Arquivo da categoria: Fotografia

Rajastour, dia 2 (Jaisalmer): Lago Gadsisar

O primeiro passeio no primeiro e único dia em Jaisalmer foi o Lago Gadsisar ou Gadisagar, construído por Rawal Gadsi Singh em 1367 para servir de fonte de água.

A construção do portal de entrada foi ordem de uma cortesã real. Isso desagradou as maharanis (rainhas), que mandaram destruir o portal. Para evitar a demolição, a cortesã ordenou que se colocasse uma estátua do deus Krishna no alto do portal, que permanece intacto até hoje.

Portal do Lago Gadsisar
Do outro lado do portal do Lago Gadsisar
Lago Gadsisar
Foi também ali, à margem do lago, que visitei pela primeira vez um templo hindu.
Antes de entrar no templo: tirar os calçados
Vestíbulo do templo hindu

Um hindu colocando oferendas no altar.
No centro da foto, lingam (representando o deus Shiva)
e yoni (representando Shakti, energia criativa feminina)
Ficarão para o próximo post o relato e as fotos do passeio pelo Forte de Jaisalmer!

Rajastour, dia 1: Rumo a Jaisalmer

Após o fabuloso casamento, comecei um tour de nove dias pela Índia, organizado por mim e pela agência de viagem Diethelm Travel a partir de roteiros sugeridos e dicas de amigas (a noiva Rahela e a Fernanda Kaur) e irmã (Lucy).

Na primeira parte do tour, fiz um “Rajastour”, visitando três cidades do Rajastão: Jaisalmer, Jodhpur e Jaipur. O Rajastão (Terra de Reis), na fronteira com o Paquistão, é o maior estado da Índia. É a terra dos marajás e de lindos e muito antigos fortes e palácios. Entrei no Rajastão pelo aeroporto de Jodhpur.

Área de desembarque do aeroporto de Jodhpur, onde provavelmente era proibido fotografar
Caos urbano de Jodhpur (mas poderia ser em qualquer outro lugar da Índia que eu tenha visitado)

Em Jodhpur, já me aguardavam o agente de viagem local e o Muni, que seria meu motorista pelos próximos dias. Dali comecei a viagem de cinco horas (!) a oeste, rumo a Jaisalmer, o primeiro destino do passeio.

Salvo poucas exceções (sobre as quais contarei mais adiante), fiz todos os traslados de carro (Tata Indigo) com motorista. De início, achei a ideia luxuosa e, portanto, absurda (eu? de carro alugado e motorista?), mas não me arrependo. A Índia não é a Europa, em muitos sentidos: o trânsito na Índia é confuso, as cidades não são exemplos de boa sinalização para turistas, a segurança é incerta, o transporte público (quando existe) não é necessariamente recomendável. Aventura de mochileiro pela Índia até seria legal, mas percebi que teria riscos de contratempos incompatíveis com o pouco tempo que eu tinha para aproveitar. Optei pelo carro com motorista para ter garantia do menor risco possível de contratempos.

Um caminhão levemente sobrecarregado…
Deserto rumo a Jaisalmer
Vaca (no meio da rodovia): uma instituição indiana
Deserto rumo a Jaisalmer

Lá pelo meio da tarde, fiz pausa para almoço em um hotel à beira da estrada. Provei o delicioso Shahi Paneer: cubos de queijo coalho cozidos em gravy de castanha de caju, servidos com creme e manteiga e  acompanhados de naan (pão indiano) de queijo e, só pra não perder o costume, masala chai.

Portão do hotel onde fiz pausa para almoço
Almoço: Shahi Paneer
Parque eólico no deserto

Cinco horas depois… enfim, Jaisalmer! Logo na chegada da cidade, chama a atenção o Forte de Jaisalmer, um dos maiores do mundo e ainda habitado. Foi construído em 1156 por Rao Jaisal (Jaisalmer = Jaisal + Mer = Forte de Jaisal). A onipresença do arenito, tanto no forte quanto na maioria das construções urbanas fora dele, dão à cidade desértica de Jaisalmer um aspecto dourado, especialmente no pôr-do-sol. Por isso, Jaisalmer é conhecida como a Cidade Dourada.

