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Tabelionato, química, jardinagem

Ainda no post anterior comentei que uso o blog do Guri como memória auxiliar: às vezes revisito meu próprio blog pra relembrar coisas que aconteceram comigo. É assustador que se apaguem da minha memória situações que eu mesmo vivi. Também há momentos em que fico perplexo com a quantidade e a diversidade de informações que tenho na caixola e que nem sempre sei como ou por que foram parar lá.

Recentemente meu pai escreveu dizendo que precisava reconhecer minha firma num documento. Gelei: “nunca abri ficha pra reconhecer minha firma no Brasil”. No mesmo instante comecei a ver como fazer isso no consulado brasileiro aqui em Nova Iorque (e a sofrer por antecipação com toda a trabalheira que esse procedimento haveria de me dar). Mas respondi para o meu pai, “Só pra ter certeza, vai ao Primeiro Tabelionato de Pelotas; tenho a impressão de que minha firma possa estar lá. Se é que está em algum lugar, só pode ser lá”.

Lá foi ele e, pro meu alívio e pra minha surpresa, reconheceu minha firma. Inexplicável. Um belo dia, num passado que não pode ser tão distante assim (não sou tão velho, ora!), eu me abalei até o tabelionato na Anchieta, retirei ficha, esperei ser atendido, pedi para depositar firma, assinei um cartão-autógrafo, e fui embora. Como pode que não me lembro de absolutamente nada disso? Tampouco me lembro de por que fiz isso. Alguém já tinha precisado reconhecer minha firma? Eu mesmo, talvez? Não faço ideia. Mas taí. Se alguém precisar reconhecer minha firma, já sabe onde pode fazê-lo.

Mais dois casos chocantes aconteceram comigo ontem. Fui com um grupo de amigos da igreja a Jersey City (do lado de lá do Hudson, “ali no outro estado”!), para visitar duas outras amigas da City Grace que moram lá e que nos convidaram para uma noite de jogos. Na maior parte do tempo jogamos Cranium, um divertido jogo de tabuleiro à la “Imagem e Ação”. Só pra dar uma ideia melhor do jogo, os desafios estão divididos em quatro categorias:

  • Creative Cat: um dos jogadores do time tenta fazer o outro adivinhar uma palavra através de desenho, escultura, ou desenho de olhos fechados.
  • Data Head: perguntas de conhecimentos gerais, curiosidades.
  • Word Worm: os jogadores do time desembaralham palavras, soletram palavras (às vezes ao contrário, quer dizer, do fim pro início da palavra), adivinham definições, identificam palavras com letras omitidas.
  • Star Performer: um dos jogadores do time assobia ou “murmura” (bocca chiusa; canta fazendo mmm) uma canção, imita uma celebridade, ou faz mímica, e o outro adivinha.

Formei time com o Ryan. Fechou todas: o Ryan é ator (formado em teatro) e músico (pianista, cantor, líder de banda), então ficava com as coisas artísticas (Creative Cat e Star Performer); eu, o estudante nerd que gosta de palavras, ficava com as coisas de estudante nerd que gosta de palavras (Data Head e Word Worm).

Tivemos alguns lances de sorte: uma das músicas pra cantarolar de boca fechada era The Girl from Ipanema (Garota de Ipanema). Quando eu vi, minha reação só pôde ser, “dude, I’m so ready for this“. Mais tarde veio a definição de “illicit“, barbada pra advogado. Só não ganhamos o jogo por falta de sorte nos dados. ;)

Houve momentos bastante emocionantes no jogo (especialmente quando a competitividade aguda de alguns, nos quais me incluo, vinha à tona), mas me restrinjo a relatar os exemplos de perplexidade (própria e alheia) quanto à aleatoriedade de meus conhecimentos.

Uma das perguntas do Data Head foi: “Qual é o elemento químico mais comum na atmosfera terrestre?”. Nitrogênio. Certo. Tudo bem que eu até participei de olimpíada de química no ensino médio, mas devo ter estudado os elementos predominantes da atmosfera lá pela quinta ou sexta série do ensino fundamental, e depois não mais. Como é que eu ainda me lembro disso? Fico até triste por me lembrar. Prefiro ter livre esse espaço na memória pra guardar outras coisas!

