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Casamento indiano: passeio e roupa nova

O dress code para o almoço do meu segundo dia de casamento indiano era roupa formal indiana. Para não usar a roupa que ganhei e ter de repeti-la na festa principal, resolvi ir às compras! (Repetir roupa nem seria tão grave assim, eu acho, mas, num contexto de tanta elegância, não tive coragem.)

Como a loja recomendada pela noiva só abriria às 10h, aproveitei para passear um pouco pelas redondezas do Grand Hotel Bombay. (Lembro que, para quem costuma caminhar dezenas de quilômetros nos lugares que visita — vide NYC, Boston, Philly e Montevideo, apenas como exemplos —, “redondezas” pode ser um conceito mais amplo que o usual!) As redondezas do hotel apresentam características arquitetônicas que evidenciam a influência inglesa durante o Raj Britânico, de 1858 até a independência da Índia, em 1947.

Mumbai — ou Paris — ou Londres
Elphinstone College
Cricket
Biblioteca David Sassoon e um desfile imprevisto de saris
Um toque da bagunça urbana indiana; torre da universidade ao fundo (Rajabai Clock Tower)
Mais um prédio que me chamou muito a atenção: a Majestic House

Terminei o breve passeio no Gateway of India, arco concebido para dar boas-vindas ao Rei George V e à Rainha Mary, da Inglaterra, quando visitaram a Índia em 1911, mas concluído somente em 1924. Perto do arco, chama a atenção o Taj Mahal Palace Hotel, palco do atentado terrorista de 2008.

Gateway of India
Taj Mahal Palace Hotel ao fundo

Depois do passeio, fui à Fabindia (mapa aqui), a loja recomendada pela noiva, e comprei meu traje indiano número dois (além de uns chás orgânicos que encontrei no caminho!). Tinha combinado de encontrar as amigas da NYU Pam e Sarah na mesma loja. Voltei com elas ao hotel, para nos prepararmos para o almoço. Mas sobre o meu primeiro almoço indiano vestido como indiano eu conto no meu próximo post!

Casamento indiano: piquenique à beira do lago

O primeiro evento do casamento foi um dia de piquenique na casa de férias da família da noiva, à beira do lago-represa de Uksan, em Kamshet, a sudeste de Mumbai.

Quer dizer, foi o primeiro evento de que participei. O casamento começou com a cerimônia perante a autoridade religiosa (muçulmana), no início de janeiro, restrita às famílias — a alguns homens das famílias, entenda-se. A festa principal (para 2.500 convidados), gran finale do casamento, ficou marcada para 19 de janeiro. Antes dela, houve duas semanas de recepções menores, essencialmente familiares, mas para as quais eu também estava convidado. Acabei participando apenas da segunda dessas semanas, até porque eu não tinha tanto tempo de férias e queria também aproveitar para passear em outras partes da Índia.

Voltando ao piquenique: o dia começou cedo. Às 6h da manhã estava em frente ao hotel com os demais amigos da NYU ali também hospedados, aguardando um dois dois ônibus que levariam os convidados a Uksan. A viagem de 110 Km por estradas caóticas em meio a paisagens rurais deslumbrantes durou umas três horas. Aproveitei para pôr o papo em dia com a Pam, amiga canadense que “era” minha Study Group de Transnational Law na NYU (nosso grupo de estudos era, na verdade, uma dupla!).

A proposta do piquenique, conforme o informado no convite, era: “pipa, banho no lago e mehendi [tatuagens festivas para o público feminino]”. Acabou sendo bem mais: comidas deliciosas, apresentações artísticas, cricket, música e dança.

Uma das convidadas ganhando uma tatuagem de henna (mehendi)

Na chegada, a decoração ao ar livre e a vista do lago compensaram o chacoalhar da viagem. Três tendas decoradas com flores e mobiliadas com espreguiçadeiras foram estrategicamente montadas no gramado, uma ideia excelente para as conversas dos convidados. Uma grande tenda branca protegia as mesas de refeição do forte sol. Outra ideia genial foi a árvore das pipas: cada convidado escrevia uma mensagem aos noivos em uma pequena pipa de celofane e a pendurava numa árvore, que ficou repleta de pipas coloridas.

Ao fundo, o lago; ao centro, as tendas floridas com espreguiçadeiras;
à direita, parte da tenda branca com as mesas de refeição
A Pam fotografando a árvore das pipas depois de deixar sua mensagem ali
A tenda branca com as mesas de refeição;
ao fundo, uma ponta de terra perto do lago, lugar das pipas e, depois, do cricket

O café-da-manhã que nos esperava na chegada era um verdadeiro banquete. Numa das extremidades da tenda branca, um buffet vegetariano; na outra, um não vegetariano. Eu me senti bem em casa no lado vegetariano, graças à ajuda do amigo indiano Atul, colega da NYU e vegetariano como eu, que me deu todas as dicas de que eu precisava quanto aos pratos indianos. Infelizmente não tive como memorizar todos os nomes, mas o certo é que eu provei de tudo que o Atul me recomendava. Mal tinha terminado o farto café-da-manhã, foi servido um almoço mais completo ainda.

