Agra (3/4): Pietre dure

Pietre dure é uma técnica de arte decorativa que consiste na incrustação de pequenas pedras, delicadamente recortadas e altamente polidas, em uma pedra maior, que serve de substrato.

As pedras pequenas podem ser preciosas ou semipreciosas, como cornalina, lápis-lazúli, turquesa e malaquita; madrepérola também pode ser usada. A base sobre a qual são incrustadas é normalmente uma placa de mármore branco, preto ou verde.

A técnica foi aperfeiçoada principalmente em Florença. Teria sido importada à Índia pelo imperador Jahangir; lá, é chamada de parchin kari. Foi muito usada na decoração do Taj Mahal e outros edifícios de mármore do Império Mogul.

As famílias de artesãos da região de Agra tem mantido viva a técnica, produzindo hoje peças decorativas que imitam os desenhos florais em pietre dure do século XVII. Visitei uma das diversas oficinas de Agra onde se pode conhecer o trabalho desses artesãos.

Mármore de Makrana

No caminho de Jodhpur a Jaipur, passei pela cidade de Makrana, de onde provém o mármore usado na construção do Taj Mahal.

Na base de mármore, o artesão esboça a imagem que formará com a técnica de pietre dure. Entre os artesãos de Agra, predominam os padrões florais como os feitos no Taj Mahal.

Em seguida, o artesão abre sulcos na base de mármore. Nesses sulcos é que serão encaixadas as pequenas pedras polidas, formando um moisaico.

O trabalho de corte e polimento das pedras semipreciosas e preciosas que serão incrustadas na base de mármore requer bastante paciência. (Acho que eu teria essa paciência toda, mas aqui só fiz pose de artesão para a foto, bem turisticamente!)

Nos sulcos abertos na base de mármore, o artesão cola os pedacinhos de pedra polida, usando as diferentes cores das pedras para formar os desenhos.

O resultado final é uma linda peça decorativa de mármore, com incrustações de pedras preciosas e semipreciosas. Por ser translúcido, o mármore de Makrana permite a passagem de luz pelos cristais da pedra. O Taj Mahal e outras construções que empregam a pedra (com ou sem a técnica da pietre dure) apropriam-se de forma inteligente com desse efeito de iluminação.

Em Agra, a oferta de souvenirs de mármore de Makrana (das diversas qualidades de artesania, com ou sem pietre dure) é bem maior que o tamanho do meu bolso. Porta-joias, tampos para mesas de diferentes tamanhos, porta-copos, pratos decorativos — há de tudo. As lojas até oferecem para empacotar e mandar entregar na residência do turista.

Antes que me acusem de enrolador: o próximo será o tão esperado post, o último sobre Agra, com fotos da minha visita ao Taj Mahal logo após o nascer do sol.

Agra (2/4): Mausoléu de Itmad-ud-Daulah (Baby Taj)

Itmad-ud-Daulah foi um tesoureiro do Império Mogul. Em 1622, sua filha mandou construir para ele um lindo mausoléu, que levou seis anos para ser concluído.

Os detalhes refinados da construção de mármore branco incluem telas de treliça e incrustações de pedras preciosas e semipreciosas. O estilo e a artesania serviram de ensaio para a construção do Taj Mahal, poucos anos mais tarde. Por isso, acabou conhecido como Baby Taj.

Não só o mausoléu é perfeitamente simétrico: também o jardim em seu entorno. A cada lado do túmulo, que é quadrado, corresponde um portão em arenito vermelho.

Portão Leste do Mausoléu, visto de fora (ao fundo, o mausoléu)

O mausoléu, visto do lado Sul (mais iluminado)

Mosaico na parede do mausoléu

Uma das impressionantes telas de mármore;

cada uma é esculpida em uma placa única

Detalhe de uma das portas do mausoléu

O mausoléu emoldurado pela sombra do Portão Oeste

Panorâmica feita do lado Sul.
À esquerda, o Rio Yamuna e o Portão Oeste.
Ao centro, o mausoléu.
À direita, o Portão Leste (entrada do jardim).

