Arquivo da categoria: Fotografia

Enfim, Montevideo (melhor de três)

Vinte e tantos anos morando no Rio Grande do Sul e nunca tinha conseguido ir a Montevidéu. Não por falta de tentativas.

A primeira foi em 2004, com minha irmã Lu e minha prima Cris. Com o Escort somente a etanol (não flex) do meu pai não conseguiríamos chegar lá, porque no Uruguai não teríamos onde reabastecer. Então o jeito era alugar um carro. Goulart, o trambiqueiro de carros, disse que conseguiria o seguro obrigatório do Mercosul para o carro alugado. “Sí, sí, como no; Carta Verde, no hay problema; la garantía soy yo.” Só que não acreditamos na história (felizmente!) e acabamos desistindo (infelizmente!). De São Lourenço do Sul fomos a Floripa.

A segunda foi no carnaval de 2012, com as mesmas personagens – mais o Fer, marido da Cris. Desta vez, meu Fiesta flex nos levaria até lá, e eu mesmo consegui a Carta Verde. O problema foi que, depois de todos os preparativos, não conseguimos mais hotel em Montevidéu. Carta Verde na mão, fomos igual, na esperança de conseguir hospedagem. De São Lourenço do Sul fomos a los free shops del Chuy, ao forte de Santa Teresa e até à praia de Punta del Diablo. Lá procuramos, mas não encontramos hospedagem disponível – nem hotel, nem pousada, nem casa, nem palafita. Tudo lotado. E se em Punta del Este só houvesse hospedagem absurdamente cara? Amarelamos. Depois do pôr-do-sol, voltamos a São Lourenço do Sul, onde nosso bloco de quatro pessoas incendiou o carnaval lourenciano (até parece).

A terceira foi em setembro de 2012, solito. Reservei hotel (Hotel América) e passagens aéreas POA-MVD-POA com duas semanas de antecedência. Dessa vez, não tinha o que dar errado. Melhor de três. Aqui estão as fotos.

01/09/2012 Sábado

Voo POA-MVD e uma fortuna de táxi do Aeropuerto de Carrasco até o hotel. Dica: melhor pegar um táxi do aeroporto até a praia de Carrasco e ali trocar para um táxi urbano comum até o centro, ou então pegar um ônibus do aeroporto até o Terminal Tres Cruces e ali pegar um táxi.

A primeira noite foi de reconhecimento do território, da vizinhança do hotel até a Ciudad Vieja: Plazas de Cagancha, del Entevero, Independencia e Constitución (Matriz) – a Zabala ficou para outro dia. Já bastou para que eu curtisse a atmosfera da cidade. Bem como me disseram, um pouco de Buenos Aires, um pouco de Porto Alegre.

02/09/2012 Domingo

Dia perfeito para caminhar e fotografar a Avenida 18 de Julio sem tropeçar em ninguém; no meio do movimento normal de dia útil, isso teria sido praticamente impossível.

Parando de vez em quando para fotografar os palacios, fui até a Faculdade de Direito e dali entrei na Feria de Tristán Narvaja, a tradicional feira de antiguidades (e quinquilharias) que acontece todos os domingos na Calle Tristán Narvaja e em muitas outras nos arredores.

Da feira fui pela Avenida del Libertador ao Palacio Legislativo, um lindo prédio neoclássico que é a sede do Poder Legislativo uruguaio.

Do neoclássico ao contemporâneo: em seguida fui até a Torre de las Telecomunicaciones, mais alto arranha-céu do Uruguai, com 35 andares (157,6 metros).

Aproveitando a proximidade, passei pela linda Estación Central General Artigas (lamentavelmente desativada e em precário estado).

Caminhei de volta rumo à Ciudad Vieja, para fotografar com calma e em detalhes o Palacio Salvo, na Plaza Independencia. Datado de 1928 e com 27 andares (95 metros), foi o edifício mais alto da América Latina por vários anos.

Então começou a bater a fome – fui almoçar uma massa com salmão no El Palenque do Mercado del Puerto (sim, ali também há opções de peixes para nós, estranhos seres ovolactopescovegetarianos).

Depois do almoço, segui a caminhada até o extremo oeste da cidade, a Escollera Sarandí, e voltei pela Rambla (a grande avenida que segue a costa do Río de La Plata) até o hotel para uma pequena pausa antes do passeio final do dia: mais uma “caminhadinha” até o Estadio Centenario (y dale, dale, dale ¡Pe! ¡Pe-ña-rol!).

Total do dia: 22 Km de caminhada!

