Arquivo da categoria: New York

Três meses e pouco, em síntese

Em março voltei ao Brasil para morar em São Lourenço do Sul (cinco dias antes da enchente). Fiz meu juramento na OAB/RS e tornei-me oficialmente advogado, mas segui trabalhando em home office como consultor para o IISD Genebra e como tradutor freelance.

Essa flexibilidade laboral me permitiu visitar todos (!) os meus tios e primos, bem como muitos dos meus amigos, em Pelotas, São Lourenço, Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, São Paulo e Brasília. Essa intensa atividade explica (sem justificar) o abandono temporário do blog.

Depois de 14 meses nos EUA, 4 na Suíça, 1 na Alemanha e 3 no Brasil, estou de volta aos EUA por dois meses: 40 dias em NYC (motivo principal: fazer o juramento de advogado no Estado de NY) e 20 dias em San Diego, Califórnia (motivo principal: visitar Lu e James).

E depois? Brasil. E aí? Boa pergunta. Deus sabe e é o que me importa. Além disso, se eu tivesse todas as respostas, que graça teria a vida?

Com esse postinho deixo atualizado o blog e exibo minha poderosa capacidade de síntese. Sim, eu a tenho! Só não a uso muito no blog por causa da minha paixão (obsessão?) por detalhes.

Claro que aconteceram muito mais coisas que eu poderia contar, mas infelizmente não consegui contá-las à medida que aconteciam, e a minha vocação é antes para jornalista que para historiador. Portanto, só uma breve retrospectiva antes de voltar às atualidades.

Café du Soleil, o retorno

Hoje foi a festa de Natal do IISD Genebra. Conversas descontraídas (não sobre trabalho, na maior parte do tempo!) e uma deliciosa fondue no tradicional Café du Soleil.

Curiosa coincidência e momento nostalgia: o restaurante tem exatamente o mesmo nome daquele onde a amiga Leslie e eu tivemos brunch no dia de Natal em 2009, em Nova Iorque.

Da coincidência quanto ao nome do restaurante eu logo me dei conta, mas olha só! Revendo o post do brunch no Café du Soleil de NYC, vi que pedi profiteroles de sobremesa… E não é que pedi profiteroles hoje também, no Café du Soleil de Genebra?!

Encontros e despedidas

Com um tantinho de tristeza, devo dizer que este é o último post da série NYC 2009-2010. Agora que estou (geograficamente, pelo menos) distante da minha realidade nova-iorquina dos últimos 14 meses, tenho uma perspectiva mais ampla da minha mais recente saga – resolver minha vida em Nova Iorque e vir para a Europa em menos de uma semana. Neste post, convido o leitor a acompanhar a versão sem cortes dessa história, que é um dos mais belos exemplos do quanto Deus me tem abençoado por toda a minha vida. Escrevo este texto para os amigos que, de uma forma ou de outra (com ajuda prática ou em oração), fizeram parte desta saga, bem como para mim mesmo – minha memória já é fraca e algum dia eu acabaria esquecendo os detalhes se não os escrevesse.

Se tivesse que escolher uma data, eu diria que o complicado e doloroso processo de dizer adeus a Nova Iorque iniciou-se no final de semana de 18 e 19 de setembro. Passei o sábado com a sogra da minha irmã, que chegou do norte do estado de Nova Iorque para visitar o Zoológico do Bronx e também para ver Roosevelt Island, onde morei por mais ou menos cinco meses. No domingo, foi o aniversário da minha Confirmação – sempre me lembro da data, e este ano teve um quê a mais de significado, porque foi num domingo, como há 11 anos. Fui ao culto na City Grace Church, como fiz quase todo domingo por mais de um ano, mas sem dúvida foi diferente do típico domingo de 2009‒2010, não só por causa do aniversário. Os pastores anunciaram que eu estava indo embora para Genebra, contaram histórias sobre minha participação na comunidade no último ano, e oraram por mim. Ganhei um CD especial de fotos, um bolo de despedida e agradecimento, e uma quantidade atipicamente grande (mas de forma alguma inapropriada) de abraços. À noite, minhas duas boas amigas Dana e Natasha fizeram uma janta de despedida, à qual muitos outros amigos foram. Cada um deles compartilhou uma lembrança curta mas cheia de sentimento sobre mim, e eu dei um discurso de despedida (prolixo e sem inspiração).

