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Semanão

Pelo tanto que li e estudei esta semana (tanto, aliás, que nem postei no blog, como se pode observar), nem parece que a semana teve só quatro dias. Mal voltei de um feriadão em Albany e já quero férias.

O nível de exigência aqui na NYU Law é altíssimo, muito além de qualquer das minhas três (!) experiências acadêmicas na UFPEL. Em vista disso, às vezes penso que era mil vezes melhor estar em uma cidade totalmente sem graça – assim, pelo menos não sentiria tanto remorso como agora, estando em NYC e nem sempre podendo aproveitar tanto quanto gostaria.

Mas não posso nem vou me queixar. Primeiro porque estudar na NYU é um sonho realizado, e segundo porque até a meteorologia tem colaborado comigo: tem feito dias horríveis. :P Além disso, a própria mudança de estação está vindo a meu favor (ou melhor, a favor do meu confinamento nos estudos): aos poucos já se podem sentir os primeiros sinais do outono. Cada dia anoitece um pouquinho mais cedo; cada noite é um pouco mais fria que a anterior.

Há também constatações meteorológicas e climáticas bastante divertidas. Ontem, por exemplo, cheguei a uma conclusão bastante óbvia, mas muito importante: aqui, o minuano vem do norte. Ainda mais divertido foi ouvir uma colega carioca se queixar do frio hoje de manhã (16 graus Celsius). Só pude sorrir e dizer, “hã? frio?”. Espero que ela se prepare, porque a tendência por aqui não é ficar muito mais quente até o fim do ano…

* * * * *

Acontecimentos importantes da semana: comprei ingressos estudantis para três concertos no Carnegie Hall. Também vou assistir à peça Othello (de William Shakespeare) aqui no teatro da NYU. Com isso ficou garantido o calendário cultural da temporada 2009-2010.

* * * * *

Acontecimentos menos importantes da semana: hoje, 11 de setembro, enquanto NYC relembra com tristeza e respeito o atentado de 2001, a International Law Society da NYU deu uma festinha de boas-vindas para integrar JDs (“graduandos”) e LLMs (mestrandos). Tá, meio sem noção a data do evento, mas fui; estava legal.

Aí voltei pra casa, e minhas vizinhas do 702 estavam dando uma festinha pra integrar a galera toda do sétimo andar. Elas tinham me convidado, mas não sou muito a favor dessas programações americanóides, que incluem desde conversas de bêbado até comas alcoólicos. Só pra se ter uma ideia: quando saí do elevador no sétimo andar, já senti o hálito etílico da horda que se ajuntou no 702. Bah, a única coisa que fica pro dia seguinte é a dor de cabeça. Não vale a pena.

Eu, mestrando em Direito e em indiferença (esforços de socialização tem limites bem estreitos pra mim), fui lavar roupa (embora hoje não tenha estado tão lindo na cobertura-lavanderia, porque o Empire State está em meio às nuvens de chuva). Agora vou dormir no meu quarto com cheirinho de roupa limpa.

11 de setembro

Não, meu quarto não tem vista para o Empire State Building, mas teria vista para as Torres Gêmeas: esta semana ligaram luzes no Ground Zero do World Trade Center, para lembrar os oito anos (já!?) do 11 de setembro de 2001.

Labor Day weekend in upstate NY

Conforme anunciado, passei o findi do Dia do Trabalho (7 de setembro) na região de Albany, NY. Foram dias bastante agradáveis e intensivos de passeios com Sue e Tom, os pais do meu cunha James. De volta a NYC, preparei um rápido postálbum da viagem. E era isso, porque acabou o feriadão, e os livros gritam pela minha atenção.

