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Tudo igual mas de roupa nova

Ultimamente não tenho saído muito aqui da volta de casa, da volta da NYU (a zona de conforto Greenwich Village). Um dia vou um pouco uptown, outro dia vou um pouco downtown, mas não tenho caminhado por aí tanto quanto gostaria.

Após o culto e antes de voltar às leituras, resolvi dar uma volta rápida pelo Washington Square Park. Fica aqui pertinho, já passei por ali tantas vezes… mas nada isso significa mesmice. O outono está cada vez mais visível. Menos verde. Mais amarelo, laranja, marrom.

Saindo do parque, passei por um senhor, que estava sentado diante de uma mesa com um tabuleiro de xadrez pronto para uma partida, mas sem oponente. Ele estava disparando para todos os lados a pergunta, “chess player?“. Fiquei tentado a jogar, mas pensei, “it’s been so long since I last played chess” (sim, pensar em inglês é exercício, “faz tanto tempo que não jogo xadrez”). Cheguei a pensar no caso, mas fiz minha cara de “sinto muito” e segui rumo à biblioteca. Uns dez passos depois cheguei a parar e pensar em voltar… mas segui rumo à biblioteca. Depois me arrependi (típico). Um dia, quem sabe.

Ao sair da biblioteca, já noite, vi que a iluminação do Empire State está violeta, o que não é lá muito comum. Descobri (não é que o site do Empire State tem um calendário de iluminação?) que o violeta é pela Memory Walk 2009, uma caminhada promovida hoje pela Alzheimer’s Association aqui na cidade. Violeta, aliás, está por tudo aqui na volta, porque é a cor da NYU. Terminei o “tour pelos novos velhos lugares” no terraço aqui de casa.

Altos e baixos

Algumas semanas atrás vi no site do Ministério das Relações Exteriores que fiquei em primeiro lugar na pré-seleção do Governo Brasileiro para o programa de bolsas da Organização dos Estados Americanos (OEA). Não espalhei muito a notícia, seguindo os passos do meu sábio mestre (tá, ele é doutor, mas meu mestre!) Leo Monasterio: não espalhar antes que saia no Diário Oficial. Acontece que a OEA teria a palavra final, ou seja, ainda poderia mudar a ordem da pré-seleção brasileira. Claro que, estando em primeiro lugar na pré-seleção, fiquei bastante otimista quanto às minhas chances.

Ontem vi, não no Diário Oficial, mas no site da OEA, a lista final: o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto e o sexto colocados da pré-seleção brasileira foram pulados, e a OEA resolveu dar bolsa para o sétimo, o oitavo e o nono. A decisão é final e não sujeita a recurso. Estou oficialmente fora.

O lado ruim é óbvio, mas também tem um lado bom: a bolsa me obrigaria a voltar ao Brasil por dois anos. Nada contra a ideia de voltar ao Brasil, mas nem tão nada contra a ideia de ser obrigado a restringir assim o início da minha carreira em Direito Internacional, pelo qual esperei tanto tempo (sete anos?!). Fazendo um balanço: mesmo entristecido por no final não ter sequer a chance de ver el color de la plata, conto a pré-seleção em primeiro lugar como uma vitória.

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Provavelmente um pouco fora da casinha por causa da notícia, ou simplesmente “porque sim” e nada a ver com a notícia, perdi meu par de óculos de natação preferido no Coles Sports Center ontem à noite. Hoje fui lá de novo e, antes de nadar, perguntei se o tinham encontrado (mesmo sem esperanças). Comecei pela portaria, depois fui para a “sala dos equipamentos” (onde tem um balcão de achados e perdidos), e finalmente, à beira da piscina, já pronto para nadar com o par de óculos de reserva, perguntei para a guria que estava no balcão administrativo do natatorium. E estava lá! Agradeci efusivamente à guria (sei lá se foi ela que achou, mas igual!), e todos se regozijaram. (Nada a ver, mas fica bonito terminar o relato assim.)

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Termino o post com um vídeo. Peço desculpas pela falta de tradução e/ou explicação detalhada na língua padrão do blog. Em síntese: o vídeo mostra um lorde inglês (ex-conselheiro de Margaret Thatcher na área de ciências – e além disso um notório cético quanto à mudança climática) dando uma palestra aqui nos EUA, dizendo que o novo tratado sobre mudança climática (a ser concluído em Copenhagen, em dezembro) vai criar um “governo mundial” e sugar a riqueza dos Estados Unidos, e que através dele Obama vai abrir mão da soberania dos Estados Unidos, e que o tratado vai ter precedência sobre a Constituição dos Estados Unidos, e que por isso os Estados Unidos, uma vez assinando o tratado, não vão poder abandoná-lo sem que os outros países (aqueles malvados) concordem.