Então fui pra casa e suspirei profundamente – por que eu tinha dito a todos que aquele era muito provavelmente o meu último domingo em Nova Iorque? Sim, meu estágio em Genebra deveria começar em duas semanas, e aquele domingo devia de fato ser meu último domingo em Nova Iorque antes de ir a Genebra via Frankfurt. Ainda assim, não conseguia me imaginar partindo. Embora minha ONG na Suíça tivesse solicitado meu visto com permissão de trabalho havia bastante tempo, ela ainda não tinha recebido a carta final de aprovação do governo suíço. Eu teria de levar essa carta ao Consulado-Geral da Suíça em Nova Iorque, onde carimbariam o visto em meu passaporte. Poderia levar ainda um mês para a carta chegar – ou poderia ser que a carta nem viesse. Isso trancava tudo. Como eu não tinha visto, não podia fazer planos. Não queria comprar passagens aéreas sem saber por certo quando (ou mesmo se) o visto chegaria, e portanto nenhuma motivação de fazer as malas (empacotar a vida). O que era ainda pior para um control freak como eu, não tinha nenhum jeito de tornar mais rápido o processo do visto, e era difícil até acompanhar esse processo.

Felizmente, aprendi algumas lições sobre vistos. Já tinha tido problemas com processos de solicitação de visto enervantemente demorados – em 2008, quando solicitei um visto alemão, e em julho de 2010, quando estava esperando pela extensão do meu visto americano de estudante. Primeira lição: surtar não ajuda nem um pouco. Embora isso seja bastante óbvio, infelizmente não é tão fácil evitar um surto. Segunda lição: se é que há qualquer coisa que ajude, só pode ser acompanhar de perto o processo de solicitação de visto junto à organização solicitante e, na medida do possível, junto ao governo estrangeiro ao qual se pede o visto.

Além disso, através de experiências relacionadas ou não à obtenção de vistos, aprendi muitas lições sobre o meu Deus. Uma lição importante é: Ele nunca me deixa na mão. Mesmo em situações quando inicialmente pensava que Ele o tinha feito (por exemplo, quando algo que eu queria muito e por que tinha orado não acontecia nunca), cedo ou tarde eu acabava percebendo que Ele não tinha me deixado na mão – em vez disso, Ele tinha me dado algo que eu nem tinha pensado que poderia ter e que era muito melhor que o originalmente almejado. De certa forma, acho que posso dizer que sou mimado de verdade por Ele.

Como qualquer control freak, preciso ter um plano, mas tentei ser uma criatura melhor, tornando essas três lições o núcleo do meu plano, assim:

  1. Não surtarei por causa desse processo de pedido de visto.
  2. Acompanharei insistentemente o processo junto à organização solicitante e ao consulado.
  3. Para atingir (1) e além de realizar (2), confiarei essa questão do visto a Deus.

(3) + (2) = Agostinho: “Ora como se tudo dependesse de Deus. (= 3) Trabalha como se tudo dependesse de ti. (= 2)”

Por favor, não pense que eu sou um herói. Sou bastante novo nessa determinação e ainda tenho que lutar contra minhas neuroses para poder pensar assim. Não é um superpoder inato.

