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Saturday morning

Vou escrever rapidinho, pra ver se aproveito o dia horrível que se anuncia (nublado, úmido e com previsão de tempestade) antes que a pior parte do anunciado aconteça!

Essa semana foi bastante puxada, com muitas leituras de cases sobre punitive damages. (“Danos punitivos”: aqui, um exemplo curtinho para esclarecer do que se trata.) As aulas me deixaram num estágio bem mais avançado do meu processo de commonlawização. Também já sei mais sobre como funciona o ensino do Direito aqui, como devo estudar, como serão os exames. Em resumo: estou mais organizado, tranquilo e ambientado.

Ontem fiz uma prova cujo objeto principal foi a jurisprudência da Suprema Corte sobre punitive damages, e essa foi a (única) avaliação da disciplina de Introdução ao Direito dos EUA (que agora terminou, yay!). Foi um exame tipo pass/fail (não serão atribuídas notas), e a única consequência de não passar é ter de cursar a disciplina de Metodologia Jurídica dos EUA neste semestre (fall = 2009/2). Não é uma consequência terrível, porque eu já pretendia fazer essa disciplina, mas é uma consequência um pouco inconveniente, porque já tinha me planejado para cursá-la no próximo semestre (spring = 2010/1).

Mas não importa muito, porque acho que fui bem o suficiente para não ser obrigado a fazer a disciplina! Difícil saber, claro, porque é um tipo de exame bastante diferente dos que fiz na graduação, e também porque foi em inglês, e também porque foi sobre uma matéria sobre a qual eu estudei por apenas três dias… Mesmo assim, estou confiante. Pode não ter sido A (o que é raro por aqui, aliás), mas definitivamente não foi tão baixo a ponto de merecer C. Ou seja, acho que foi B de bom. :P (Infelizmente, e como eu já disse, nunca vou saber o conceito, porque essa prova não vai receber nota; é pass/fail.)

Conheci muitos outros colegas do LL.M. (LL.M. = Legum Magister = Mestrado em Direito). E (surpreendentemente) estou conseguindo me lembrar dos nomes. Meus novos amiguinhos e amiguinhas incluem gente da Alemanha, do Brasil, do Canadá, da Grécia, da Holanda, da Índia, da Suécia… o mundo de A a Z, ou quase isso. Foi legal que encontrei várias pessoas da minha especialidade (International Legal Studies).

Ah, e como o semestre começa oficialmente quinta que vem, já começaram a chegar os J.D.s (djei-dís), que são os estudantes de graduação em Direito (J.D. = Juris Doctor = aqui adevogado tambem é dotô!).

E os J.D.s chegaram chegando. Eles parecem tão novinhos… bem, acho que eu também parecia quando entrei na faculdade de Direito!. Além disso, como a maioria deles é dos EUA, eles não parecem tão deslocados como nós, international LL.M.s, e vêm com muita mudança. Os corredores aqui do D’Agostino Hall (o prédio de apartamentos estudantis onde moro) ficaram entulhado de caixas onde os J.D.s tinham trazido cacarecos que eu nem sonharia em poder trazer nas minhas 140 libras (64 kg) de bagagem.

Hoje de manhã me permiti dormir até às 9h (oh, que grande concessão!), e aí lavei roupa olhando para o Empire State Building. ;) Ainda tenho outras coisas Maria Maria por fazer (incluindo compras… no K-Mart!), e depois vou estudar. Sim, porque os professores já deixaram muito material para ler para as primeiras aulas. Não dá pra ficar pra trás.

