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Gente fiasquenta

Esta semana esfriou um pouco em NYC. Mas um pouquinho, só. Agora, por exemplo, tá fazendo 13 graus Celsius; até domingo a temperatura vai variar entre 9 e 22. Nada de mais, na minha opinião, mas acho que estou sozinho: por todo lado vejo gente usando blusões, mantas, jaquetas de couro (e não tô falando apenas de estudantes cariocas que até então não sabiam que o termômetro podia marcar abaixo de 20 graus Celsius – até canadenses e escandinavos (!) andam por aí agasalhados). Quanto a mim, sigo usando camiseta de manga curta, no máximo uma jaquetinha de verão. Ficam me perguntando, “aren’t you cold?”. Ora, não tô com frio porque não tá frio.

Mais grave ainda: hoje a administração do prédio avisou que o sistema central de ar condicionado já foi trocado da função “resfriar” para a função “aquecer”. Putz, aqui no meu quarto tá marcando 25 graus… pra que alguém ia querer aquecer mais do que isso? O que eu quero é resfriar! (Abaixo o aquecimento global!) Acho que vai ser um longo outono de janela aberta.

Othello

Acabo de voltar do teatro da NYU (Skirball Center) onde assisti à peça Othello, de Shakespeare! Gostei. Avaliando meu entendimento da coisa… Contexto: 90-95%. Em alguns momentos da peça (que foi longa: das 19h às 23h com 15 min de intervalo!) eu simplesmente me perdi; tipo, “what?”. Língua: 25-75%, melhorando progressivamente ao longo da peça. No fim já tava tão no clima da coisa, “get thee gone”. Mesmo assim, difícil entender. Shakespeare, século XVII… perdoável, né?

Cheguei em casa e casualmente encontrei um dos meus apartmentmates, que vai me emprestar o roteiro! Não sei quando vou conseguir tempo pra ler (!); dou um jeito.

West Third Street: onde as coisas acontecem!

Um dia o Presidente dos EUA almoça aqui e vem toda a mídia e a polícia e o povo todo na volta; outro dia dispara o alarme de incêndio do meu prédio e todos os moradores saem pra rua e é aquele rolo todo; hoje rompe um cano d’água e a rua começa a alagar e desligam a água do prédio…

Coisinhas legais do domingo

Termino o post sobre o alarme de incêndio, saio para preparar uma tigelinha de cereal, e acontece uma coisinha tão legal. Eu ia tomar banho e dormir, mas agora me sinto obrigado a contar as coisinhas legais do domingo (cuja principal marca nem de longe foi o inconveniente alarme de incêndio).

Enfim, há um minuto meu apartmentmate saiu pra cozinha ao meu encontro pra me dar uma caixa de cereal. Ele participou hoje de um café-da-manhã comunitário com seus compatriotas (alemães) para assistir à apuração dos resultados da eleição na Alemanha. Sobrou cereal, e ele resolveu pegar e trazer pra cá, porque sabe que eu sou fã de cereal. Bem, eu de fato tenho quatro (!) tipos de cereal aqui – é barato, ideal para um café-da-manhã rápido, e leve para um lanche pré-soninho (tipo o que estou fazendo agora).

Outras coisinhas legais que aconteceram no domingo: fui ao culto, fiquei para o curso Alpha (estou liderando um grupo de discussão no curso Alpha da City Grace, desde semana passada!), depois recebi uma visita do pastor aqui no meu humilde lar (minha primeira visita extra-NYU!). Aí toquei flauta, tomei um chá irlandês tri bom que comprei na minha última ida ao supermercado, e enfim fui à biblioteca ler. Consegui terminar de véspera as leituras para International Law (inédito!), organizei a agenda para a semana, e ainda bloguei – duas vezes! E fiz tudo isso apesar da chateação do alarme de incêndio.

YES! Meu tempo está rendendo. :)

Alarme de incêndio

Domingo à noite, eu prontinho para dar o dia por encerrado, e dispara o alarme de incêndio (que, diga-se de passagem, é ensurdecedor – não é do tipo que dá pra se fazer de louco e ignorar). Esta semana já teve um alarme falso…

Coloco o tênis, pego a chave e o NYU card (abandonando no quarto o pouco que eu tenho – glup), e desço sete andares de escada até a portaria. Todos os moradores do prédio lá – parece até festa. Chegam dois caminhões de bombeiros com as sirenes ligadas, e alguns dos meus colegas firefighters entram no D’Agostino Hall. Uns minutos depois, saem. Alarme falso de novo… Que fiasco! No mínimo alguém acendeu uma vela ou um cigarro (não podeee!), ou queimou um bife (também não podeee!).

Brooklyn Bridge

Finalmente saí para fazer uma caminhada na Brooklyn Bridge. A ideia era chegar lá e voltar de metrô; pra variar, me passei um pouco: não só atravessei a ponte, como também caminhei um pouco na margem de lá do East River, atravessei de volta na Brooklyn Bridge para Manhattan, passei por Chinatown, e por fim almocei em Little Italy. Foi uma caminhada e tanto!

