Adieu, Genève

Domingo 30/01 terminou minha temporada em Genebra. Como anunciado no último post, coloco aqui algumas fotos da despedida. Começo com fotos tiradas no findi anterior, quando fui com a amiga Noriko à tradicional Chocolaterie Martel, no centro de Genebra.


Com a Noriko na Martel


Precisa mesmo de legenda?

Na sexta-feira 28/01 (último dia de trabalho no IISD), depois da difícil rodada de despedidas no escritório, fui ao aeroporto buscar a Rania, também ex-colega de mestrado na NYU. Pouco tempo (metade de sexta-feira e todo o sábado), mas muito proveito… produtividade máxima! As fotos (selecionadas) estão todas neste álbum aqui.

Nossas atividades na sexta-feira:

  • Caminhada pelo centro histórico (Geneva by night)
  • Patinação na pista de Carouge
  • Janta: raclette (tradição suíça!)

Nossas atividades no sábado:

  • Museu Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, altamente recomendado
  • Caminhada pela área das organizações internacionais: Palais des Nations, OMM, OMC
  • Travessia do lago de Genebra
  • Almoço no Restaurante do Parc des Eaux Vives: chiquérrimos o restaurante e a vista sobre o lago!
  • Subida à torre norte da Cathédrale Saint-Pierre (a melhor vista da cidade, lado a lado com a que se tem do alto do Salève), com os amigos Jen (colega de estágio) e Gabe (noivo dela)
  • Museu Patek Philippe (relojoaria), também com Jen e Gabe
  • Janta de sábado e despedida: fondue (tradição suíça!), já com meus pais, que chegaram à tardinha

Domingo de manhã meus pais e eu dirigimos para a Alemanha, por umas 6 ou 7 horas. Eu mesmo dirigi a maior parte do caminho, deixando para trás a Suíça, pais onde fui muito bem acolhido, com queijos e chocolates deliciosos, haha… tá, entre outras coisas. A experiência foi boa e deixei o IISD com muita saudade, mas a partida estava prevista. Genebra não é (mais) o meu lugar (por enquanto).


Com a Rania na Cave Valaisanne – raclette!


Com a Rania no Museu da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho


Vista de Genebra e o lago, do alto da torre norte da Catedral


Com Gabe, Jen e Rania, no alto da torre norte da Catedral

Desafio

Tenho outro blog, em idioma estrangeiro: a blog with an accent. Nesses meus tempos de tpg tpg (tempo de postagem do guri a bordo dos transports publics genevois, o sistema de transporte coletivo de Genebra), tem sido mais complexo (tecnologicamente falando) postar neste blog que naquele.

Explico. O idioma do outro blog prescinde de acentos, tis e cedilhas, esses sinaizinhos que meu Blackberry estadunidense (a ferramenta de postagem itinerante) se nega a fazer. Por outro lado, neste blog em idioma portugo-brazuca, esses sinais fazem muita falta!

Sempre que uso o Blackberry para postar no blog do Guri, preciso revisar o texto com cuidado no computador, acrescentando os acentos faltantes. Bem que eu gostaria, mas somente com certa dificuldade conseguiria escrever um post inteiro escapando de palavras acentuadas.

Com dificuldade, mesmo, mas hei de conseguir! Pelo menos por enquanto, tenho conseguido esse feito heroico! Espero que o leitor nem tenha notado a essas alturas e que esteja pensando que a falta de palavras acentuadas nem prejudica tanto assim o texto. Assim espero, mas duvido muito. Nosso idioma tem muitas palavras com acentos. Evitar o uso delas implica renunciar a muitos recursos e limitar de forma significativa a escrita.

Nada a ver com nada, mas este desafio de escrever um post sem acentos marca o fim do tpg tpg. Quer dizer, o tempo de postagem do guri continua, mas de outras bandas, porque termina este findi minha temporada de quatro meses em Genebra! Talvez ainda venha algum post com relatos e fotos dos passeios finais (recebo visita daqui a algumas horas!), mas, no mais, era isso.

Daqui a alguns dias tem mais!

Ok, admito que a frase anterior serviu pura e simplesmente para enrolar o esperado fim do post. O mesmo se pode dizer da frase que veio em seguida, bem como desta frase que vais teminar de ler assim que venha um ponto-final. (Ei-lo!)

