foi rever e passar tempo de qualidade com pessoas queridas que eu não via fazia algum tempo, além de conhecer outras que viriam a ser importantes para mim. (Não vou citar ninguém, para não cometer injustiças.)

Espiritualmente, o enriquecedor foi algo que aconteceu comigo na igreja anglicana Christ Church, em Botafogo, no domingo, 25 de novembro de 2012. Para ter mais fidelidade aos detalhes, vou recorrer ao texto de um e-mail que escrevi a um amigo na época:

Espiritualmente: algo incrível aconteceu. No domingo, durante um tempo de oração após a mensagem do Nicky Gumbel, ele falou que o Espírito Santo lhe dizia que um jovem ali presente estava se sentindo frustrado, cansado e ansioso, e que esse jovem tinha um chamado a servir ao Senhor. E convidou esse jovem a subir ao altar, para orar por ele.

Eu quase caí de joelhos. Eu sabia que aquela pessoa era eu. Se fosse resumir a forma como me sentia ao longo de 2012, eu só poderia usar as mesmas palavras que ele tinha usado. E eu nunca tinha me sentido mais chamado a servir ao Senhor.

Parte de mim se opôs fortemente a ir para o altar. “Ele pode estar me chamando, mas como é que eu conseguiria fazer isso dar certo?” Sou um Martin que (diferentemente do Luther) não tem coragem de desistir do Direito e um Dietrich que (diferentemente do Bonhoeffer) não tem coragem de estudar Teologia!

Mas parte de mim me impulsionava a ir ao altar. “Como posso resistir se Ele está me chamando? Talvez eu não possa fazer isso dar certo por mim mesmo, mas Ele certamente pode. Tenho de ir.” Então fui, e oraram por mim e me abençoaram.

Não tenho dúvidas da presença do Espírito Santo naquele momento. Senti um calor dentro do peito, como de uma chama, algo de que até então só tinha ouvido falar. Depois fiquei forte e ao mesmo tempo fraco, como escrevi no dia seguinte:

Eu me sinto renovado, fortalecido. Ao mesmo tempo, estou sensibilizado e reflexivo todo o dia de hoje. Preciso fazer algo a respeito do que aconteceu, mas não sei exatamente o que — acho que por enquanto só me resta orar a respeito e pedir a meus amigos cristãos que façam o mesmo por mim. Gostaria de não ter de voltar logo para Porto Alegre e para o trabalho… precisaria de mais tempo para refletir e orar sobre o que aconteceu.

Refletir e orar foi o que me esforcei em fazer, mas o que eu temia se realizou, como escrevi a um amigo já no início de 2013 (um tempo de bastante silêncio aqui neste site):

A experiência espiritual que tive no Rio de Janeiro foi memorável, mas não teve grandes desenvolvimentos posteriores. De volta para casa, para a realidade, o trabalho continua tomando a maior parte do meu tempo, e não tenho energia, e não consigo encontrar uma igreja onde tenha vontade de me envolver, e fico desanimado para orar e meditar e ler a Palavra, e peco, e acabo concluindo que sou um péssimo cristão.

(Continua…)

Minhas havaianas cariocas indianas

Tenho escrito com alguma regularidade em 2013, mas em 2012 a coisa andava bem incerta por aqui. Faltou energia, disciplina, assunto, tempo, ou de cada uma dessas coisas um pouco. O ano de 2012 foi, nesse como em outros sentidos, um ano aquém.

Acabou passando quase em branco que eu fui ao Rio de Janeiro em novembro de 2012. Antes de ir, comentei brevemente que iria, para um evento do Alpha. Enquanto estava lá, comentei brevemente que estava lá, e prometi retornar com as reclamações (Reclamar: Vício ou Virtude? era a série de textos que eu estava escrevendo aqui no site naquela época — uma antecipação dos protestos de 2013?), além de relatos e reflexões cariocas.

Retornei a reclamar, mas os relatos e reflexões cariocas nunca se realizaram. Por exemplo, nunca contei que fui ao Rio de Janeiro de tênis e não levei sandálias. “Vou a um evento do Alpha; nem vai dar tempo de ir à praia.” Depois que cheguei à casa da minha amiga e anfitriã Barbara, no Leblon, na véspera do evento, é claro que logo saímos para ir à praia. No caminho, paramos numa banca de revista, onde troquei os tênis por um par de recém-compradas havaianas.

Contei bastante sobre a viagem que fiz no início de 2013 à Índia, onde muito usei minhas havaianas cariocas (que até hoje ficaram com uma cor alaranjada do pó das ruas indianas), mas sem ter antes contado sobre os passeios inaugurais delas no Rio de Janeiro, quando meus pés muito caminharam sobre as calçadas e areias do Leblon, de Ipanema e de Copacabana — e quando mergulhei num oceano de reflexões importantes, mas inconclusas.

No último final de semana, quase um ano depois, voltei ao Rio por alguns dias com minhas havaianas cariocas. Novamente o motivo foi o Alpha e novamente a consequência foram reflexões, em continuação às do ano passado. Desta vez, pretendo concluí-las.