A Rahela, a noiva, já tinha dito para mim e outros colegas estrangeiros da NYU que nesse piquenique várias “comidas de rua” indianas bem originais seriam servidas e que poderíamos comer sem preocupação, porque tudo seria feito com ingredientes de procedência segura. O grande problema de estrangeiros com alimentação na Índia é com a água, que comumente agride os estômagos e intestinos não imunizados contra alguma bactéria particularmente indiana. Por isso, o cuidado especial da noiva. Além de chai (obviamente), café e refrigerantes, serviram também água engarrafada, para a segurança dos gastrointestinal dos estrangeiros!

Ah, e nada de álcool, em nenhum evento do casamento, por observância aos preceitos islâmicos. Não por isso a diversão foi menor que em qualquer casamento a que eu já tivesse ido!

O lado vegetariano do buffet

Meu delicioso prato de café-da-manhã
Os noivos estavam superfelizes, visitando cada uma das mesas

Com meu prato de almoço à sombra, junto com o pessoal da NYU
(O chapéu também foi ideia dos organizadores!)

Os noivos dançando, inicialmente com a família, mas depois com todos os convidados
(e aí não tirei mais fotos, porque também fui aprender uns passinhos indianos!)

Meu primeiro casamento indiano

Há cerca de um ano recebi por e-mail o convite de casamento da Rahela, uma das boas amigas indianas que fiz durante o mestrado na NYU: casamento marcado para o início da segunda quinzena de janeiro de 2013.

Fiquei empolgado e desde logo quis ir, mesmo que implicasse algum $acrifício. Um autêntico casamento indiano, na Índia, com a oportunidade de rever, além da própria noiva, outros amigos do mestrado (também convidados), não é algo que me aconteça muito frequentemente.

Fiquei empolgado, mas não planejei nada, porque a data parecia tão distante! Lá por setembro a Rahela pediu meu endereço postal para enviar o convite impresso. Por erro do correio indiano, o convite foi enviado ao Equador (?) e reenviado de lá a Porto Alegre.

Afinal, só no início de dezembro marquei férias, pedi (e consegui!) o visto indiano, comprei as passagens e reservei com um agente de viagem indiano recomendado pela Rahela um pacote pós-casamento – tudo para viajar em meados de janeiro!

Porto Alegre – São Paulo – Dubai – Mumbai… Quase 19h de voo depois, cheguei à Índia por volta das 8:30 da manhã no horário local, no dia 16 de janeiro. A Índia tem um meio fuso horário: se lá eram 8:30, no Brasil eram 7h30min mais cedo (1:30 da manhã).

Já na chegada ao aeroporto, ficou em evidência pela primeira vez a organização neurótica da noiva (é um elogio, porque eu amo organização neurótica!): um motorista me esperava para me levar ao Grand Hotel Bombay, em Ballard Estate, um simpático e muito bem localizado hotel onde a noiva tinha pré-reservado quartos de hotel para todos os convidados da NYU.

O trânsito do aeroporto ao hotel é uma história à parte. Foi um tratamento de choque para o turista recém-chegado. O trânsito na Índia é caótico. Levei mais de duas horas (no horário de pico!) para percorrer uma distância de uns 24 quilômetros. E o motorista não tinha muita certeza de onde ficava o hotel, porque “endereço”, na Índia – tipo rua e número, mesmo – não é lá algo muito comum. “Bairro tal, perto do posto do correio” é um endereço megapreciso para os padrões indianos que conheci.

Chegando ao quarto do hotel, mais uma surpresa: a noiva tinha pedido para deixarem na mesa de centro do meu quarto uma bandeja de madeira, pintada a mão por crianças envolvidas em um projeto social e coberta com guloseimas indianas, para lanches rápidos.

Sobre a minha cama, havia um pacote com uma calça pyjama bege e uma espetacularmente linda túnica kurta azul-petróleo com bordados, exatamente do meu tamanho – roupa em estilo indiano para eu usar no evento principal do casamento (porque houve vários!).

Enquanto fazia os planos de viagem, eu tinha comentado com a Rahela por e-mail que gostaria de usar roupas indianas e que nem levaria terno. Pedi a ela que me recomendasse lojas onde comprá-las em Mumbai e me indicasse alguma amiga ou amigo dela que pudesse me ajudar com isso, já que ela, como noiva, não teria tempo para isso.