Advertência preliminar: este post não tem nada a ver com o contexto do blog, porque saí de New York City e fui aos Estados Unidos (uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa). Talvez também valha lembrar que sim, ainda sou eu; o blog não mudou de dono… é que as programações foram bem mais rurais do que o meu normal! Foi bom sair da cidade, mudar de ares – só faço a advertência pra não deixar ninguém perplexo. :)

Sexta-feira, 4 de setembro

Chegada em Albany, almoço no Olive Garden (tipicamente americano – restaurante de rede!), ida até Rexford (onde moram Sue e Tom). Colhemos flores de “Queen Anne’s Lace” (uma espécie de cenoura selvagem) pra fazer geleia (ao escrever isso, fico pensando em como a advertência preliminar foi mesmo necessária!). Tudo bem, eu não fiz geleia. Mas ajudei a colher a matéria-prima. :P

Sábado, 5 de setembro

Almoço em família em Rexford. De volta a Albany para um “duck tour” pela cidade. Os “ducks” (patos) são veículos anfíbios (terra e água) que foram usados durante a guerra; atualmente são usados para passeios turísticos. Começa como um tour de ônibus qualquer – só que depois o ônibus se atira na água.

Duck – o veículo!

A maior casa de passarinho do estado de NY
(um só pedaço de madeira!)

Visita ao Governador do Estado de NY na sua residência oficial ;)

Prédio da Delaware & Hudson Co., visto do barco no rio Hudson

Tom, Sue e eu – pós duck tour!

Cohoes Falls – cachoeira no encontro do rio Mohawk com o rio Hudson

Eu como bombeiro honorário em Rexford!
(Mais uma vez, a advertência preliminar se justifica.
Enfim, é difícil explicar como certas coisas acontecem! Hehe…)

Domingo, 6 de setembro

Fomos à 190a. edição da Schaghticoke Fair: uma legítima “expofeira”, em bom gauchês! Animais, parque de diversões, comércio, antiguidades… de tudo.

Aqui, Sue e eu aprendemos a fazer uma corda com um fazendeiro
(que, aliás, deve ser parente direto do Papai Noel).
E, mais uma vez, a advertência preliminar se justifica!

E aqui eu encontrei uma família Dietrich!
De Marlene Dietrich
aos patrocinadores do show de cavalos da Feira de Schaghticoke,
passando por estudantes de Direito Internacional da NYU,
tá tudo dominado pela família Dietrich!

Segunda-feira, 7 de setembro

No último dia do feriadão, Sue e eu visitamos duas cavernas da região: Howe Caverns e Secret Caverns. Minhas duas primeiras cavernas!

De manhã, ganhei blueberry pancakes (panquecas de mirtilo)
com maple syrup (xarope de bordo)! (Ai, que traduções esquisitas.)
Tudo de bom! É uma combinação típica do estado de NY e também do Canadá.

Agora, sim: Howe Caverns!

Mais uma das formações incríveis nas Howe Caverns

Howe Caverns, de novo

Haveria muito mais que contar sobre a viagem, mas o tempo é escasso. Também tirei muitas fotos mais – há algumas outras no picasaweb do guri. (Desta vez, mais do que nunca, estou ansioso pelos comentários!)

Brazilian Day

P.S.: Não é que eu esteja fugindo do Brazilian Day (6 de setembro), mas não, não estarei lá.

Holiday… celebrate…

(Como eu ando musical nos títulos dos posts ultimamente!)

Meu professor de Arbitragem teve que cancelar a aula de amanhã, e segunda-feira é feriado por aqui também (não pela Independência do Brasil, obviamente: aqui será Labor Day, Dia do Trabalho!). Portanto, resolvi aproveitar e ir visitar os pais do meu cunha James, que moram nos arredores de Albany.

Albany, pra quem não conhece, uma cidadezinha de menos de 100.000 habitantes, é a capital do estado de NY. Fica a 219 Km ao norte de NYC.

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New York com muito estilo

Minha situação capilar (?) estava insustentável, então hoje finalmente fui cortar o cabelo. Com um cara russo (“It’s New York City…” * explicação na nota de rodapé). Fiquei bem satisfeito, principalmente porque ele conseguiu disfarçar bem meus redemoinhos.

Atenção especial, demais vítimas dos redemoinhos! Muito importante pra mim hoje foi a dica da minha amiga Danielle: redemoinho, em inglês, é “double crown” (coroa dupla) – até então eu não fazia a menor ideia disso. Também pode ser “cowlick” ou “hair whorl”.

Depois fui nadar (terceira vez!). Na volta, encontrei uma amiga que me disse que me achou “bronzeado”. Uau, que estilo. Haha, não, não. Eu tava era vermelho por ter recém (gauchês total) saído da piscina térmica.