City Hall Park, Municipal Building ao fundo

Manhattan vista da Brooklyn Bridge

Guri na Brooklyn Bridge (Projeto “Espeto” Noite Jovem)

Os arcos da Brooklyn Bridge

Liberty Island + sul de Manhattan

Manhattan Bridge vista do Brooklyn Bridge Park
(P&B totalmente acidental… mas gostei!)

Brooklyn Bridge e Manhattan, vista do Brooklyn Bridge Park

Então uma visitinha a Beijing (hehe… Chinatown!)

Fim do passeio: almoço tardio em Mulberry Street, Little Italy
(ou melhor, no que restou de Little Italy, encravada em Chinatown)

Pra onde vai o tempo?

Não é nenhuma novidade a ideia de que o tempo é a commodity mais valiosa do mercado atualmente. Desde que cheguei a NYC – mas em especial nas últimas semanas – essa ideia ficou ainda mais clara para mim.

Nos meses em que morei em São Lourenço, eu não valorizava tanto o meu tempo, porque ele me parecia tão abundante comparado aos poucos compromissos que eu tinha. Então cheguei a NYC e tudo mudou. Tudo suga tempo: os estudos, a socialização, a cidade, as tarefas rotineiras. Logo percebi que o tempo não seria suficiente para tudo o que eu gostaria de fazer. E isso só se agravou à medida que eu percebi que o tempo nem de longe era suficiente para tudo o que eu deveria fazer.

A diferença entre o que eu gostaria de fazer e o que eu deveria fazer pode ser considerada bastante subjetiva, claro, porque afinal de contas sou eu mesmo o responsável por definir minha estrutura de prioridades. Assim, cabe a mim mesmo definir o que eu deveria fazer (e que, portanto, deve ter prioridade) e o que eu gostaria de fazer (e que, portanto, ficará para quando sobrar tempo – ou seja, para momentos de baixa no preço da commodity). O grande problema foi que passei a perceber que o tempo nem (ou mal) basta para as atividades de altíssima prioridade – uma superinflação da commodity!

No dia 15 fui a um workshop de gerenciamento do tempo, coordenado por um psicólogo da NYU. O título do evento, muito sugestivo, era “Where does the time go?” (“Pra onde vai o tempo?”). O workshop, que surpresa!, não deu nenhuma dica milagrosa, do tipo “como fazer com que o seu dia de 24 horas renda como se tivesse 48 horas”. O ruim do workshop foi perceber que eu já faço muita coisa para otimizar meu tempo (o que me deixa pouco espaço para melhorar): preparar “to do lists” (listas de afazeres) com prioridades e metas, superestimar o tempo necessário para cada projeto, manter uma agenda. O bom, claro, foi perceber que ainda há algum espaço para melhorar: ser menos perfeccionista, procrastinar menos, aprender a dizer “não”.

Liberdade farroupilha

Finalmente tirei um tempo para organizar e postar algumas fotos do Sunset Cruise, o passeio pelo Rio Hudson que fiz no findi passado.

Pôr-do-sol no lado de lá – New Jersey

Pôr-do-sol (refletido) no lado de cá – New York

Entre um lado e outro, a Liberdade

The city that never sleeps?

Saí por volta das 8:30 da manhã pra comprar marca-texto e outras coisas de papelaria (bem coisa de estudante) e fiquei decepcionado. NYC dorme, sim – aos sábados de manhã. Ninguém na rua (além de mim e da Vanessa, estudante de doutorado aqui na NYU Law, com a mesma frustração que eu) num lindo sábado de manhã. E quase todas as lojas fechadas; nenhuma papelaria aberta – nem mesmo a Staples. Acabei onde? No Kmart, claro.

LaGuardia Place, totalmente deserta

Depois fui à NYU Law Library, onde passei a maior parte do dia.

NYU Law Library (quase vazia), International Law casebook, NYU ID card :P

E à noite fui com amigos ao Carnegie Deli, onde comi um Truffle Torte Cheesecake muuuito bom (nota-se pela minha cara de feliz). Acho que vou começar a tradição de comer cheesecake no meu aniversário de Confirmação (19/09/1999-2009)! (Contanto que isso não me impeça de comer cheesecake em muitos outros momentos da vida…)

Considerações sobre a semana que passou

  • Tive reuniões com três professores para ajudar a definir os temas dos dois papers que vou escrever neste semestre. As reuniões me ajudaram muito a me dar mais opções sobre o que escrever e me deixar ainda mais confuso. Mas não é ironia… isso ajuda mesmo!
  • No início da semana, várias vezes quis intervir numa aula. Estava com vários comentários na ponta da língua, só que não consegui vencer meu inexplicável bloqueio de falar em aula. (Ou nem tão inexplicável, considerando a tradição muda do Direito da UFPEL.)
  • Porque estava chateado, toquei flauta pela primeira vez em NYC.
  • Com isso, minha colega e vizinha Pam finalmente solucionou o mistério dos ratos que ela viu fugindo pelos corredores do prédio.
  • No fim da semana, participei ativamente de uma aula, que – por acaso – foi sobre o tema da minha monografia de graduação em Direito. Isso não quer dizer que eu esteja satisfeito com minha participação, que ainda tem que melhorar muito.
  • Porque estava contente, toquei flauta pela segunda vez em NYC.