View Larger Map

03/09/2012 Segunda-feira

Dediquei o dia para uma supercaminhada pela Rambla, contemplando a vista sobre o rio e as praias mais próximas (e outras, nem tanto).

Desci pela Río Negro até o rio e dali comecei a caminhar a leste até a Playa Ramírez, onde fica a sede do Mercosul. Passei através do Parque Rodó e depois segui pela Rambla até Punta Carretas.

No Punta Carretas Shopping, o peixe espada com molho de manteiga e alcaparras no El Fogón estava tão delicioso que fez o almoço da véspera (no Mercado del Puerto) parecer piada de mau gosto.

Depois do almoço, Playa de Los Pocitos, Puerto del Buceo e pausa para um delicioso Freddo no Montevideo Shopping. Voltei pela Calle 21 de Septiembre (que é bem menos legal que o anunciado!) e terminei o dia jantando no Facal, em frente à Fuente de los Candados.

Total do dia: 23 Km de caminhada!

View Larger Map

04/09/2012 Terça-feira

Depois dos 45 Km dos últimos dois dias, resolvi pegar mais leve nas caminhadas e pegar um ônibus até o Prado, bairro arborizado com muitas mansões do início do século XX.

Desci bem em frente ao Museo Municipal de Bellas Artes Juan Manuel Blanes, que ainda estava fechado e que acabei por não visitar. Fui direto ao Jardín Botánico para um breve passeio. Estava um pouco sem graça; acho que setembro ainda é um pouco cedo para esperar que tudo esteja bem verde e em flor. O mesmo aconteceu no Rosedal.

O que valeu mesmo a pena foi o Jardín Japonés. É o terceiro que visito (depois do de Buenos Aires e do de Düsseldorf) e gosto bastante. Mesmo com o dia nublado, o passeio rendeu boas fotos.

Outras boas surpresas cênicas foram as quintas y villas del Prado (as mansões antigas que mencionei, inclusive a Residência Presidencial de Suárez y Reyes), o Hotel del Prado e a Iglesia de Las Carmelitas, uma inesperada igreja neogótica.

Voltando à Ciudad Vieja, terminei o dia com um jantar-sobremesa no tradicional Café Brasilero (fundado em 1877). Não tive a sorte de encontrar Eduardo Galeano por ali, mas me deliciei com um buenísimo crêpe de dulce de leche e, claro, um café. A atmosfera do lugar é uma viagem ao passado. Fiz umas fotos em preto e branco que parecem tiradas de um álbum antigo.

05/09/2012 Quarta-feira

Dia nublado – felizmente já tinha feito quase todos os passeios externos que queria fazer! Em vez de me arriscar a tomar banho de chuva, resolvi tomar banho de museu.

Antes disso, voltei a alguns lugares próximos ao hotel e já vistos, mas fotograficamente negligenciados por mim nos dias anteriores. Na Plaza de Cagancha, fui observar e fotografar com mais atenção o Palacio Piria (sede da Suprema Corte de Justicia) e o Atheneo de Montevideo. Na Plaza Independencia, fotografei detalhes do Palacio Rinaldi, o edifício art déco oposto ao Palacio Salvo.

(Em um ano e quase meio em New York City, não dei toda a atenção merecida ao sem-número de monumentos do art déco que existem por lá. Apenas mais um motivo para voltar…)

Começando o circuito de museus e afins, fiz a visita guiada ao Teatro Solís, lindamente restaurado. Dica: a visita en español às quartas-feiras é gratuita. Nos outros dias (ou em outros idiomas), vale a pena pagar os poucos pesos cobrados; é um passeio muito informativo e interessante.

Do Solís ao La Corte, na Plaza Constitución, para almoço (merluza) e sobremesa bem montevideana (torta de chocolate com dulce de leche).

Em seguida do almoço, fui ao Cabildo, sede da administração espanhola em tempos coloniais. Ali me detive um tempo contemplando as fotos da Plaza Constitución em diferentes momentos dos séculos XIX e XX. Do Cabildo à Catedral (Iglesia Matriz), no lado oposto da praça.

Também valeu muito a visita ao Museo de Artes Decorativas Palacio Taranco, que ocupa todo um quarteirão irregular em frente à Plaza Zabala. Construído no início do século XX, está em muito bom estado de conservação e mantém a decoração elegante da época (elegante, mas um pouco excessiva, para o gosto de alguns – como o meu!).

Caminhei, ainda, pela Calle Carlos Gardel, no Barrio Sur – nada de muito interessante além de uns retratos populares do Gardel em casas coloniais simpáticas que me fizeram lembrar de Pelotas.

