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It’s the end of the world as we know it…

Pra não chatear uma leitora assídua e muito importante do blog – a saber, minha mãe! -, explico preliminarmente que o título do post é uma referência à primeira linha do refrão de uma música do REM. Traduzindo literalmente: “É o fim do mundo como o conhecemos”. (Depois a música segue: “and I feel fine” – “e eu me sinto bem”!)

Agora, ao assunto do post: Gmail fora do ar. O que será que está provocando esse evento raro? Em si, o evento já é bastante grave, mas espero que não seja ainda mais grave. A perda de dados e mensagens seria uma catástrofe, pelo menos pra mim – e isso me faz pensar na estupidez que é depender de um servidor remoto para guardar dados.

É verdade que confiar exclusivamente no bom e velho HD também não é lá muito seguro, e então talvez o ideal seja ter mensagens e dados espalhados por aí, em vários backups – digamos em casa (ou no escritório) e na web. Isso, porém, para pessoas que já tendem a ficar um pouquinho neuróticas (eu?!), pode acabar naqueles exageros escancarados (tipo, sei lá, backups na casa da titia).

Ok, inspira-expira… tentando manter a calma… o Gmail vai voltar ao ar.

E o sol volta a NYC

Depois de uma sexta-feira e de um sábado bem feiosos (e de muita leitura), hoje o sol saiu, e eu também. Como eu costumo dizer por aqui, já consigo acompanhar as leituras; o próximo passo é “viver de verdade” – “getting an actual life”. Bem, na real não tenho direito a reclamar de nada.

Primeiro, fui ao culto – o meu segundo na City Grace Church. De novo fui muito bem acolhido – como domingo passado, hoje também saí para almoçar com meus amigos da igreja, inclusive alguns novos amigos!

E de novo fui surpreendido com uma prédica que falou direto ao meu coração: com base no Salmo 130, o pastor tratou dos medos que enfrentamos (como o medo de fracassar), e de como esses medos nos impedem de ter a vida que Cristo quer nos dar (ou melhor, já nos deu – é só aceitarmos!).

Only when we are no longer afraid do we begin to live.
Somente quando não mais temos medo é que começamos a viver.

Dorothy Thompson

Nesses últimos dias, venho me preparando para apresentar um estudo de caso em um dos seminários que estou fazendo no mestrado (já tinha comentado sobre isso). A apresentação é amanhã, e as circunstâncias são um pouco assustadoras:

(1) Sou o primeiro aluno a apresentar, como já comentei.

(2) Apresentarei para o professor um estudo sobre um artigo dele mesmo!

(3) O professor é um expoente na minha área de pesquisa, o que me faz querer ainda mais causar uma boa impressão.

(4) Colegas desconhecidos (a maioria deles, pelo menos no seminário em questão).

(5) A língua estrangeira. Sim, sou fluente em inglês, mas a desenvoltura não é a mesma sob pressão. E a pressão, como espero ter demonstrado com os outros tópicos, não é pela simples obrigação de apresentar um estudo de caso em aula; vai além disso.

Acho que consegui passar a ideia. Medo. De me atrapalhar, de não conseguir um desempenho adequado. E aí, justo hoje, na véspera do seminário, o pastor vem falar de medos, e de como os vencemos dependendo de Deus e nos relembrando a nós mesmos que não podemos resolver tudo sozinhos (o que pra mim, pretenso superman, é uma luta interior incessante).

Eu não sei explicar como ou por que acontecem essas “coincidências” – a palavra certa na hora certa. Tampouco sei explicar bem o que sinto quando acontecem. Só sei que me sinto muito bem protegido por Deus, e cada vez penso no quanto sou indigno de toda essa proteção.

Ah, sim! Pra completar: no culto cantamos “In Christ Alone”, uma música muito bonita que eu inclusive já citei aqui no blog.

