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Mais uma de biblioteca

Tanto para contar sobre o que aconteceu nos últimos dias, mas preciso terminar um artigo até sexta-feira. Não posso me deter em atividades bloguísticas por mais que alguns minutos.

Mesmo rapidinho, preciso contar mais uma de biblioteca. Desta vez não é nada inadequado ou significativamente reprovável (como das outras vezes); talvez apenas um pouco fora de contexto: o carinha à minha direita está olhando TV no seu laptop. Algum seriado da FOX.

Tudo bem: ele está com fones de ouvido, sem atrapalhar ninguém. Agora, aposto que ele sabe que deveria estar estudando (as aulas acabaram ontem e o período de provas começa na sexta-feira); do contrário, por que viria pra biblioteca, podendo olhar TV em casa? Que ninguém duvide da força do vício da procrastinação!

Lorimer

Hoje fui ao Brooklyn ver um quarto para alugar. Não vou alugá-lo (pelo menos acho que não), mas não perdi totalmente a viagem. Pela primeira vez andando na linha L, fui até a estação Lorimer St. Além do bairro ali na volta parecer legal, gostei de três coisas na estação:

1) Lorimer St já chegou no futuro: painéis eletrônicos anunciam a chegada dos trens. Uau. Haha… Nada de espetacular, é óbvio, mas é raro encontrar esses painéis nas estações das linhas em que costumo andar aqui em Manhattan (ACE, BDFV, 123, 456).

2) Arte no metrô, parte 1: fé e destino.

 

3) Arte no metrô, parte 2: em homenagem ao Earth Day:

Banananinanão II

Não esperava que conseguissem bater o recorde de dez dias atrás – o episódio da casca de banana na lata de lixo sem tampa e para lixo reciclável, dentro da biblioteca. Pra minha surpresa, conseguiram. Desta vez, a criatura ao meu lado escolheu Doritos Nacho Cheese. Além do cheiro forte, tem também o barulho do pacote. O cara mergulha a mão gordita lá dentro, come um Dorito (?), depois vira uma página do livro de direito (desses caros, sabes?) com a mão gordurosa e cheia de sal. Yum… Falando sério: daqui a dez dias estarei aqui de novo e vai ter alguém comendo peixe frito.

A melhor

Adivinhem qual é a melhor Faculdade de Direito dos EUA na especialidade Direito Internacional, no ranking de 2010 da U.S. News? :)

Cosmopolitan

Sábado fui com uma amiga japonesa a um show de flamenco – dança espanhola – da dançarina mexicana Pilar Rioja. (Bom, eu imaginava que ela tivesse entre 50 e 60 anos – acontece que descobri, ao voltar pra casa depois do show e fazer uma pesquisa básica, que ela tem 78! Fiquei tão em choque que quase não dormi.)

Também sábado era o aniversário de uma amiga dinamarquesa (nascida no Qatar de pai palestino e mãe libanesa). Então depois do show fui a um restaurante libanês para comemorar entre amigos: além da aniversariante, uma alemã, um brasileiro, um espanhol, uma indiana, um israelense, um suíço, e uma taiwainesa.

Galera andando de ônibus (pela primeira vez em Manhattan? haha!) na 5th Ave, depois do aniversário.

Domingo, depois do culto, almocei comida mexicana com o pessoal da igreja. Hoje à noite, enfim, fui com meus amigos americanos Justin e Kyle a “Little Egypt”, em Astoria (Queens), onde jantamos num restaurante egípcio. A sobremesa foi numa padaria grega por ali. Aproveitando que estávamos em Astoria, fomos ao US Brazil Deli comprar guaraná – “original do Brasil” – e Bono de doce de leite.

Depois de eu ensinar os amigos a pronunciar “bolachinha recheada” adequadamente, fizemos um brinde não-alcoólico – com guaraná – à diversidade cultural, em frente à estação do metrô. “To some foreign country!“, disse o Justin (de palhaçada, claro). “To preciseness!“, disse eu, agradecendo a especificidade do brinde.