Pretendia visitar ainda o Panteón Nacional, mas cheguei em frente ao Cementerio Central uns dez minutos antes da hora de fechamento (16h); infelizmente já não me deixaram entrar.

Por fim, visitei as exposições de fotografia do Centro de Fotografía de Montevideo (no prédio da Intendencia) e as instalações com vídeo e escultura do Subte (na Plaza del Entrevero).

A janta-sobremesa foi argentina (ops!): torta de alfajor e café no Café Havanna do Peatonal Sarandí.

E o encerramento da última noite em Montevidéu foi em grande estilo: concerto de tango de Gran Orquesta Montevideo con Valeria Lima na Sala Zitarrosa. Música e canto, sem dança, mas não menos válido por isso. Cinco (!) bandoneones, violino, viola, violoncello, contrabaixo e piano, acompanhando Valeria Lima em tangos bastante conhecidos. Muito talento e carisma. O melhor de tudo é que estavam gravando ao vivo para um CD, que ainda hei de comprar!

06/09/2012 Quinta-feira

Despedida de Montevideo… Tomei um táxi para o Terminal Tres Cruces e, de lá, um ônibus para Colonia del Sacramento, onde o passeio haveria de continuar!

Uruguai por um dia

Naquela que foi minha segunda tentativa fracassada de ir a Montevidéu, ficamos o meio do caminho: passeio de um dia com Lu, Cris e Fer a Chuy, Forte Santa Teresa, Playa de la Moza e Punta del Diablo.

Apenas 755 Km em um dia para curtir um pôr-do-sol na Banda Oriental (B: Punta del Diablo), não ir a Montevidéu (C) e voltar pra casa (A: São Lourenço do Sul)…

View Larger Map

(Aqui, relatos e fotos dos cinco dias que enfim passei em Montevidéu!)

São Lourenço

Faz tempo que voltei a São Lourenço. Cheguei aqui em 5 de março, cinco dias antes da enxurrada que atingiu metade da área urbana da cidade. Desde então estou “domiciliado e residente” aqui, mas, ao todo, devo ter passado mais tempo em outros lugares que em casa. Foram muitas idas e vindas, que resumirei em outros posts.

Na terça-feira desta semana fui à piscina – a única piscina térmica da cidade. Não nadava desde fevereiro, quando saí da Suíça, e estava sentindo falta. Resolvi mergulhar (!) em um plano intensivo de natação: quatro vezes por semana. Nesta primeira semana do plano, cumpri a meta. É surpreendente ser lembrado tão rapidamente do diferencial de qualidade de vida que a natação me traz. “Já estou melhor, obrigado.

O ginásio da piscina fica do lado de lá do rio – e perto da beirada. Com a enxurrada, ficou quase completamente submerso. A água chegou a alcançar 30 cm acima do marco superior da porta. As marcas na pintura comprovam. Difícil imaginar o cenário de destruição, até porque o ginásio foi reformado e reaberto há duas semanas.

Para chegar à piscina, tenho feito de bicicleta (meu sustentável meio de transporte, devo dizer com orgulho) o trajeto das águas da enxurrada, mas em sentido contrário – da praia onde moro, “a periferia do desastre”, até a beira do rio. O ginásio fica logo depois da ponte e, normalmente, eu vou rápido e ansioso para chegar e nadar!

Porém, não consigo passar por ali sem observar como é bonita (num sentido  bem puro e simples de beleza) a vista de cima da ponte, especialmente em dias lindos como os desta semana. Ainda se pode notar, às margens, um pouco da devastação deixada pela enxurrada, mas no conjunto da obra as imperfeições desaparecem. Como pode?


Rio São Lourenço – vista de cima da ponte

Detalhe – prédios no porto

Pensa num país com D

Bah, desde 15 de março eu não postava… mas voltei. Foram vários os motivos da minha ausência. Depois eu me explico. Ou não. Talvez até poste retroativamente sobre alguns acontecidos. Ou não.

Como quer que sejam os futuros posts do blog do Guri, o que importa é dizer que ele segue vivo – e com cinco aninhos de idade! Para compensar a ausência e comemorar o aniversário do blog, publico finalmente um belo e logo retropostálbum (!) que vinha preparando fazia um bom tempo…

Em fevereiro, enquanto estava na Alemanha, andava pensando nos países que já visitei, em ordem alfabética:

  • A: Alemanha, Argentina
  • B: Brasil
  • C: Canadá
  • D: _________
  • E: Estados Unidos
  • F: França
  • G: Grã-Bretanha (Reino Unido da – forcei?)
  • H: Holanda… e por aí vai.