Falando nisso, terei nas próximas semanas uma tarefa difícil: escolher de qual das cadeiras que eu escolhi na matrícula vou desistir. Tenho 15 créditos (o máximo que se pode ter num semestre), e a professora de Introdução disse expressamente que o ideal é fazer 12 (o mínimo). O argumento é que, para meus potenciais empregadores, vão importar muito mais minhas notas do que o número de créditos que fiz. O que faz sentido: melhor notas “poucas e boas” do que “muitas e medianas (ou até ruins!)”. Mesmo assim, é uma dor no coração ter que desistir, porque todas as cadeiras que eu escolhi são interessantes, e porque eu queria sugar o máximo da NYU (fazer valer a anuidade!). Colocando na balança, vou sentir como vai ser o ritmo do semestre primeiro… e depois decido se caio fora de alguma cadeira (ou seminário).

Re: A invenção do Terror

Lendo este post aqui do meu amigão Felipe, me surgiram gazillions of comments a fazer, mas não posso, porque tenho prova sexta, e só tinha ido lá no blog dele pra descontrair um pouco.

Por outro lado, eu sendo eu, não posso me furtar a uns comentariozinhos básicos (que poderão vir a ser complementados depois). E, eu sendo eu, acabei me estendendo um pouco além do que gostaria, por isso resolvi fazer meu comentário “aqui em casa”, no BdG, pra não abusar do espaço da casa do meu amigo. Então vamos lá.

Também não sou católico. Também discordo dos absurdos históricos (e também correntes, muitas vezes!) da Igreja Católica Apostólica Romana, ICAR (e não estamos sozinhos, Felipe: muita gente pensa assim – vide outros exemplos aqui e ali no blog da Nadia Latosinski).

(Terreno complicado pra mim, porque tenho tias e primas que são católicas e que talvez leiam este post. Desde já: espero ter absoluto sucesso na minha intenção de meramente tecer comentários, sem ofender ninguém em suas convicções espirituais.)

Em mim há outros aspectos ainda mais graves que não ser católico e discordar dos absurdos históricos da ICAR:

  1. Nasci numa família protestante (menos tradicionalmente luterana que a média, é verdade, e com alguns pezinhos em outras igrejas, mas ainda assim protestante “lato sensu”);
  2. Me chamo Martin (não por causa do deus pagão da guerra, mas por causa do Martin Luther, aquele homem supercorajoso que se colocou em risco de morrer na fogueira por defender suas ideias contrárias à ICAR);
  3. Sou protestante por opção própria (porque eu penso por mim mesmo, faço minhas próprias escolhas, e não me sinto vinculado às opções e tradições dos meus pais – muito embora meu sobrenome signifique “costume” em alemão!).

Sei, por tudo isso, que muitas vezes a ICAR produz terror a partir de textos bíblicos. E, afinal, talvez seja forço reconhecer, como leitor da Bíblia, que ela de fato tem trechos aterrorizantes, especialmente no Velho Testamento – aqueles primeiros livros que tratam da história do povo hebreu até a chegada do Messias (que, aliás, não foi recebido pelo povo a quem veio, nem então nem até hoje!).

Mas não é por acaso que o Velho Testamento se chama Velho Testamento. Depois dele, tem o Novo, contando da vida – e da morte – e da vida de novo – de Jesus Cristo, uma figura não só histórica, porque determinante na conformação da civilização ocidental, mas também pessoalmente importante para muitos – inclusive para mim.

Cristo, através do que pregava, mostrou que Deus (o Pai dEle) não era tanto aquele julgador aterrorizante e cheio de regras que até então vinha sendo apresentado quanto um Pai de amor e compaixão pelos seus filhinhos.

Em suma, a ideia não era ir a fundo, e não vou, porque pra isso eu precisaria de uma fundamentação mais elaborada do que a que o tempo me permite. Então, apenas replico ao comentário: essas histórias de terror, embora não “sobrescritas” pelo Novo Testamento, ganham outro significado à luz dele. Um significado bem mais leve, e nada aterrorizante. Vale a pena conferir! À venda na livraria mais próxima (e, por muito tempo, the best-selling book ever).

Second weekend in NYC

Novos desenvolvimentos nessa minha fase de adaptação à vida em NYC e aos estudos na NYU.