Mas o mais chocante da noite foi um desafio de verdadeiro ou falso do Data Head. A afirmação era algo do tipo: “Figuras geométricas e simetria são características do estilo inglês de jardinagem ou paisagismo”. Ora, para alguém com o meu background (estudos em economia e direito; conhecimentos sobre mudança climática, música, idiomas… mas longe de saber algo sobre jardinagem), a reação mais natural a uma pergunta dessas não poderia ser senão: “hein?!”.

Eu, porém, comecei a pensar alto: “Verdadeiro… não, peraí. A tradição francesa de jardinagem, e não a inglesa, é que tem traços de formalismo, racionalidade e simetria, com figuras geométricas e organização mais ‘quadradinha’. Os jardins ingleses são mais naturais, românticos… A afirmação é falsa.” Nem precisava explicar nada; bastava dizer falso ou verdadeiro. Mas provei que não era chute.

Acertei. A afirmação era mesmo falsa. Pedi pra ler a explicação da resposta no verso do cartão, e a explicação era, embora obviamente não com as mesmas palavras, a mesma que eu tinha dado. Agora… não faço ideia de onde tirei essa explicação. Onde e quando e por que cargas d’água eu aprendi a diferença básica entre um jardim inglês e um jardim francês? É perturbador.

Retropostagem de Ano Novo 2010

Ok, blog atualizado! Deu trabalho, mas acabei de finalizar os seguintes posts, publicados retroativamente:

Tenho a impressão de que ninguém tem lido o blog, e que estão todos ocupadíssimos derretendo nas suas férias de verão no Brasil. :P Voltem, leitores! Aguardo comentários.

Sigo postando na medida do possível. Como uma vez disse minha irmã Lu, o blog do Guri é a minha memória auxiliar: às vezes eu venho aqui pra me lembrar de coisas que aconteceram comigo. (Sinais da idade.)

O blog do Guri continua, rumo ao seu quarto aniversário! :)

De volta a Gotham

Voltei para NYC dia 9. Desempacotar malas, arrumar o quarto, lavar roupa… Tarefinhas básicas e desmotivantes combinadas + aquele sentimento de coração apertado depois de me despedir da família = primeiro dia sem-graça. Domingo fui ao culto e almocei com os amigos, o que já ajudou um pouco.

E aí a NYU começou a me engolir. Comprinhas de livros para o próximo semestre, leituras (muitas leituras), paper do semestre passado por terminar. A primeira semana foi pesada. Além de me reacostumar com o ritmo (leituras, aulas, correrias acadêmicas), tive muitos eventos sociais. Ando requisitadíssimo, embora não “popular”, como quis dizer minha amiga Daniele. Festa de aniversário na segunda, recepção da turma de Direito Internacional na quarta, entrevista simulada e recepção na quinta, “Game Night” com amigos da igreja na sexta (jogamos Siedler / Settlers / Descobridores de Catan! yay!).

O bom desse semestre é fiquei com a sexta-feira livre (isto é, sem aulas, o que não quer dizer que não tenha nada pra fazer – e nem sempre sem aulas, porque alguns professores já marcaram aulas extras em sextas-feiras). De qualquer forma, será meu dia pra descansar, eventualmente viajar… ou recuperar os atrasados da fac. Outra vantagem é que uma das disciplinas que estou cursando é condensada na primeira metade do semestre. Mais trabalho inicialmente, mas mais liberdade posteriormente. :)

Este semestre estou cursando Climate Change Policy (Políticas contra Mudança Climática), International Human Rights (Direitos Humanos), Investment Disputes in International Law (Disputas de Investimentos em Direito Internacional), U.S. Legal Methodology (Metodologia Jurídica Americana), e WTO: Core Issues and Dispute Settlement (OMC: Questões Principais e Solução de Controvérsias). Já tive todas as disciplinas, e estou gostando de todas elas. A maioria delas exigirá bastante de mim ao longo do semestre (trabalhinhos e avaliações continuadas); por outro lado, tenho apenas uma prova final!

Além das novas disciplinas, ainda tenho que escrever um artigo deferido do semestre passado (Direito Internacional Ambiental). O tema está preparado e aprovado pelo professor; agora é só começar a trabalhar!