Ela de pronto me respondeu que as sugestões de lojas e amigos estariam em uma folha de contatos no hotel, mas que eu só precisaria usá-los se quisesse comprar mais um conjunto de roupas indianas – porque um conjunto ela já tinha comprado para mim! Hospitalidade indiana é algo.

Depois de me instalar no hotel, almocei em um restaurante ali no entorno uma comida muito boa, mas apimentadíssima. Bem feito, porque na primeira refeição eu já me esqueci da recomendação da minha irmã Lu, que tinha ido à Índia uns seis meses antes de mim: pede sempre que preparem a comida o menos apimentada possível. Mas por mim tudo bem, porque acho que comer lacrimejando (em prantos, na verdade) e fungando deveria mesmo fazer parte da experiência.

À tarde eu dormi, porque estava exausto da viagem, e à noite saí para jantar com a Rahela e o Murtuza (o noivo), as irmãs da noiva e todo o pessoal da NYU. Fomos ao Leopold Café, na Colaba Causeway, que ficou (ainda mais) famoso em Mumbai por causa do ataque terrorista de 2008.

No próximo post, contarei sobre o piquenique à beira do lago!

Pensa num país com I

Em 2011, quando contei da minha viagem à Dinamarca, comentei que andava andava pensando nos países que já tinha visitado, em ordem alfabética:

  • A: Alemanha, Argentina
  • B: Brasil
  • C: Canadá
  • DDinamarca
  • E: Estados Unidos
  • F: França
  • G: Grã-Bretanha (Reino Unido da – forcei?)
  • H: Holanda… e por aí vai.

Em 2012 não saí do continente e pulei nessa lista para a letra U, de Uruguai: uma viagem expressa de um dia em fevereiro e, depois, miniférias em setembro, com visitas a MontevideoColonia del Sacramento.

Em 2013, tirei duas semanas de férias em janeiro e retomei a lista por causa de uma oportunidade única: o casamento de uma grande amiga minha, ex-colega de mestrado na NYU, num país com a letra I: a Índia. Nos próximos posts, vou contar um pouco e mostrar fotos dessa viagem.

P.S.: Querida Itália: sou um dos raríssimos viajantes que fica te preterindo, e o ápice disso é o fato de, sem ter te visitado, ter ido à Índia, mesmo sendo bem mais longe pra mim. Eu te asseguro que não foi de propósito. Não faltou oportunidade, mas faltou, sim, conveniência. Prometo resolver essa situação assim que puder!

Reclamar: vício ou virtude? Pausa na série

Quem prestou atenção nos últimos posts sabe que estou fazendo uma série de posts refletindo sobre reclamações. E quem já vinha prestando atenção antes disso também já sabia que eu viria ao Rio de Janeiro para um evento do Curso Alpha Brasil. E vim. A conferência foi ontem (domingo, 25/11/2012) e sigo aqui por uns dias.

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Sábado, 24/11/2012, no Leblon: aqui, sou albino

Embora breve, este tempo no Rio está sendo de reencontros e reflexões – não tanto sobre reclamações (tema da recente série), mas principalmente sobre meu church shopping, minhas escolhas e outras questões espirituais (tema deste post).

Agora vou mais é aproveitar (tanto quanto essa chuvinha permitir) o tempo por aqui, mas até o fim da semana, sem falta, retorno ao blog com meus relatos, reclamações e reflexões cariocas.

Colonia del Sacramento

06/09/2012 Quinta-feira

Após quatro dias intensos de passeios em Montevidéu, segui viagem a Colonia del Sacramento, Patrimônio Cultural da Humanidade. Lembro de querer visitar essa cidade-rmã da minha cidade natal (Pelotas) desde criança. Estudando História do Brasil, aprendi sobre sua importância estratégica para portugueses, espanhóis e brasileiros, que alternadamente a domiraram em diferentes momentos, desde sua fundação pelos portugueses em 1680 até a independência uruguaia do Brasil em 1825. Agora finalmente conheceria essa cidade histórica!

O tempo foi meu amigo nos dias em Montevidéu, mas aparentemente isso não aconteceria em Colonia: previsão de chuva para os dois únicos dias que eu passaria lá (um e meio, na verdade). Por isso, deixei meus pertences no Hostel Colonial e, depois de um rápido almoço, fui logo caminhar pelo Barrio Histórico e tirar algumas fotos.

Entrei (não podia ser diferente) pelo Portón de Campo; hoje restaurado, era nos tempos coloniais a única entrada das fortificações. Caminhei pelas partes restauradas da muralha e pelo característico calçamento de pedra da Calle de los Suspiros.

Depois de uma volta pela Plaza Mayor, tirei um tempo para admirar as largas paredes das ruínas do Convento de San Francisco, bem como para contemplar a “vista aérea” do Río de la Plata e da cidade de Colonia do alto do farol (onde ventava muito!) erguido sobre as ruínas.