Sexta-feira fui até o Centro de Saúde da NYU para comprovar estou devidamente imunizado contra measles (sarampo), mumps (caxumba), rubella (rubéola) e meningitis (meningite) – isso depois de um certo rolinho que requereu um pedido de socorro à minha médica no Brasil. Mas tudo certo!

O Centro de Saúde fica na Broadway, perto… do Kmart, minha loja preferida (haha, jura!). Então, claro, tive que dar um pulinho lá. Comprei (1) sabão especial pra lavar roupa em água fria (vamos lá, pessoal: economia de energia, indiretamente preservação ambiental… e preservação da aparência das roupas também!), (2) amaciante, (3) um “cesto” tripartido para colocar/separar roupa suja no quarto e carregá-la para a lavanderia, (4) uma bacia pra carregar roupa limpa de volta para o quarto. Pronto.

Quer dizer, quase pronto. Sábado de manhã fui ao The Home Depot da 23rd Street e comprei um varal para estender roupa no quarto. (Economia de energia com a secadora elétrica, economia de grana também porque o uso das secadoras elétricas custa um dólar, preservação ambiental e certa proteção contra o encolhimento das roupas de algodão! E o quarto fica com um suave perfume de roupinha lavada… hehe!)

[Agora fiquei pensando que estou cada vez mais “juridicizado”, pensando em vários argumentos para justificar tudo o que eu faço (inclusive o que eu compro). E muitos desses argumentos são econômicos e/ou ecológicos, o que também é bastante consistente com a minha personalidade (e formação acadêmica).]

(Aproveitei a ida ao The Home Depot para comprar um filtro d’água. Mais economia… um ótimo investimento para o ano todo que vou passar aqui, sem contar que vai continuar sendo útil depois!)

Tá, mas voltando à lavação de roupa suja em público: com as compras de sexta-feira e sábado, fiquei plenamente equipado para lavar roupa.

E que ninguém pense que essa é uma das atividades práticas enfadonhas, daquelas que “ninguém merece”, mas tem que fazer. Em NYC, e particularmente aqui em D’Agostino Hall (o prédio de dorms da NYU Law), lavar roupa é praticamente turístico. ESTA é a vista da lavanderia:

(Mais fotos aqui!)

E falando em vista, uma correção a um erro gravíssimo de geografia que eu cometi neste post aqui. A correção é um pouco frustrante, mas vamos lá: não dá pra ver nada do Empire State Building do meu quarto! Hahaha… Óbvio que não. Minha janela fica para o sul, e o Empire State Building fica ao norte! A agulha que eu vejo da janela do meu quarto deve ser de algum arranha-céu do Financial District, que fica ao sul daqui. Duh.

Sábado comprei um SIM card… habemus mobile phone! :D E esvaziei minhas malas e coloquei tudo no armário, e organizei escrivaninha e estante. (Bah, agora sim eu to propriamente morando aqui.) Não passeei, mas descansei. :)

Domingo fui ao culto. Eu estava cheio de expectativas! Fui à Judson Memorial Church, uma igreja batista (legal por ser batista!) que fica praticamente do lado da faculdade, ou seja, pertíssimo de casa (legal por ser conveniente a localização!). Pois bem… digamos que… não deu muito certo. Continuarei church shopping pelas próximas semanas.

Mudando de assunto… Restaurantes em Greenwich Village. Até agora não repeti nenhum! Vamos ver se me lembro de todos os lugares onde já almocei:

  1. Subway (duas vezes, mas em restaurantes diferentes!)
  2. Duas pizzarias
  3. Dois restaurantes italianos (massas, é claro)
  4. Uma creperia (muita gente pronuncia “crepe” em inglês como “crap”… eca)
  5. Um restaurante de comida macrobiótica/vegetariana (Tri bom, saudável e barato… vou virar freguês!)
  6. Um lugar onde vendem veggie burgers (Também tri bom, saudável e barato! Com ice tea de graça! E atendimento excelente! Pra completar: quando eu fui lá tocou GAROTA DE IPANEMA, by Tom Jobim, em uma versão meio jazzy, tri NYC, tri Greenwich Village… foi um momento de êxtase culinário-musical!)
  7. Um restaurante mexicano (onde fui com os brasileiros, na sexta-feira em que colhi maná do lado da faculdade).