Extra-academicamente, vou estudar para o exame de ordem aqui nos EUA, continuar com os estudos teológicos (já me reuni uma vez para discussões com o pastor ano passado), participar do Downtown Community Group toda quarta-feira (a menos por motivos de força maior), reger o City Grace Easter Choir (projeto de reedição do City Grace Advent Choir!), nadar, patinar no gelo, e procurar emprego.

Ai, que cansaço. Quero férias.

O ponto a que chegamos

Em regra sou ligadinho, atento. Uma das exceções é que, quando decido ir nadar – por esporte e pra relaxar -, meu cérebro se empolga com a perspectiva de relaxamento iminente e acaba relaxando de mais: acabo esquecendo em casa equipamentos de natação de alguma importância. Obviamente, só me dou conta do que esqueci quando já estou no vestiário, ou seja, quando já é tarde de mais!

Uma e outra vez já me esqueci dos palmares. Nisso na real não há grande problema: simplesmente nado sem palmares, e pronto.

Já me esqueci da touca. Como o uso não é obrigatório no Coles Sports Center (pelo menos não para quem tem cabelo curto, como é meu caso), tudo bem, nado sem touca.

Também já me esqueci dos óculos de natação. Aí o problema é um pouco mais complicado, mas tampouco impossível de resolver: nado só costas, mas faço uma distância menor que normalmente, porque nadar sem óculos é incômodo mesmo nadando apenas costas.

Hoje cheguei ao ápice: me esqueci da sunga. Incontornável. Só me restou voltar pra casa (e, claro, uma vez em casa, descartei a possibilidade de ir nadar hoje… muita frustração).

Antes que daqui a uns dias me esqueça da toalha (o que também geraria um problema incontornável), vou dar um basta nessa história. Embora seja um pouco ridículo, terei de fazer uma checklist pra colar na porta e conferir sempre antes de sair pra natação.

  • Sunga
  • Óculos
  • Toalha
  • Touca
  • Palmares
  • [De outras coisas essenciais, como a carteirinha da NYU e a chave de casa, nunca cheguei a me esquecer, por isso vou deixá-las fora da lista. Pelo menos por enquanto. Mas a lista é flexível… vou deixar espaço em branco para ampliá-la se preciso.]

O ponto a que chegamos, quero dizer, nós, os cabeças-de-vento… Ficamos pensando na vida em Gotham City, nas leituras pras aulas do dia seguinte, nos desafios do Direito Internacional contemporâneo, na morte da bezerra ou da Inês de Castro… aiai.

A história da propaganda no século XX através de anúncios de metrô

Algumas das propagandas legais (engraçadas, curiosas, interessantes…) que encontrei nos vagões de metrô antigos no New York Transit Museum (ver relatos sobre o museu e mais fotos no post anterior).


Poema em propaganda do sabonete facial Woodbury.
Acho que hoje não colaria muito… O
McDonald’s tentou.
Mas McDonald’s emplaca com qualquer coisa, mesmo. :P


“Como você deixa suas roupas tão brancas?”
“Ora, é fácil: eu uso Rinso!”
Rinso: economiza trabalho – – economiza tempo.
(Entendes agora o que a tua mãe/vó quer dizer com “brancura Rinso”?)


Sim, fermento Royal! Sim, na mesma embalagem!
Meus amigos americanos nunca tinham visto.


“Ajude a acabar com a tuberculose:
faça um raio-X do peito”


“Varra os comunistas pra fora do nosso governo:
eleja Dewey e Warren – vote nos Republicanos!”

New Year’s in the City

Continuando a viver intensamente meu recesso de inverno, dia 28 fui pela primeira vez ao Queens (o aeroporto JFK fica no Queens, mas isso não conta)! Fiquei sabendo de uma loja que vende produtos brasileiros em Astoria, Queens (US-Brazil Deli & Grocery). Fui lá com o objetivo específico de refazer meu estoque de mistura para pão de queijo Yoki (!), mas acabei voltando também com guaraná Antarctica (!!) e bolachinhas Bono de doce de leite (!!!).