Após a visita ao Baby Taj, uma primeira espiadinha no Taj Mahal mais de perto — mas do lado oposto do Rio Yamuna. A visita oficial ficaria para o dia seguinte…

“Projeto Espeto Noite Jovem” na Índia!

Um viajante europeu que visitou Agra no século XVII, Jean-Baptiste Tavernier, escreveu que Shah Jahan tinha começado a construir um mausoléu para si no outro lado do Rio Yamuna, idêntico ao Taj Mahal (que ele havia construído para sua esposa, Mumtaz Mahal), mas em mármore preto. O imperador só não teria levado adiante a construção da Kaala Taj (coroa preta) por ter sido deposto e aprisionado por seu filho Aurangzeb no Forte de Agra. Arqueólogos contemporâneos revelam que se trata de lenda, que se mantém viva por meio dos guias turísticos indianos…

Do lado de cá do Yamuna,
o muro que, segunda a lenda, seriam as fundações da Kaala Taj

Agra (1/4): Forte de Agra

O Forte de Agra começou a ser construído por Akbar, imperador Mogul, entre 1565 e 1573, com fortificações de arenito vermelho. Entrei no forte pelo portão Sul, chamado de portão Amar Singh ou Lahore, e fui em direção ao Diwan-i-Aam, o salão de audiências públicas.

Portão Amar Singh ou Lahore, entrada Sul do Forte de Agra
Diwan-i-Aam, salão de audiências públicas do Forte de Agra
Colunas de mármore branco do Diwan-i-Aam

Passando pelo Anguri Bagh, ou Jardim das Uvas, visitei o Khas Mahal, palácio de mármore onde ficavam os aposentos das princesas Jahanara e Roshanara, filhas do imperador Shah Jahan e de sua esposa preferida, Arjumand Banu (conhecida como Mamtaz Mahal, ou a escolhida do palácio).

Foi o Shah Jahan que mandou construir o Taj Mahal, como mausoléu para Mamtaz Mahal, que faleceu no parto. Na velhice, Shah Jahan foi aprisionado pelo filho Aurangzeb no Forte de Agra, na Musaman Burj, uma torre octogonal. Dali, podia contemplar o Taj Mahal, saudoso da esposa a quem tinha verdadeira devoção. Diz a lenda que foi ali, olhando para o Taj Mahal, que ele veio a falecer, nos braços de Jahanara, a filha preferida (que ficou com metade de sua fortuna).

Anguri Bagh, o Jardim das Uvas
Khas Mahal, onde há os aposentos das princesas
Musamman Burj, a torre onde Shah Jahan passou seus últimos anos
Exemplos da técnica pietre dure: incrustações de pedras preciosas e semipreciosas no mármore.
Infelizmente, as pedras preciosas não resistiram à ganancia de conquistadores e visitantes…
À esquerda, no primeiro plano, a torre Musamman Burj;
à direita, à distância, o Taj Mahal/ também se vê o rio Yamuna

A parte final da visita ao Forte de Agra foi o Jahangiri Mahal, palácio do reinado de Akbar.

Em um dos espaços do Jahangiri Mahal
Detalhes da arquitetura hindu no Jahangiri Mahal
No principal portão do Jahangiri Mahal, símbolos de diversas religiões:
arcos muçulmanos (Islamismo), flores de lótus (Hinduísmo) e estrelas de Davi (Judaísmo)
Fachada principal do Jahangiri Mahal

Arrancar ou não arrancar

Sabe aquelas coisas bem pequenas que podem nos incomodar bem bastante? Uma delas eu tenho visto ao chegar em casa todos os dias, pelo menos ao longo do último mês.

Esse cartazinho petulante aí, afixado no meio da porta de entrada do edifício onde moro, tem tantos problemas de forma e conteúdo que fica difícil saber por qual começar. Então o jeito é começar.

Esteticamente, é horrendo, em todos os aspectos: caligrafia, recorte do papel, uso dos adesivos, escolha do local de afixação.

Socialmente, é grosseiro, para dizer o mínimo (que já inclui “de mau gosto”, na minha definição).

A conduta que o cartazinho parece pretender evitar (cinzas e bitucas de cigarro jogadas pelas janelas, no pátio e nos jardins) é obviamente contrária ao bom senso; os fumantes deveriam abster-se dessa conduta independentemente de aviso.