Ah, sim, outro fato curioso, tipo o do “maná”, é que no domingo (almoço numa pizzaria), pedi dois pedações de pizza (o que já me deixaria bastante satisfeito), e o carinha me deu um terceiro “on the house”. Acho que ele gostou da minha cara, sei lá por que fez isso! Não quis ser injusto e deixei uma gorjeta pra ele, o que não é “obrigatório” nesse tipo de restaurante, que não tem garçom. E vou voltar lá, claro. O cara foi legal, e a pizza é boa. (Acho que era bem isso que ele queria… boa estratégia – funcionou!)

Quanto ao resto do domingo, estudei. Triste, isso, ter que estudar no domingo, mas não houve outro jeito, a bem de conseguir ler os cases para a aula de hoje.

E agora, fugindo ao tema do post, que era pra tratar apenas do weekend

Hoje, segunda-feira, falei em aula pela primeira vez – não por imposição do método socrático, mas porque respondi a uma pergunta que a professora fez de forma geral para a turma. Grande coisa, porque a maioria dos colegas já participou ativamente da aula pelo menos uma vez (e muitos deles, muito mais que uma vez). Mas quanto a mim, acostumado ao estilo “palestra” das aulas na Faculdade de Direito da UFPEL, admito que sou um pouco travado para falar. Aos poucos vou me destravando. A impressão que eu tive dessa primeira experiência foi legal, porque a pergunta tinha deixado um silêncio constrangedor na turma por algum tempo – só dava pra ouvir que todos estavam folheando o case de um lado para outro tentando encontrar a resposta – e então eu respondi. Ohhh… menos, menos. Não vamos fazer disso mais do que foi. :)

E também hoje comprei uma espécie de “caneca térmica” de café da grife da NYU Law, pra entrar no clima de universitário. Às 17h fui para o student lounge do prédio principal da NYU Law (Vanderbilt Hall) para estudar (acabei voltando só às 22h, depois de terminar de fazer as leituras obrigatórias para amanhã). Martin. Café. Laptop. Mozart. Casebook. Tudo tão básico, mas tão gostoso… Acho que essa situação vai se repetir muitas e muitas vezes neste ano acadêmico que se inicia. Que bom.

There is no such thing as a free lunch… or is there?

Não há almoço de graça. Ou há? Um evento extraordinário aconteceu comigo hoje, e fez me lembrar (e duvidar um pouco) dessa frase tão ouvida e repetida entre economistas.

Desde que cheguei em NYC, há uma semana, todos os dias têm sido muito extraordinários, no sentido de que diferem bastante do que costumava ser ordinário para mim. English as a daily language, moradia nova, faculdade nova, mestrado (curso novo!), rostos que eu nunca tinha visto, novas amizades, comidas diversas (entre si e do meu usual)… uma lista quase interminável de extraordinariedades.

Mas tudo isso é apenas temporariamente extraordinário. Aos poucos estou me acostumando com as novidades todas, e quando estiver plenamente acostumado (prevejo e espero que em breve), o hoje extraordinário se tornará o meu novo ordinário.

Agora, o que me aconteceu hoje foi “extraordinário em sentido estrito”, aquele tipo de coisa que continua sempre extraordinária, porque (feliz ou infelizmente) tende a não repetir-se muito na vida de uma pessoa (ou até não se repete nunca).

Calma, já conto qual foi o evento extraordinário, afinal de contas.

No intervalo da aula (11h-11:30), comi uma maçã. Mas isso ainda não foi o extraordinário. Todos os dias da semana comi uma maçã no intervalo – além de servir para “me manter saudável”, acho superapropriado e adequado ao contexto (maçãs… Big Apple… tudo a ver).

