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No time de waterpolo

Sábados os ônibus de e para Troinex saem mais ou menos de hora em hora. Com vários planos para hoje, acordei às 7h. Uma hora depois, peguei o ônibus das 8h para o supermercado em Carouge. Uma hora depois, voltei pra casa no ônibus das 9h (mesmo motorista) pra deixar as compras.

As compras, aliás, eram extraordinariamente muitas, incluindo diversos tipos de queijo e de chocolate para oferecer uma degustação às visitas (mana Lu e cunha James chegando amanhã à tarde!), além de oito pacotes de mistura para fondue (tradição natalina da minha família).

Uma hora depois, peguei o ônibus das 10h para ir à piscina de Pervenches (e ao me ver pela terceira vez no mesmo dia o motorista teve que sorrir).

Determinado a nadar 2000 metros, entrei na piscina e fiquei surpreso com a ausência das divisórias de raias. Mas comecei a nadar. Alguns minutos depois, entrou um grupo de pré-adolescentes. E um homem mais velho me chamou à borda pra perguntar se eu estava com o time de waterpolo. “Hã?”

Acontece que a piscina estava fechada para o time (os pré-adôs)… Eu não fazia ideia! O homem então disse, “sem problemas: estamos a fulana e eu aqui fazendo treino de natação nestas duas raias de cá; se quiseres, podes ficar e nadar conosco, contanto que sigas a nossa série de exercicios.” E eu topei, claro – porque assim eu cumpriria o plano de nadar 2000 metros e porque quem tá na chuva tem que se molhar e porque quem tá na piscina e já se molhou não quer sair e voltar pra casa tendo nadado apenas uns 200 metros.

No fim das contas, não só nadei os 2000 metros que tinha me determinado a nadar como também tive uma aula de natação grátis, com vários exercícios legais, dicas de técnica e convite para participar todos os sábados! E esse ficou sendo o dia em que eu quase – muito quase – entrei para um time de waterpolo.

Café du Soleil, o retorno

Hoje foi a festa de Natal do IISD Genebra. Conversas descontraídas (não sobre trabalho, na maior parte do tempo!) e uma deliciosa fondue no tradicional Café du Soleil.

Curiosa coincidência e momento nostalgia: o restaurante tem exatamente o mesmo nome daquele onde a amiga Leslie e eu tivemos brunch no dia de Natal em 2009, em Nova Iorque.

Da coincidência quanto ao nome do restaurante eu logo me dei conta, mas olha só! Revendo o post do brunch no Café du Soleil de NYC, vi que pedi profiteroles de sobremesa… E não é que pedi profiteroles hoje também, no Café du Soleil de Genebra?!

Fête de l’Escalade

Na madrugada de 11 para 12 de dezembro de 1602, a população da República de Genebra repeliu com sucesso um ataque surpresa das tropas do Duque de Savoie (França), que pretendia invadir e conquistar a cidade. Por isso, todo ano em meados de dezembro aqui se comemora a Fête de l’Escalade, a festa nacional de Genebra.

Conta a lenda que Mère Royaume, uma genebrense valerosa (como diria Camões), feriu diversos savoyards atirando sopa escaldante sobre eles do alto das muralhas da cidade. Hoje se relembra o episódio fictício com a “Marmite de l’Escalade”: uma “panela” feita de chocolate e cheia de  marzipans e chocolates em forma de vegetais (os ingredientes da “sopa”).

A tradição manda que, em um grupo (família, amigos, colegas), o integrante mais velho e o mais novo quebrem num só golpe a “marmite”, depois de dizerem em coro, “ainsi périssent les ennemis de la République!” (algo como, “assim morrem os inimigos da República”). Eu, sendo o mais novo no escritório do IISD em Genebra, tive a honra de participar ativamente da solenidade!

