Arquivo da categoria: viagens

Dinâmica sábado 9/5/9

Então, meu, fui lá e participei da dinâmica de grupo – uma das últimas etapas da seleção de bolsa de estudos. O clima até que foi legal: candidatos de alto nível, ninguém querendo sabotar ninguém (ou pelo menos não era evidente!).

Sem entrar em mais detalhes de como foi, preciso dizer: não sei, não. (Já digo antes de saber o resultado, pra não dizerem que não sei perder.) Prefiro avaliações do tipo o-que-sabes, que testem conhecimentos, às do tipo quem-és, que testam atributos subjetivos.

Primeiro, não sou obrigado a saber tudo; por isso, sou capaz de aceitar ser reprovado numa avaliação o-que-sabes. Mas, numa quem-és, se eu “não passar”, significa o quê? Que eu, subjetivamente, não presto? Ou que, pelo menos, não presto para os fins pretendidos pela avaliação? Prefiro que me digam que não sei nada. Isso eu pelo menos posso resolver facilmente para uma próxima vez… estudando mais!

Segundo, é possível que alguém consiga responder quem-és em uma hora e meia – ou que o avaliador consiga capturar tão rápido o quem-sou do candidato? Eu tenho duas dúzias de anos e ainda não pude responder quem-sou de forma plenamente satisfatória (aliás, se alguém puder, agradeço!). Por outro lado, já consegui responder a testes escritos bastante satisfatórios – sobre o-que-sei a respeito de determinado assunto – no mesmo intervalo de tempo.

Terceiro, avaliações quem-és dependem demais da competência do avaliador. Não gosto de duvidar da competência profissional de ninguém, mas preciso admitir que nesses casos fico com um pé atrás. O avaliador sabe diferenciar o cara que durante a dinâmica se faz de líder ou talentoso ou esperto ou empreendedor daquele que realmente é? Sim, acredito que um bom avaliador consiga fazer essa diferenciação. Mesmo assim, é certo que numa avaliação o-que-sabes – que tem respostas que se aproximam mais do “certo” ou do “errado” – são menores os riscos de injustiças por parte dos avaliadores.

Adoro argumentar, mas ai, argumentar também cansa. Ademais, tenho outras coisas a postar nesta maratona.

Chegada em Sampa sexta 8/5/9

Começou muito bem. Um dos primeiros a descer do avião (poltrona 4D, corredor e frentão, é tudo de bom), fui um dos primeiros a chegar à esteira de bagagem, me coloquei bem na saída das bagagens. E elas demoravam a aparecer…

Até que a esteira começou a se mover, e mal pude acreditar: minha mala foi a primeira a sair, coisa que nunca tinha me acontecido – aliás, já me aconteceu muito mais de ser um dos últimos… ou mesmo o último!

Saí do desembarque e fui encontrar minha tia Lena no embarque – eu chegando a Sampa e ela voltando a Porto. Malas no carrinho, fui em direção ao elevador, que simplesmente se abriu na minha frente, antes mesmo de eu esticar meu dedo pra apertar o botão.

Era São Paulo me tratando com honras e abrindo as portas. Vim pra cá para tentar uma bolsa de estudos – dinâmica de grupo no sábado. Com todo esse aparato de boas-vindas, já estava esperando que, no dia seguinte, olhassem pra mim e me dissessem: “Gostei da sua cara. Quer uma bolsa integral?” Menos, menos…

A conversa com minha tia foi expressa – só pra “passar o bastão” do revezamento da hospedagem: vim me hospedar aqui na prima Adri, onde até então estava hospedada a minha tia.

Ônibus de Guarulhos a Congonhas, táxi de Congonhas ao Jardim Paulista… aquelas horinhas de gostinho inicial de São Paulo. Com bem pouco trânsito, a bem da verdade.

Desbravei aqui o apartamento (a chave estava com a vizinha) e mais tarde a Adri chegou, e depois o Wiliam, namorado dela. Turma completa, fomos a um bar.