Então me dei conta que faltava um país com a inicial D. Qual é o primeiro país com a inicial D que te vem à mente? Foi pra lá que eu fui. Dinamarca, claro. Só um geonerd pensaria em Djibuti ou Dominica. :)

Brincadeiras à parte, fui à Dinamarca, não para enriquecer a lista alfabética de países visitados, mas para visitar a Rania, minha amiga e ex-colega de mestrado que me visitou em Genebra. Não podia terminar o viajado mês de fevereiro senão com mais uma viagem-aventura!

Comprei um Eurail Pass com direito a andar em todos os trens da Alemanha e da Dinamarca em quatro dias. Sempre em trens rápidos (ICE), saí da estação de Montabaur sexta-feira dia 25/02 às 4h da manhã, fiz uma conexão em Hanau (perto de Frankfurt), para chegar a Hamburg por volta das 9h e dali seguir à Dinamarca.

Quer dizer, esse era o plano. Chegando em Hamburg-Harburg (uma estação antes da central de Hamburg, destino final do trem, onde eu faria a conexão), o maquinista avisou que o trem não continuaria até Hamburg. Greve do sindicato de maquinistas. Detalhe: o aviso foi dado apenas em alemão. Em inglês, confirmei com uma passageira se tinha entendido bem o anúncio – era isso mesmo!

Felizmente o meu bilhete de trem era ilimitado e tinha bastante tempo de conexão em Hamburg – uns 40 minutos. Logo entrei em um trem regional e cheguei a Hamburg a tempo de pegar o trem para Aarhus, a segunda maior cidade da Dinamarca.

A Rania já estava a minha espera na estação. Dali saímos para a Catedral de Aarhus – Domkirke –, cuja construção foi concluída em século XV. Depois de uma rápida visita no interior da catedral, fomos a um museu e sítio arqueológico viking. Encerramos a sexta-feira tomando um café à beira do rio Å (Aarhus significa “casas à beira do rio Å”), antes de seguirmos para o jantar com os pais da Rania.


Principal rua comercial de Aarhus e Domkirke


Teatro, atrás da Domkirke


No interior da Domkirke


À beira do Rio Å

Sábado 26/02 nossos passeios começaram pela Igreja de Nossa Senhora (Vor Frue Kirke). É a mais antiga igreja de Aarhus: o templo original (Igreja de São Nicolau – St. Nicolai Kirke) é do século X; o atual, do século XIII. A cripta faz parte da construção do século X.


Vor Frue Kirke


Cripta da St. Nicolai Kirke

Seguimos pelo centro de Aarhus até a Domkirke, para subir até o patamar dos sinos, na torre da igreja. O vento estava muuuito frio, mas as vistas da cidade lá de cima recompensaram!


Na frente da Catedral


Do alto da torre da Catedral; vista norte

Saindo da torre da Domkirke, fomos a Den Gamle By, dinamarquês para “A Cidade Antiga”. Trata-se de um museu de história e cultura urbanas a céu aberto, com modelos de construções de diversos períodos da história de Aarhus. (Na confeitaria antiga, são vendidos doces produzidos à moda tradicional dinamarquesa. Imperdível!)


Uma das “ruas” de Den Gamle By


Sala vitoriana em Den Gamle By


À beira do rio (congelado!) em Den Gamle By

Passamos quase todo o dia em Den Gamle By, mas no finzinho da tarde ainda fomos ao Museu de Arte Aros, um dos maiores do norte da Europa. Terminando os passeios, fomos lanchar em uma crêperie na Marina Marselisborg (congeladíssima!).


Museu Aros


Entardecer em Marselisborg

No domingo 27/02 madrugamos e pegamos um trem para Copenhage! Passamos o finzinho da manhã e a tarde caminhando muito pela cidade gelada. Passou bem rápido, mas vimos muitos pontos turísticos, por isso é melhor contar a história através das fotos:


Chegada em Copenhage, -4 °C; à direita, a estação de trem


Prédio da Prefeitura de Copenhage (Kobenhavns Radhus)


Palace Hotel, à esquerda da Prefeitura


Ainda na praça da Prefeitura


Com Hans Christian Andersen, famoso escritor dinamarquês


Prédio em frente ao Teatro Real


Teatro Real Dinamarquês (Det Kongelige Teater)


Guardas em frente ao Palácio Amalienborg


Portal do Palácio Amalienborg


Troca da guarda I


Troca da guarda II


Troca da guarda III


Ópera de Copenhage (Operaen), do lado de lá do gelo!