Porém, em vez de advertir os fumantes das penalidades a que estão sujeitos por causa dessa conduta (o que me pareceria mais adequado), o cartazinho emprega sarcasmo. É óbvio que janelas, pátio e jardins não são cinzeiros; todos os fumantes sabem disso (exceto, talvez, aqueles com distúrbios psiquiátricos gravíssimos).

Com esse sarcasmo, o cartazinho insulta a inteligência de todos os fumantes, tanto dos que descartam adequadamente as cinzas e bitucas quanto dos que as descartam inadequadamente. Ora, o fato de certos fumantes descartarem cinzas e bitucas inadequadamente não autoriza ninguém a insultar sua inteligência.

O cartazinho ainda ofende (não só com o sarcasmo, mas com todos os problemas listados aqui) todos os não fumantes que, para entrar em casa, inevitavelmente têm de passar por ele. Também envergonha todos os moradores, porque as visitas deles, ao entrarem no prédio, também acabam lendo esse cartazinho tosco. Eu, se fosse meu visitante, não teria dúvidas: “é, o Guri mora num cortiço.”

Administrativamente, é inútil. Duvido que algum fumante se sinta incentivado a abandonar ou tenha efetivamente abandonado sua conduta inadequada por causa desse cartazinho.

Ortográfica e gramaticalmente, o cartazinho é… bah, ortográfica e gramaticalmente, ele não é.

Til na letra errada (“atençaõ”, “naõ”, “saõ”). Aquele acento de “pátio” que está mais no “t” do que no “a”. Ponto de exclamação e ponto de interrogação ao final: não há como saber se é um, se é o outro, ou se são ambos. Sujeito separado do predicado por uma seta feiosa. “Atenção”, dois-pontos, “Fumantes”, dois pontos: obviamente, quem escreveu o cartazinho nem sonha em saber o que seja vocativo.

Por fim, temos a “Adm.” (que deve ser sigla para “Administração”) se dizendo “gratos” em vez de “grata”. E se a intenção foi agradecer em nome de todos os moradores (“gratos”), deixo registrado: a Adm. signatária desse cartazinho não me representa. #nãomerepresenta mesmo.

A agressão completa que esse cartazinho me impinge chegou a despertar em mim ímpetos vândalos, que até me envergonham. Pensei seriamente em descer à entrada do prédio numa noite qualquer e, no silêncio do sono dos vizinhos e da Adm., sem correr o risco de ser visto ou ouvido, arrancar o tal do cartazinho.

Mas esse não seria eu. Se não afixei eu o cartazinho, não seria meu o direito de arrancá-lo.

Por outro lado, se não têm bom senso nem os fumantes que jogam cinzas e bitucas pelas janelas e nos pátios e jardins nem a Administração que afixa cartazinhos imbecis, alguém que tem bom senso deveria tomar uma atitude. E se a atitude contra os fumantes transgressores é mais difícil, a atitude contra a Administração parece bem simples: arrancar o cartazinho.

Mas eu não sou polícia estética, social, administrativa, ortográfica ou gramatical. Não arranco.

Se bem que, nesse mundo de comportamentos absurdos, talvez uma polícia dessas viria bem. Arranco.

Ou talvez eu seja dramático e exija muito de mim mesmo, dos outros e do mundo. Talvez mais absurda que os comportamentos do mundo seja minha inquietação extremada por causa daquele cartazinho. Talvez eu simplesmente devesse deixá-lo estar. Não arranco.

Mas talvez, se eu arrancasse o cartazinho, conseguiria, junto com ele, arrancar do mundo um pouquinho do comportamento absurdo que faz faz minha alma doer…

Arranco ou não arranco?

Rajastour, dia 5: Forte de Amber e Jaipur (a Cidade Rosada)

Próxima e última parada do Rajastour: Jaipur, a capital do estado do Rajastão. É conhecida como a Cidade Rosa, por causa da cor dos prédios, muros e portais da parte murada da cidade. A pintura em rosa (cor que simboliza boas-vindas) foi feita em 1853, para uma visita de Eduardo, Príncipe de Gales. Desde então, a cidade ganha pintura rosa nova de tempos em tempos (atualmente, a cada dez anos).