Pra terminar com ainda mais estilo: estou em dia com as leituras!

(E nem é madrugada ainda!)

* Ok, vamos à explicação. Um dia desses cheguei à conclusão de que a frase “It’s New York City…” (“É Nova Iorque…”) é a justificativa mais usada por aqui. Parece que ela explica todas as coisas malucas (ou pelo menos altamente inesperadas) que a gente pode encontrar.

Barbeiro russo falando hebraico com a esposa latinoamericana? It’s New York City… Maluco gritando na rua e ninguém dando bola? It’s New York City… Nota de $20 dando sopa no meio da rua? It’s New York City…

A lista poderia continuar, mas quero dormir mais cedo hoje, já que estou em dia com as leituras. “Porque eu mereço.” (Eu e a guria da L’Oréal.)

O mundo é uma ervilha

Foi o que disse minha irmã Lu depois que eu contei pra ela o que vou contar aqui. E eu nem me atreveria a discordar.

Como já comentei recentemente no blog, estou frequentando a City Grace Church (bem, já fui a dois cultos). No segundo culto (último domingo) um dos pastores me convidou para ajudar na organização do curso Alpha, o qual eu já fiz (como participante, “aluno”, mesmo) no Brasil em 2003.

Resolvi aceitar o desafio. Dizendo assim, em uma frase de quatro palavras, parece que foi fácil, mas essa decisão só veio depois de bastante reflexão e de um processo de consultas com minha família. :)

Hoje foi o primeiro treinamento para os ALPHA helpers, na casa de uma pastora (de outra igreja) que coordena o curso Alpha aqui em Manhattan. Como no treinamento tinha várias pessoas que não se conheciam, houve uma pequena rodada de apresentações.

Na minha vez, disse o básico: sou do sul do Brasil, vim para estudar na NYU, e o pastor da City Grace me convidou para ajudar no Alpha. Então a pastora e o marido dela (os anfitriões da reunião) se entreolharam… e perguntaram: “Do sul do Brasil? Da comunidade do Pastor Samuel?”

SIM, da comunidade do Pastor Samuel. Fiquei em choque. SIM, é o mesmo Pastor Samuel. Eles – os anfitriões – conheceram o Pastor Samuel em um treinamento do curso Alpha em Londres. E também já estiveram várias vezes no Brasil…

“O mundo é uma ervilha” é uma das conclusões plausíveis, muito bem extraída pela minha irmã (que, a propósito, ou melhor, totalmente fora de propósito, nem gosta de ervilha).

Outra conclusão, por fim, é que Deus manifesta sua fidelidade através de várias formas, e eu tenho tido a oportunidade de experimentar isso. Encontrei uma igreja legal rapidamente; desde logo fui muito bem acolhido; recebi tão prontamente um convite para servir a Deus por aqui; encontrei conexões incríveis com as minhas origens… Enfim, tudo me remete àquele meu sentimento que já comentei no post de domingo.

It’s the end of the world as we know it…

Pra não chatear uma leitora assídua e muito importante do blog – a saber, minha mãe! -, explico preliminarmente que o título do post é uma referência à primeira linha do refrão de uma música do REM. Traduzindo literalmente: “É o fim do mundo como o conhecemos”. (Depois a música segue: “and I feel fine” – “e eu me sinto bem”!)

Agora, ao assunto do post: Gmail fora do ar. O que será que está provocando esse evento raro? Em si, o evento já é bastante grave, mas espero que não seja ainda mais grave. A perda de dados e mensagens seria uma catástrofe, pelo menos pra mim – e isso me faz pensar na estupidez que é depender de um servidor remoto para guardar dados.

É verdade que confiar exclusivamente no bom e velho HD também não é lá muito seguro, e então talvez o ideal seja ter mensagens e dados espalhados por aí, em vários backups – digamos em casa (ou no escritório) e na web. Isso, porém, para pessoas que já tendem a ficar um pouquinho neuróticas (eu?!), pode acabar naqueles exageros escancarados (tipo, sei lá, backups na casa da titia).

Ok, inspira-expira… tentando manter a calma… o Gmail vai voltar ao ar.