Frederiks Kirke, ou a Igreja de Mármore, perto de Amalienborg


Altar da Frederiks Kirke


Igreja Anglicana St. Alban’s, no Parque Churchill


Com a Rania e a Pequena Sereia (de Andersen)


Moinho e canhão antigos no Kastellet, uma fortificação antiga,
junto ao Parque Churchill


Com a Rania no restaurante Skipperkroen, em Nyhavn


Nyhavn, o canal mais fotografado de Copenhage,
com suas construções coloridas do século XVII


Mais Nyhavn


E ainda Nyhavn


Palácio Christianborg,
sede do Parlamento, do Gabinete do Primeiro Ministro e de Suprema Corte (ou seja, dos três poderes do governo) da Dinamarca


Antiga Bolsa de Valores (Børsen), um dos mais antigos prédios de Copenhage, construído no século XVII. O pináculo em espiral, com três coroas no topo, simboliza a união dos reinos nórdicos.


Ny Carlsberg Glyptotek: museu de arte antiga e contemporânea

O tempo em Copenhage foi pouco, mas bem aproveitado, como se viu! Depois da rápida visita ao museu, a Rania e eu voltamos à estação de trem para um lanche… e despedidas – ela seguiu de volta a Aarhus no próximo trem e eu encarei 12h de viagem de volta, chegando a Montabaur às 6:44 da manhã da segunda-feira 28/02.

(Andar no City Night Line, o trem noturno da Deutsche Bahn, foi uma experiência à parte, que não sei se quero repetir, pelo menos não nas mesmas condições. Fiquei na acomodação mais barata, é óbvio, na cama do meio de um triliche; na mesma cabine, cinco estranhos. Em alguns momentos fiquei preocupado com a segurança das minhas coisas e cheguei a pensar que deveria ter pago um pouco mais para ficar mais bem acomodado, mas no fim deu tudo certo. “Valeu pela experiência”, como todo conformado comportado tem que dizer depois que a coisa está feita e não tem volta.)

E assim terminou meu rápido porém lindo passeio pela Dinamarca! Mas pronto: sigo completando a lista alfabética de países visitados.

A caminho da Índia. ;)

P.S.: Tô brincando.

P.P.S.: Ou não.

Aqui, lá e acolá pela Alemanha

Meu fevereiro na Alemanha foi bastante intensivo em trabalho, tempo com a família e viagens.

Na primeira quinzena, trabalhei num artigo sobre direito e política internacionais do investimento estrangeiro. Esse artigo precisa ainda receber os comentários e a aprovação dos meus orientadores – meu professor na NYU e minha supervisora no IISD – e então ser entregue ao Institute for International Law and Justice da NYU, do qual recebi bolsa para o estágio em Genebra. Terminada a primeira versão do artigo, comecei a trabalhar como consultor em dois projetos do IISD.

Essas atividades principais, desenvolvidas em dias de semana ao longo do mês, foram permeadas por momentos em família – com meus pais, irmã, cunha e os sobrinhos gêmeos Isabel e Felipe, nascidos em julho de 2010. As sessões de “babação do dindo Guri” foram numerosas e deliciosas. Os gêmeos retribuiram a atenção aprendendo em minha homenagem sua primeira palavra, um diminutivo do meu apelido: Gu.

Além disso, em alguns passeios de meio-turno e em todos os fins de semana de fevereiro viajei bastante pela Alemanha para resolver assuntos burocráticos e visitar amigos aqui, lá e acolá. Alguns amigos eu não via desde 2008, quando fiz o estágio no Secretariado das Nações Unidas para o Clima, em Bonn. Mas antes de contar sobre os passeios… dois acontecimentos inusitados.

* Inusitado I *

Na tarde do dia 14/02, estava eu trabalhando na sala da casa da minha irmã em Untershausen quando tive a experiência de meu primeiro terremoto! Foi um tremor de 4,4 graus na escala Richter, seguido de dois tremores secundários (algum tempo depois). Não houve danos, felizmente – foi só um susto emocionante!

* * Inusitado número II * *

Na noite de 15/02. estava eu de banho tomado, de pijama, sentado na sala do apartamento dos meus pais em Isselbach, trabalhando enquanto esperava por eles. Tocou a campainha. Achei que eram meus pais, mas era uma enfermeira, que não apenas chegou, mas chegou chegando: quando vi ela estava no meio da sala. Tinha vindo com urgência para atender minha esposa (?) doente.