No próximo post, mais relatos e fotos da cidade e do forte. Encerro este com as fotos finais do dia de traslado e do lindo hotel onde fiquei, o Rang Mahal. (Confesso que, depois de achar lindo o hotel, meu primeiro pensamento foi “bah, não acredito que estou pagando duas diárias nesse palácio”. Minhas acomodações talvez pudessem ter sido mais simples. Mesmo assim, sem arrependimentos!)

Chegando a Jaisalmer: primeira vista do Jaisalmer Fort
Ala onde fiquei hospedado no Hotel Rang Mahal
Área da piscina e do bar no Hotel Rang Mahal
Hall de entrada do Hotel Rang Mahal
Sala de espera do Hotel Rang Mahal
Fachada externa do Hotel Rang Mahal

Casamento indiano: Grand finale

Uma festa para 2.500 convidados. Um casamento de duas semanas tinha de ter um encerramento à altura! Cheguei ao local da festa (ao ar livre, no jóquei clube de Mumbai) logo do início, com os amigos da NYU. Entramos na área da festa pelo corredor iluminado um pouco antes da entrada oficial dos noivos com suas famílias. Todos estavam ainda mais espetacularmente elegantes que nos outros eventos!

Chegada da família após a passagem pelo corredor iluminado
Noiva posando para fotos com a família e o noivo

Claro que nem todos os 2.500 convidados estavam todos, ao mesmo tempo, no local da festa: algum fluxo certamente houve. Mesmo assim, para comportar tantos convidados, o local tinha de de ser enorme. Havia três longos buffets (vegetariano, não vegetariano e de sobremesas), um coffee bar, estação de chás (que na Índia não poderia faltar!), uma área com sofás para conversar e relaxar, uma área com as mesas de jantar.

Visão geral do lado de cá
Visão geral do lado de lá
Coffee Bar

A área central da festa tinha uma árvore iluminada e decorada com flores e colares, no mesmo estilo do corredor da entrada. Ali os noivos receberam cada um dos convidados e tiraram fotos. Foram para ali logo depois de entrarem na festa, lá pelas 19:30. Até pouco depois da meia-noite (quando os colegas da NYU e eu voltamos para o hotel), os noivos ainda não tinham jantado… Uma maratona de cumprimentos e fotos. Cãibra nas bochechas de tanto sorrir. (Sempre me dói um pouco quando os noivos ficam tanto em função do protocolo que não conseguem aproveitar adequadamente a festa de casamento!)

Já os convidados aproveitaram a festa e foram muito bem servidos com diversos tipos de coquetéis de frutas (todos não alcoólicos), petiscos… e uma refeição fabulosa em tamanho e sabor. Mais uma vez, contei com a ajuda do amigo indiano (e hindu e vegetariano) Atul, da NYU, que me deu todas as dicas sobre os pratos a provar (e, de novo, provei de tudo e me deliciei com tudo!). Achei excelente a ideia de uma área de sofás, que eu nunca tinha visto (talvez porque nunca tivesse ido a uma festa com tantos convidados que tivesse espaço para uma área de sofás!). Passei um tempão ali com o pessoal da NYU e outros amigos que fiz ao longo dos eventos do casamento.

Convidados curtindo a festa
Foto quase oficial da reunion NYU LL.M. 2010 (com a roupa que ganhei da noiva!)

O dia seguinte ao casamento foi de correria: madrugadão para finalizar as malas e ir ao aeroporto, de onde voei a Jodhpur, para começar o passeio turístico pós-casamento. Minha aventura indiana estava apenas começando… e continuará aqui nos próximos posts!

Elephanta Island e Prince of Wales Museum: últimos passeios em Mumbai

E chegou o último dia das festividades de casamento na Índia (sábado, 19 de janeiro). Porém, como a festa de casamento seria só à noite, aproveitei meu último dia de passeio em Mumbai.