De acordo com meu plano, fui ao Consulado-Geral da Suíça em Nova Iorque na segunda-feira, 20 de setembro (e viva o Rio Grande!). A ideia era perguntar como eu poderia acompanhar o processo do visto junto ao governo suíço, por que estava demorando tanto para minha organização solicitante receber a carta final de Berna, quais eram minhas opções se eu não recebesse a carta e o visto antes que vencesse meu visto americano (o que aconteceria logo, em outubro). Não vou entrar nos detalhes de quão mal eu fui tratado inicialmente; vou dizer apenas que, em algum momento durante um intrincado diálogo com a oficial consular, ela disse, “seu nome está em nosso sistema e estamos autorizados a dar-lhe o visto”. Fiquei surpreso. Não fazia nenhum sentido – eu não tinha que trazer a carta que a organização solicitante receberia de Berna? Era um milagre inesperado que meu nome estivesse no sistema deles. Fui ao consulado novamente na terça-feira para deixar meu passaporte e ainda uma vez na quarta-feira para buscá-lo – com um visto suíço!

A notícia de que eu teria meu visto na quarta-feira desencadeou intensos preparativos para partir imediatamente. Na terça-feira, encontrei uma passagem aérea com preço decente para ir de Nova Iorque a Frankfurt no sábado. Depois de terminar um trabalho de tradução cujo prazo terminava na quarta-feira à tarde, comecei a fazer as malas, uma tarefa que eu só concluiria na sexta-feira à tarde. Após vender, doar, enviar pelo correio, ou jogar fora muitas de minhas coisas, consegui encher duas malas para despachar. Cada uma delas pesava o máximo que a companhia aérea aceitaria levar, mesmo pagando excesso de bagagem (o que eu teria de fazer, inevitavelmente). Minha bagagem de mão tinha o dobro do peso permitido. Então olhei à minha volta… e para o meu pavor ainda tinha um monte de coisa pra levar! Decidi simplesmente jogar tudo dentro das duas malas grandes e torcer que a companhia aérea não fosse muito rigorosa.

No meio da loucura de fazer malas, ainda tive a oportunidade de dar adeus individualmente a muitos amigos, inclusive alguns que não tinham ido à festa de despedida. Na terça-feira, tive um almoço italiano com a Maurizia da NYU, sobremesa-tardia (e uma sobremesa maravilhosa) com a gourmet Christine da City Grace, e um jantar memorável em um restaurante chique (para o qual eu tinha ganhado um vale-presente de $100!) com as irmãs Leslie e Stephanie da City Grace. Na quarta-feira, almoço e sorvete e conversa maravilhosa (como sempre) com o Kyle da City Grace. Na quinta-feira, a Isabela da NYU me ofereceu hospitalidade e comida típicas da Bahia, e mais tarde encontrei novamente a Leslie e a Stephanie em um evento beneficente que a Leslie ajudou a organizar. Na sexta-feira à tarde, a Natasha veio de Nova Jersey me visitar, o que foi um grande incentivo para eu terminar de empacotar (incluindo café, de que eu realmente precisava àquelas alturas). Na sexta-feira à noite, minha última noite em Nova Iorque, fui à festa de inauguração do loft de Kyle, Lee e Ryan, onde vi ainda uma vez muitos dos bons amigos que acabo de mencionar, bem como muitos outros (que não vou citar aqui, porque seria uma longa lista). Foi a forma perfeita de terminar um ano maravilhoso em Nova Iorque.

Em todos os momentos, mas especialmente quando as coisas não pareciam ir muito bem nos meus preparativos, era evidente que eu permanecia sob o cuidado de Deus.