Sim, eu fui pra night paulistana. Haha. Eu, que praticamente nunca saio, saí. E foi superbom. Tem até foto pra comprovar, mas O Bar Baro ainda não publicou no site. Voltamos cedo, porque no sábado a dinâmica de grupo me esperava.

Maratona bdG Sampa

Pô, cara, faiz teimpo que eu tô em São Paulo, meu. Mas não tanto assim, a ponto de pegar sotaque, tchê! Também faz tampo que não publico nada no blog. Mas não tanto assim, a ponto de não mais poder escrever posts retroativos.

Acontece que estou – começou há pouco – no maior surto blogueiro que já tive. Quero postar muito, até gastar todo o assunto. E vou fazer isso mesmo. Vou testar os limites da verborragia. Que comece a Maratona bdG Sampa.

Blog de cara nova

Cansei. Resolvi redecorar a casa, “reposicionar os móveis da sala” (em homenagem à tia Leda – espero que ela leia este post!). Taí o blog de cara nova, em azul e com imagem de cabeçalho cheia de significado: New York City vista de fora, na perspectiva de quem aos poucos vai chegando…

A foto é minha, de 26/01/2006 (mais velha que o blog!), no meu único passeio em NYC (“escalas” na estação de trem fiz umas quantas, mas isso é uma longa história que não tenho tempo de contar agora).

Ordem na casa

You know what really grinds my gears? Não, este não será o primeiro post da série!

Há muito tempo estava incomodado, então resolvi que não passava de hoje: vasculhei os arquivos do BdG em busca de erros de formatação. Acontece que, quando troquei o layout do blog há um tempinho, alguns dos posts mais antigos acabaram ficando num parágrafo só. Finalmente corrigi a maioria deles; confiram nos arquivos do blog! (Aliás, confiram mesmo, porque eu posso ter pulado algum detalhe!) E pra tentar evitar a reincidência desses problemas de formatação do blogger.com (ou talvez: meus problemas com o blogger.com quanto à formatação!), resolvi fazer a tentativa de postar a partir do Microsoft Word 2007. Vejamos se funciona bem a partir de hoje.

Também reorganizei os numerosos marcadores (labels) de forma a torná-los mais úteis à navegação aqui no BdG. Por exemplo: há um marcador para todas as viagens e um específico para cada uma das que têm um número significativo de postsArgentina 2007, UK Tour 2007 e Bonn 2008 (os das viagens a Portugal, Suíça e Viena estão resumidos no marcador Europa 2008, que não inclui os de Bonn!). Aos poucos vou aperfeiçoando mais e mais esse sistema (que, diga-se de passagem, é mais novo que o blog!).

Há quem diga que tudo isso é “neurose” ou “TOC”; eu prefiro chamar de “ordem na casa”, um pressuposto básico pra tornar o BdG um lugar mais habitável, sistemático, visitável, sei lá. Posts substantivos devem vir nos próximos dias. Isso não é um compromisso.

Semana longa e linda

A semana passada foi provavelmente a mais longa e linda que já vivi. É incrível: há mais ou menos dez dias ainda estava na Alemanha, e agora estou de volta ao Brasil e totalmente imerso no meu quotidiano de maluco! Tanta coisa aconteceu, e não quero deixar isso tudo passar em branco… Por isso, retomo os acontecimentos da quinta-feira, dia 27/03, até hoje.c Aí entra um dos grandes propósitos do Blog do Guri: publicar minhas impressões sobre a vida, não só para o meu leitor paciente e persistente, mas também para o Guri de daqui a algum tempo, ou mesmo para os netinhos que provavelmente não virei a ter!

Quinta-feira, 27 de março

Como tinha dito no post anterior, fui à cidade de Colônia (Köln) com duas amigas estagiárias do Secretariado, e lá encontrei outra amiga, ex-estagiária. Visitamos a majestosa Catedral, a maior igreja gótica do Norte da Europa (seguida pela de York, que também visitei, em dezembro passado!) e com a segunda maior agulha de torre (só menor que a da Catedral de Ulm… que também visitei, e até subi ao topo da torre com meu cunhado Volker, quando fui à Alemanha pela primeira vez, em 2001… em termos de turismo sacro, meu currículo tá bem intressante!). Depois dali, jantamos em um restaurante bem legal, tivemos papos profundos… e ganhei (mais!) presentes de despedida! E mais aperto no coração…

A Catedral de Colônia: é praticamente impossível tirar uma foto de toda a igreja, por isso está cortada… mas por isso também dá pra ter uma idéia da sua grandiosidade!