O Remy, colega de Singapura da NYU com quem dividi o quarto no hotel, topou acordar cedo para pegarmos o primeiro ferry até Elephanta Island (ou Gharapuri Island) uma ilha a cerca de 10 quilômetros a sudeste de Mumbai onde há as impressionantes Elephanta Caves, cavernas hindus e budistas esculpidas em rocha basáltica entre os séculos V e VIII d.C. As Elephanta Caves e o Chhatrapati Shivaji Terminus (Victoria Terminus) são os dois locais da região de Mumbai que estão inscritos na lista do Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO.

No barco, saindo para Elephanta Island
Taj Mahal Palace e Gateway of India
Rumo a Elephanta Island
Chegada em Elephanta Island: macacos, não me mordam!
Entrada da caverna principal, templo de Shiva, o principal deus hindu.
Painel de Bhairava (Shiva) matando Andhaka
Painel Trimurti (ou Trimurti Sadashiva ou Maheshmurti),
representando Brahma (criador), Vishnu (preservador) e Shiva (destruidor)
Painel Ardhanarishvara, representando a união entre
Shiva e sua esposa Parvati
Painel que retrata o casamento de Shiva e Parvati

Na volta de Elephanta Island, uma aventura de táxi (porque tudo o que envolva trânsito em Mumbai pode ser considerado aventura, ainda mais se também envolver táxi) até o restaurante Britannia & Co., uma joia persa pertinho do hotel. No restaurante, veio conversar conosco o Sr. Boman Kohinoor, filho do fundador do estabelecimento. Simpático saudosista da era britânica, ele veio nos mostrar a carta (plastificada) que lhe enviou a Rainha Elizabeth II, em que agradece a ele a correspondência gentil e a lealdade.

A experiência de andar de táxi em Mumbai
Britannia & Co.: restaurante de culinária persa próximo ao Grand Hotel Bombay
Com o Remy, saboreando um Berry Pulav no Britannia

Durante a tarde (sozinho, porque os amigos foram descansar para a cerimônia do casamento, mas eu me neguei, obviamente), fui dar umas últimas voltas por Mumbai. Passei pela Estação Churchgate e fiquei umas horinhas no Museu de Mumbai (mapa). Num lindo exemplo de arquitetura indo-sarracênica fica um vasto acervo de diversas obras de arte da Índia, do Nepal e do Tibet, com destaque para esculturas em pedra, pintura em miniatura, artes decorativas (em pedra, madeira, marfim, metais, têxteis), porcelana, armaduras…

Prédio antigo da Churchgate Station
Museu Chhatrapati Shivaki Maharaj Vastu Sangrahalaya;
antes, Prince of Wales Museum of Western India
Hall de entrada do museu
(antes de me dizerem que não podia fotografar, nem sem flash!)

Mumbai

Com as intensas programações do casamento, tive de aproveitar os curtos intervalos para passear um pouco em Mumbai. Após o Mosallah, saí com alguns amigos da NYU para caminhar e fotografar alguns pontos turísticos mais óbvios (com meu foco involuntário na arquitetura gótica), expandindo o passeio já realizado pelas redondezas do hotel.

General Post Office (mapa aqui), o Escritório Geral dos Correios,
um dos exemplos de arquitetura indo-gótica
Pombos no telhado, em casa na frente do General Post Office

A Estação Chhatrapati Shivaji (nome original em inglês: Victoria Terminus, em homenagem à Rainha Vitória, do Reino Unido) é um dos edifícios neogóticos mais impressionantes. Foi designado Patrimônio Mundial pela Unesco em 2004. Até hoje em funcionamento, por ali passam três milhões de pessoas por dia.

Chegando ao Victoria Terminus
Pátio interno da parte administrativa do Victoria Terminus
Torre principal do Victoria Terminus
Entrada principal do Victoria Terminus; à esquerda, o pavilhão dos trens
À esquerda, a entrada principal; à direita, a parte administrativa
O decadente saguão dos trens no Victoria Terminus,
não condizente com a majestade externa do edifício

O prédio da sede da Brihanmumbai Municipal Corporation (BMC), a Corporação Municipal da Grande Mumbai, é outro exemplo da arquitetura gótica de Mumbai. O edifício fica bem em frente à Victoria Terminus. A BMC é responsável, em Mumbai, por serviços públicos como os de saúde e hospitais, iluminação, manutenção de parques, tratamento de esgotos e segurança.