Contudo, por mais que eu seja em tudo um ser obstinado e por mais que tenha pegado gosto do desafio de escrever sem usar palavras acentuadas (e nota-se bem que de fato peguei gosto), esse disparate tem que parar em algum momento e de alguma forma.

Basta, pois.

From Calvin City to Lutherland

Born to a Lutheran family, I owe my first name to Martin Luther. I attended a Lutheran church community in southern Brazil for most of my life, learned a bit about Luther in Sunday school, and studied him further in the pre-Confirmation course I did as a teenager. Although I studied hard, there’s only so much you can learn about theology when you’re 13 years old—that is: not that much, really. I see now that I then lacked the maturity to grasp many ideas.

Calvin first appeared in my readings through History books that portrayed him as an austere while influential theologian and pastor, and placed an unbalanced emphasis on his doctrine of predestination. In my first year of law school I read about him in Weber’s The Protestant Ethic and the Spirit of Capitalism, which stressed the (perceived) importance of the doctrine for the development of capitalism.

God’s mysteries led me from growing up Lutheran to getting involved in a Calvinist church community during my master’s in New York, and later coming to Geneva, the “city-church” where Calvin implemented his reformed theology. In New York I started to study more about Calvin’s theology with one of the pastors at City Grace Church, but I couldn’t advance much—I blame the (endless) readings for my master’s and later for the bar exam, but deep down I know it’s my own fault. Yet, as I mentioned in an earlier post, when I came to Geneva I was determined to give it another try.

And so I did. Surely the best thing about my long commute here is that it gave me time to read a book comparing Calvin and Luther—their personalities and life paths, as well as their thoughts on different topics. I won’t try to summarize the conclusions here. In fact, the author of the book doesn’t present any conclusions. In the postface he explains that synthesizing the contributions of the two theologians would harm their individual coherence—a view to which I fully subscribe. However, that doesn’t mean I can’t draw my own conclusions, without attempting a merger.

Through the eyes of those two great historic examples (not models), I understood better (or solidified the conceptions I already had about) God’s grace, my own helplessness, the foundations of Christian life. My trust in the Lord’s perfect will certainly increased as I studied the lives and works of those two men who submitted to Him wholeheartedly.

I also found out we (the three of us!) have a lot in common, from our anguishes to our interpretations of the Bible to our… academic background?! Yes: Luther was headed to law school and dropped out to go to seminary (so to speak); Calvin was already a lawyer (so to speak) and gave it up to become a theologian and pastor. (Will that ever happen to me? God knows. I don’t think it will, but what do I know?)

* * * * *

This is only the 5th but already the last post I write in the city of Calvin for the time being. The blog hasn’t even had a proper chance to acquire a French accent, and I’m already off to new adventures elsewhere in this world. Ironically, I’m leaving the city of Calvin for the country of Luther! But I’m not leaving unchanged. Yes, I have more work experience, more knowledge on international investment law, more people in the to-be-missed list—but those are all expected results of yet another short-term stay in a foreign land. What I mean is I’ve changed in deeper ways.

Reading the Luther/Calvin book certainly helped in significant part, but it wasn’t just that. Many other factors—including testimonials and prayers and messages and biblical passages and learning by both faith and experience—have drawn me closer to God over the past few months, in a process that is still (and I hope will remain) ongoing.

In particular, I’m much more confident—most importantly, not in my own abilities, but in His plans! To be specific, but not really, as of yet things haven’t quite worked out for me as I wanted, career-wise. Not at all. Normally, being the control freak that I am, I would be very frustrated, but that’s far from being the case now! Throughout this time in Geneva I’ve been having such clear assurances of God’s continuous love and provision that I’m not even slightly bothered.

If He hasn’t given me what I wanted so badly and asked for, and even if He never does, I’m okay, because I know He has something even better for me. “He’s up to something.” And while He doesn’t reveal it to me, I’m at peace.

Perhaps this is a good phase that will fade away, when my old dramatic self strikes hard again. But perhaps I’m no longer the odious control freak I used to be, and won’t ever go back there. I’m hoping and praying it’s the latter!

Armadilha

Eu vinha atravessando a Avenida República, em Pelotas, voltando da casa da minha vizinha e amiga de infância para a casa dos meus pais. Fui direto ao portão da garagem – “porta dos fundos” por onde eu costumava entrar em casa.