Hoje, depois de patinarmos na pista de Carouge, minha amiga Noriko e eu fomos ao centro antigo de Genebra para participar (agora passivamente, como expectadores) das atividades do festival: marchas e outras demonstrações militares de soldados com vestimentas de época, alguns a cavalo; tiros de espingarda e canhão; e performances musicais: recital de trompetes na catedral e apresentação de canto coral no Auditorium Calvin. Algumas músicas eram de Advento, mas a maioria era comemorativa da Escalade.

Algumas fotos – depois tem mais texto!


Pista de patinação em Carouge


Gu na pista de patinação de Carouge


Trompetes na Catedral Saint-Pierre


Exercícios militares em frente à Catedral


Tiros de espingarda


Tiros de canhão

O coro, preciso dizer, não era lá tudo isso… Mas valeu a pena pelo aspecto folclórico, já que nem tanto pela qualidade musical. A última peça foi, claro, o “Cé qu’è lainô”, hino nacional de Genebra, que conta a história da Escalade em 68 estrofes (muita calma nesta hora: normalmente só se cantam as estrofes 1, 2, 4, e 68).

“Cé qu’è lainô” é franco-provençal da época; em francês atual, “Celui qui est en haut”, ou em português: “Aquele que está nas alturas”. É um canto de louvor a Deus! A última estrofe diz (traduzo):

Em Suas mãos Ele detém a vitória,
nEle somente permanece a glória.
Para todo o sempre o Seu Santo Nome bendito seja,
amém, amém, assim seja!

E todos os genebrinos cantaram junto, em pé, de cor.

Genebra sob a neve II

Depois da primeira nevadinha básica da temporada, veio o caos: com as tempestades dos últimos dias, hoje há 31 cm de neve acumulada no solo em Genebra, um recorde histórico para o mês de dezembro! Terça (dia 30/11), por causa dos atrasos e por fim por causa da interrupção dos serviços de transporte público, demorei mais de 2h 30min para chegar em casa, incluindo 30 minutos de caminhada sob a tempestade de neve. Ontem (dia 1/12), tive que trabalhar de casa, porque os ônibus a partir de Troinex estavam for a de circulação.

Vista do meu escritório, enquanto ainda havia pouca neve

Voltando pra casa no dia 30, no meio da tempestade

É preciso amar a neve

Ploc tentando achar pasto

Vista do pátio do prédio vizinho

Árvore na frente de casa

O antes, o depois e o mais tarde ainda

Genebra sob a neve

Sexta-feira passada nevou pela primeira vez nesta temporada aqui em Genebra. Uma nevezinha bem mixuruca. Cheguei a tirar uma foto da vista do escritório com um pouco de neve, já que – pelo que dizem – o fenômeno é raro aqui na cidade (nas montanhas acontece seguido, claro). Sábado de manhã, porém, quando acordei e olhei pela janela, me caiu o queixo: tudo branco!

À tarde não resisti (ou melhor: resisti firme e forte ao gelo que estava na rua) e fui ao centro histórico tirar fotos. No domingo, ao voltar do culto, tirei algumas fotos em Troinex também. Em vez de fazer um postálbum aqui, coloco uma foto só (do meu prédio antes e depois da neve) e convido o leitor a visitar o novo álbum do picasaweb do Guri, onde há muitas mais.

P.S.: O leitor atento vai observar, como meu amigo Felipe, que a neve levou embora um dos carros que aí estavam estacionados. Tsss…

Tóshi foi passear

Tóshi – um nome obviamente bobo que eu inventei pro meu computador – foi passear pela Suíça por uma semana e meia. O teclado dele estava com problemas e tive que mandá-lo para a única assistência técnica da Toshiba neste país, a qual fica nos arredores de Zurique – por isso o passeio.

Nessa brincadeira, aliás, três coisas se mostraram muito úteis: (1) a garantia de dois anos, (2) o fato de a garantia ser internacional e (3) meu HD externo (comprado não faz muito) onde fiz o backup dos meus dados. Não gastei nada (além do envio) nem fiquei sem meus dados. Ufa!