Passando pelo Museo Municipal e pelas ruínas da Casa del Virrey, segui pela beira do rio até o Muelle, onde havia diversos veleiros. Por fim, visitei a Basílica del Sanctísimo Sacramento e, ao lado, a Plaza de Armas, onde há o sítio arqueológico da Casa de los Gobernadores da época de domínio português.

A noite pareceu vir mais rápido por causa do entardecer nublado. Voltei ao albergue para descansar um pouco. À noite fui ainda uma vez ao Barrio Histórico para um investimento gastronômico: janta no Mesón de la Plaza, em frente à Plaza de Armas. No Salón Portugués da casa, saboreei uma corvina em molho de nozes com medio y medio (tradicional bebida uruguaia, mistura de vinho branco seco com espumante). De postre, uma Copa Africana (sorvete com morango).

07/09/2012 Sexta-feira

A noite foi um pouco fria – e o albergue, embora simpático, por óbvio não tinha o mesmo conforto do hotel três estrelas de Montevidéu!

Ainda assim, descansado, visitei alguns museus no Barrio Histórico. Entrada única para todos; barata, comprada no Museo Municipal. As exposições dos museus que estavam abertos (Municipal, Español e Indígena) são bastante simples; eu esperava um pouco mais, embora não saiba bem o quê! Fiquei um pouco triste de descobrir que há rotatividade na abertura dos museus: nem todos abrem todos os dias. Se tivesse sabido disso antes, teria visitado o Museo del Azulejo e o Museo Portugués na véspera.

Fiz um rápido almoço no Viejo Barrio, em frente à Basílica del Sanctísimo Sacramento, e segui (abaixo de garoa) para uma caminhada pela Rambla até Real de San Carlos (cerca de 6 Km).

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Ali há a Plaza de Toros Real de San Carlos. A plaza de toros em estilo mouro foi projetada para comportar 10.000 pessoas. Foi inaugurada em 1910 e, depois de oito toradas, foi fechada em 1912, com a proibição das toradas pelo Governo Uruguaio. Infelizmente, o prédio está em ruínas; não se pode entrar. Nas redondezas também fica o Frontón de Pelota Vasca, quadra para a prática de pelota basca.

A garoa e um sentimento mais profundo de chateação (a caminhada até Real de San Carlos, sob garoa, não foi lá muito interessante), tomei um ônibus de volta ao centro da cidade. No Colonia Shopping, gastei todo o trocado que me restava com… um alfajor! (Sim: suficiente para um.)

Mas um dos pontos altos de Colonia ainda estava por acontecer: o jantar no Buen Suspiro, na Calle de los Suspiros. Na adega desta antiga casa colonial, com pé direito tão baixa que eu nem conseguia ficar em pé, pedi a Picada Pequeño Suspiro:

Selección de quesos artesanales de Colonia:

  • Queso Colonia
    Nicant, Nueva Helvecia – Santa Frida
  • Queso Colonia saborizado
    (orégano / ajo y perejil) – Villa Celina – San Pedro
  • Queso tipo Parmesano
    Rino Laudato, Tres Esquinas

Salsa Agridulce
(morrón rojo y berenjena)

Tartas de Verdura
2 gustos (berenjenas/zapallito)

Como acompanhamento, vinho da casa (também de Colonia), Fagar Cola (refrigerante uruguaio, também da região de Colonia) e antologia poética de Mario Benedetti (uruguaio de Paso de los Toros, um dos mais importantes escritores da língua espanhola no século XX). A comida, a bebida, o ambiente, a experiência – tudo muito uruguaio, tudo muito sustentável, tudo muito altamente recomendado! Um perfeito encerramento para minha semana de passeio no Uruguai.

Enfim, Montevideo (melhor de três)

Vinte e tantos anos morando no Rio Grande do Sul e nunca tinha conseguido ir a Montevidéu. Não por falta de tentativas.

A primeira foi em 2004, com minha irmã Lu e minha prima Cris. Com o Escort somente a etanol (não flex) do meu pai não conseguiríamos chegar lá, porque no Uruguai não teríamos onde reabastecer. Então o jeito era alugar um carro. Goulart, o trambiqueiro de carros, disse que conseguiria o seguro obrigatório do Mercosul para o carro alugado. “Sí, sí, como no; Carta Verde, no hay problema; la garantía soy yo.” Só que não acreditamos na história (felizmente!) e acabamos desistindo (infelizmente!). De São Lourenço do Sul fomos a Floripa.