Uma das atrações arquitetônicas mais impressionantes, ícone de Jaipur, é o Hawa Mahal, o Palácio dos Ventos. Foi construído em 1799 e tem altura de cinco andares. A estrutura, como muitas na Índia, foi assim projetada para permitir que as mulheres muçulmanas pudessem observar a rua sem ser observadas.
Fachada do Hawa Mahal, o Palácio dos Ventos

Antes do passeio pelo centro de Jaipur, fui a Amber, capital do Rajastão antes de Jaipur, até 1727. Ali, sobre as ruínas de um forte do século XI, foi construído a partir de 1592 o Forte de Amber, que ao longo dos séculos foi ganhando novos prédios, espalhados pelo alto do morro.

O passeio pelo forte de Jaipur começa de forma bem tradicional (e divertida): como costumavam fazer os marajás, subi o morro levado por um elefante!
Pronto para subir ao Forte de Amber
Ao subir o morro, vista do Lago Maota e do jardim Kesar Kyari Bagh
Elefantes na subida ao Forte de Amber
Panorâmica de Jaleb Chowk, o primeiro grande pátio do Forte de Amber
A subida dos elefantes, vista do alto do forte
O Sattais Kacheri, onde os escribas registravam os pedidos dos governantes regionais.
É uma plataforma elevada em Jaleb Chowk, com 27 colunas.
Diwan-i-Aam, o salão de audiências públicas dos marajás
Ganesh Pol, o portão de Ganesh, que leva de Jaleb Chowk, a praça pública,
à parte do forte onde ficam os aposentos privativos do marajá e sua família
Aram Bagh, ou Jardim dos Prazeres
Do alto do Ganesh Pol, vendo a praça pública, Jaleb Chowk, pelas janelas de treliça de pedra
Uma das janelas de Ganesh Pol
Sheesh Mahal, o Palácio dos Espelhos
Sheesh Mahal, o Palácio dos Espelhos
Baradari, no centro do Palácio de Man Singh I, parte mais antiga e reservada do forte

Concluída a visita ao Forte de Amber e antes de começar os passeios por Jaipur, passei pelo Jal Mahal, o Palácio das Águas, no Lago Man Sagar. Também visitei uma loja onde vi trabalhos em tapeçaria e xilogravura em têxteis.

O Palácio das Águas
Xilogravura em têxteis

Em Jaipur, a primeira visita foi ao Jantar Mantar, o observatório astronômico que o marajá e astrônomo Sawai Jai Singh II mandou construir entre 1728 e 1734. Em seguida, visitei o Palácio de Jaipur, composto por vários edifícios, inclusive o da residência da atual família real.

Vista geral do Jantar Mantar, o observatório astronômico
No relógio de sol, 12:12
Mubarak Mahal, um dos edifícios do Palácio da Cidade
Rajendra Pol, que leva ao Diwan-i-Aam (salão de cerimônias)
Diwan-i-Aam, o salão de cerimônias
No Diwan-i-Aam, um dos vasos de prata encomendados pelo
marajá Madho Singh II para levar água sagrada do Ganges
em sua viagem a Londres em 1901
Riddhi-Siddhi Pol, portal que leva ao Pritam Chowk, o Pátio das Armadas
O Portão do Pavão, na parte Nordeste do Pritam Chowk,
é um dos quatro portões desse pátio
Detalhe da pintura do Portão do Pavão
Chandra Mahal, palácio de sete andares, habitado pela família do marajá e fechado à visitação

Por fim, fiz um almoço tardio no Surabhi, um restaurante que fica em um lindo e grande palácio de 300 anos de idade. O almoço teve direito a música indiana ao vivo e Gulab Jamun de sobremesa.

Almoço no Surabhi
Música tradicional indiana ao vivo
Gulab Jamun
Na volta ao Peppermint Hotel, fora da parte murada,
deixo para trás a Cidade Rosada

Com Jaipur termino a subsérie de posts do Rajastour, mas seguem posts da série sobre a viagem à Índia: um sobre Agra, a casa do Taj Mahal, e outro sobre Délhi, a capital indiana.