Para minha surpresa e insegurança, embora não houvesse ninguém em casa, o portão estava aberto. De novo! Poderia ser, de novo, o problema no sistema eletrônico do portão. Em dias de  tempestade, ele abria por si só, misteriosamente, sem ser acionado por ninguém. Ou então, poderia ser o pior: talvez o portão tivesse sido arrombado. De novo.

Ao aproximar-me da garagem, vi que os dois carros (o Fiesta preto e o Escort azul) estavam ali. Respirei com alívio – a possibilidade de arrombamento parecia menos provável. Senti-me seguro. Entrei na garagem e acionei o controle remoto para fechar o portão.

Mas à medida que o portão fechava – e assim me fechava dentro da garagem – comecei a ouvir um barulho estrondoso vindo de dentro de casa; aliás, era tão estrondoso que podia vir de dentro da própria garagem, de dentro dos carros ou até de dentro de mim mesmo. Era um barulho de colapso metálico… ou de uma explosão? Ou poderiam ser tiros!

Não sei. O que sei é que era um barulho horrorizante. Tive medo de estar preso em uma armadilha criminosa. Quis sair da garagem, para buscar ajuda, para fugir correndo, para me abrigar em outro lugar… Mas o portão estava quase fechado e eu, sem saída.

Gritei pelo meu pai, pensando que ele podia, afinal, estar em casa ou por perto – se bem que, a essas alturas do meu desespero, acho que na verdade estava chamando pelo meu Pai! Tudo se passava em frações de segundo eternas: o ruído aterrorizante continuava e o portão se fechava; eu estava em pânico e ninguém respondia ao meu grito de socorro.

Não cheguei a entender o que estava acontecendo, porque, ainda aterrorizado e gritando, acordei numa casa em uma silenciosa cidadezinha suíça.

Faz quase ano e meio que não vou a Pelotas e quase dois que não atravesso a Avenida República. A casa lá nem pertence mais à família – os dois carros tampouco! Essas coisas, agora, cheiram a antigo; nada disso me pertence. Mas antigos medos continuam a pertencer ao meu subconsciente (ou o meu subconsciente continua a pertencer aos medos?) de uma forma macabramente real e atual.

Anúncios que eu precisava ler

Voltando da natação um dia desses, me deparo com dois anúncios, lado a lado, num posto de combustível: “Feliz Trabalho Novo!” (tudo o que eu preciso ouvir atualmente) e “Deixe o Senhor Jesus Cristo ser o centro de sua vida” (tudo o que eu preciso ouvir constantemente).

Milênio III, década II

Dezembro foi intenso: faltou tempo (e um pouco de determinação, talvez) para postar. Atendendo aos clamores gerais (ate puxão de orelha de tia eu levei na virada do ano), enfim atualizo o blog, com um resumão resumidíssimo do último mês de silêncio, em vários retroposts:

Petites vacances

Dia 23 empacotei os queijos e chocolates que eu tinha comprado para a degustação (!) e fui de trem para a Alemanha, onde encontrei toda a familia próxima – pais, irmãs, cunhados, sobrinha e sobrinho! La, na bucólica zona rural alemã, é que tinha muita neve, como atestam as fotos.

Algumas viagens para ver amigos da família (Karlsruhe) e familiares do meu cunhado (Ehingen), mas no mais sem grandes aventuras. O Natal e o Ano Novo foram descontraídos, em família, curtindo os sobrinhos gêmeos e comendo de mais (típico de fim de ano).

Mas tudo bem: espero queimar os excessos em 1-2-3-4. Ano Novo no dia 1, de volta a Genebra no dia 2, de volta ao trabalho no dia 3, de volta à natação no dia 4.


Árvore de Natal, decorada por Lu, James e mim


Linha de produção na preparação da fondue natalina!


Muita neve em Karlsruhe


Karlsruhe


Karlsruhe


Gu e a direção invisível


Cortina de gelo, na frente da casa dos meus pais


Mais uma da árvore de Natal

Planos furados?

Deu tudo errado quanto à visita da minha irmã e do meu cunhado aqui em Genebra. Simplesmente não rolou.

Primeiro, o voo deles dos EUA a Londres foi cancelado por causa da “neve torrencial” na Inglaterra.