  • Nunca tinha tido problemas para chegar a Roosevelt Island com o metrô F – exceto, é claro, no meu penúltimo dia em Nova Iorque, quando perdi algumas horas por causa de atrasos, acidentes e mudanças de rota inesperadas. Mas nem a MTA (Metropolitan Transit Authority, empresa de transporte público de Nova Iorque) podia me deter: apesar da perda de tempo, ainda consegui me aprontar em tempo.
  • No sábado, o táxi que deveria me levar de Roosevelt Island até a parada do ônibus expresso entre Midtown e o aeroporto de Newark não consegui chegar bem até a parada, por causa de ruas interrompidas em Manhattan. Felizmente, Deus enviou-me um dos Seus anjos, meu amigo Naoki, que me ajudou a carregar as malas até a parada de ônibus.
  • Quando cheguei ao aeroporto de Newark, fiquei em choque quando o ônibus parou e me largou na área de desembarque, não de embarque. Tão frustrante! Tinha que dar um passo adiante com uma das malas, então voltar para pegar as outras duas malas e trazê-las junto à primeira – e assim por diante. Era humanamente impossível carregá-las todas ao mesmo tempo e não havia carrinhos por perto. Aí, do nada, um funcionário do aeroporto se aproximou e me trouxe um carrinho!
  • Então, fui ao balcão da companhia aérea, fazer check-in. Ambas as malas grandes passaram – miraculosamente, até, porque eu sabia que ambas pesavam mais que o máximo permitido. Além disso, não só a moça nem me pediu pra pesar minha mala de mão, mas também ofereceu para despachá-la sem custos adicionais. Inacreditável! Finalmente, ela me ofereceu um assento de corredor (meu tipo preferido) na fila de uma saída de emergência (o espaço para minhas pernas era tão enorme que eu podia dançar valsa ali). E nem precisei pedir.

Tudo parecia estar preparado pra mim. Só Deus poderia ter feito isso dessa maneira. Ele cuidou de detalhes em que eu nem pensei.

Quando desembarquei em Frankfurt, Alemanha, meus pais já estavam esperando por mim no portão. Contei a eles toda esta saga enquanto dirigíamos a Limburg, bem a tempo do culto na igreja evangélica de que minha irmã e meu cunhado participam. À medida que eu me acalmava, sentado na igreja, finalmente percebia que tinha chegado. No domingo anterior, meu aniversário de Confirmação, estava eu em Nova Iorque, dizendo adeus à minha comunidade e aos meus amigos, mas não tinha nem ideia de que receberia o visto e partiria tão rápido. Apenas uma semana depois, estava eu na Europa, com meus pais. Minha irmã e meu cunhado, que eu estava tão feliz de poder ver de novo depois de um ano, em breve chegaria com minha sobrinha e meu sobrinho, que eu estava tão feliz de poder ver pela primeiríssima vez! Eu me sentia realizado, embora exausto da viagem. Não tinha conseguido dormir nada no voo. Além disso, tinha que conciliar a euforia de encontros e desencontros com a tristeza de deixar para trás uma realidade que eu verdadeiramente amava – não estava mais morando em Nova Iorque, aquela igreja não era a City Grace Church, e nenhum dos meus amigos estava ali.

Meu nível de alemão é iniciante (não estou sendo modesto), definitivamente não suficiente para entender um culto inteiro em alemão. Pego umas palavras aqui e ali, infiro algumas a partir do contexto, e isso me permite chegar a um entendimento de uns 65% do que está sendo dito. E não faço ideia de daonde tirei esses 65%, porque é provavelmente bem menos que isso. Ainda assim, por alguma razão divina, eu entendi bem claramente quando o pastor disse que o versículo bíblico da semana era I João 5:4:

“…porque tudo o que é nascido de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.”

Fiquei paralisado. Imediatamente interpretei o versículo à luz dos eventos recentes na minha vida – vencer desafios terrenos através da fé e da confiança em Deus. Mas isso era apenas a ponta de um iceberg de significado. Lágrimas começaram a correr dos meus olhos no momento em que ouvi o versículo. Só consegui me virar para o meu pai, que estava sentado ao meu lado – “Pai, tu te lembras? É o meu versículo de Confirmação!”

Eu já tinha derramado algumas lágrimas em três ocasiões no processo de partida de Nova Iorque e já tinha falhado na minha determinação de chorar somente quando estivesse no avião para a Europa. Primeira vez: quando voltei a Roosevelt Island depois da festa de inauguração do apartamento dos meus amigos, minha última noite em Nova Iorque. Segunda vez: quando entrava no túnel Holland, saindo de Manhattan a caminho de Newark. Terceira vez: durante o voo, especialmente quando li os cartões de despedida que o Naoki e a Stephanie escreveram (bem, o Naoki intencionalmente escreveu o seu como um “auxílio para chorar”, para o caso de eu ter me esquecido de levar uma cebola para cortar, como ele mesmo colocou, e a Stephanie disse que o dela era muito “emotional and crap” [difícil traduzir!], nas palavras dela mesma, então não é surpresa que eles me fizeram chorar). Mas aqueles momentos foram diferentes. Eu tinha a situação sob controle e não deixei ninguém ver. Desta vez, em Limburg, eu simplesmente não conseguia parar. Acho que só consegui quando lembrei que conheceria logo minha sobrinha e meu sobrinho de dois meses de idade, e quando percebi que eles teriam se comportado melhor durante o culto do que o seu tio de 25 anos.