Sede da BMC, vista da Victoria Terminus
Destaque para a torre principal da sede da BMC
Detalhe da sede da BMC
Outro edifício de inspiração gótica

A Flora Fountain (Fonte de Flora) é um chafariz-escultura do século XIX que retrata a deusa romana Flora. Fica na Hutatma Chowk (Praça do Mártir).

Flora Fountain
Detalhe da Flora Fountain
Detalhe da Flora Fountain

Outra exemplo imperdível da arquitetura gótica de Mumbai é a Bombay High Court, a Alta Corte de Mumbai. Com 75 juízes, têm jurisdição originária e de apelação. Suas decisões só podem ser apeladas à Suprema Corte da Índia.

Bombay High Court
Bombay High Court

Por hoje, o último exemplo da arquitetura gótica e veneziana de Mumbai é a Rajabai Clock Tower (Torre de Relógio Rajabai), com 85 metros de altura. Está localizada no campus da Universidade de Mumbai, inspirada no Big Ben e construída entre 1869 e 1878.

Rajabai Tower

Casamento indiano: Mosallah

De roupa nova, fui ao meu primeiro almoço tradicional indiano e vestido tradicionalmente como indiano. Foi o Mosallah, uma festa-almoço organizada pelo tio materno da noiva, realizada em um dos salões do Princess Victoria and Mary Gymkhana, um centenário clube de Mumbai. O evento começou com uma cerimônia em que os noivos ganharam diversos presentes pequenos da família da noiva.

Os noivos e a família da noiva, em parte da cerimônia que antecedeu o almoço
De pyjama e kurta,
rindo da situação de ser “modelo fotográfico indiano”
para três amigos ao mesmo tempo

Infelizmente não vou me lembrar dos nomes (eu deveria ter anotado tudo!), mas do “fluxo” da refeição eu me lembro bem! Sete pessoas sentam no chão ao redor de um prato metálico comum, bem grande. Em regra, não menos nem mais que sete poderiam sentar ao redor de cada prato, mas essa regra foi flexibilizada para que todos os estrangeiros pudessem participar também (sob instruções dos indianos).

Nesse prato grande são servidos os diferentes pratos da refeição: um prato salgado e outro doce, de forma alternada. Não se deve começar o segundo prato antes de que o primeiro tenha sido consumido – e assim sucessivamente até o enésimo… foram muitos e muito bons!

Sou vegetariano, então não tive problemas com a maioria das refeições que fiz na Índia – esta foi a exceção. Alguns pratos tinham carnes, mas a família insistiu que eu participasse da refeição, como experiência. Para isso, quando um prato não vegetariano era servido no prato-mesa comum, algum familiar da noiva me trazia um prato vegetariano. Afinal de contas, acho que nessa refeição fui tão paparicado quanto os noivos. O cuidado dos noivos e das suas famílias em bem receber todos os convidados (evidenciado, aliás, em todos os eventos do casamento) chegou a ser enternecedor.

Encerro com algumas fotos. No próximo post, conto dos passeios que fiz após o Mosallah.

Tive a honra de sentar ao redor do prato-mesa dos noivos
“Vista aérea” da refeição. Neste momento,
eu estava deliciando separadamente
um prato vegetariano que me trouxeram,
enquanto os demais comiam o prato não vegetariano.
Aqui fui flagrado pelo amigo Apostolos secando a boca da lata de refrigerante (ha!)
Lavando as mãos ao final da refeição (foto também do Apostolos)

Casamento indiano: passeio e roupa nova

O dress code para o almoço do meu segundo dia de casamento indiano era roupa formal indiana. Para não usar a roupa que ganhei e ter de repeti-la na festa principal, resolvi ir às compras! (Repetir roupa nem seria tão grave assim, eu acho, mas, num contexto de tanta elegância, não tive coragem.)