O extraordinário começou quando eu resolvi sair do pátio da faculdade para buscar um café por ali (isso do café também talvez se torne ordinário, porque me fez muito bem – muito embora o café aqui não seja lá tudo isso). Bom, comprei meu café e fui caminhando de volta pra faculdade.

E aí, sim, (explosão), o mais extraordinário. Nem acreditei. Na rua, bem ao lado da calçada, vi uma cédula. Pensei, “oh, a dollar“. E olhei à volta, meio desconfiado, achando que poderiam estar filmando uma pegadinha idiota (agora me lembrei de uma cena de Family Guy).

Voltando à minha história: aluno latinoamericano pobre da NYU vê uma cédula na rua. Peguei a cédula. E aí sim achei que era pegadinha. Não era uma nota de um dólar. Era uma de vinte.

Foi um daqueles momentos em que tu vês todas as leis de probabilidade rodopiarem ao redor da tua cabeça, e ficas até com medo de que as coisas mais absurdamente improváveis comecem a acontecer naquele instante (tipo um ar condicionado cair na tua cabeça – tão absurdo que até já foi hipótese de questão do Exame da OAB).

What are the odds? Por que eu saí para comprar o café justo hoje naquela hora? Por que passei por aquela rua para voltar para a faculdade? Quanta gente passa por ali… por que justo eu vi a nota? E aliás, por que olhei para o lado bem quando estava passando pela nota? Sei lá, acho que nenhuma dessas perguntas tem resposta.

A essas alturas o leitor esperto já sabe por que hoje, para mim, houve almoço de graça. Aliás, mais uma circunstância extraordinária: já estava planejado um almoço-socialização do grupo dos mestrandos no restaurante mexicano Dos Caminos Soho (esquina da Broadway com Houston). A conta foi mais pesada do que planejei… mas saiu de graça.

Claro que, no fundo, alguém pagou por esse almoço. Tenho pena de quem perdeu o dinheiro… espero que não lhe faça muita falta. Pra mim (eu que estou economizando em tudo quanto é possível!), foi como colher maná, o alimento que Deus mandava para os hebreus a cada manhã durante a peregrinação pelo deserto rumo à terra prometida.

Socratic method videos

Hoje a professora de Introdução ao Direito dos EUA mostrou em aula uns vídeos sobre o método socrático. O primeiro é sobre uma aplicação “old-fashioned” do método (na NYU não é tão cruel assim, segundo a professora). O segundo apresenta impressões dos alunos a respeito do método.

A view to the Empire State Building

Continuo absolutamente sem tempo de postar decentemente. E nem posso prometer nada por enquanto… a carga de leituras está mesmo muito pesada.

Para atender aos clamores de muitos: SIM, meu novo quarto tem vista para o Empire State Building!

Não viram? Confiram de novo e divirtam-se, como eu me divirto sempre.

(Falando sério, postarei mais fotos assim que tiver tempo de tirá-las!)

Primeiro dia de aula (ontem)

O primeiro dia de aula em uma palavra? Apavorante, num primeiro momento; desafiante, após uma reavaliação.

Foi meu primeiro encontro com a Common Law, o sistema jurídico aqui dos EUA, que difere bastante da Civil Law, o sistema jurídico do Brasil. Preciso passar por uma profunda “commonlawização” (adotando a expressão uma vez usada pelo meu orientador no Brasil, prof. Ricardo Vasconcellos). Há uma forte ênfase nos cases (jurisprudência – estudei quatro só para a segunda aula!). O ensino jurídico também é diferente (talvez futuramente sobre algum tempo para comentários sobre o método socrático).