Da esquerda para a direita: eu, Barbara (Alemanha), Weili (China) e Outi (Finlândia)

Sexta-feira, 28 de março

Dia de despedidas no Secretariado… Coletei as últimas assinaturas de check-out do Secretariado: burocracia nostálgica, dizendo adeus a várias pessoas! Em seguida, ainda fiz meu último projeto de trabalho: criei uma lista de bookmarks úteis para futuros estagiários do Departamento Jurídico (tudo no contexto do meu trabalho como “intern focal point” – em desvio de função, claro, mas não importa). Almocei na cantina indiana, como sempre, com minhas amigas estagiárias, como quase sempre, mais o Cam (supervisor-tio) e outro amigo, um consultor do Secretariado que estava indo embora no mesmo dia. Recebi meu certificado (yuhu – estágio concluído!) e uma carta de recomendação generosa da minha supervisora. Ela ainda me convidou para uma caminhada à beira do Reno, para falar de “duas áreas em que eu posso melhorar”; uma conversa franca, agradável e puramente construtiva. Um dia desses eu conto mais sobre um dos aspectos a melhorar, que é totalmente verdadeiro (percebi direto!) e suscetível de discussão com os leitores do BdG. ;)

Por fim, distribuí os cartões de despedida que vinha escrevendo nas semanas anteriores… e fiz meu último “goodbye tour” pelo sexto andar do Secretariado! Já era o fim do expediente e por isso a Outi e a Weili foram embora comigo. No jardim do Secretariado, fizemos tantas fotos de despedida que nos sentíamos até celebridades. Ainda fomos comer chocolates caseiros (MmMmMmMm…) e jogar mais conversa fora em uma casa de chá em the Famous Kessenich Centre-of-the-Universe (pra quem não conhece a história: tá aqui!).

Eu e Weili, em frente ao castelinho do Secretariado (Haus Carstanjen)

Outi e eu, também em frente à Haus Carstanjen
(Créditos da espinha na testa: muito crêpe em Paris no findi anterior!)

Amei essa foto: até parece que eu tô felicíssimo de estar indo embora,
mas essa cara feliz é só porque as gurias estavam fazendo palhaçada pra eu rir!

Depois de muita resistência, despedimo-nos finalmente e me fui pro meu quarto na Kessenicher Straße, dar um jeito de empacotar toda a minha vida em Bonn nos últimos quatro meses… A Ca e o Volker me buscaram tarde da noite, e no caminho até a casa deles em Untershausen fui contando tudo o que escrevi neste post – só que eles tiveram o privilégio (ou: fizeram o sacrifício) de ouvir tudo com mais detalhes!

Sábado e domingo, 29 e 30 de março

Foram dois dias de relax, reempacotamentos e acomodações (quem me dera poder ter feito as malas de forma eficiente e perfeita em quatro horas na sexta-feira!), mas também das mais difíceis despedidas: minha irmã e meu cunhado foram tudo de Bonn pra mim durante meu período na Alemanha. Desde o início de janeiro, e graças ao meu telefone ultrabaratex (30€ para falar por 3 meses!), potencializamos nossa capacidade de transmimento de pensação: não sei quantas vezes eu pensava em falar com a Carina e ela me ligava, ou eu ligava pra ela e ela me dizia que estava pensando em me ligar… :P

Foram tempos inesquecíveis de compartilhar, principalmente em nossas inúmeras (e intensivas) viagens pela Europa. Passeamos muito mais do que eu poderia imaginar em relativamente pouco tempo: Koblenz, Frankfurt, Luxemburgo, Zurique, Lausanne, Genebra, Dachau, Viena, Berlim, Paris… e tenho até medo de estar esquecendo algum lugar especial. Ah, claro: Untershausen, o QG da família na Alemanha.