A segunda foi no carnaval de 2012, com as mesmas personagens – mais o Fer, marido da Cris. Desta vez, meu Fiesta flex nos levaria até lá, e eu mesmo consegui a Carta Verde. O problema foi que, depois de todos os preparativos, não conseguimos mais hotel em Montevidéu. Carta Verde na mão, fomos igual, na esperança de conseguir hospedagem. De São Lourenço do Sul fomos a los free shops del Chuy, ao forte de Santa Teresa e até à praia de Punta del Diablo. Lá procuramos, mas não encontramos hospedagem disponível – nem hotel, nem pousada, nem casa, nem palafita. Tudo lotado. E se em Punta del Este só houvesse hospedagem absurdamente cara? Amarelamos. Depois do pôr-do-sol, voltamos a São Lourenço do Sul, onde nosso bloco de quatro pessoas incendiou o carnaval lourenciano (até parece).

A terceira foi em setembro de 2012, solito. Reservei hotel (Hotel América) e passagens aéreas POA-MVD-POA com duas semanas de antecedência. Dessa vez, não tinha o que dar errado. Melhor de três. Aqui estão as fotos.

01/09/2012 Sábado

Voo POA-MVD e uma fortuna de táxi do Aeropuerto de Carrasco até o hotel. Dica: melhor pegar um táxi do aeroporto até a praia de Carrasco e ali trocar para um táxi urbano comum até o centro, ou então pegar um ônibus do aeroporto até o Terminal Tres Cruces e ali pegar um táxi.

A primeira noite foi de reconhecimento do território, da vizinhança do hotel até a Ciudad Vieja: Plazas de Cagancha, del Entevero, Independencia e Constitución (Matriz) – a Zabala ficou para outro dia. Já bastou para que eu curtisse a atmosfera da cidade. Bem como me disseram, um pouco de Buenos Aires, um pouco de Porto Alegre.

02/09/2012 Domingo

Dia perfeito para caminhar e fotografar a Avenida 18 de Julio sem tropeçar em ninguém; no meio do movimento normal de dia útil, isso teria sido praticamente impossível.

Parando de vez em quando para fotografar os palacios, fui até a Faculdade de Direito e dali entrei na Feria de Tristán Narvaja, a tradicional feira de antiguidades (e quinquilharias) que acontece todos os domingos na Calle Tristán Narvaja e em muitas outras nos arredores.

Da feira fui pela Avenida del Libertador ao Palacio Legislativo, um lindo prédio neoclássico que é a sede do Poder Legislativo uruguaio.

Do neoclássico ao contemporâneo: em seguida fui até a Torre de las Telecomunicaciones, mais alto arranha-céu do Uruguai, com 35 andares (157,6 metros).

Aproveitando a proximidade, passei pela linda Estación Central General Artigas (lamentavelmente desativada e em precário estado).

Caminhei de volta rumo à Ciudad Vieja, para fotografar com calma e em detalhes o Palacio Salvo, na Plaza Independencia. Datado de 1928 e com 27 andares (95 metros), foi o edifício mais alto da América Latina por vários anos.

Então começou a bater a fome – fui almoçar uma massa com salmão no El Palenque do Mercado del Puerto (sim, ali também há opções de peixes para nós, estranhos seres ovolactopescovegetarianos).

Depois do almoço, segui a caminhada até o extremo oeste da cidade, a Escollera Sarandí, e voltei pela Rambla (a grande avenida que segue a costa do Río de La Plata) até o hotel para uma pequena pausa antes do passeio final do dia: mais uma “caminhadinha” até o Estadio Centenario (y dale, dale, dale ¡Pe! ¡Pe-ña-rol!).

Total do dia: 22 Km de caminhada!

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03/09/2012 Segunda-feira

Dediquei o dia para uma supercaminhada pela Rambla, contemplando a vista sobre o rio e as praias mais próximas (e outras, nem tanto).

Desci pela Río Negro até o rio e dali comecei a caminhar a leste até a Playa Ramírez, onde fica a sede do Mercosul. Passei através do Parque Rodó e depois segui pela Rambla até Punta Carretas.

No Punta Carretas Shopping, o peixe espada com molho de manteiga e alcaparras no El Fogón estava tão delicioso que fez o almoço da véspera (no Mercado del Puerto) parecer piada de mau gosto.

Depois do almoço, Playa de Los Pocitos, Puerto del Buceo e pausa para um delicioso Freddo no Montevideo Shopping. Voltei pela Calle 21 de Septiembre (que é bem menos legal que o anunciado!) e terminei o dia jantando no Facal, em frente à Fuente de los Candados.

Total do dia: 23 Km de caminhada!

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04/09/2012 Terça-feira

Depois dos 45 Km dos últimos dois dias, resolvi pegar mais leve nas caminhadas e pegar um ônibus até o Prado, bairro arborizado com muitas mansões do início do século XX.