Nunca vi tanta bobagem em um vídeo que se propõe a ser sério. Aliás, quando me deparei (nem me lembro como) com esse vídeo, por causa da figura britânica, da postura, do assunto… enfim, de toda a situação, achei que fosse “stand-up comedy” – esse tipo de monólogo cômico que é tão comum aqui nos EUA. Mas aí percebi que a plateia não estava rindo, e que a coisa era pra ser séria, mesmo! Ridiculamente inacreditável. Pior ainda foi googlar e ver as reações (principalmente de americanos): não é que tem gente por aqui que está preocupadíssima, achando que tudo o que o lorde inglês disse realmente vai acontecer?!

Tudo a ver com o tema de hoje – altos e baixos. O vídeo é uma ilustração de quão baixos podem ser os golpes dos anti-ambientalistas por aí (esse lorde inglês não pode acreditar sinceramente nos absurdos que disse!). Por sua vez, as reações ao vídeo são uma ilustração da ignorância (falta de conhecimento, se preferirem) de muita gente aqui nos EUA quanto a direito e política tanto no plano nacional quanto no internacional. (O vídeo já foi visto quase 500.000 vezes… e os comentários a ele na página do youtube são quase todos amplamente irrelevantes.)

Soterrado

A última semana foi silenciosa porque estive ocupadíssimo. Ou seja, agora que estou postando é porque estou totalmente de pernas pro ar, certo? Haha… yeah right! Isso aqui (leia-se: NYU) tá uma loucura cada vez mais enlouquecedora.

Semana passada passei muito tempo estudando em casa e na biblioteca (“soterrado” porque a biblioteca fica no subsolo), mas também fui a mais um evento na NYC Bar. Foi uma semana chuvosa e fria – entre 3 e 7 graus Celsius. O aquecimento no prédio, que até então só vinha me enervando, chegou a fazer sentido nesses dias (mas agora voltou a me enervar, porque os dias voltaram a ser ensolarados e com temperaturas altas o suficiente para deixar meu quarto demasiado quente).

Uma experiência curiosa nesses dias de claustro foi encontrar na biblioteca vestígios de alguém que parece ser, como eu, um editor compulsivo, mas que, diferentemente de mim, ultrapassou a fronteira do vandalismo. (Embora eu às vezes tenha vontades parecidas, tenho conseguido mantê-las sob controle.) Hoje voltei lá e tirei foto dos vestígios:

Não vale a pena traduzir, porque a moral da história não vai fazer muito sentido em português. O fato é que a edição faz toda a diferença. Quem não entender pode confiar em mim: depois das alterações do editor vândalo, a mensagem ficou muito mais clara.

Os nóbeis

Participando de um evento na NYC Bar (associação de advogados de NYC) hoje de manhã, espiei o Financial Times do desconhecido ao lado e assim fiquei sabendo que Elinor Ostrom e Oliver Williamson ganharam o Prêmio Nobel de Economia de 2009 – ela, “por sua análise da governança econômica, especialmente quanto os commons (bens globais, como a atmosfera)”; ele, “por sua análise da governança econômica, especialmente quanto aos limites da firma”. Tanto Ostrom como Williamson são acadêmicos da escola da Nova Economia Institucional – que foi o marco teórico que usei na minha monografia final do curso de Economia.

Gostei. Pelo menos eles ganharam um prêmio por coisas que já fizeram (aliás, têm feito por muito tempo ao longo da vida), e não por coisas que apenas prometeram fazer. Uh, um pouco ácido… Na verdade eu não sou tão dramaticamente contrário à ideia de terem dado o Prêmio Nobel da Paz ao Obama. Embora meio temprano, talvez o lado bom seja o incentivo para que ele agora faça por merecer.

(Só a título de curiosidade: o Prêmio Nobel da Paz é mesmo um Prêmio Nobel, ou seja, pago com os rendimentos do legado de Alfred Nobel, o sueco que inventou a dinamite; o chamado “Prêmio Nobel de Economia” é na verdade um prêmio “em memória de Alfred Nobel”, criado não por ele, mas pelo banco central sueco.)