Eu tinha prometido que só choraria no avião (e sou fiel aos meus compromissos). Embora eu soubesse que igual morreria de saudade, nossa despedida tinha que ser mais um “até logo” que um “adeus” – até porque logo eles estarão aqui no Brasil. E quando digo “logo”, quero dizer LOGO, mesmo: semana que vem já estarão aí. Claro que é porque não conseguiram viver sem mim por perto. ;)

Volker, Carina e Martin, com o QG ao fundo (e a bandeira mais linda do mundo!)

Segunda-feira e terça feira, 31 de março e primeiro de abril

Cheguei a Buenos Aires às 6h da madrugada da segunda-feira e já fui recebido no aeroporto pelo meu amigo Enri. Buscamos minha mamá argentina, Virginia, que estava na cidade, e fomos até sua casa em La Plata. Reencontrar esses (e outros!) amigos queridos e rever lugares que me trazem recordações tão boas foi quase como uma volta ao passado. Rapidinho eu tinha esquecido a longa viagem e a noite mal-dormida no avião. Estava de volta à Argentina depois de mais de um ano (ver este post e os seguintes), só que perecia que tinha saído de lá apenas alguns dias antes!

Foram só dois dias de visita, mas acho que consegui completar minha to do list:

  • Visitar Enri, Virginia, Alvaro e a pensão onde me senti em casa em La Plata;
  • Fazer de novo a caminhada de todos os dias até a Fundación Biosfera, onde fiz estágio, e pôr a conversa em dia com Horacio, meu chefe;
  • Encontrar meu amigo Bruno e conhecer sua namorada Andrea (coitados: eu falei tanto das minhas viagens e do meu estágio que devem ter ficado tontos!);
  • Coisas básicas: comer facturas (medialunas e outras), comprar alfajores e dulce de leche da Havanna, tomar mate argentino…

Fiz tudo isso e tanto mais nas entrelinhas: conheci ainda mais pessoas legais (argentinos e yankees, haha!), dei boas risadas, e pra completar me deliciei com as comidas (inclusive uma raclette vegetariana) da Virginia, uma cozinheira grega de mão cheia! Hehehe… ;)

Com parte da grande familia Konstantinidis,
minutinhos antes do ataque à raclette vegetariana (hummm…!)

Andrea, Bruno e eu, na estação terminal de La Plata
(o “casal metálico” dançando tango, ao fundo, não me deixa mentir!)

As novidades não terminaram, mas a incrível viagem do Guri à Europa (com paradinha na Argentina no retorno), infelizmente, sim… Este post serve de suave transição para meu novo (?) tempo aqui no Brasil, que de novo, aliás, tem pouco: voltei a fazer exatamente o que estava fazendo há quatro meses, antes de viajar! A parte realmente boa foi o reencontro com meus pais e com aqueles parentes e amigos que já tive a oportunidade de rever (claro que faltam muitos, ainda, mas isso só se resolve com bastante tempo!). Uma hora ou outra publico postálbuns-resquícios das minhas viagens; sei que ainda estou devendo alguns.

No mais, meu desafio agora (como muito bem colocado pela mamá Vir, que de La Plata às vezes lê o blog!) é, mesmo de volta ao Brasil e à minha rotina universitária sem-graça, continuar mantendo o BdG interessante (se é que ele já é interessante pra alguém). Se vou ter sucesso ou não, só o leitor poderá dizer, com o tempo. O certo é que vou seguir a empregar meus melhores esforços para vencer esse desafio! ;)

C’est (presque) fini

A semana passada foi bastante turbulenta, por causa da finalização do meu paper, e curta, por causa do feriado da Sexta-Feira Santa. No feriadão da Páscoa (sexta-feira até segunda-feira inclusive), a viagem a Paris foi maravilhosa, mas não propriamente rejuvenecedora: Ca, Volker e eu fizemos muitos passeios e voltamos bastante exaustos. Pra completar, esta (última) semana está sendo igualmente atribulada (e, aliás, igualmente curta, já que a segunda-feira também foi feriado).