A disciplina de Introdução ao Direito dos EUA é intensiva (três horas de aula por dia por duas semanas). Manter as leituras obrigatórias já é difícil, quanto mais chegar às leituras meramente recomendadas! Além disso, o “juridiquês” em língua estrangeira, a nova cidade, as compras necessárias para conseguir sobreviver dignamente (!), o novo quarto (ontem troquei para o definitivo)… tudo toma tempo e consome energia.

Mas tudo está indo bem. Se algo me faz falta? Umas horinhas a mais por dia. :)

Preparativos e um pouco de socialização

Instalei a impressora/scanner/copiadora (Epson Stylus NX 110) que comprei por absurdos 23 dólares: o que ela tem de barata também tem de barulhenta. Cheguei a dar um pulo pra trás quando ela começou a imprimir. Mas a qualidade de impressão é ótima, e já quebrou uns galhos hoje. O ruim mesmo é que agora tenho que desinstalá-la para a mudança de amanhã.

Cheguei há pouco de um encontro básico de “orientation”, que mais serviu para socialização entre os alunos, todos “internacionais” (os colegas estadunidenses não vão fazer a cadeira que começa amanhã, Introdução ao Direito dos EUA, por razões óbvias). Conheci mais brasileiros e brasileiras, um alemão que vai ser meu apartmentmate no apartamento definitivo, um mexicano, e conversei mais com minha apartmentmate temporária, que é chinesa, e com uma italiana que já tinha conhecido na livraria da NYU ontem. (Ela também já tinha visto a estátua do Garibaldi no Washington Square Park!) É muito divertido estar no meio dessa mistura de nacionalidades, culturas, sotaques. Amo muito tudo isso.

No mais, estou melhor do resfriadinho (não, não é gripe suína), continuo com olheiras e meio jet-lagged (e sem sono, o que agrava ambos), e ainda tenho que ler algumas coisas pra aula de amanhã… a primeira aula! Portanto, era wilson por hoje.

Dois modos de chegar a New York City

25/01/2006, 17:18. Muito frio. Depois de oito horas de viagem desde Newport News, Virginia, chego de trem a New York City.

Na ingenuidade dos meus 20 aninhos (e olha que eu nem era tão abobado assim), embarquei num táxi falcatrua (“gipsy taxicab”) que me cobrou da Penn Station até o hotel (menos de 3 milhas) uns 50 dólares, o que normalmente se cobraria do aeroporto JFK até o mesmo hotel (21 milhas).

Com viagem planejadinha e econômica (se eu tivesse dinheiro a defenestrar, por que teria viajado oito horas num trem?!), aquilo estragou a chegada.

* * * * *

07/08/2009, 23:40. Muito calor. Depois de oito horas de viagem desde Frankfurt, Alemanha, chego de avião a New York City.

Semelhanças? Algumas. Diferenças? Muitas. Com um pouco mais de experiência (e a dica da minha irmã Lu), peguei o SuperShuttle do JFK até Greenwich Village (umas 20 milhas), onde fica o campus da NYU (e, por consequência, D’Agostino Hall, o edifício de apartamentos estudantis onde vou morar pelos próximos 9-10 meses). Quanto? 26 dólares.

Do ponto de vista da economia, muito bom: resgatei meu crédito de 2006. Do ponto de vista da praticidade: nem tão bom assim. O shuttle parou em uns cinco hotéis para deixar passageiros antes de chegar a Greenwich Village. Foi praticamente um passeio turístico noturno por Manhattan; até por Times Square passamos. Plena madrugada de sexta-feira para sábado, um baita trânsito. Mas tudo bem. No meu caso particular, praticidade

Entrando em D’Agostino Hall, o porteiro olhou pra mim e disse, “let me guess… Martin?”. Uau, New York me dando as boas vindas, indicando que estava ansiosa pela minha chegada. Claro que o porteiro tinha que saber que eu estaria chegando naquele momento, mas vamos dizer que New York estava ansiosa pela minha chegada que é mais bonito.