Desci bem em frente ao Museo Municipal de Bellas Artes Juan Manuel Blanes, que ainda estava fechado e que acabei por não visitar. Fui direto ao Jardín Botánico para um breve passeio. Estava um pouco sem graça; acho que setembro ainda é um pouco cedo para esperar que tudo esteja bem verde e em flor. O mesmo aconteceu no Rosedal.

O que valeu mesmo a pena foi o Jardín Japonés. É o terceiro que visito (depois do de Buenos Aires e do de Düsseldorf) e gosto bastante. Mesmo com o dia nublado, o passeio rendeu boas fotos.

Outras boas surpresas cênicas foram as quintas y villas del Prado (as mansões antigas que mencionei, inclusive a Residência Presidencial de Suárez y Reyes), o Hotel del Prado e a Iglesia de Las Carmelitas, uma inesperada igreja neogótica.

Voltando à Ciudad Vieja, terminei o dia com um jantar-sobremesa no tradicional Café Brasilero (fundado em 1877). Não tive a sorte de encontrar Eduardo Galeano por ali, mas me deliciei com um buenísimo crêpe de dulce de leche e, claro, um café. A atmosfera do lugar é uma viagem ao passado. Fiz umas fotos em preto e branco que parecem tiradas de um álbum antigo.

05/09/2012 Quarta-feira

Dia nublado – felizmente já tinha feito quase todos os passeios externos que queria fazer! Em vez de me arriscar a tomar banho de chuva, resolvi tomar banho de museu.

Antes disso, voltei a alguns lugares próximos ao hotel e já vistos, mas fotograficamente negligenciados por mim nos dias anteriores. Na Plaza de Cagancha, fui observar e fotografar com mais atenção o Palacio Piria (sede da Suprema Corte de Justicia) e o Atheneo de Montevideo. Na Plaza Independencia, fotografei detalhes do Palacio Rinaldi, o edifício art déco oposto ao Palacio Salvo.

(Em um ano e quase meio em New York City, não dei toda a atenção merecida ao sem-número de monumentos do art déco que existem por lá. Apenas mais um motivo para voltar…)

Começando o circuito de museus e afins, fiz a visita guiada ao Teatro Solís, lindamente restaurado. Dica: a visita en español às quartas-feiras é gratuita. Nos outros dias (ou em outros idiomas), vale a pena pagar os poucos pesos cobrados; é um passeio muito informativo e interessante.

Do Solís ao La Corte, na Plaza Constitución, para almoço (merluza) e sobremesa bem montevideana (torta de chocolate com dulce de leche).

Em seguida do almoço, fui ao Cabildo, sede da administração espanhola em tempos coloniais. Ali me detive um tempo contemplando as fotos da Plaza Constitución em diferentes momentos dos séculos XIX e XX. Do Cabildo à Catedral (Iglesia Matriz), no lado oposto da praça.

Também valeu muito a visita ao Museo de Artes Decorativas Palacio Taranco, que ocupa todo um quarteirão irregular em frente à Plaza Zabala. Construído no início do século XX, está em muito bom estado de conservação e mantém a decoração elegante da época (elegante, mas um pouco excessiva, para o gosto de alguns – como o meu!).

Caminhei, ainda, pela Calle Carlos Gardel, no Barrio Sur – nada de muito interessante além de uns retratos populares do Gardel em casas coloniais simpáticas que me fizeram lembrar de Pelotas.

Pretendia visitar ainda o Panteón Nacional, mas cheguei em frente ao Cementerio Central uns dez minutos antes da hora de fechamento (16h); infelizmente já não me deixaram entrar.

Por fim, visitei as exposições de fotografia do Centro de Fotografía de Montevideo (no prédio da Intendencia) e as instalações com vídeo e escultura do Subte (na Plaza del Entrevero).

A janta-sobremesa foi argentina (ops!): torta de alfajor e café no Café Havanna do Peatonal Sarandí.

E o encerramento da última noite em Montevidéu foi em grande estilo: concerto de tango de Gran Orquesta Montevideo con Valeria Lima na Sala Zitarrosa. Música e canto, sem dança, mas não menos válido por isso. Cinco (!) bandoneones, violino, viola, violoncello, contrabaixo e piano, acompanhando Valeria Lima em tangos bastante conhecidos. Muito talento e carisma. O melhor de tudo é que estavam gravando ao vivo para um CD, que ainda hei de comprar!

06/09/2012 Quinta-feira

Despedida de Montevideo… Tomei um táxi para o Terminal Tres Cruces e, de lá, um ônibus para Colonia del Sacramento, onde o passeio haveria de continuar!

Uruguai por um dia

Naquela que foi minha segunda tentativa fracassada de ir a Montevidéu, ficamos o meio do caminho: passeio de um dia com Lu, Cris e Fer a Chuy, Forte Santa Teresa, Playa de la Moza e Punta del Diablo.