No meu alemão limitado, tive que explicar a ela que só podia ser um engano e que ela tinha o endereço errado. Ela foi embora pedindo desculpas e eu fiquei por aí – para cuidar da minha esposa (!), o que eu só consegui fazer quando parei de rir, uns 15 minutos mais tarde.

Contei o acontecido num curto update no facebook e recebi vários comentários dando continuidade à história – minha irmã Lu desejando melhoras à cunhada; a amiga Jen fingindo ser minha esposa e reclamando de eu ter mandado a enfermeira embora; a amiga Évelyn sugerindo que eu levasse a minha esposa para um passeio de recuperação na Bavária… No dia seguinte, postei no facebook fotos da viagem com minha esposa ao Castelo de Neuschwanstein, na Bavária – mas resolvi parar, porque a coisa estava ficando fora de controle.

* * * Passeios * * *

Agora sim, aos passeios! A agenda foi intensa, então o relato vai ser resumido, com algumas fotos, só para dar um gostinho. Outras fotos selecionadas estão no meu álbum Deutschland Februar 2011.

Diez (02/02): Visitei com meus pais o Schloss Oranienstein, um castelo barroco construído pela princesa holandesa Albertine Agnes.


Schloss Oranienstein

Frankfurt (03-05/02): Fui ao Consulado Americano para fazer um reconhecimento de firma (burocracias para o NY bar!) e aproveitei para visitar um casal de amigos uruguayos – Magui e Diego.


Remando a Frankfurt


Almoço (Flammkuchen) com Magui

Heidelberg (06/02): Com meus pais, fui a um concerto da orquestra e do coro da Universidade de Heidelberg, em comemoração aos 625 anos da universidade: uma sinfonia de Schubert e uma missa de Bruckner.


Concerto na Stadthalle Heidelberg

Bonn (11/02): Recordando os bons tempos do meu estágio no Secretariado das Nações Unidas para a Mudança do Clima, fui a Bonn. Passeei pelo centro antigo, comprei coisinhas para meus sobrinhos na Bouvier (minha livraria preferida na cidade!), comprei também umas partituras de flauta para mim… e terminei com um almoço num restaurante grego, com Maria e Elsa, que trabalham no secretariado.


Beethovenstadt Bonn

Colônia (Köln) (11-12/02): Ainda na sexta-feira 11 à noite, encontrei-me com a Barbara, ex-colega de estágio no secretariado, e fomos a Colônia, onde ela mora. Depois da janta chegou o Tobias, namorado dela, e ficamos os três colocando os papos em dia por hoooras. No fim da noite, antes de pegar o trem de volta pra casa, fui para a outra margem do Reno para tirar fotos noturnas da cidade.


Catedral (Dom) e Hohenzollernbrücke


Cologne – vista da cidade antiga

Braunfels (17/02): Meus pais e eu passamos a manhã em Braunfels, onde há um grande número de casas em estilo enxaimel (em alemão, Fachwerk). Também fizemos uma visita guiada ao castelo, que, tal como Oranienstein, também pertence à nobreza holandesa.


Enxaimel em Braunfels


Schloss Braunfels

Colônia (Köln) revisitada (18/02): Fui de novo a Colônia para passar o dia com o amigo Lev, ex-colega da NYU. Entre outros passeios, subimos ao alto de uma das torres da catedral (157 m)! (Só pra lembrar: escadas, ok – na Idade Média não faziam torres com elevador.) Trata-se da maior catedral gótica do norte da Europa (a segunda maior é York Minster, que visitei em 2007). As torres são as segundas mais altas torres de igreja em todo o mundo, perdendo apenas para a da Catedral de Ulm (161 m), que eu subi com meu cunhado em 2001… antes que a era da fotografia digital começasse pra nós!

Depois do passeio com o Lev, encontrei Barbara e Tobias de novo para irmos juntos a um tradicional show de carnaval chamado Immisitzung. As piadas culturais e o pesadíssimo sotaque kölsch (ou seja, da região de Colônia) atrapalharam minha compreensão, mas no contexto até que entendi bastante! O tema da festa é a diversidade cultural de Colônia e, por isso, os convidados são incentivados a fantasiar-se de acordo. Por sugestão da Barbara, fui como teuto-brasileiro – mas não digo mais nada sobre minha fantasia. Fotos no álbum online.