Terça-feira: papo de despedida com minha simpática landlady (a dona da casa onde fica o quarto que eu alugo aqui em Bonn). Ela queria ver fotos da minha família, então mostrei as da minha formatura da Economia, do ano passado.

Quarta-feira: janta de despedida com o chefe do Legal Affairs, minha supervisora e o meu tio-supervisor; foi um momento muito agradável, em um lugar lindo aqui de Bonn-Bad Godesberg (o Godesburg), e com comida excelente (e eu, como convidado, yay!).

Quinta-feira (ou seja, hoje, daqui a algumas horas), vou à cidade de Colônia (em alemão: Köln) com algumas amigas estagiárias. Mais despedidas…

No trabalho aqui no Secretariado, terminei o paper e mandei a versão final ontem (e a finalíssima hoje, aiai!). Durante o dia de hoje preparei o meu relatório de estágio, que pretendo revisar e concluir até o fim do expediente. E até amanhã preciso terminar de coletar assinaturas no meu formulário de check-out (em duas palavras: trâmites burocráticos).

E no mais, em casa, ando escrevendo (a mão, coisa incrível) cartõezinhos de despedida para um mooonte de amigos que fiz aqui no Secretariado. É uma tarefa demorada, mas que vale muito pela carga emocional que contém!

E por falar em emoções… além da janta de despedida, ganhei cinco CDs (entre eles música clássica, sacra e Coldplay – amo muito tudo isso!) da assistente aqui do Legal Affairs. Ela é simplesmente o máximo, muito querida! Eu disse a ela que não deveria fazer isso, gastar tanto em presentes, e ela disse que só faz isso pros estagiários com quem ela simpatiza. Claro que depois disso eu me derreti… :P Ah, e hoje após o almoço uma colega estagiária chinesa veio ao meu escritório deixar um DVD com seu filme favorito. É um filme japonês e o DVD é alemão, então no futuro (talvez depois de ver o filme) eu ponho o título e comento aqui no BdG.

Et c’est ça : c’est presque fini ! Nem acredito, mas amanhã já é meu último dia desse período tão bom da minha vida! Não sei quando vou postar de novo, porque ainda tenho que fazer malas e preparar outras coisas, e ainda quero aproveitar o tempo que resta com a Ca e o Volker.

Depois, um pulinho de dois dias na maravilhosa La Plata (Argentina), e depois de Buenos Aires ao glorioso Aeroporto Internacional Salgado Filho, e da Capital (claro, Capital com C maiúsculo é Porto Alegre, ora!) mais três horinhas de viagem até a Paris Rio-Grandense (hahaha, forcei um pouco, mas claro que estou me referindo a Pelotas). Longa viagem…

Mais tarde, quando estiver de volta ao Brasil e a poeira da viagem sentar, atualizo o blog com postálbuns de tantas viagens sobre as quais faltou publicar por aqui. À la prochaine ! ;)

Reflexões de um estrangeiro

Foi tal a freqüência de eventos sinistros, tristes ou difíceis (ou tudo isso ao mesmo tempo!) nos últimos dias que acabei relaxando na postagem. Acho que tudo começou com o acidente no sábado passado, mas continuou durante a semana passada com o suor para a finalização do meu paper (sim: mandei o último rascunho para a SUPERvisora na sexta-feira e agora só estou à espera dos comentários!). Vejamos se consigo pôr a postagem e as notícias em dia.

No domingo visitei com minha irmã e meu cunhado o campo de concentração de Dachau, que foi o primeiro a ser construído no regime nazista e persistiu até o fim da Segunda Guerra. Claro que não dá pra dizer que esse tipo de visita seja “legal”, mas é sem dúvida interessante, algo que todo o mundo deveria fazer (talvez só) uma vez. Tirei apenas quatro fotos. Não vale a pena postá-las aqui: o que vale, mesmo, é a mensagem. Numa parte do memorial, diz, em francês, inglês, alemão e russo: Que o exemplo daqueles que foram exterminados aqui entre 1933 e 1945 porque resistiram ao nazismo ajude a unir os vivos pela defesa da paz e da liberdade, em respeito pelo ser humano (tradução minha). Noutra parte diz simplesmente: Nunca mais (tradução minha), em hebraico, francês, inglês, alemão e russo. Claro que uma visita assim só podia me deixar pensativo…