Entrevero de feriados

12 de outubro pelas Américas…

  • Brasil: oficialmente e para a população católica, Dia de Nossa Senhora Aparecida; mas, extraoficial e comercialmente, Dia da Criança;
  • Canadá: Dia de Ação de Graças (Thanksgiving), que no Brasil em geral não se comemora, e que aqui nos EUA é na quarta quinta-feira de novembro;
  • EUA: Dia de Colombo (Columbus Day), em homenagem ao “descobridor” das Américas (que, aliás, é pouco lembrado no Brasil!);
  • Maioria dos países hispânicos da América Latina (Argentina, Chile, México…): Dia da Raça (Día de la Raza; nome politicamente incorreto pro meu gosto), pelo primeiro encontro entre os povos ibéricos e os indígenas americanos;
  • Venezuela: Dia da Resistência Indígena (Día de la Resistencia Indígena – o contraponto à homenagem ao “descobridor”!).
Mesmo com tantos motivos… para a NYU não foi feriado. Portanto, tampouco para mim.

Sobe o preço do leite

O que é a total falta de assunto… Não, não é falta de assunto. Preocupações do lar (e com dólar) fazem parte do meu dia-a-dia. Ora, não dá pra simplesmente ignorar um aumento de 8,85% no preço do leite no Morton Williams.

Outras novidades? Hoje foi um dia lindo, ensolarado – e não fiz nenhum passeio outdoors. Aliás, não saí do básico, do beabá, do ABC fora de ordem (Culto, Alpha e Biblioteca). Mesmo assim, dia muito proveitoso!

Até a poupança Bamerindus se foi

Minha irmã Lu foi embora hoje… deixando aquele vaziozão, em vários sentidos! Enfim tiro um tempinho para organizar as memórias (inclusive fotográficas) de mais uma semana express.

Na quarta-feira, caminhando com pressa pelo Washington Square Park, passei por baixo do arco (Washington Arch). De relance, vi a data em que o arco foi inaugurado, e tive que parar e voltar pra conferir: May 4, 1895, dia e mês do meu aniversário! E o ano (1895) tem os mesmos algarismos do ano em que nasci.

À tardinha fui a uma feira de empregos aqui na NYU. E acho que não tinha nada pra mim – nem internacional, nem ambiental. A primeira pessoa com quem falei (sócio fundador de um escritório de advocacia), depois de me ouvir falar sobre meus interesses profissionais, disse que Direito Internacional não existe e que odeia arbitragem internacional. Espero que nos próximos eventos desse tipo eu encontre uma atmosfera mais amigável…

À noite Lu e eu fomos com os amigos brazuco-escoceses (!) Danielle e Conrado a um restaurante árabe e depois a uma gelateria italiana. Amo muito essas cosmopolitices.

Quinta-feira à noite saímos com outros amigos para mais cosmopolitices (dois brasileiros, uma canadense, um espanhol e dois italianos em um restaurante francês!), mas lamentavelmente esquecemos de tirar foto…

Último passeio com a Lu hoje de manhã: fomos ao m&m’s World, uma loja de 3 andares e mais de 2.000 metros quadrados onde se pode encontrar todo e qualquer badulaque temático de m&m‘s, desde o mais básico (camisetas e canecas temáticas de m&m‘s) até o que desafia os limites do imaginável (cortina de banheiro temática de m&m‘s). Seguindo no contexto chocolático, fomos à (bem mais modesta) casa da principal concorrente, a Hershey’s, do outro lado da rua!

A sexta-feira termina com arrumação de quarto, lavação de roupa (lelelelê…), comunicação com a família… e organização do meu mural de fotos! Finalmente! Não é propriamente um mural, porque eu não posso fazer furos na parede (!). Então é um mesal de fotos (?). (Sei lá, deve haver um nome adequado pra isso, mas agora simplesmente não me vem à cabeça.)

Claro que os leitores do blog que se encontrarem nas fotos do mesal podem ficar contentes, mas os que não se encontrarem ali não devem ficar tristes nem se sentir excluídos. A proposta do mesal inclui a ideia de rotatividade. ;)

P.S.: Eu sinto que devo um esclarecimento quanto ao título, “Até a poupança Bamerindus se foi”. É que, graças à memória extraordinária da Lucila e à nossa persistente disposição de nos engajarmos em divagações sobre temas aleatórios, conversações bastante inusitadas podem surgir. E surgem.