(Calcula-se que tenha nevado uns dois centímetros, o que foi suficiente para os londrinos surtarem e os aeroportos ficarem fechados por dias. Fiasco pouco, eu diria.)

Acabou que só conseguiram chegar a Londres com um dia de atraso e sair de lá um dia depois – direto para a Alemanha. O tempo antes do Natal era tão curto que ir a Genebra não valia mais a pena.

A aventura deles é uma historia à parte. Sem outra possibilidade de passar para o lado de cá do Canal de Mancha, devido ao colapso aéreo e ferroviário causado pela “forte nevasca” de 1,96cm na Inglaterra, eles alugaram um carro!

Carro inglês, com direção no lado direito. Travessia de balsa ate a França. (Parece até coisa d’A volta ao mundo em 80 dias, de Jules Verne, que eu li em outubro-novembro!) Trânsito na Holanda e na Bélgica com pneus de verão, porque a locadora londrina nunca tinha ouvido falar de pneus para dirigir na neve; chegou a sugerir que andassem  na autoestrada com as correntes para neve nos pneus(definição de livro-texto de “ideia de girico”). Pra finalizar: o GPS, alugado com “pacote europeu”, só tinha mapas das ilhas britânicas…

Até agora não entendo como chegaram à Alemanha – e ainda a tempo do Natal. Só por milagre, mesmo! Pena que não puderam vir a Genebra, mas…

Em seu coração o homem planeja o seu caminho, mas o Senhor determina os seus passos. (Provérbios 16.9)

Contatos de segundo grau

Visitei hoje um escritorio de advocacia a convite do sócio-gerente, com quem tinha entrado em contato em virtude de um evento de arbitragem internacional. Não: não foi uma entrevista de emprego.

Fui muito bem recebido. Primeiro que o advogado tem opiniões muito lúcidas sobre os problemas do regime internacional do investimento estrangeiro, que eu pesquiso todos os dias no trabalho.

Segundo que ele, além de ser supercool e ter na sua mesa fotos com o George Clooney e com os Obamas (as pessoas de verdade – não de museu de cera, como as que eu tenho), foi também supergentil, oferecendo dicas para minha busca de emprego e me apresentando outros três advogados do escritório.

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Uma das minhas fotos dos Obamas,
de quando os visitei na Casa Branca (aham…)

No time de waterpolo

Sábados os ônibus de e para Troinex saem mais ou menos de hora em hora. Com vários planos para hoje, acordei às 7h. Uma hora depois, peguei o ônibus das 8h para o supermercado em Carouge. Uma hora depois, voltei pra casa no ônibus das 9h (mesmo motorista) pra deixar as compras.

As compras, aliás, eram extraordinariamente muitas, incluindo diversos tipos de queijo e de chocolate para oferecer uma degustação às visitas (mana Lu e cunha James chegando amanhã à tarde!), além de oito pacotes de mistura para fondue (tradição natalina da minha família).

Uma hora depois, peguei o ônibus das 10h para ir à piscina de Pervenches (e ao me ver pela terceira vez no mesmo dia o motorista teve que sorrir).

Determinado a nadar 2000 metros, entrei na piscina e fiquei surpreso com a ausência das divisórias de raias. Mas comecei a nadar. Alguns minutos depois, entrou um grupo de pré-adolescentes. E um homem mais velho me chamou à borda pra perguntar se eu estava com o time de waterpolo. “Hã?”

Acontece que a piscina estava fechada para o time (os pré-adôs)… Eu não fazia ideia! O homem então disse, “sem problemas: estamos a fulana e eu aqui fazendo treino de natação nestas duas raias de cá; se quiseres, podes ficar e nadar conosco, contanto que sigas a nossa série de exercicios.” E eu topei, claro – porque assim eu cumpriria o plano de nadar 2000 metros e porque quem tá na chuva tem que se molhar e porque quem tá na piscina e já se molhou não quer sair e voltar pra casa tendo nadado apenas uns 200 metros.

No fim das contas, não só nadei os 2000 metros que tinha me determinado a nadar como também tive uma aula de natação grátis, com vários exercícios legais, dicas de técnica e convite para participar todos os sábados! E esse ficou sendo o dia em que eu quase – muito quase – entrei para um time de waterpolo.