Na segunda-feira, indo de bonde (Straßenbahn) do centro de Bonn para (a gloriosa) Kessenich, conversava com minha irmã pelo celular. No mesmo vagão, uns guris estavam brincando uns com os outros, mas naquelas brincadeiras meio violentas, que não dá pra saber direito se é carinho ou se é porrada. Se me lembro bem, a Ca me disse para ficar um pouco quieto no telefone, porque poderiam inventar de me incomodar. Eu achava que não tinha problema, porque eles estavam no lado oposto do trem.

Porém, depois que desceram, umas duas paradas antes da minha, e antes do bonde voltar a andar, um deles bateu com tudo no vidro da janela, bem onde eu estava sentado. E quando eu digo “bateu com tudo” quero dizer: com vontade de botar pra quebrar, mesmo. Engoli em seco e me concentrei em ficar na minha; não queria parecer assustado nem mudar de lugar, porque devia ser bem isso que eles queriam. Disfarcei o susto (estou bastante seguro de que consegui!) e segui conversando normalmente ao telefone. Em segundos, o trem fechou a porta e começou a se mover… e o cara veio de novo bater com tudo na janela do trem, bem onde eu estava!

Pelo telefone contei pra minha irmã o que tinha acontecido e brinquei que, a rigor, com essa cara de alemão que eu tenho, eu não deveria ter problemas com neonazis. Só com a resposta dela é que fui me dar conta: posso até ser “imune”… mas só enquanto não abro a boca e falo português!

Na noite do dia seguinte, terça-feira, fiquei trabalhando até mais tarde no Secretariado, e antes de sair troquei umas palavras com uma assistente administrativa do Legal Affairs, a única que também ainda estava por lá. Contei sobre o incidente da véspera e ela, que também é estrangeira (filipina), me disse que alguns bairros da cidade são desaconselhados para estrangeiros, por causa da xenofobia de alguns moradores locais. Disse também que uma vez gritaram para um conhecido dela algo em alemão do tipo: “volta pra casa!” (querendo dizer: pro teu país de origem).

Com duas amigas estagiárias, fui ao Langer Eugen na quarta-feira para uma sessão de cinema restrita para funcionários da ONU. (“Sessão de cinema”, aqui, quer dizer projeção de DVD em um datashow! ;) Mesmo assim, não se pode reclamar: a imagem e o som estavam excelentes!) O filme? Hotel Ruanda. E aí está, mais uma das minhas recomendações de cinema! Sei, mais um filme-de-catálogo, mas muito boa sugestão pra quem ainda não viu! Minhas duas amigas saíram chorando e, pra ser bem sincero, eu também estava quase lá! O filme é bastante pesado, triste, emocionante, e talvez ainda assim “adocicado” perto dos horrores que na realidade devem ter acontecido. E pensar que tudo ocorreu por causa de um ódio entre grupos étnicos inventados, cujas diferenças existiam apenas na sua imaginação, que nutria preconceitos infundados…

Finalmente, no sábado fomos a Berlim. O postálbum, incluindo o relato dos passeios tão interessantes que fizemos e até de um agradável reencontro de amigos, vai ficar para outra hora; por enquanto, só consigo pensar em algumas coisas que me entristeceram. Fiquei negativamente supreso com a quantidade de “gente estranha”, perdida na vida, que vi pelas ruas. Às vezes tinha a impressão de que nem estava na Alemanha. Foi a primeira vez que me senti verdadeiramente inseguro desde que estou por aqui. Na noite de sábado, a Ca ainda me contou que, anos atrás, soube de um estudante brasileiro que apanhou por um grupo de jovens furiosos por não saber falar alemão (direito). Aliás, bem no início do passeio, já no trajeto do aeroporto para o hotel, nazivandalismo no trem: quatro pequenas suásticas desenhadas num dos bancos. Minha irmã me disse que, para não ter qualquer problema, seria melhor não publicar a foto no blog enquanto estou na Alemanha.