Rajastour, dias 3 e 4 (Jodhpur): Bazaar Sardar e vilarejo Bishnoi

Admito: tá difícil terminar essa série de posts sobre minha viagem à Índia! A justificativa geral é serem muitas fotos e muitos relatos, mas a justificativa recente é a visita a Jodhpur, assunto dos últimos posts, ter sido minha parte menos preferida da viagem.

Não sei explicar por que exatamente Jodhpur foi a menos preferida. Não é que eu não tenha gostado de Jodhpur; apenas não gostei tanto quanto das outras cidades. Então, para de uma vez por todas arrancar esse esparadrapo, vamos lá, bem rapidinho.

Depois do Jaswant Thada e do Forte Mehrangarh, ainda no mesmo dia, visitei o Bazaar Sardar, no centro antigo de Jodhpur. Ali encontrei os mesmos traços da vida urbana indiana (caos, pechincha, diversidade) que tinha encontrado no bazaar de Jaisalmer.

No centro do bazaar, chama a atenção a Ghanta Ghar ou torre do relógio cuja construção foi encomendada pelo marajá Sardar Singh (a propósito, veio dele o nome do bazaar!).

Bazaar Sardar visto do alto, do Forte Mehrangarh, com destaque para a torre
Detalhe da torre do relógio do Bazaar Sardar

Algumas cenas selecionadas do bazaar

No dia seguinte, comecei com um café da manhã com vista para o Forte Mehrangarh, do terraço do hotel onde fiquei hospedado (Pal Haveli). Em seguida, o guia me levou por um passeio de jipe pelas redondezas de Jodhpur, especialmente a um vilarejo Bishnoi. Os Bishnoi são um povo que vive de forma bem simples, observando 29 princípios relacionados principalmente ao ambientalismo. Por ali vi trabalhos em cerâmica e tapeçaria e até assisti a (observa o verbo empregado: “assistir a”, e não “participar de”) uma cerimônia de chá de ópio, tradicionalmente usada pelos Bishnoi para acolher os visitantes.

Concluo o post com algumas das cenas deste quarto dia do Rajastour, na despedida de Jodhpur.

Durante o café da manhã, no Pal Haveli, com vista para o Forte Mehrangarh
No jipe, pronto para o caminho aos vilarejos Bishnoi
No jipe, deixando para trás o portal do Bazaar Sardar
Trabalhos em cerâmica em vila Bishnoi
Vasos de cerâmica
Trabalhos em tapeçaria
Moradia Bishnoi
Entrada de um dormitório da moradia Bishnoi
Cozinha em moradia Bishnoi
Sendo recepcionado como um marajá, com direito a turbante, logo após a cerimônia do chá de ópio

Rajastour, dia 3 (Jodhpur): Forte Mehrangarh

Do memorial Jaswant Thada, diretamente para o impressionante Forte Mehrangarh. Construído em 1459, o forte fica no alto de uma rocha de 125 metros de altura.

As altíssimas defesas do Forte Mehrangarh
Jai Pol, o portão de entrada do Forte Mehrangarh
Pintura de Ganesh no Jai Pol, entrada do Forte Mehrangarh
Jodhpur, a Cidade Azul, vista do alto do Forte Mehrangarh

Dentro do forte, há diversos palácios e salões deslumbrantes, habitados por diversos governantes desde a época da construção do forte e principalmente nos séculos XVII e XIX. Hoje esses ambientes deram lugar a um museu muito interessante, com pinturas em miniatura, itens da decoração dos palácios, armas e armaduras, roupas dos marajás, trabalhos em tapeçaria e até uma coleção de berços reais.