Dia 30 fui com um grupo de amigos italianos (Daphne, Eugenia e Sarah) e japoneses (Misako e Naoki) patinar no gelo no Bryant Park. Quer dizer, pelo menos essa era a intenção. Quando chegamos lá, por volta de 11:30, ficamos sabendo que a pista estava fechada até as 13h por causa de um evento particular.

A vontade de patinar era grande, então resolvemos persistir. Para matar tempo, fomos à FAO Schwarz (uma loja de brinquedos da 5th Avenue que aparece no filme Big – o qual, por sua vez, não me lembro de ter visto!). O problema foi que matamos tempo de mais: acabamos chegando ao Bryant Park depois das 13h. A fila já dava voltas e voltas no parque!

A Misako tinha chegado um pouco mais cedo; estava um tanto mais à frente na fila. As italianas logo desistiram de esperar, até porque tinham outro compromisso logo em seguida. A fila estava andando, por isso o Naoki e eu decidimos esperar. A Misako entrou no rinque de patinação, e a fila continuava andando. Estávamos certos de que logo estaríamos lá também.

O rinque começou a superlotar, com muitos entrando e poucos saindo, e fila começou a ficar lenta, e mais lenta, até que estancou. Duas horas e quinze minutos depois de termos entrado, e ainda com muita gente à nossa frente (no ritmo que estávamos, passaríamos mais meia hora de fila, no mínimo), o tédio e o frio nos impeliram a sair. Além do mais, a Misako já estava de saco cheio de patinar (e de nos esperar!), e a ideia era patinarmos todos juntos… Foi um pouco difícil tomar a decisão de desistir, porque, depois de tanta espera, a tendência é virar “questão de honra”. Mas logo percebemos que era bobagem: já estávamos tão chateados com a fila que a vontade de patinar até tinha passado. Esperamos a Misako sair e fomos os três tomar café con leche no Juan Valdez Café da Times Square (café colombiano, muito bom e barato, mesmo sendo na Times Square).

A fila (à frente e depois dobrando à esquerda), pouco antes de sairmos

Fonte congelada no Bryant Park

Depois do café voltei pra casa, coloquei meu traje de gala, e fui à opera: Les Contes D’Hoffmann, de Offenbach, na Metropolitan (Met) Opera House do Lincoln Center! Foi uma experiência inenarrável, como diria o Sami. Raramente assisto a operas, mas normalmente gosto. Estou mais para “apreciador eventual minimamente instruído” que para “conhecedor aficionado”.

No último dia do ano, fui ao Brooklyn pela primeira vez (bom, eu já tinha ido ao Brooklyn Bridge Park, do lado de lá da ponte, mas isso também não conta!). Meu amigo Kyle e eu fomos pra lá na hora do almoço. Excelente ideia. Comida boa e muito, muito barata: cada um pagou $7 (com imposto e gorjeta) por uma porção generosa de “pad thai” mais chá gelado! Refeição completa por esse preço em Manhattan é coisa rara ou quase inexistente.

A Leslie nos encontrou no restaurante, e de lá fomos os três ao New York Transit Museum. É um museu da MTA (autoridade de trânsito metropolitana) que conta a história do sistema de metrô e ônibus de NYC, e mostra algumas peças antigas. Fica numa estação de metrô desativada (Court Street) num bairro muito simpático, o Brooklyn Heights. Tivemos só uma hora pra visitar o museu, mas foi muito divertido o passeio, especialmente na parte dos vagões antigos de metrô. (O meu registro fotográfico entitulado “A história da propaganda no século XX através de anúncios de metrô” vai ganhar um post específico a seguir!)


Brooklyn Borough Hall


Em frente ao Borough Hall


Injustiça arquitetônica: McDonald’s num prédio bonito


Ah, como eu queria me lembrar de que década era esse vagão…
Primeiro quartel do século XX, sem dúvida.
Um dos mais antigos do NY Transit Museum.