Por exemplo: uma sessão nostalgia (praticamente um ataque de flashback) relembrando alguns hits de outrora, desde os clássicos como músicas de Mary Poppins (Supercalifragilisticexpialidocious!) até jingles como o da Clorofina (quem pode se esquecer da “eficiência da Clorofina… há muitos anos sempre em primeiro lugar“?).

O jingle da poupança Bamerindus também entrou na história:

O tempo passa, o tempo voa
E a poupança Bamerindus continua numa boa…

Há algum tempo o banco Bamerindus foi extinto – e, com ele, foi extinta a promessa de que a poupança Bamerindus continuaria numa boa. Se até a poupança Bamerindus se foi, o que dizer então do tempo que passa e voa inexoravelmente?

Esporturistas no Central Park

Esta semana estou recebendo minha primeira visita desde que estou em NYC: minha irmã Lu! Hoje à tardinha fomos caminhar no Central Park – algumas fotos aqui e também no picasaweb do Guri.

Central Park ao entardecer

Lu & Gu: Projeto Espeto Noite Jovem Velharada!

NYC skyline – vista do reservatório do Central Park

NYC skyline – vista da cobertura do D’Agostino Hall

oportuNYdades

Recentemente aconteceram aqui a NYC Climate Week (20-26 de setembro) e a reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas (23-26 e 28-30 de setembro). São só dois exemplos dos tantos eventos que acontecem por aqui, que me interessam e têm tudo a ver com o que eu estudo, mas que eu simplesmente não posso ou não tenho tempo para acompanhar. Mesmo assim, algum proveitinho tenho conseguido tirar do fato de que um grande número de pessoas importantes e/ou com ideias interessantes (as duas características nem sempre andam juntas!) circula aqui por NYC.

Um exemplo: durante o período da Assembleia Geral, o Presidente da República Dominicana, Leonel Fernández Reyna, veio palestrar aqui na NYU Law sobre “Governança global e os países em desenvolvimento”; fui assistir. (Aliás, vale contar que um dos elevadores da faculdade travou e o Presidente ficou preso ali por algum tempo. Se fosse no Brasil, já viram o escândalo na mídia no dia seguinte, né?) A bem da verdade, discordei de várias das colocações dele – a maioria delas talvez perdoável por ele ser um político que, embora instruído e com uma admirável capacidade de se expressar em inglês, não é propriamente um “acadêmico”. Porém, de forma geral, foi positiva a experiência de assistir de perto a uma palestra de um chefe de Estado.

Exemplo de hoje: fui à Columbia University assistir a uma palestra sobre mudança climática, com alguma ênfase nas posturas da Índia e dos Estados Unidos, e nas expectativas para as negociações internacionais de dezembro em Copenhagen. Um dos palestrantes foi o Dr. Thomas Schelling, um simpático professor de 88 anos de idade, pioneiro no estudo de economia da mudança climática e ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2005. O outro palestrante foi o Dr. Rajendra Pachauri, diretor do IPCC desde 2002. O IPCC (que junto com Al Gore ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007) é um grupo de pesquisadores sobre mudança climática.

Curiosamente, ambos os palestrantes já foram assunto no meu outro blog (involuntariamente desativadíssimo), climabrasil. Comentei sobre Schelling aqui no meu outro blog em vista de um artigo sobre economia do clima que ele escreveu no The Times of India. E comentei sobre Pachauri no outro blog também por causa de um artigo sobre ele no The Times of India. Pachauri recomenda que os indivíduos mudem seus estilos de vida (“não coma carne, ande de bicicleta, seja um consumidor frugal”) para ajudar a reduzir o efeito estufa.

Enfim, são “velhos conhecidos”, a respeito de quem já tinha lido, e agora tive a oportunidade de ouvi-los de perto. Mais um oferecimento de… New York, New York!

Pronto pra visita

Como ontem não tive aula (esses meus professores cheios de compromissos… depois vai ter tanta coisa pra recuperar!) e como minha irmã Lu chega segunda-feira, aproveitei o dia pra fazer a faxina (e lavação de roupa) básica de fim de semana (lelelelê…), comprar um colchão inflável e mais um travesseiro, e preparar toalhas e roupas de cama extra. Agora estou devidamente equipado para receber visita!