A violação da regra zero

Em um de seus acessos criativos, o professor de Metodologia inventou três regras fundamentais para a elaboração de um projeto de pesquisa. A regra um é a de que “hipótese é tudo” – é o ponto de partida mais seguro. A regra dois, “faça a pesquisa para um marciano” – é preciso explicar tudo nos mínimos detalhes. E não há regra três. O que ele fez foi estabelecer uma regra-base tão primordial que veio a ser a regra zero: “não confunda projeto de pesquisa com projeto de vida”.

Há uma semana, tivemos uma aula tipo mesa-redonda para discutir as primeiras versões dos projetos de pesquisa. O meu pré-projeto foi aprovado sem ressalvas – o professor achou que é interessante e viável e que está corretamente elaborado. Fiquei feliz, é claro, mas uma coceirinha atrás da orelha persistiu…

Acho que violei a regra zero. Os colegas preocuparam-se em fazer projetos formalmente corretos, mesmo que não lhes despertem muito interesse. Quando não há envolvimento emocional, é fácil elaborar o projeto – é o que explica o professor. A coisa complica, segundo ele, quando colocamos no projeto muita paixão.

E é o meu caso. Meu projeto é sobre Direito Internacional, tema que já escolhi como provável alvo profissional desde meu ingresso no curso de Direito. Fiz o tal projeto com a disposição de levá-lo adiante, até mesmo para a monografia de conclusão de curso a ser escrita daqui a dois anos. Aliás, cheguei a fazer três projetos, todos de meu profundo interesse pessoal e profissional, e entreguei apenas um.

Será que fiz mal? Felizmente posso sair dessa enrascada potencial a qualquer tempo, porque estou livre para, se preciso, alterar o projeto de pesquisa. Seria, é claro, uma boa incomodação, acompanhada de perda de tempo. No fim das contas, é bem pra essas situações que servem as regras. Segui-las (neste caso, fazendo um trabalho sem grandes pretensões) ajuda a evitar incomodações. Vai ver que o meu problema está aí: parece que eu gosto mesmo é de me incomodar…

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