O brinde

Cara de cansado, eu?

Banananinanão

Eu poderia estar ainda estudando na biblioteca agora, mas acabo de voltar pra casa. E o porquê é inacreditável. Estava eu lá, bem instalado na área de estudo; sobre a mesa, além do computador, uma pilha de oito artigos pra ler. Estava lendo os artigos, fazendo anotações. Nisso, meio sem acreditar, comecei a sentir cheiro de banana. “Não, não pode ser.”

Foi aí que vi: dois seres de forma humana na mesa ao lado terminaram o lanche e estavam indo embora da biblioteca. Antes disso, porém, vieram colocar na lixeira (uma lixeira sem tampa, para papéis e outros recicláveis) ao lado da minha mesa – claro, onde mais? – o resíduo do lanchinho: um copão de café (óbvio!), vazio, e uma casca de banana. “Não, não pode ser.”

Tchê, falando sério. Primeiro: lanche dentro na biblioteca? Segundo: banana? Por que não um peixe frito, então, ou algo com cheiro mais forte ainda? Terceiro: na lixeira sem tampa para lixo reciclável? Quarto: se a ideia era sair da biblioteca de qualquer jeito, não dava pra fazer o lanche – e descartar o resíduo – fora da biblioteca, não? [Suspiros.]

Taí, talvez eu devesse ter dito, “vem cá, criançada, tão pensando que isso aqui é o quê?” Mas não sou assim. Evito conflito. Em vez de me expressar e de justamente me indignar, me fecho. Juntei minhas coisas e vim embora – e já que tive que me desinstalar, nem me dei trabalho de procurar outro lugar na biblioteca; aproveitei pra voltar pra casa. Tudo bem… teria que voltar logo de qualquer forma. Além do mais, acho que nem teria adiantado falar o que quer que fosse. A criançada estava saindo com pressa pra recreação.

Heat wave

Ontem foi um dia chique: almoço com o reitor e New York Philharmonic (NY Phil, para os íntimos) à noite.

O almoço com o reitor começou mal. Não era propriamente almoço (era sanduíche) nem com o reitor (que chegou atrasado). Mas depois foi melhorando.

A NY Phil, por outro lado, começou e terminou bem, conforme o esperado. Da primeira vez, assisti à orquestra no Carnegie Hall, com o Alan Gilbert de maestro, como contei alhures. (Haha! “Alhures” é uma daquelas palavras horrendas, pedantes, contrárias a qualquer princípio de boa redação em português brasileiro, mas me lembrei agora de que ela existe e resolvi usá-la só por diversão. Significa “em outro lugar”, só pra deixar claro pra quem talvez não soubesse. Na boa, nenhuma obrigação de saber. Aliás, não recomendo essa palavra. Olha, até já me arrependi de usá-la. Não, agora é tarde; não vou apagar este comentário parentético e metadiscursivo. Talvez devesse. Ih, quanto mais eu penso alto a respeito, mais longo fica o comentário. Não vou apagar. E chega. Fecha-parênteses.)

Desta vez, assisti à NY Phil no Avery Fisher Hall, do Lincoln Center – a “casa” da NY Phil –, com o maestro Antonio Pappano. Espetacular. Começou com a Sinfonia no. 31 em Ré Maior de Mozart, conhecida como “Sinfonia Paris” (primeiro movimento: Allegro Vivace). Totalmente Mozart. Sem intervalo (o que eu achei ótimo!), finalizou com a Sinfonia no. 4 em Mi menor de Brahms (primeiro movimento: Allegro non troppo). Totalmente romântico. Ah, é tão triste pensar que em tão pouco tempo perderei essa barbada dos ingressos estudantis…