“Cuspir no chão deste vagão: multa de $500 dólares, um ano de prisão, ou ambos.” Ah, se o metrô de NYC fosse tão limpinho assim ainda hoje! Multa de $500 não é coisa pouca por uma cuspida, e detalhe: na época $500 valiam bem mais do que hoje (lembrete: inflação existe)! Na foto, pra quem não percebeu: eu, no papel de advogado (ou law enforcement officer), tentando prevenir que o Kyle cuspisse no chão. (Isso, claro, depois de muitas tentativas frustradas de tirar essa foto, tentando conter as risadas.) :D


Leslie, entre dois vagões, o que hoje, sim, pode dar multa!


Este, se não me engano, era um vagão de pouco antes da Segunda Guerra.

Vagão dos anos 1940/1950 (pós-guerra).


Leslie e Kyle no mesmo vagão da foto anterior.


Brooklyn Heights (um bairro simpático, não?)


Manhattan vista do Brooklyn Heights Promenade, o passeio à beira do East River. “I had been dreaming of a White Christmas”, mas no fim das contas o que foi branco foi o Ano Novo, e não o Natal!

A aventura de virada de ano continuou com uma janta com vários amigos da City Grace Church no Fetch Bar & Grill, um restaurante temático de cachorros muito engraçadinho no Upper East Side. (Nalatos, esse tava totalmente pra ti!) Em seguida, as gurias foram para uma festa para a qual nem todos estavam convidados, hehe, e a gurizada foi para um bar tomar cerveja (sim, eu, que não gosto de cerveja, tomei cerveja – até que não estava ruim, mas continuo não gostando, haha) e jogar dardos.

Mais tarde chegaram mais duas amigas da igreja, e fomos com elas para uma festa de amigas delas… Ou seja, terminei 2009 e comecei 2010 na companhia exclusiva de pessoas que conheci bem no início do segundo semestre de 2009 (amigas e amigos da igreja) e de pessoas que conheci bem no fim do segundo semestre de 2009 (amigas e amigos das minhas amigas da igreja). :P

Na hora da contagem regressiva, subimos para o telhado do prédio com nossos copinhos de plástico, cada um deles com um golinho de champanha, e brindamos! Não vimos a bola cair na Times Square, e estávamos muito felizes de não termos estado na Times Square desde as 2h da tarde só pra ver a bola cair.

Ao voltar pra casa, na rua e no metrô, não vi ninguém vestido de branco; só chapéus e acessórios multicoloridos e classificados em no mínimo uma das seguintes categorias: brilhantes, fiasquentos, ridículos.

Dia primeiro, cheguei ao Village às 3h, fui dormir às 4h, acordei às 8h. Reguei o Jacinto (a palmeira da Dori, minha amiga mexicana que viajou no recesso e me encarregou de baby sitter da planta), juntei meus brinquedinhos, e me fui pro aeroporto LaGuardia. Uma hora de metrô e ônibus.

No LaGuardia, o improvável aconteceu: encontrei a Flávia e o namorado dela. A Flávia é carioca, também faz Mestrado na NYU (embora não em Direito Internacional), foi minha colega na cadeira de Introdução ao Direito Americano, e é minha vizinha de andar aqui no D’Ag (nome carinhoso do prédio de dormitórios). A Flávia e eu éramos os únicos brasileiros que não tínhamos ido ao Brasil para as Festas! Enfim, ela e o namorado estavam indo para a Florida, e eu fui para San Antonio, Texas.

Minha conexão era via Chicago, um dos aeroportos mais arriscados de se fazer uma conexão nessa época, com riscos de atrasos e cancelamentos por causa de nevascas e outras condições meteorológicas desfavoráveis. Tudo pela passagem mais barata… Felizmente, tudo certo! Apesar do frio de -15 graus em Chicago, o céu estava de brigadeiro, e tudo correu bem.

No portão de embarque em Chicago, prontinho pra ir ao meu destino final, os funcionários da United anunciaram que tinha overbooking, e que eles talvez precisassem de cinco assentos. Pediram, então, por cinco voluntários que estivessem dispostos a abrir mão de seus assentos naquele voo; em troca, os voluntários receberiam, além de uma passagem no voo seguinte para San Antonio (três horas depois do original), uma voucher para uma viagem gratuita para qualquer lugar nos 48 estados contíguos dos EUA.