Posso até não publicar foto nenhuma; aliás, acho nem depois de voltar ao Brasil. O que não consigo é esconder minha inquietação e deixar de expressá-la aqui, por meio de palavras. Eu simplesmente não entendo. Num um povo que já passou por uma história tão triste e que vive diariamente em meio a memoriais erguidos em homenagem a todos os que foram exterminados… A cidade de Berlim, por exemplo, é um grande monumento, e parece impossível que alguém, morando lá ou tendo ido pelo menos alguma vez para lá, seja capaz de esquecer-se das atrocidades do nefasto nacional-socialismo. Como pode que, nesse ambiente, alguns (ainda) não tenham aprendido a lição?

Ao escrever este post, tenho a especial preocupação de ser justo e de não deixar margem para que me entendam mal. Há tanta gente neste país que é “do bem” (a começar em grande estilo pelo meu cunhado) e que por isso não merece que essa gente “do mal” faça com que gente estrangeira como eu construa uma imagem negativa da Alemanha e um conceito perverso dos alemães. Enfim: o mal existe e temos de aprender a conviver com ele, mas isso de forma alguma significa aceitá-lo! O segredo (ou parte importante dele) veio no meu devocional da quarta-feira passada, que me surpreendeu com uma lição que não posso deixar de repassar aqui; um consolo que é ao mesmo tempo um desafio:

É no fogo dos insultos, grosseiros ou refinados, que o cristão se vai definindo, que ele vai sendo trabalhado e lapidado. Se ele retribuir na mesma moeda – dente por dente, e olho por olho – deixa de ser uma testemunha de Jesus. Antes deverá aprender a reagir como uma laranjeira carregada de frutas: ela responde com saborosas laranjas aos que atiram paus e pedras. Não é nenhuma reação natural de nossa parte. É a graça de Deus que nos capacita a amar até os que nos odeiam. (Orando em Família, 2008, p. 83)

E o vento levou

Acabo de receber no e-mail do trabalho um boletim meteorológico (adaptei e traduzi):

…até quinta-feira, 13 de março de 2008, às 4:00, há um alerta meteorológico para o estado de Nordrhein-Westfalen: chuvas esporádicas e ventos de até 90 km/h, em alguns casos chegando até 115 km/h. Os ventos mais fortes devem ocorrer hoje entre 11h e 21h.

Acho que hoje vou voltar pra casa voando… :P Que o Papai do Céu me proteja!

Haribo

Outi (a estagiária finlandesa) e eu temos muito orgulho de Kessenich, a vizinhança onde moramos aqui em Bonn. O “centro” do lugarejo consiste em uma quadra com um supermercado, duas agências bancárias, alguns estúdios de cabeleireiros, papelaria, café, academia – e era isso! Ainda assim, mereceu de nós o título de Kessenich Centre (seguindo o padrão britânico aqui do secretariado, hehe!), que depois acabou evoluindo para the Famous Kessenich Centre-of-the-Universe.

Apenas “mais um” dos motivos de orgulho para os habitantes de Kessenich é a fábrica da Haribo, nada menos que a maior produtora de guloseimas dos tipos gummi e jelly do mundo, fundada em Kessenich em 1920. “Gummi bears”, os famosos ursinhos, são seu principal produto (imagem abaixo). O nome da empresa vem do nome de seu fundador e da sua cidade: Hans Riegel Bonn, e o slogan rima bem bonitinho, mas fica meio sem graça quando traduzido:

Haribo: macht Kinder froh (und Erwachsene ebenso)

Haribo: faz crianças felizes (e adultos também)

Sexta-feira passada dois amigos (Barbara e Martin, ambos alemães) terminaram seu período de estágio aqui no Secretariado. Como programação de despedida, visitamos a loja da Haribo: um supermercado onde se pode comprar pás e pás de doces, literalmente! Das prateleiras com os mais diversos tipos de doces da Haribo, cada formiga, digo, cada consumidor pega uma pá e faz sua própria seleção. Tem que estar muito firme na dieta pra resistir a um atentado desses… (Eu, claro, não estava firme em dieta nenhuma!)