Como a loja recomendada pela noiva só abriria às 10h, aproveitei para passear um pouco pelas redondezas do Grand Hotel Bombay. (Lembro que, para quem costuma caminhar dezenas de quilômetros nos lugares que visita — vide NYC, Boston, Philly e Montevideo, apenas como exemplos —, “redondezas” pode ser um conceito mais amplo que o usual!) As redondezas do hotel apresentam características arquitetônicas que evidenciam a influência inglesa durante o Raj Britânico, de 1858 até a independência da Índia, em 1947.

Mumbai — ou Paris — ou Londres
Elphinstone College
Cricket
Biblioteca David Sassoon e um desfile imprevisto de saris
Um toque da bagunça urbana indiana; torre da universidade ao fundo (Rajabai Clock Tower)
Mais um prédio que me chamou muito a atenção: a Majestic House

Terminei o breve passeio no Gateway of India, arco concebido para dar boas-vindas ao Rei George V e à Rainha Mary, da Inglaterra, quando visitaram a Índia em 1911, mas concluído somente em 1924. Perto do arco, chama a atenção o Taj Mahal Palace Hotel, palco do atentado terrorista de 2008.

Gateway of India
Taj Mahal Palace Hotel ao fundo

Depois do passeio, fui à Fabindia (mapa aqui), a loja recomendada pela noiva, e comprei meu traje indiano número dois (além de uns chás orgânicos que encontrei no caminho!). Tinha combinado de encontrar as amigas da NYU Pam e Sarah na mesma loja. Voltei com elas ao hotel, para nos prepararmos para o almoço. Mas sobre o meu primeiro almoço indiano vestido como indiano eu conto no meu próximo post!

Casamento indiano: piquenique à beira do lago

O primeiro evento do casamento foi um dia de piquenique na casa de férias da família da noiva, à beira do lago-represa de Uksan, em Kamshet, a sudeste de Mumbai.

Quer dizer, foi o primeiro evento de que participei. O casamento começou com a cerimônia perante a autoridade religiosa (muçulmana), no início de janeiro, restrita às famílias — a alguns homens das famílias, entenda-se. A festa principal (para 2.500 convidados), gran finale do casamento, ficou marcada para 19 de janeiro. Antes dela, houve duas semanas de recepções menores, essencialmente familiares, mas para as quais eu também estava convidado. Acabei participando apenas da segunda dessas semanas, até porque eu não tinha tanto tempo de férias e queria também aproveitar para passear em outras partes da Índia.

Voltando ao piquenique: o dia começou cedo. Às 6h da manhã estava em frente ao hotel com os demais amigos da NYU ali também hospedados, aguardando um dois dois ônibus que levariam os convidados a Uksan. A viagem de 110 Km por estradas caóticas em meio a paisagens rurais deslumbrantes durou umas três horas. Aproveitei para pôr o papo em dia com a Pam, amiga canadense que “era” minha Study Group de Transnational Law na NYU (nosso grupo de estudos era, na verdade, uma dupla!).

A proposta do piquenique, conforme o informado no convite, era: “pipa, banho no lago e mehendi [tatuagens festivas para o público feminino]”. Acabou sendo bem mais: comidas deliciosas, apresentações artísticas, cricket, música e dança.

Uma das convidadas ganhando uma tatuagem de henna (mehendi)

Na chegada, a decoração ao ar livre e a vista do lago compensaram o chacoalhar da viagem. Três tendas decoradas com flores e mobiliadas com espreguiçadeiras foram estrategicamente montadas no gramado, uma ideia excelente para as conversas dos convidados. Uma grande tenda branca protegia as mesas de refeição do forte sol. Outra ideia genial foi a árvore das pipas: cada convidado escrevia uma mensagem aos noivos em uma pequena pipa de celofane e a pendurava numa árvore, que ficou repleta de pipas coloridas.