A publicação das postagens ficou suspensa durante o passeio de Tóshi. Quatro posts que escrevi no telefone (!) durante a ausência do Toshi puderam enfim ser publicados agora que ele voltou:

Findi 20–21 de novembro

Não se podia mesmo esperar que todo findi fizesse tempo bom como nos últimos; o findi 20–21 novembro foi nublado e um pouco frio. Mesmo assim, consegui espremer um bom suco de Genebra.

Piscina fechada para uma competição no sábado, fui ao Museu Patek Philippe, que conta com uma coleção de mais de 2000 relógios fabricados ao longo dos últimos 500 anos. Sem exagero, um dos melhores museus a que já fui: ambiente agradável, organização interna muito bem planejada, visita guiada com a quantidade certa de informação. Quanto à relojoaria… arte, ciência e técnica (e mais?) da mais alta qualidade e nas mais finas e disciplinadas proporções. Impressionante.

Domingo fui à igreja evangélica livre de Carouge, uma paróquia pequena bem perto de casa. A acolhida e as melodias conhecidas e a proximidade de casa me fazem querer voltar. Veremos.

À noite fui com uma amiga a um recital do pianista  Jean-Marc Luisada no Conservatoire de Musique de Geneve, parte de uma série de concertos em homenagem aos 200 anos do nascimento de Frederik Chopin. Nossos lugares eram no mezzanino esquerdo – embora não tão “nas alturas” como no Carnegie Hall (o Conservatoire é uma sala de concerto bem menor), ainda era praticamente um “puleiro”. Mas pode acreditar: a escolha dos lugares não poderia ter sido melhor.

Primeiro, estando no mezzanino esquerdo, perto do palco, tivemos uma espetacular “vista aérea” das mãos do pianista sobre as teclas. Passamos o recital inteiro inclinados para frente, olhando para baixo, para poder ver o pianista em ação… mas valeu a pena! A experiência auditiva foi turbinada pelo visual privilegiado.

Segundo, ao sair da galeria terminado o recital, logo notamos o que talvez não tivessemos notado se estivessemos na plateia: havia no foyer uma longa mesa com pães, queijos, sanduíches e confeitos, tudo do bom e do melhor. Para beber, água, suco de laranja, vinho tinto e vinho branco. “Uma recepção para os VIPs”, pensei. Não: aberta a todo o publico do recital, inclusive para nós, parte do “público budget” das galerias. Não acreditei.

La joie de vivre… en Suisse.


Conservatório de Música de Genebra 

Programa

FRYDERYK CHOPIN
Mazurkas op. 24
Quatre Scherzos op. 20, op. 31, op. 39, op. 54

ROBERT SCHUMANN
Davidsbündlertänze op. 6

FRYDERYK CHOPIN
Grandes Valses Brillantes op. 18 et op. 34 N 1, 2, 3

O jegue do meu vizinho

Troinex, onde moro, faz parte da “Grande Genebra”. É uma localidade bem residencial, mas beirando o rural. Prova contundente disso é que um de meus vizinhos tem um jegue.


Ploc, o jegue do meu vizinho


O jegue do meu vizinho em seu habitat; ao fundo, o Salève;
a casa à direita na foto é onde moro

Um tempo atrás, por curiosidade e para tentar suprir minha total deficiência de conhecimento em zoologia, pesquisei sobre as diferenças conceituais entre jegue, jumento, asno, mula e burro.

Começa fácil: jegue, jumento e asno são nomes diferentes para o mesmo equino. O híbrido nascido de égua e jumento é mula se for fêmea ou burro se for macho. E ainda tem o bardoto (fêmea ou macho), que é o hibrido nascido de jumenta e cavalo. Esse bardoto é o mais pobre bicho de todos, porque o seu desenvolvimento é afetado pelo espaço limitado do útero da jumenta.

Mas saindo desse papo genérico (e bastante aleatório) quero voltar ao particular do jegue do meu vizinho, o qual é tres sympa. (Quero dizer que o jegue é legal; o vizinho… não sei; não o conheço. Mas ele deve ser legal também. Tal jegue, tal dono.)