Vista de Colônia do alto da catedral


Com o Lev na frente da catedral

Düsseldorf (19/02): Ir dormir às 3:30 da manhã depois da Immisitzung (!) não me impediu de acordar às 7:30 para pegar um trem a Düsseldorf, onde visitei o amigo Jens, que conheci na Argentina em 2008. Muita conversa para pôr em dia, claro, e muitos passeios pela bela cidade, que visitei pela primeira vez! Além de visitarmos um centro cultural japonês (Düsseldorf tem a maior colônia japonesa na Alemanha), fizemos uma caminhada sugerida pelo centro da cidade, procurando pistas para resolver uma charada… foi bem divertido!


Com o Jens no jardim japonês EKO-Haus (templo budista ao fundo)


Wallstraße – ou, como foi na semana da fusão das bolsas alemã e nova-iorquina, o título alternativo da foto é: “Dois nova-iorquinos observam o novo nome de Wall Street, em frente ao seu Starbucks preferido.”


Casa com relógio e sinos na Marktstraße

Koblenz (24/02): Para comemorar o aniversário da minha mãe, fomos comer sushi no nosso restaurante preferido aqui da área, em Koblenz.


Görresplatz, Koblenz

Descontando as idas e vindas entre Isselbach (onde moram meus pais) e Untershausen (onde moram irmã, cunha e sobrinhos), essas – ufa! – foram minhas superviagens pela Alemanha em fevereiro.

Para ter uma ideia aproximada da distância percorrida, coloquei os itinerários todos no Google Maps – de Isselbach a cada um dos destinos e de volta a Isselbach, somando… 1.226 km!

Ver ampliação

Claro que eu não podia terminar o post sem fazer menção ao meu meio de transporte mais usado (e preferido): InterCity Express (ICE) o trem de alta velocidade (até 300 km/h) da Deutsche Bahn, rede ferroviária alemã. Na volta de Düsseldorf, pouco depois que a tela do trem chegou a marcar 274 km/h, registrei na foto:


Voltando pra casa de ICE a 266 km/h!

Adieu, Genève

Domingo 30/01 terminou minha temporada em Genebra. Como anunciado no último post, coloco aqui algumas fotos da despedida. Começo com fotos tiradas no findi anterior, quando fui com a amiga Noriko à tradicional Chocolaterie Martel, no centro de Genebra.


Com a Noriko na Martel


Precisa mesmo de legenda?

Na sexta-feira 28/01 (último dia de trabalho no IISD), depois da difícil rodada de despedidas no escritório, fui ao aeroporto buscar a Rania, também ex-colega de mestrado na NYU. Pouco tempo (metade de sexta-feira e todo o sábado), mas muito proveito… produtividade máxima! As fotos (selecionadas) estão todas neste álbum aqui.

Nossas atividades na sexta-feira:

  • Caminhada pelo centro histórico (Geneva by night)
  • Patinação na pista de Carouge
  • Janta: raclette (tradição suíça!)

Nossas atividades no sábado:

  • Museu Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, altamente recomendado
  • Caminhada pela área das organizações internacionais: Palais des Nations, OMM, OMC
  • Travessia do lago de Genebra
  • Almoço no Restaurante do Parc des Eaux Vives: chiquérrimos o restaurante e a vista sobre o lago!
  • Subida à torre norte da Cathédrale Saint-Pierre (a melhor vista da cidade, lado a lado com a que se tem do alto do Salève), com os amigos Jen (colega de estágio) e Gabe (noivo dela)
  • Museu Patek Philippe (relojoaria), também com Jen e Gabe
  • Janta de sábado e despedida: fondue (tradição suíça!), já com meus pais, que chegaram à tardinha

Domingo de manhã meus pais e eu dirigimos para a Alemanha, por umas 6 ou 7 horas. Eu mesmo dirigi a maior parte do caminho, deixando para trás a Suíça, pais onde fui muito bem acolhido, com queijos e chocolates deliciosos, haha… tá, entre outras coisas. A experiência foi boa e deixei o IISD com muita saudade, mas a partida estava prevista. Genebra não é (mais) o meu lugar (por enquanto).


Com a Rania na Cave Valaisanne – raclette!


Com a Rania no Museu da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho


Vista de Genebra e o lago, do alto da torre norte da Catedral


Com Gabe, Jen e Rania, no alto da torre norte da Catedral

Anúncios que eu precisava ler

Voltando da natação um dia desses, me deparo com dois anúncios, lado a lado, num posto de combustível: “Feliz Trabalho Novo!” (tudo o que eu preciso ouvir atualmente) e “Deixe o Senhor Jesus Cristo ser o centro de sua vida” (tudo o que eu preciso ouvir constantemente).