Ao fundo, o lago; ao centro, as tendas floridas com espreguiçadeiras;
à direita, parte da tenda branca com as mesas de refeição
A Pam fotografando a árvore das pipas depois de deixar sua mensagem ali
A tenda branca com as mesas de refeição;
ao fundo, uma ponta de terra perto do lago, lugar das pipas e, depois, do cricket

O café-da-manhã que nos esperava na chegada era um verdadeiro banquete. Numa das extremidades da tenda branca, um buffet vegetariano; na outra, um não vegetariano. Eu me senti bem em casa no lado vegetariano, graças à ajuda do amigo indiano Atul, colega da NYU e vegetariano como eu, que me deu todas as dicas de que eu precisava quanto aos pratos indianos. Infelizmente não tive como memorizar todos os nomes, mas o certo é que eu provei de tudo que o Atul me recomendava. Mal tinha terminado o farto café-da-manhã, foi servido um almoço mais completo ainda.

A Rahela, a noiva, já tinha dito para mim e outros colegas estrangeiros da NYU que nesse piquenique várias “comidas de rua” indianas bem originais seriam servidas e que poderíamos comer sem preocupação, porque tudo seria feito com ingredientes de procedência segura. O grande problema de estrangeiros com alimentação na Índia é com a água, que comumente agride os estômagos e intestinos não imunizados contra alguma bactéria particularmente indiana. Por isso, o cuidado especial da noiva. Além de chai (obviamente), café e refrigerantes, serviram também água engarrafada, para a segurança dos gastrointestinal dos estrangeiros!

Ah, e nada de álcool, em nenhum evento do casamento, por observância aos preceitos islâmicos. Não por isso a diversão foi menor que em qualquer casamento a que eu já tivesse ido!

O lado vegetariano do buffet

Meu delicioso prato de café-da-manhã
Os noivos estavam superfelizes, visitando cada uma das mesas

Com meu prato de almoço à sombra, junto com o pessoal da NYU
(O chapéu também foi ideia dos organizadores!)

Os noivos dançando, inicialmente com a família, mas depois com todos os convidados
(e aí não tirei mais fotos, porque também fui aprender uns passinhos indianos!)

Reclamar: vício ou virtude? Pausa na série

Quem prestou atenção nos últimos posts sabe que estou fazendo uma série de posts refletindo sobre reclamações. E quem já vinha prestando atenção antes disso também já sabia que eu viria ao Rio de Janeiro para um evento do Curso Alpha Brasil. E vim. A conferência foi ontem (domingo, 25/11/2012) e sigo aqui por uns dias.

IMG-20121124-00204
Sábado, 24/11/2012, no Leblon: aqui, sou albino

Embora breve, este tempo no Rio está sendo de reencontros e reflexões – não tanto sobre reclamações (tema da recente série), mas principalmente sobre meu church shopping, minhas escolhas e outras questões espirituais (tema deste post).

Agora vou mais é aproveitar (tanto quanto essa chuvinha permitir) o tempo por aqui, mas até o fim da semana, sem falta, retorno ao blog com meus relatos, reclamações e reflexões cariocas.

Colonia del Sacramento

06/09/2012 Quinta-feira

Após quatro dias intensos de passeios em Montevidéu, segui viagem a Colonia del Sacramento, Patrimônio Cultural da Humanidade. Lembro de querer visitar essa cidade-rmã da minha cidade natal (Pelotas) desde criança. Estudando História do Brasil, aprendi sobre sua importância estratégica para portugueses, espanhóis e brasileiros, que alternadamente a domiraram em diferentes momentos, desde sua fundação pelos portugueses em 1680 até a independência uruguaia do Brasil em 1825. Agora finalmente conheceria essa cidade histórica!

O tempo foi meu amigo nos dias em Montevidéu, mas aparentemente isso não aconteceria em Colonia: previsão de chuva para os dois únicos dias que eu passaria lá (um e meio, na verdade). Por isso, deixei meus pertences no Hostel Colonial e, depois de um rápido almoço, fui logo caminhar pelo Barrio Histórico e tirar algumas fotos.

Entrei (não podia ser diferente) pelo Portón de Campo; hoje restaurado, era nos tempos coloniais a única entrada das fortificações. Caminhei pelas partes restauradas da muralha e pelo característico calçamento de pedra da Calle de los Suspiros.