Falando bem sério, não sei exatamente por que eu estava chorando – talvez porque estivesse tão aliviado de ter chegado com segurança depois da minha saga, ou porque estivesse triste por sair de Nova Iorque, ou porque estivesse feliz de estar na Europa e de ver minha família de novo, ou por causa de um mix de todas essas razões. Sempre se pode racionalizar e pensar que eu estava exausto e particularmente sensível e sei-lá-o-quê, mas outra possibilidade é que eu tivesse sido movido pelo Espírito. É difícil explicar ou descrever. Foi muito intenso. Minha ousadia em compartilhar essa história só se explica pela minha imensa gratidão a Deus.

Pra deixar o blog perfeitamente atualizado, não bastam estas 2.500 palavras; faltam ainda algumas. Escrevi o post (até o parágrafo anterior) originalmente em inglês, para dar notícias aos amigos em Nova Iorque, mas resolvi traduzir porque os amigos brazucas também merecem a atenção e um relatório completo. Aliás, ainda mais completo, escrito à medida que a história acontece. Do domingo 26 de setembro até hoje (sábado 2 de outubro), fiquei com minha família na região do Westerwald, na Alemanha, babando um pouco nos sobrinhos Isabel e Felipe.

Hoje, às 9h da manhã, tomei um trem rumo a Genebra via Frankfurt e Basileia. Chego em Genebra por volta das 18h. Na estação, vai me esperar o senhor em cuja casa vou alugar um quarto durante esse meu período aqui (até meados ou fins de janeiro do ano que vem). Fica em Troinex, a sudeste de Genebra.

Escrevo durante a viagem de trem. Escrevendo, contemplando, ouvindo música. Destaques da minha playlist de viagem:

  • Empire State of Mind, do Jay-Z (porque sair do “empire state of mind” é uma tarefa difícil)
  • Sonatas de violino de Beethoven (porque achei apropriado para o trecho alemão da viagem)
  • Songs In and For Curious Times (uma coletânea – presente de despedida do amigo Kyle)
  • Zooropa (porque U2 é U2, ora; não precisa de justificativas)
  • Encontros e Despedidas, com Maria Rita (porque achei apropriado para o contexto ferroviário)

Agora que estou no último trecho (Basileia–Genebra), já em território suíço, posso fazer alguns comentários sobre as primeiras impressões da chegada. E só algumas, porque quero parar de escrever logo pra curtir a paisagem! Na Alemanha estava chuvoso, mas desde que entramos na Suíça tem feito um dia lindo de sol, que só faz destacar a beleza natural do lugar. O trem faz curvas por entre os morros e entra em longos túneis e passa por pequenas cidades encantadoras. O que se vê ao redor são morros cobertos de florestas já com sinais de outono, o lago cercado de villas simpáticas e pontilhado de veleiros, as montanhas brancas dos Alpes à distância… é deslumbrante. Tô chegando…

Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem

(Encontros e Despedidas)

East River à noite

Hoje caminhei do Empire State até o East River pela 34th St, e depois ao longo do rio até o Battery Park pelo East River Greenway.