Um dia desses dormi além das 6:54, hora do meu despertador, e o jegue do meu vizinho me serviu de função soneca. Às 7:10 ele comecou com seus ih-ohs característicos, deliberadamente para me acordar e garantir que eu me levantasse a tempo de pegar o ônibus, às 7:52. Jegue suíço, pontualidade britânica.

Por essas e por outras gentilezas que o jegue do meu vizinho me faz, resolvi dar-lhe um nome sympa como ele: Ploc. Nesse clima pre-Adventício, o nome Ploc é uma homenagem a uma memória de infância. Não, nada a ver com o chiclete Ploc. É que nos meus tempos de culto infantil na Igreja São João tinha uma música de Natal assim:

Um jumentinho
Ploc ploc ploc ploc
Vai pela noite fria

Vai de mansinho
Ploc ploc ploc ploc
E entra numa estrebaria…

Cheers

Ontem fui ao connect group, um minigrupo da ICF, igreja a que eu tenho ido aqui em Genebra. O minigrupo é uma ótima oportunidade, para “quebrar” um pouco a rotina de trabalho e só trabalho: estudar a Bíblia, louvar a Deus, fazer amizade com outros cristãos e… falar francês, também. (Trabalhando direto com anglófonos e morando na casa de um lusófono, dá até pra esquecer que estou numa cidade francófona! Mas não quero esquecer – pelo contrário, quero praticar francês sempre que possível!)

Como o minigrupo é menos mini do que grupo, sempre tem bastante gente nova – daí a necessidade de fazer uma rodada de apresentação. Desta vez, foi assim: cada um na roda apresentava a pessoa à sua esquerda. Pois bem. À minha direita estava um visitante (brasileiro, aliás), que confessou não saber meu nome. Aí dois que já me conheciam intervieram para acudi-lo. Um disse, “o nome dele é Rafael.” O outro veio emendar, “não, Rafael que nada: é Steven!” E eu rolei de rir. Passaram longe. Aliás, até o visitante que nem tinha como saber meu nome passou mais perto!

Aiai, já dizia a música do Cheers: Sometimes you want to go where everybody knows your name…

Findi 13–14 de novembro

Sábado dia 13 acordei decidido a passear, mas sem a mínima ideia de que passeio fazer. Tinha que ser “outdoors”, pra aproveitar o lindo dia. “Quem sabe o teleférico que sobe ate o Salève, a montanha que fica ‘atrás de casa, ali na França’?” Entrei no site do teleférico e, para meu alívio e ao mesmo tempo para minha maior urgência ainda em sair de casa, vi que era o último findi de funcionamento do teleférico, antes de fechar durante o inverno!


Guri no Salève


Genève vista do alto do Salève


Destaque para o Jet d’Eau


Os Alpes


Descendo de teleférico


Le Salève

Depois de descer da montanha, dei uma caminhada por Troinex. Em particular, visitei o centro (um microcentro), onde tem o salão comunitário, a mairie (prefeitura), a praça da prefeitura e… não muito mais que isso. Mas é bonitinho – Troinex, c’est joli.


Troinex-Mairie


Troinex-Mairie


Ali eu moro! Ao fundo, o Salève

No domingo encontrei Noriko e Valériane, duas amigas do mestrado. Nós três fomos colegas na aula de Solução de Controversias na Organização Mundial do Comércio, passamos no bar exam de Nova Iorque e estamos trabalhando na Suíça!


Em frente ao relógio florido


Em frente ao Jet d’Eau

Por fim, para matar tempo antes de irmos ao culto, a Noriko e eu fomos à orla do lago para tirar fotos noturnas, coisa que fazia tempo eu queria fazer. (Quem acompanha o blog ou o picasaweb do Guri sabe que tenho uma quedinha por fotografia noturna de longa exposição…)


Jet d’Eau iluminado


Geneva skyline! 😛


Rolex, Patek Philippe, Cathédrale Saint-Pierre