Voltando ao resumão do domingo…

Fui mesmo ao Charlie Parker Jazz Festival! Mais pela socialização do que pelo jazz, é verdade, mas o fato é que tanto a socialização quanto o jazz estavam muito bons. Depois, caminhei até o West Village para ver e fotografar o prédio dos Friends, onde a Monica morava. Haha… um pouquinho de turismo, e agora estou pronto para encarar a semana!

Charlie Parker Jazz Festival

Com Pam, Valia e Eugenia no festival

I’ll be there for you… the Friends building!
(Sem querer desapontar ninguém: o Central Perk não existe!)

No upcoming appointments (?)

Assim que saí da minha única aula de sexta-feira, o meu google calendar (com o qual, mui convenientemente, meu celular está sincronizado) passou a indicar a simpática mensagem: “No upcoming appointments”, ou seja, nenhum compromisso próximo. Simpática, mas enganadora essa mensagem. A próxima aula é só segunda-feira, mas terei um findi cheio de leituras.

O tempo está feio (nublado e chuvoso, apesar da temperatura mais agradável) e só deve melhorar domingo à tarde. O que até é bom – assim não fico tão tentado a sair, e as leituras rendem mais.

Meu plano de entretenimento para o findi, e só se meu rendimento hoje e amanhã for satisfatório, é ir domingo à tarde ao Charlie Parker Jazz Festival, no Tompkins Square Park, East Village. Se, porém, as leituras não renderem, terei de me contentar com jazz na rádio (WCWP FM, por exemplo).

Notícias e eu: encontros e desencontros

Quando citei a música do Belchior aqui no blog, não fazia nem ideia de que ele estava desaparecido! Só fiquei sabendo através do comentário da Camila – e só então fui procurar notícias a respeito. Ou seja, foi uma grande (e um pouco assustadora) coincidência.

Não tenho lido muito sobre o Brasil. Aliás, admito que nem as notícias daqui tenho tido tempo de acompanhar regularmente. Claro que eu sei, por exemplo, que o Senador Ted Kennedy morreu (o que, como podem imaginar, dominou o noticiário por aqui). Mas, não fosse pelo Xico, não teria ficado sabendo da colisão sobre o Hudson dia 8 de agosto.

Problem solved!

Meus dias de fome pós-piscina terminaram! Ou terminarão amanhã! Com a ajuda do cunha James, achei numa loja online proteína isolada de soro de leite (whey protein, para os marombeiros de plantão) por $30 o barril (!) de 5 lbs (2,267 kg), o que é razoavelmente econômico em termos novaiorquinos.

O mais legal foi procurar se tinha uma loja aqui perto (pra ir lá buscar em vez de pedir pelo correio, e assim economizar o custo de transporte) e encontrar uma na Third Street com Broadway – ou seja, na minha rua (!), a sete quadras daqui. É, definitivamente o Village tem tudo, mesmo.

Desnovidade compensada com novidade

Pela primeira vez desde que cheguei a NYC, e olha que isso faz quase três semanas (quase inacreditável!), almocei num restaurante onde já tinha almoçado. Aliás, almocei no lugar onde fiz meu primeiro almoço – o Subway da Laguardia Place.

Não, ainda não esgotei as opções gastronômicas do Village. É que, entre duas aulas, tinha apenas 45 minutos de intervalo para almoço – então, por questão de praticidade, e só por questão de praticidade, repeti o restaurante. E digo isso quase com vergonha. Mas tudo bem, porque minha intenção é inovar habitualmente e repetir apenas excepcionalmente, na medida do possível.

Tão envergonhado estava, com sentimento de culpa pela falta de criatividade do almoço, que resolvi compensá-la fazendo algo que ainda não tinha feito: fui nadar. Não, Lucila, não no Hudson River. :P Fui nadar no Coles Sports Center, o centro esportivo mais próximo da NYU. Free para estudantes, ou melhor, free-of-extra-charges para estudantes!

Se repetir restaurantes vai inevitavelmente acabar virando rotina (até porque, quando esgotar o Village, não pretendo ter que ir pra Uptown pra achar restaurantes “inéditos”, muito menos pro Brooklyn ou pro Queens), natação também vai passar a fazer parte do meu dia-a-dia (ou do meu a-cada-dois-dias). Além de “an apple a day” para “keep the doctor away”, é bom eu me exercitar!