Manhattan Bridge

Manhattan Bridge

FDR Drive e Manhattan Bridge

Brooklyn Bridge (Manhattan Bridge ao fundo)

Queensboro Bridge e Manhattan skyline; vista de Roosevelt Island

Manhattan, Williamsburg, Ground Zero

As longas caminhadas por Nova Iorque estão fazendo sucesso! Da última delas, ontem, além de mim e do Naoki também participaram os amigos Kyle e Ryan. Saímos de Chinatown, atravessando a Manhattan Bridge até o Brooklyn, e voltando para Manhattan pela Williamsburg Bridge (umas 5 milhas = 8 Km). De lá ainda seguimos, Naoki e eu apenas, para o Battery Park, para fotografar o Tribute in Light, as luzes memoriais do 11 de setembro.

Arco da Manhattan Bridge

Brooklyn Bridge, vista da Manhattan Bridge

FDR drive e o skyline do Financial District;
vista da Manhattan Bridge

Uma das torres da Manhattan Bridge

Casa com carrinho bizarro no Brookyln

Eu também amo queijo!

Manhattan vista do Brookyln;
entrando na Williamsburg Bridge

Mais Manhattan skyline

Ground Zero; World Financial Center ao fundo

Ground Zero; luzes das Torres Gêmeas

Onde as luzes terminam

À esquerda, o 1 World Trade Center (anteriormente Freedom Tower; felizmente abandonaram esse nome!), ainda em construção. Será o prédio mais alto das Américas, com 1362 pés de altura (a mesma que tinha a torre gêmea sul). A altura total, com a agulha, é simbólica: 1776 pés = 541 metros (1776 foi o ano da independência dos Estados Unidos). Ao fundo, o prédio com com luzes rosa e verde é o Woolworth Building, um dos mais antigos arranha-céus de Nova Iorque (241 m); foi o mais alto do mundo de 1913, quando a construção foi concluída, até 1930, quando o Chrysler ficou pronto. A câmera caiu no meio da longa exposição (!), mas acabei gostando do efeito de movimento.

Onde as luzes começam: um estacionamento em Battery Park City! Subimos até lá. Não tinha pote de ouro. Tinha um evento particular, do qual fomos gentilmente expulsos.

The Sphere, escultura de Fritz Koenig que ficava entre as torres gêmeas. Sobreviveu (embora não intacta) ao 11 de setembro e está agora no Battery Park. Cada uma das bandeiras em torno do monumento, expostas ali apenas durante a semana do 11 de setembro, tem os nomes das vítimas dos ataques terroristas.

Labor Day 2010

Segunda-feira, feriado do Dia do Trabalho aqui, meu amigo Naoki e eu fizemos mais uma longa caminhada por Nova Iorque. Saindo de Midtown East, atravessamos a ponte Queensboro até Long Island City. De lá, fomos ao Parque Corona-Flushing Meadows, que recebeu duas Expos e foi a primeira sede das Nações Unidas antes da construção do complexo atual em Midtown. O destino final foi Main Street, Flushing, onde fica a segunda maior Chinatown de Nova Iorque. A distância total percorrida (com ziguezagues) foi de umas 10 milhas (16 Km). Na volta, fomos de metrô a Astoria, para visitar uma amiga que se mudou para lá há poucas semanas.

Vista da Queensboro Bridge: Roosevelt Island à esquerda do East River;
Long Island City, Queens, à direita

Calvary Cemetery… enorme!

The Unisphere (altura de 12 andares e 300 toneladas de aço),
no Flushing Meadows-Corona Park

Ruínas do New York State Pavilion,
construído para a Expo de 1964-1965

Rocket Thrower

Jardins perto do U.S. Open

Main Street, Flushing, e um dos caminhões de sorvete
que nos perseguiram com sua musiquinha enervante

Em Astoria: Hell Gate Bridge (novo nome: Martin Bridge) no primeiro plano;
Triboro Bridge ao fundo

Governors Island

Passeio após passeio: cheguei sexta-feira à noite da região de Albany (vide post anterior) e, no sábado de manhã, fui com a amiga Misako a Governors Island para a Governors Island Art Fair, uma exibição de arte contemporânea (pintura, escultura, fotografia, instalações) aberta ao público todos os fins de semana de setembro.