Um dia de atividades agradáveis, mas um péssimo dia pra ter de usar terno. Quase derreti, em pleno início de primavera. Foi 90 °F (32,2 °C) a temperatura registrada no Central Park, a mais alta num 7 de abril desde 1929, quando fez 89 °F (31,6 °C). Hoje foi bem mais ameno, mas a tempestade prometida ainda não chegou pra fazer a coisa voltar ao agradável normal primaveril. Neste instante, 81 °F (27,2 °C) dentro do meu quarto. A brisa já é escassa, e pouco dela chega até mim através dos dez centímetros de abertura possível da janela (não abre mais que isso – regras da universidade, para reduzir o índice de suicídios… pior que é sério). O D’Ag (meu prédio) ou tem aquecimento no prédio todo ou tem ar condicionado no prédio todo – e a administração só pretende fazer a troca para a função ar condicionado (é um processo complicado, não apenas um clic de interruptor) em 31 de maio. Até lá, sofrimento.

Como se vê, calor me irrita. A intenção inicial do post era um “what really grinds my gears” pra liberar com sarcasmo poético (?) algumas frustrações entaladas na garganta há algum tempo. Mas calor me irrita tanto que perco até a paciência de manifestar minha irritação.

Primavera e Páscoa

É primavera. Assim, de uma hora pra outra. Incrível. Os dias estão cada vez mais quentes. As ruas estão cada vez mais cheias das mais vivas cores (de flores) e dos mais intrigantes cheiros (de flores, também). E pensar que um dos últimos posts tem fotos de nevasca… Em breve, fotos da nova estação.

Tanta coisa aconteceu na última semana: viagem a Washington, visita da Lígia, diversas correrias acadêmicas (três papers importantes y más). Infelizmente me falta tempo pra fazer relatórios detalhados. Algumas fotos desse período já coloquei no picasaweb do guri.

Na Sexta-feira Santa e no Domingo de Páscoa tivemos cultos muito lindos e emocionantes na City Grace. No total, sete amigas e amigos da NYU aceitaram meu convite e foram a pelo menos um dos cultos – fiquei bem feliz! Também foram as apresentações do City Grace Choir. Felizmente, desta vez temos vídeo! (Tem que clicar pra ver o vídeo, que vai abrir em nova janela ou aba. O vídeo está em widescreen e “não cabe” direito no layout do blog!) Só pra esclarecer: o guri de costas e vestindo camisas elegantes sou eu. As músicas, na ordem:

Sexta-feira Santa

  • O Sacred Head Now Wounded
  • Were You There

Domingo de Páscoa

  • Early In The Morning On Easter Day
  • The Irish Blessing

Após o culto de Páscoa, passei um tempo agradável com alguns amigos da igreja, primeiro no almoço comunitário, depois lagarteando (!) no Washington Square Park (eles no sol, eu na sombra, haha), e finalmente jogando frisbee no Central Park. “Coisa de guri de apartamento”, disse a Lucila – pode até ser, Lu, mas são os raros momentos de escape do mundo jurídico. (Na volta, passei boa parte da madrugada escrevendo um reaction paper sobre direitos humanos!)

Metrô e nostalgia II

Como disse no primeiro post Metrô e nostalgia I:

Agora, a entrada/saída [de metrô] de que mais gosto é, sem dúvida, a da estação42nd Street – Bryant Park. Mas não qualquer entrada/saída: a da esquina sudeste da 42nd St com 6th Ave. Aliás, só a saída, mesmo – a entrada não tem nada de especial. O motivo é simples. A primeira coisa que se vê ao subir a escada é o Chrysler Building (que pode ter sido superado pelo Empire State em altura, mas não em beleza). É muito lindo sair da estação, pisar na calçada do Bryant Park e dar de cara com o Chrysler… Ainda preciso tirar uma foto naquela saída de metrô. É uma imagem de que não quero esquecer.

Pra não esquecer a imagem: aí está a foto, pois. Nem o dia chuvoso conseguiu estragá-la!

The Guritles

Ri, chorei, me atirei no chão. Estarrecedoramente divertido.

Valeu, André, pelo link! :D

(Postagem 300 do blog do Guri!)