E o sol volta a NYC

Depois de uma sexta-feira e de um sábado bem feiosos (e de muita leitura), hoje o sol saiu, e eu também. Como eu costumo dizer por aqui, já consigo acompanhar as leituras; o próximo passo é “viver de verdade” – “getting an actual life”. Bem, na real não tenho direito a reclamar de nada.

Primeiro, fui ao culto – o meu segundo na City Grace Church. De novo fui muito bem acolhido – como domingo passado, hoje também saí para almoçar com meus amigos da igreja, inclusive alguns novos amigos!

E de novo fui surpreendido com uma prédica que falou direto ao meu coração: com base no Salmo 130, o pastor tratou dos medos que enfrentamos (como o medo de fracassar), e de como esses medos nos impedem de ter a vida que Cristo quer nos dar (ou melhor, já nos deu – é só aceitarmos!).

Only when we are no longer afraid do we begin to live.
Somente quando não mais temos medo é que começamos a viver.

Dorothy Thompson

Nesses últimos dias, venho me preparando para apresentar um estudo de caso em um dos seminários que estou fazendo no mestrado (já tinha comentado sobre isso). A apresentação é amanhã, e as circunstâncias são um pouco assustadoras:

(1) Sou o primeiro aluno a apresentar, como já comentei.

(2) Apresentarei para o professor um estudo sobre um artigo dele mesmo!

(3) O professor é um expoente na minha área de pesquisa, o que me faz querer ainda mais causar uma boa impressão.

(4) Colegas desconhecidos (a maioria deles, pelo menos no seminário em questão).

(5) A língua estrangeira. Sim, sou fluente em inglês, mas a desenvoltura não é a mesma sob pressão. E a pressão, como espero ter demonstrado com os outros tópicos, não é pela simples obrigação de apresentar um estudo de caso em aula; vai além disso.

Acho que consegui passar a ideia. Medo. De me atrapalhar, de não conseguir um desempenho adequado. E aí, justo hoje, na véspera do seminário, o pastor vem falar de medos, e de como os vencemos dependendo de Deus e nos relembrando a nós mesmos que não podemos resolver tudo sozinhos (o que pra mim, pretenso superman, é uma luta interior incessante).

Eu não sei explicar como ou por que acontecem essas “coincidências” – a palavra certa na hora certa. Tampouco sei explicar bem o que sinto quando acontecem. Só sei que me sinto muito bem protegido por Deus, e cada vez penso no quanto sou indigno de toda essa proteção.

Ah, sim! Pra completar: no culto cantamos “In Christ Alone”, uma música muito bonita que eu inclusive já citei aqui no blog.

Voltando ao resumão do domingo…

Fui mesmo ao Charlie Parker Jazz Festival! Mais pela socialização do que pelo jazz, é verdade, mas o fato é que tanto a socialização quanto o jazz estavam muito bons. Depois, caminhei até o West Village para ver e fotografar o prédio dos Friends, onde a Monica morava. Haha… um pouquinho de turismo, e agora estou pronto para encarar a semana!

Charlie Parker Jazz Festival

Com Pam, Valia e Eugenia no festival

I’ll be there for you… the Friends building!
(Sem querer desapontar ninguém: o Central Perk não existe!)

No upcoming appointments (?)

Assim que saí da minha única aula de sexta-feira, o meu google calendar (com o qual, mui convenientemente, meu celular está sincronizado) passou a indicar a simpática mensagem: “No upcoming appointments”, ou seja, nenhum compromisso próximo. Simpática, mas enganadora essa mensagem. A próxima aula é só segunda-feira, mas terei um findi cheio de leituras.

O tempo está feio (nublado e chuvoso, apesar da temperatura mais agradável) e só deve melhorar domingo à tarde. O que até é bom – assim não fico tão tentado a sair, e as leituras rendem mais.

Meu plano de entretenimento para o findi, e só se meu rendimento hoje e amanhã for satisfatório, é ir domingo à tarde ao Charlie Parker Jazz Festival, no Tompkins Square Park, East Village. Se, porém, as leituras não renderem, terei de me contentar com jazz na rádio (WCWP FM, por exemplo).