Fachada de um dos edifícios do Forte Mehrangarh
Entrando no museu do forte
Um Mahadol, ou palanquim, usado para transportar marajás (um só de cada vez, é claro)
Exemplo de pintura em miniatura, retratando a (dura) vida de um marajá
Sheesha Mahal, o Palácio dos Espelhos, um dos cômodos do forte
O elegante Phool Mahal, ou Palácio das Flores, foi construído no século XVIII, para cerimônias do marajá
No teto de madeira do Takhat Mahal, chama atenção a decoração de inspiração europeia,
com bolas de árvore de Natal (sem significado cristão, é claro; são meramente decorativas)
Num dos extremos do Takhat Mahal
Detalhe de um berço de marajá
Um dos berços de marajá no Jhanki Mahal, ou Palácio para Espiar
(Ao fundo, é possível ver as janelas com treliças entalhadas na pedra,
de onde as mulheres poderiam observar os pátios internos do forte.)
Moti Mahal, ou Palácio da Pérola, o salão de audiências do marajá, construído no século XVI.
As paredes parecem ter um brilho, como de pérola, porque conchas moídas foram misturadas ao gesso.
À direita, das “janelinhas” no alto da parede lateral, as esposas do marajá podiam observar as audiências.
Ainda o Moti Mahal, com destaque ao trono do marajá e aos vitrais coloridos

Rajastour, dia 3 (Jodhpur): Jaswant Thada

Jodhpur é conhecida como Cidade Azul por causa da pintura azul índigo de muitas construções antigas, sobretudo no entorno do Forte Mehrangarh. Antigamente, somente os membros da casta dos brâmanes podiam pintar suas casas de azul, com a intenção de afastar espíritos maus. Hoje, qualquer pessoa pode pintar sua casa dessa cor, e a intenção é repelir insetos. (Funciona?)

A primeira visita foi o Jaswant Thada, memorial de mármore branco construído por Sardar Singh no final do século XIX em memória do Marajá Jaswant Singh II. Também foi o primeiro de muitos memoriais de mármore branco que eu viria a visitar ao longo da viagem à Índia! É interessante observar a mistura de características da arquitetura muçulmana (as cúpulas laterais) e indiana (a cúpula central).

Fachada principal do Jaswant Thada
Colunas do Jaswant Thada
Interior do Jaswant Thada
Interior do Jaswant Thada

Do morro onde fica o Jaswant Thada também se veem belas paisagens da cidade e do Forte Mehrangarh.

Cemitério (à esquerda) e Forte Mehrangarh (ao fundo, à direita)
Em primeiro plano, parte da cidade, com algumas construções azuis.
Mais ao fundo, a muralha da cidade.
Ao longe, palácio Umaid Bhavan (que não visitei):
construção concluída em 1943; parte hotel, parte palácio

Rajastour, dia 2 (Jaisalmer): De camelo no deserto

Meu último passeio em Jaisalmer foi um safári de camelo pelo deserto de Thar para ver o pôr-do-sol. O deserto fica a Oeste da cidade, em direção ao Paquistão. No caminho de carro da cidade até o local da partida dos camelos, a paisagem desértica era dominante em todas as direções.

Deserto de Thar, perto de Jaisalmer

Chegando ao local de partida dos camelos (onde havia muitos turistas; muitos, forasteiros, como eu, mas também indianos), conheci meu novo amigo: Bab Loo, o camelo.

Garoto-propaganda NYU montado no Bab Loo

A experiência de andar de camelo (camelgar?) foi algo de espetacular. Primeiro, é impressionante a altura do animal: depois que ele sentou no chão, mesmo eu (com meus 191 cm de altura) tive de dar um pulinho para conseguir montar.

O momento em que ele levanta é de certa tensão. A pessoa tem de se inclinar para a frente enquanto o camelo levanta as patas dianteiras; depois, para trás, quando ele levanta as patas traseiras. Aí a pessoa se vê nas alturas, porque o animal realmente é alto.

Quando o camelo começa a andar, o sacolejar é bem mais intenso que o de montar um cavalo. Não sou lá um exímio cavaleiro, mas já montei a cavalo algumas vezes. Garanto: camelo é outra história. Meu motorista de camelo, que puxava as rédeas, sugeriu dar uma disparada, só para ver como era a sensação de camelgar mais rapidamente. O bicho vai mesmo muito rápido. Quem não se segura bem leva tombo certamente!

Um aspecto engraçadinho é que o camelo faz barulhos (grunhinhos, sei lá) engraçadinhos. Infelizmente, não sei descrevê-los. Não sou bom com onomatopeias. Fica apenas a memória auditiva.

Pode haver quem ache o camelo um animal desengonçado, mas, para mim, é de uma elegância extrema.