Claro que eu praticamente me atirei no balcão e me voluntariei. Uma espera de apenas três horas em troca da oportunidade de viajar de novo muito valeria a pena! Infelizmente a United acabou não precisando de nenhum dos cinco assentos, e pediu que eu e os demais voluntários embarcássemos no voo original. Mesmo assim, antes de embarcarmos, nos chamaram para o balcão e nos deram vouchers de $50. Posso não ter ganhado uma viagem extra inteira, mas já ganhei uma parte-de-viagem… e sem esforço.

À noite cheguei em San Antonio e fui efusivamente recebido por Hilli & Silvio e Lu & James, com direito a uma minifestinha aeroportuária incluindo língua-de-sogra, bolhinhas de sabão, e chocolates. Alguém se atreve a dizer que nasci na família errada?

Num próximo post, relatos das aventuras texanas do cowGuri!

Empire State natalino

Empire State com iluminação de Natal; vista da lavanderia aqui do prédio! Fica assim até dia 6, Dia de Reis, fim da temporada de Natal.

Intensamente de férias

Tanto aconteceu nas últimas semanas, desde meu último post, que dia após dia foi ficando mais difícil tomar coragem para atualizar o blog… muita coisa pra contar! Prometi a mim mesmo que não deixaria o ano terminar sem uma atualização, então cá estou. Serei sucinto nos relatos, tanto quanto possível.

Aliás, acabo de desistir de fazer tudo num post só. Seria muita loucura de minha parte. Muita informação pra digerir. Vou postando retroativamente… de 13 a 27 de dezembro. Muita calma e paciência nessa hora, porque esse projeto de atualização tende a levar um tempinho!

It’s Christmas time in the City

Passei o Natal longe da família, mas “em casa”, com muitos amigos!

Dia 22 os amigos Eugenia e Pietro convidaram para um jantar no apartamento deles. Minha intenção era preparar pão de queijo como aperitivo, mas, como não deu muito certo (nunca tive tanto trabalho com uma mistura pronta…), teve de ficar de sobremesa!

Com Dori, Ranjitha, Pietro, Eugenia e Rania

Verificando se o pão de queijo estava comestível! ;)

Dia 23 fui até o Carnegie Hall para comprar um ingresso de estudante para um concerto da Orquestra de Cordas de Nova Iorque… esgotado! Pra não perder a ida a midtown, fui a um evensong, um culto anglicano na Saint Thomas Church Fifth Avenue, com direito a música coral do início ao fim. Sentei no segundo banco pra ouvir e ver tudo de pertinho! Fiquei de alma bem mais leve após uma hora de música de Natal. Na volta para casa, porém, um congestionamento de trens fez com que a viagem demorasse 45 minutos, mais que o dobro do normal… Altos e baixos natalinos em NYC!

Dia 24, bah, fiz faxina. Quase enlouqueci limpando todo o apartamento e colocando no lixo materiais do semestre findo para fazer espaço para os materiais do semestre vindouro. Terminei a tempo de tomar banho e me preparar para o culto. Fui com a amiga Misako até a Morning Star New York (MSNY) no Upper East Side (lado leste do Central Park), já que na City Grace, nossa igreja, não teria culto na noite de Natal. Quando chegamos lá é que ficamos sabendo que o culto era na sala de reunião da MSNY no Upper West Side, ou seja, no lado oposto do parque. (Pra deixar bem claro, a culpa não foi nossa: o site da igreja não dizia se seria no lado leste ou no oeste, e como normalmente os cultos são no leste, apenas seguimos o padrão). Lá fomos nós, tomar um táxi para o Upper West Side… chegamos a tempo de participar de meio-culto! Depois jantamos num restaurante francês, La Bonne Soupe (a sopa era bem mais que apenas “boa”).

Dia 25 às 11:15 da manhã, brunch natalino no Upper West Side com a Leslie, outra amiga da City Grace, em outro restaurante francês, Café du Soleil. Pura coincidência o restaurante também ser francês! Como deixamos pra escolher o lugar, tipo assim, às 9h da manhã (!), tivemos sorte de conseguir uma reserva. Muita sorte. A refeição estava deliciosa e superlinda também; vide, por exemplo, minha sobremesa. ;)

Profiteroles! :D (Ou melhor, um só profiterole gigante!)