Depois de uma volta pela Plaza Mayor, tirei um tempo para admirar as largas paredes das ruínas do Convento de San Francisco, bem como para contemplar a “vista aérea” do Río de la Plata e da cidade de Colonia do alto do farol (onde ventava muito!) erguido sobre as ruínas.

Passando pelo Museo Municipal e pelas ruínas da Casa del Virrey, segui pela beira do rio até o Muelle, onde havia diversos veleiros. Por fim, visitei a Basílica del Sanctísimo Sacramento e, ao lado, a Plaza de Armas, onde há o sítio arqueológico da Casa de los Gobernadores da época de domínio português.

A noite pareceu vir mais rápido por causa do entardecer nublado. Voltei ao albergue para descansar um pouco. À noite fui ainda uma vez ao Barrio Histórico para um investimento gastronômico: janta no Mesón de la Plaza, em frente à Plaza de Armas. No Salón Portugués da casa, saboreei uma corvina em molho de nozes com medio y medio (tradicional bebida uruguaia, mistura de vinho branco seco com espumante). De postre, uma Copa Africana (sorvete com morango).

07/09/2012 Sexta-feira

A noite foi um pouco fria – e o albergue, embora simpático, por óbvio não tinha o mesmo conforto do hotel três estrelas de Montevidéu!

Ainda assim, descansado, visitei alguns museus no Barrio Histórico. Entrada única para todos; barata, comprada no Museo Municipal. As exposições dos museus que estavam abertos (Municipal, Español e Indígena) são bastante simples; eu esperava um pouco mais, embora não saiba bem o quê! Fiquei um pouco triste de descobrir que há rotatividade na abertura dos museus: nem todos abrem todos os dias. Se tivesse sabido disso antes, teria visitado o Museo del Azulejo e o Museo Portugués na véspera.

Fiz um rápido almoço no Viejo Barrio, em frente à Basílica del Sanctísimo Sacramento, e segui (abaixo de garoa) para uma caminhada pela Rambla até Real de San Carlos (cerca de 6 Km).

View Larger Map

Ali há a Plaza de Toros Real de San Carlos. A plaza de toros em estilo mouro foi projetada para comportar 10.000 pessoas. Foi inaugurada em 1910 e, depois de oito toradas, foi fechada em 1912, com a proibição das toradas pelo Governo Uruguaio. Infelizmente, o prédio está em ruínas; não se pode entrar. Nas redondezas também fica o Frontón de Pelota Vasca, quadra para a prática de pelota basca.

A garoa e um sentimento mais profundo de chateação (a caminhada até Real de San Carlos, sob garoa, não foi lá muito interessante), tomei um ônibus de volta ao centro da cidade. No Colonia Shopping, gastei todo o trocado que me restava com… um alfajor! (Sim: suficiente para um.)

Mas um dos pontos altos de Colonia ainda estava por acontecer: o jantar no Buen Suspiro, na Calle de los Suspiros. Na adega desta antiga casa colonial, com pé direito tão baixa que eu nem conseguia ficar em pé, pedi a Picada Pequeño Suspiro:

Selección de quesos artesanales de Colonia:

  • Queso Colonia
    Nicant, Nueva Helvecia – Santa Frida
  • Queso Colonia saborizado
    (orégano / ajo y perejil) – Villa Celina – San Pedro
  • Queso tipo Parmesano
    Rino Laudato, Tres Esquinas

Salsa Agridulce
(morrón rojo y berenjena)

Tartas de Verdura
2 gustos (berenjenas/zapallito)

Como acompanhamento, vinho da casa (também de Colonia), Fagar Cola (refrigerante uruguaio, também da região de Colonia) e antologia poética de Mario Benedetti (uruguaio de Paso de los Toros, um dos mais importantes escritores da língua espanhola no século XX). A comida, a bebida, o ambiente, a experiência – tudo muito uruguaio, tudo muito sustentável, tudo muito altamente recomendado! Um perfeito encerramento para minha semana de passeio no Uruguai.