Não é uma elegância esse animal?

Concluo o post com algumas fotos do passeio de camelo e do espetáculo diário do pôr-do-sol no deserto.

Minha estreia de camelo no deserto
Sombras cada vez mais longas: dia chegando ao fim
Meu motorista de camelo e as dunas Sam do deserto de Thar estendendo-se até o horizonte
Sempre me lembro de fazer uma homenagem à Fabi
(se bem que não há azulejos no deserto)
Outros turistas desbravando o deserto
Sutilezas da criação divina: belas flores em uma paisagem seca
Pôr-do-sol no deserto de Thar
Pôr-do-sol no deserto de Thar
Que indiscrição a minha, mas não pude deixar de registrar o momento:
uma vaca (animal sagrado para os hindus) passa por ali bem quando
meu motorista de camelo (muçulmano) fazia suas orações no pôr-do-sol.

Rajastour, dia 2 (Jaisalmer): Bazaar e Havelis

Depois de um longo intervalo (vamos pular a parte de apontar motivos e ir logo ao que interessa, ok?), volto a contar da viagem à Índia. Eu estava contando sobre meus passeios pelo estado do Rajastão, na série Rajastour 2013.

Os últimos posts foram sobre o primeiro dia do Rajastour, em que fiz a viagem de Mumbai a Jaisalmer via Jodhpur, e sobre o segundo dia, em que visitei o Lago Gadsisar e, em seguida, o Forte de Jaisalmer. Como são muitos os lugares e fotos interessantes, o segundo dia ainda terá dois posts, começando por este, em que contarei do passeio pelo bazaar e pelas havelis de Jaisalmer.

Bazaar é “bazar”, em bom português, mas prefiro usar bazaar porque um bazaar indiano significa algo bem diferente daquilo a que nos referimos com a palavra “bazar”. É uma palavra de origem persa que significa, simplesmente, um mercado ou uma área pública (na rua, mesmo) onde há bancas (às vezes com um aspecto de camelódromo) e lojas dos mais diversos bens e serviços.

Na Índia, os bazaars que conheci (começando pelo de Jaisalmer) são bem característicos, porque exemplificam traços da vida urbana indiana: o caos (gente olhando, comprando e vendendo; produtos expostos à venda por todos os lados), pechincha (tanto no sentido de preço baixo quanto no de negociação para chegar lá) e diversidade (de produtos e esquisitices).

Vi tanta coisa que não duvido de que se possa encontrar de tudo, mas há destaques evidentes: têxteis, temperos e… quinquilharias industrializadas (o aspecto camelódromo que mencionei).

Bazaar em Jaisalmer: de tudo um pouco, principalmente têxteis
Segundo o guia turístico, bigode para cima + turbante colorido = hindu
Segundo o guia turístico, bigode para baixo + turbante branco = muçulmano
Pessoas, têxteis, comércio, caos
Banca de venda de hortaliças, legumes, verduras

Para terminar o passeio, visitei algumas das famosas havelis de Jaisalmer: são palacetes construídos principalmente no século XIX (embora ainda se encontrem havelis construídas recentemente, seguindo o mesmo estilo das mais antigas).

Os principais destaques das havelis são os jalis, sobre os quais já contei em outro post: as belas telas de treliça de pedra esculpidas no arenito. Elas protegem do sol forte, mas deixam entrar a brisa do deserto; também permitem que as mulheres muçulmanas vejam o movimento da rua sem ser observadas.

Estátua de elefante esculpido em arenito, em frente à Nathmalji Ki Haveli
Nathmalji Ki Haveli decorada para um casamento
Entrada da Nathmalji Ki Haveli
Detalhe da Nathmalji Ki Haveli
Cômodo dentro da Nathmalji Ki Haveli
Cottage Gallery, onde fiz uma paradinha para comprar algumas lembranças em pashmina
Chegando à Haveli Patwon Ki pelas ruas estreitas
Fachada principal da Patwon Ki Haveli
Havelis com sacadas projetadas sobre as ruelas
Detalhe da Patwon Ki Haveli
Bigodão
Para o almoço tardio, Ker Sangri (feijão do deserto com alcaparras) e naan de manteiga