Apenas 755 Km em um dia para curtir um pôr-do-sol na Banda Oriental (B: Punta del Diablo), não ir a Montevidéu (C) e voltar pra casa (A: São Lourenço do Sul)…

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(Aqui, relatos e fotos dos cinco dias que enfim passei em Montevidéu!)

Três meses e pouco, em síntese

Em março voltei ao Brasil para morar em São Lourenço do Sul (cinco dias antes da enchente). Fiz meu juramento na OAB/RS e tornei-me oficialmente advogado, mas segui trabalhando em home office como consultor para o IISD Genebra e como tradutor freelance.

Essa flexibilidade laboral me permitiu visitar todos (!) os meus tios e primos, bem como muitos dos meus amigos, em Pelotas, São Lourenço, Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, São Paulo e Brasília. Essa intensa atividade explica (sem justificar) o abandono temporário do blog.

Depois de 14 meses nos EUA, 4 na Suíça, 1 na Alemanha e 3 no Brasil, estou de volta aos EUA por dois meses: 40 dias em NYC (motivo principal: fazer o juramento de advogado no Estado de NY) e 20 dias em San Diego, Califórnia (motivo principal: visitar Lu e James).

E depois? Brasil. E aí? Boa pergunta. Deus sabe e é o que me importa. Além disso, se eu tivesse todas as respostas, que graça teria a vida?

Com esse postinho deixo atualizado o blog e exibo minha poderosa capacidade de síntese. Sim, eu a tenho! Só não a uso muito no blog por causa da minha paixão (obsessão?) por detalhes.

Claro que aconteceram muito mais coisas que eu poderia contar, mas infelizmente não consegui contá-las à medida que aconteciam, e a minha vocação é antes para jornalista que para historiador. Portanto, só uma breve retrospectiva antes de voltar às atualidades.

Pensa num país com D

Bah, desde 15 de março eu não postava… mas voltei. Foram vários os motivos da minha ausência. Depois eu me explico. Ou não. Talvez até poste retroativamente sobre alguns acontecidos. Ou não.

Como quer que sejam os futuros posts do blog do Guri, o que importa é dizer que ele segue vivo – e com cinco aninhos de idade! Para compensar a ausência e comemorar o aniversário do blog, publico finalmente um belo e logo retropostálbum (!) que vinha preparando fazia um bom tempo…

Em fevereiro, enquanto estava na Alemanha, andava pensando nos países que já visitei, em ordem alfabética:

  • A: Alemanha, Argentina
  • B: Brasil
  • C: Canadá
  • D: _________
  • E: Estados Unidos
  • F: França
  • G: Grã-Bretanha (Reino Unido da – forcei?)
  • H: Holanda… e por aí vai.

Então me dei conta que faltava um país com a inicial D. Qual é o primeiro país com a inicial D que te vem à mente? Foi pra lá que eu fui. Dinamarca, claro. Só um geonerd pensaria em Djibuti ou Dominica. :)

Brincadeiras à parte, fui à Dinamarca, não para enriquecer a lista alfabética de países visitados, mas para visitar a Rania, minha amiga e ex-colega de mestrado que me visitou em Genebra. Não podia terminar o viajado mês de fevereiro senão com mais uma viagem-aventura!

Comprei um Eurail Pass com direito a andar em todos os trens da Alemanha e da Dinamarca em quatro dias. Sempre em trens rápidos (ICE), saí da estação de Montabaur sexta-feira dia 25/02 às 4h da manhã, fiz uma conexão em Hanau (perto de Frankfurt), para chegar a Hamburg por volta das 9h e dali seguir à Dinamarca.

Quer dizer, esse era o plano. Chegando em Hamburg-Harburg (uma estação antes da central de Hamburg, destino final do trem, onde eu faria a conexão), o maquinista avisou que o trem não continuaria até Hamburg. Greve do sindicato de maquinistas. Detalhe: o aviso foi dado apenas em alemão. Em inglês, confirmei com uma passageira se tinha entendido bem o anúncio – era isso mesmo!

Felizmente o meu bilhete de trem era ilimitado e tinha bastante tempo de conexão em Hamburg – uns 40 minutos. Logo entrei em um trem regional e cheguei a Hamburg a tempo de pegar o trem para Aarhus, a segunda maior cidade da Dinamarca.

A Rania já estava a minha espera na estação. Dali saímos para a Catedral de Aarhus – Domkirke –, cuja construção foi concluída em século XV. Depois de uma rápida visita no interior da catedral, fomos a um museu e sítio arqueológico viking. Encerramos a sexta-feira tomando um café à beira do rio Å (Aarhus significa “casas à beira do rio Å”), antes de seguirmos para o jantar com os pais da Rania.