Porém nada bonito foi o quilombo que eu tive que fazer para nas malas encontrar toalhas e roupa de cama, visando a meu tão merecido banho e a meu tão sonhado soninho. O quarto, que já é pequeno, ficou intransitável. Hoje consegui pôr tudo em ordem, até porque preciso das malas prontas pra me mudar de novo na segunda-feira (é que o quarto em que estou atualmente é provisório; o definitivo só será liberado na segunda-feira, dia 10). Quando fui dormir eram 3:30.

O soninho, que era sonhado porque não tinha conseguido pregar o olho no voo, acabou sendo involuntariamente curto. Eu até podia dormir até as 9:20 hora local, mas às 8h acordei e não me aguentei mais na cama. (I want to wake up in a city that doesn’t sleep…)

Atravessei o Washington Square Park e fui pela 5th Ave até a 23rd St, onde busquei o laptop e a impressora que eu tinha encomendado, e voltei pela 6th Ave pra casa. (“Casa”!). Fiz várias comprinhas essenciais, incluindo 12 litros d’água (por 3 dólares – estou orgulhoso das minhas barganhas de hoje), um telefone fixo (que aqui no prédio é necessário para a comunicação com a portaria) e… um travesseiro.

Pois é, na primeira noite meu travesseiro foi uma cobertinha dobrada. Precário. Mas agora me dei. A maioria das coisinhas eu comprei no K-Mart que tem na Broadway entre 8th St e 9th St (bem pertinho daqui; tem tudo que se possa imaginar e é muito barato). Quando comprei o travesseiro, o caixa do K-Mart disse, com a maior empolgação, “this is one of the softest pillows in the world”. Uau. Haha…

Outra parte importante do dia foi contato telefônico com papai, mamãe e manas. E uma parte difícil associada a essa parte importante foi sentir o cheiro de uma meia que foi lavada lá na Alemanha. Digo isso muito a sério! Aquele par de meias limpinhas e cheirosinhas quase me fez chorar, porque me fez lembrar do tempo muito bem aproveitado (embora curto) na companhia de Ca e Volker. Coloquei as meias num ziplock, pra ver se preservo o perfume; não vou usá-las, pelo menos por enquanto. Não riam.

No mais, reconheci o território aqui de Greenwich Village. Onde quer que se olhe há um prédio com a bandeira púrpura da NYU. Muitos estudantes chegando de vários lugares do mundo. Muitos idiomas falados pelas ruas.

Uma hora eu estava falando no telefone público da portaria do prédio e passou por mim um conhecido, que me cumprimentou. Bah! Gaúcho, ainda! Diego, um dos guris que concorreu comigo a uma bolsa de estudos. Sem ressentimentos, porque nem ele nem eu levamos a bolsa. Quando desliguei o telefone, caminhamos juntos para a NYU Professional Bookstores, onde comprei um livro jurídico – o primeiro de uns tantos -, leitura obrigatória para a disciplina que começa segunda-feira, “Introdução ao Direito dos EUA”.

Ah, e no Washington Square Park eu me deparei com uma estátua do Garibaldi. Ele mesmo, o Giuseppe. Já vou combinar com o amigo gaúcho que podemos fazer ali mesmo o Desfile Farroupilha em 20 de setembro.

No reconhecimento de território, percebi que Greenwich Village tem um número absurdamente incontável de opções de alimentação. Hoje comecei com o básico, pra quebrar o gelo: café da manhã no Starbucks e almoço no Subway (dando a volta na quadra tem uns cinco ou seis). Mas enquanto não me estabilizo no quarto definitivo, vou fazer outras experiências: já vi um lugar de falaffel na rua do lado, um restaurante vegetariano na rua da frente, um Dunkin’ Donuts logo ali…

* * * * *

Enfim: entre minhas duas chegadas a New York City, fico com a de hoje, sem dúvida. Nem imaginava que estaria tão bem e tão rápido. Deu tudo muito certo, e sou muito grato a Deus por isso. Posso tranquilizar todos os que acompanham o blog: o Guri is doing fine. :)