Fête de l’Escalade

Na madrugada de 11 para 12 de dezembro de 1602, a população da República de Genebra repeliu com sucesso um ataque surpresa das tropas do Duque de Savoie (França), que pretendia invadir e conquistar a cidade. Por isso, todo ano em meados de dezembro aqui se comemora a Fête de l’Escalade, a festa nacional de Genebra.

Conta a lenda que Mère Royaume, uma genebrense valerosa (como diria Camões), feriu diversos savoyards atirando sopa escaldante sobre eles do alto das muralhas da cidade. Hoje se relembra o episódio fictício com a “Marmite de l’Escalade”: uma “panela” feita de chocolate e cheia de  marzipans e chocolates em forma de vegetais (os ingredientes da “sopa”).

A tradição manda que, em um grupo (família, amigos, colegas), o integrante mais velho e o mais novo quebrem num só golpe a “marmite”, depois de dizerem em coro, “ainsi périssent les ennemis de la République!” (algo como, “assim morrem os inimigos da República”). Eu, sendo o mais novo no escritório do IISD em Genebra, tive a honra de participar ativamente da solenidade!

Hoje, depois de patinarmos na pista de Carouge, minha amiga Noriko e eu fomos ao centro antigo de Genebra para participar (agora passivamente, como expectadores) das atividades do festival: marchas e outras demonstrações militares de soldados com vestimentas de época, alguns a cavalo; tiros de espingarda e canhão; e performances musicais: recital de trompetes na catedral e apresentação de canto coral no Auditorium Calvin. Algumas músicas eram de Advento, mas a maioria era comemorativa da Escalade.

Algumas fotos – depois tem mais texto!


Pista de patinação em Carouge


Gu na pista de patinação de Carouge


Trompetes na Catedral Saint-Pierre


Exercícios militares em frente à Catedral


Tiros de espingarda


Tiros de canhão

O coro, preciso dizer, não era lá tudo isso… Mas valeu a pena pelo aspecto folclórico, já que nem tanto pela qualidade musical. A última peça foi, claro, o “Cé qu’è lainô”, hino nacional de Genebra, que conta a história da Escalade em 68 estrofes (muita calma nesta hora: normalmente só se cantam as estrofes 1, 2, 4, e 68).

“Cé qu’è lainô” é franco-provençal da época; em francês atual, “Celui qui est en haut”, ou em português: “Aquele que está nas alturas”. É um canto de louvor a Deus! A última estrofe diz (traduzo):

Em Suas mãos Ele detém a vitória,
nEle somente permanece a glória.
Para todo o sempre o Seu Santo Nome bendito seja,
amém, amém, assim seja!

E todos os genebrinos cantaram junto, em pé, de cor.

Genebra sob a neve II

Depois da primeira nevadinha básica da temporada, veio o caos: com as tempestades dos últimos dias, hoje há 31 cm de neve acumulada no solo em Genebra, um recorde histórico para o mês de dezembro! Terça (dia 30/11), por causa dos atrasos e por fim por causa da interrupção dos serviços de transporte público, demorei mais de 2h 30min para chegar em casa, incluindo 30 minutos de caminhada sob a tempestade de neve. Ontem (dia 1/12), tive que trabalhar de casa, porque os ônibus a partir de Troinex estavam for a de circulação.

Vista do meu escritório, enquanto ainda havia pouca neve

Voltando pra casa no dia 30, no meio da tempestade

É preciso amar a neve

Ploc tentando achar pasto

Vista do pátio do prédio vizinho

Árvore na frente de casa

O antes, o depois e o mais tarde ainda

Genebra sob a neve

Sexta-feira passada nevou pela primeira vez nesta temporada aqui em Genebra. Uma nevezinha bem mixuruca. Cheguei a tirar uma foto da vista do escritório com um pouco de neve, já que – pelo que dizem – o fenômeno é raro aqui na cidade (nas montanhas acontece seguido, claro). Sábado de manhã, porém, quando acordei e olhei pela janela, me caiu o queixo: tudo branco!

À tarde não resisti (ou melhor: resisti firme e forte ao gelo que estava na rua) e fui ao centro histórico tirar fotos. No domingo, ao voltar do culto, tirei algumas fotos em Troinex também. Em vez de fazer um postálbum aqui, coloco uma foto só (do meu prédio antes e depois da neve) e convido o leitor a visitar o novo álbum do picasaweb do Guri, onde há muitas mais.

P.S.: O leitor atento vai observar, como meu amigo Felipe, que a neve levou embora um dos carros que aí estavam estacionados. Tsss…