O grande problema de fazer natação é a fome. Bah, eu voltei pra casa e comi fruta, barra de cereal, pão, até uns nacos de madeira da mesa. Que fome. Vou acabar gastando mais em comida. Haha… São tragicômicas essas minhas preocupações de “rapaz latinoamericano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior [do Brasil, mas, na real, da perspectiva dos EUA, eu vim do exterior]”.

Bendito sobrenome com B

O professor de Direito e Governança Global (provavelmente o seminário de dois créditos mais carregado com leituras em toda a história da NYU) acabou de mandar um e-mail detalhando o “quem, onde e quando” da apresentação de estudos de caso pelos alunos. “Brauch, Martin”, claro, tinha que ser o primeiro nome da lista – já tenho avaliação dia 31 de agosto! Glup.

Sabe a musiquinha de abertura de Caminho das Índias?

Há pouco estávamos (um grupo de brasileiros) conversando com a Ranjitha, uma colega indiana, sobre a mui popular novela global Caminho das Índias. Depois de ver a abertura da novela no youtube, a Ranjitha disse que a música é bem inadequada para ser apresentada junto com imagens de deuses e coisa e tal. A letra diz algo do tipo:

Podes acender um cigarro, porque o meu coração está pegando fogo.

Dois muito bons dias

Muitas novidades desde ontem.

Encontrei uma igreja muito legal: City Grace Church. Prédica inteligente, comunidade acolhedora (até saí para almoçar com meus “amigos da igreja” depois do culto!), e localização muito conveniente (quase do lado de casa!). Fechou todas. Então chega de “church shopping”.

Estou de acordo com o que li por aí na blogosfera: “Church shopping should be a temporary phase, not a way of life”. Fico em NYC por apenas nove meses (talvez mais, mas por enquanto não tenho como saber), então quero me engajar numa comunidade sem perder muito tempo.

Depois do culto, saí para um double decker bus tour (passeio naqueles ônibus de dois andares) por Manhattan. O passeio culminou em Chelsea Piers, na beira do Rio Hudson, onde aconteceu a Big Apple Bash, a festa de início de ano da NYU Law. Tudo isso rendeu novas amizades, mais conversas com amigos e conhecidos, e umas quantas boas fotos, como esta:

Hoje, o dia inteiro (sem exagero) em eventos de orientação para o início das aulas (achava que fosse quinta, mas na verdade é quarta – ou seja, tenho ainda mais coisas para ler!). Por fim, para a minha (tardia) tranquilidade, a NYU finalmente recebeu o pagamento do primeiro semestre, o que significa que (1) não vão me mandar embora por falta de pagamento, e que (2) agora, sim, estou oficialmente endividado. Só me resta estudar MUITO.

New New Yorker

À tarde saí com os amigos Diego e Nikita pra caminhar na 5th Avenue. E ver coisas que não podemos comprar (tipo um relógio de $3.350 na Tiffany & Co.). Mas até que foi divertido, pelo menos pra se sentir um New Yorker mais autêntico (do contrário, a gente só fica aqui no Village, que podia muito bem ser “NYU Village”).

Andei de subway pela primeira vez desta vez (em 2006, na primeira vinda a NYC, já tinha andado, claro). Fomos até a borda sul do Central Park – que também estava bem diferente da última vez que vi; era inverno e estava tudo seco; agora, verão, tudo verde. Dali viemos caminhando pela 5h Avenue na direção sul (de volta pra casa). Passamos por várias lojas… bem, pode pensar em qualquer marca cara… ali tem. E parece ainda mais caro que o normal, só porque é na 5th Avenue!

Tirei algumas fotos. Esta foi a que me pareceu a mais NYC de todas:

Outras fotos aqui!

Então voltamos para D’Agostino Hall, para o Village, para a realidade: limpar o apartamento. Haha… Mas tudo bem, também faz parte da vida. ;)