Principal rua comercial de Aarhus e Domkirke


Teatro, atrás da Domkirke


No interior da Domkirke


À beira do Rio Å

Sábado 26/02 nossos passeios começaram pela Igreja de Nossa Senhora (Vor Frue Kirke). É a mais antiga igreja de Aarhus: o templo original (Igreja de São Nicolau – St. Nicolai Kirke) é do século X; o atual, do século XIII. A cripta faz parte da construção do século X.


Vor Frue Kirke


Cripta da St. Nicolai Kirke

Seguimos pelo centro de Aarhus até a Domkirke, para subir até o patamar dos sinos, na torre da igreja. O vento estava muuuito frio, mas as vistas da cidade lá de cima recompensaram!


Na frente da Catedral


Do alto da torre da Catedral; vista norte

Saindo da torre da Domkirke, fomos a Den Gamle By, dinamarquês para “A Cidade Antiga”. Trata-se de um museu de história e cultura urbanas a céu aberto, com modelos de construções de diversos períodos da história de Aarhus. (Na confeitaria antiga, são vendidos doces produzidos à moda tradicional dinamarquesa. Imperdível!)


Uma das “ruas” de Den Gamle By


Sala vitoriana em Den Gamle By


À beira do rio (congelado!) em Den Gamle By

Passamos quase todo o dia em Den Gamle By, mas no finzinho da tarde ainda fomos ao Museu de Arte Aros, um dos maiores do norte da Europa. Terminando os passeios, fomos lanchar em uma crêperie na Marina Marselisborg (congeladíssima!).


Museu Aros


Entardecer em Marselisborg

No domingo 27/02 madrugamos e pegamos um trem para Copenhage! Passamos o finzinho da manhã e a tarde caminhando muito pela cidade gelada. Passou bem rápido, mas vimos muitos pontos turísticos, por isso é melhor contar a história através das fotos:


Chegada em Copenhage, -4 °C; à direita, a estação de trem


Prédio da Prefeitura de Copenhage (Kobenhavns Radhus)


Palace Hotel, à esquerda da Prefeitura


Ainda na praça da Prefeitura


Com Hans Christian Andersen, famoso escritor dinamarquês


Prédio em frente ao Teatro Real


Teatro Real Dinamarquês (Det Kongelige Teater)


Guardas em frente ao Palácio Amalienborg


Portal do Palácio Amalienborg


Troca da guarda I


Troca da guarda II


Troca da guarda III


Ópera de Copenhage (Operaen), do lado de lá do gelo!


Frederiks Kirke, ou a Igreja de Mármore, perto de Amalienborg


Altar da Frederiks Kirke


Igreja Anglicana St. Alban’s, no Parque Churchill


Com a Rania e a Pequena Sereia (de Andersen)


Moinho e canhão antigos no Kastellet, uma fortificação antiga,
junto ao Parque Churchill


Com a Rania no restaurante Skipperkroen, em Nyhavn


Nyhavn, o canal mais fotografado de Copenhage,
com suas construções coloridas do século XVII


Mais Nyhavn


E ainda Nyhavn


Palácio Christianborg,
sede do Parlamento, do Gabinete do Primeiro Ministro e de Suprema Corte (ou seja, dos três poderes do governo) da Dinamarca


Antiga Bolsa de Valores (Børsen), um dos mais antigos prédios de Copenhage, construído no século XVII. O pináculo em espiral, com três coroas no topo, simboliza a união dos reinos nórdicos.


Ny Carlsberg Glyptotek: museu de arte antiga e contemporânea

O tempo em Copenhage foi pouco, mas bem aproveitado, como se viu! Depois da rápida visita ao museu, a Rania e eu voltamos à estação de trem para um lanche… e despedidas – ela seguiu de volta a Aarhus no próximo trem e eu encarei 12h de viagem de volta, chegando a Montabaur às 6:44 da manhã da segunda-feira 28/02.

(Andar no City Night Line, o trem noturno da Deutsche Bahn, foi uma experiência à parte, que não sei se quero repetir, pelo menos não nas mesmas condições. Fiquei na acomodação mais barata, é óbvio, na cama do meio de um triliche; na mesma cabine, cinco estranhos. Em alguns momentos fiquei preocupado com a segurança das minhas coisas e cheguei a pensar que deveria ter pago um pouco mais para ficar mais bem acomodado, mas no fim deu tudo certo. “Valeu pela experiência”, como todo conformado comportado tem que dizer depois que a coisa está feita e não tem volta.)

E assim terminou meu rápido porém lindo passeio pela Dinamarca! Mas pronto: sigo completando a lista alfabética de países visitados.

A caminho da Índia. ;)

P.S.: Tô brincando.

P.P.S.: Ou não.