Além de ver a exibição, é claro que caminhamos um pouco por essa pequena e intrigante ilha onde nunca tínhamos estado. Originalmente a ilha tinha apenas 0,29 km², mas foi expandida no início do século XX para cerca de 0,7 km², com aterro proveniente da construção do metrô da Lexington Avenue (linhas 4, 5 e 6). Governors Island serviu de quartel do Exército dos EUA; mais tarde, ficou sob o domínio da Guarda Costeira, que a ocupou até 1996.

Em 2003, abandonada, Governors Island foi transferida do governo federal para o povo de Nova Iorque por $1 (continuam pertencendo ao governo federal, porém, as áreas que abrangem o Fort Jay e o Castle Williams, duas antigas fortificações militares). Uma empresa pública municipal está transformando a ilha em um centro de lazer.

Chegada em Governors Island: vista para Manhattan

Um dos prédios usados pela Governors Island Art Fair

Acrobacias com vista privilegiada!

Fim do jogo de basquete sobre monociclos!

Minigolfe em Governors Island

Fort Jay, quartel do Exército americano, do século XVIII

De novo, vista para o Financial District. No fim da tarde, havia bastante vento e o rio estava bem agitado!

A tranquilidade de Governors Island em primeiro plano contrastando com o ritmo frenético do Financial District ao fundo

Castle Williams, fortificação construída no século XIX para proteger Nova Iorque de ataques navais

Upstate NY

No findi do Dia do Trabalho (nos EUA, é na primeira segunda-feira de setembro) em 2009 fui para a região de Albany, capital do estado de Nova Iorque (ver este post). Por uma barbeiragem dessas da vida, na hora de comprar as passagens de ônibus naquela ocasião, por engano marquei a volta para 3 de setembro de 2010 (em vez de 2009).

Quando me dei conta do engano, não tinha mais como voltar atrás. Fui no balcão da Greyhound, tanto aqui em Nova Iorque quanto em Albany, mas não teve jeito de trocar a passagem ou pedir reembolso. Acabei tendo que pagar de novo para voltar de Albany para Nova Iorque no ano passado. Guardei o bilhete que comprei por engano, mesmo sem saber, então, que acabaria ficando por aqui um tempo após o mestrado e tendo a chance de usá-lo! Assim é que fui à região de Albany na segunda-feira e voltei na sexta-feira, 3 de setembro de 2010, usando o bilhete comprado por engano.

O objetivo principal da viagem foi visitar meus “familiares” aqui do estado. É um quase-parentesco que às vezes fica difícil explicar. Sue e Tom são “os pais do meu cunhado James” ou “os pais do marido da minha irmã” ou “os sogros da minha irmã” e moram em Rexford. Até aí até que dá pra entender tranquilo, mas nem sempre é assim tão simples. Terça-feira, por exemplo, fui com a Sue a Auburn para conhecer a irmã do meu cunhado e as duas filhas da irmã do meu cunhado. No caminho de volta, paramos em Canastota para conhecer os avós paternos do meu cunhado, e ainda em Utica para visitar uma tia-avó paterna do meu cunhado. Por fim, sexta-feira fomos a Niskayuna e conheci o recém-nascido (bom, nem tão recém: já tem 2 meses!) filho do irmão do meu cunhado, ou seja, sobrinho da minha irmã.

O único passeio que não envolveu quase-parentescos complexos foi ao New York State Capitol, a sede do legislativo estadual. A construção foi concluída em 1899 e custou 25 milhões de dólares (quase meio bilhão de dólares correntes).


Senado do Estado de Nova Iorque

A “escadaria de um milhão de dólares” (foi o que custou!)

Câmara de Deputados do Estado de Nova Iorque

Salão do capitólio; tapete com o selo de Nova Iorque

Vista para o capitólio, do alto da Corning Tower (1973), o mais alto edifício de Albany; também o mais alto do estado de Nova Iorque fora da cidade de Nova Iorque. Tem 180 metros e 44 andares. A “calçada de Copacabana” a sudoeste do capitólio é um mistério a desvendar.