Dia 25 ainda teve tempo pra conferência de família, um lanche com amigos num bar mexicano, e uma partida de Siedler (ou Settlers ou Descobridores de Catan, um dos melhores jogos de tabuleiro do mundo!) na cozinha minúscula aqui do apartamento. :P

Dia 26 era pra ter sido o dia da inauguração dos meus patins de gelo. Por causa da chuva, nada de patinação (indoors não tem graça!), e o dia acabou sendo de muita caminhada na chuva! Ajudei a Misako a encontrar um par de patins para ela, e comprei também algumas coisas básicas pra mim: um filtro de água e, quem diria, mais material de limpeza. Que coisa mais incontrolável.

À noite, reunião com amigas e amigos da igreja pra assistirmos a um filme. No fim das contas, típico: não assistimos a filme nenhum, e acabamos jogando broken picture telephone – um jogo parecido com “telefone sem-fio”, mas com frases e desenhos. Nunca tinha jogado, mas amei. Coisas incríveis podem acontecer nesse jogo. Dois exemplos espetaculares (e ao mesmo tempo de certa forma compreensíveis, eu acho): o que no início era a Carmen Miranda chegou no final como um robô; o que era a lua virou uma bola de boliche.

Dia 27: culto e almoço de Natal na igreja. Em seguida, fui com Misako, Naoki e Kyle patinar no gelo no lago do Bryant Park (atrás da biblioteca pública e com vista para vários outros prédios-marco da cidade, incluindo o Empire State, o Chrysler e o Rockefeller Center!). Virarei freguês, porque é grátis para quem tem patins.

Meus três amigos patinaram lindamente. Eu, claro, nem tanto. Vamos com calma. Patinei algumas vezes no Canadá, alguns anos atrás, mas ainda tenho muito que praticar e aprender pra atingir certa desenvoltura na coisa. Apesar de perder o equilíbrio algumas vezes, pelo menos não caí nenhuma vez! Isso indica que, muito em breve, estarei em condições de realizar meu plano inicial: largar essa história aí de Direito Internacional me tornar professional ice skater. Obviamente não há mais tempo pra ir às Olimpíadas de Inverno de Vancouver daqui a pouco mais de um mês, mas quem sabe daqui a um ano?

Depois da patinação, jantamos no Favela Cubana, um restaurante brasileiro-cubano aqui no Village, e viemos aqui pra casa jogar Descobridores de Catan! (Eu não me canso desse jogo!) Depois de passarmos umas 15 horas juntos, estávamos um pouco cansadinhos, não uns dos outros, mas fisicamente da patinação e intelectualmente do jogo! Cada um foi para o seu canto (e eu tive o raro privilégio de já estar no meu canto e portanto não precisar ir a lugar nenhum!), na certeza de dormir como uma pedra (ou melhor, como um minério!) sem precisar contar ovelhas. (Os leitores que já jogaram Descobridores hão de perceber, neste ponto, que são duplamente privilegiados, primeiro por terem jogado o jogo, e segundo por entenderem a piada.)

Pista de patinação no Bryant Park

Bryant Park & the Moon

Where is the Chrysler Building? Quando saíamos do Bryant Park, me chamou a atenção o reflexo do Chrysler Building no prédio à direta da fonte (com um pouco de esforço, dá pra ver; peço compreensão, por favor, quanto ao fato de que tirei esta foto noturna sem tripé!). Olhamos para trás e percebemos que, de onde estávamos, não conseguíamos ver o próprio Chrysler Building! Ooohhh… reflexos sinistros… :P

Brooklyn Bridge revisited

Fiz uma caminhada fotográfica na Brooklyn Bridge com meu amigo Christian (um dos inúmeros leitores do blog do Guri que vêm a NYC todos os dias exclusivamente para pedir um autógrafo do autor). Haha… Pra descongelar, uma caminhada pela Broadway, culminando na Union Square, onde comprei meus patins de gelo (resolução de Ano Novo 2010: aprender a patinar no gelo)!

Sunset & the City

More sunset & more of the City

Manhattan Bridge & Empire State

Financial District & South Street Seaport

Indo para e/ou vindo de Manhattan?