National Waffle Day

Continua chovoso por aqui, o que inviabiliza as minhas caminhadas fotográficas pela cidade. De manhã, passei um tempinho em Midtown.

Primeiro, comprei numa Barnes & Noble (mapa) um guia de viagem, já planejando minha ida para ____ (em breve!).

Depois, um estratégico pit-stop numa Crumbs Bake Shop (mapa), uma das melhores confeitarias de cupcakes aqui de NYC, onde comprei um Baba Booey: cupcake de chocolate com manteiga de amendoim.

Em seguida, fui para o Greenacre Park, um microparque particular, de menos de 600 metros quadrados; um oásis em East Midtown.

Um cartaz bem à entrada do parque dizia que não era permitido tirar fotos. Eu fui obediente até que uma moça ficou insistentemente tirando fotos com sua supercâmera (inclusive programando-a para tirar fotos de si em frente à queda d’água) e que um homem ficou insistentemente tirando fotos do menino que o acompanhava (pai e filho, talvez). Bueno, se assim descaradamente pode, acho que uma discreta com o celular também deve poder.

Greenacre Park

Fato curioso sobre o nome do parque é que Greenacre (assim como Blackacre e Whiteacre) é um nome fictício para imóveis, tipicamente usado em aulas de Direitos Reais aqui nos EUA.

De volta pra Roosevelt Island, recebi mais uma visita de despedida, também de uma ex-colega do mestrado.

Terminei o dia com uma pequena comemoração pelo National Waffle Day. O Dia Internacional é 25 de março, seguindo uma tradição sueca. O Dia do Waffle aqui nos EUA é 24 de agosto, aniversário da primeira patente americana de uma forma de waffle (1869).

Embora waffleiro de fama e experiência internacionais (já fiz waffles em várias cidades do Brasil, bem como na Alemanha e nos Estados Unidos), aqui não tenho prensa de waffle, então tive que me contentar com os waffles da Titia Jemima.

Como não tive tempo no súper [“supermercado” em bom pelotês] para encontrar maple syrup (acompanhamento tradicional de waffles, especialmente aqui e no Canadá), precisei turbinar a doçura do waffle com chocolate. Não era Kinder, mas veio com uma surpresa (!).

Surpresa: chocolate ao leite da Nestlé produzido no Brasil

Happy National Waffle Day!

Waffle e a vista noturna para a Triborough bridge

De Roosevelt Island ao Prospect Park

Sexta-feira fiz mais uma longa caminhada por Nova Iorque, passando por três boroughs. Distância total percorrida: cerca de 16 Km (10 milhas). O trajeto que eu fiz foi mais ou menos este. O ponto de partida foi Main Street, Roosevelt Island (minha rua!). Atravessei a Ponte Roosevelt Island, entrando assim no em Long Island City, Queens.

Eu moro num desses prédios marrons feiosos 🙂

Caminhei por algumas áreas bem industriais de Long Island City, o que não foi lá tão cênico. O que valeu a pena, mesmo, foi passar pelo Queensbridge Park e pelo Gantry Plaza State Park.

Sede das Nações Unidas e o Chrysler, vista do Gantry Plaza

Atravessei a Ponte Pulaski (do Queens para o Brooklyn). O primeiro bairro é Greenpoint, tradicionalmente polonês; depois vem Williamsburg, onde hoje há muitos artistas. A parte sul de Williamsburg é um reduto judeu ortodoxo. Vi muitas pessoas com vestimentas tradicionais judaicas, além de muitas placas em hebraico.

Vista para Manhattan da Ponte Pulaski

Ônibus escolar em Williamsburg

Sinagoga em Williamsburg

Na parte final da caminhada, passei por Clinton Hill e Prospect Heights para chegar ao destino final: Prospect Park.


Casas em Prospect Heights, Brooklyn

Arco dos Soldados e Marinheiros

Entrada principal do Prospect Park

Prospect Park

Baseball no Prospect Park

Prédios na Prospect Park West, Park Slope, Brooklyn