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Rajastour, dia 3 (Jodhpur): Forte Mehrangarh

Do memorial Jaswant Thada, diretamente para o impressionante Forte Mehrangarh. Construído em 1459, o forte fica no alto de uma rocha de 125 metros de altura.

As altíssimas defesas do Forte Mehrangarh
Jai Pol, o portão de entrada do Forte Mehrangarh
Pintura de Ganesh no Jai Pol, entrada do Forte Mehrangarh
Jodhpur, a Cidade Azul, vista do alto do Forte Mehrangarh

Dentro do forte, há diversos palácios e salões deslumbrantes, habitados por diversos governantes desde a época da construção do forte e principalmente nos séculos XVII e XIX. Hoje esses ambientes deram lugar a um museu muito interessante, com pinturas em miniatura, itens da decoração dos palácios, armas e armaduras, roupas dos marajás, trabalhos em tapeçaria e até uma coleção de berços reais.

Fachada de um dos edifícios do Forte Mehrangarh
Entrando no museu do forte
Um Mahadol, ou palanquim, usado para transportar marajás (um só de cada vez, é claro)
Exemplo de pintura em miniatura, retratando a (dura) vida de um marajá
Sheesha Mahal, o Palácio dos Espelhos, um dos cômodos do forte
O elegante Phool Mahal, ou Palácio das Flores, foi construído no século XVIII, para cerimônias do marajá
No teto de madeira do Takhat Mahal, chama atenção a decoração de inspiração europeia,
com bolas de árvore de Natal (sem significado cristão, é claro; são meramente decorativas)
Num dos extremos do Takhat Mahal
Detalhe de um berço de marajá
Um dos berços de marajá no Jhanki Mahal, ou Palácio para Espiar
(Ao fundo, é possível ver as janelas com treliças entalhadas na pedra,
de onde as mulheres poderiam observar os pátios internos do forte.)
Moti Mahal, ou Palácio da Pérola, o salão de audiências do marajá, construído no século XVI.
As paredes parecem ter um brilho, como de pérola, porque conchas moídas foram misturadas ao gesso.
À direita, das “janelinhas” no alto da parede lateral, as esposas do marajá podiam observar as audiências.
Ainda o Moti Mahal, com destaque ao trono do marajá e aos vitrais coloridos
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Rajastour, dia 3 (Jodhpur): Jaswant Thada

Jodhpur é conhecida como Cidade Azul por causa da pintura azul índigo de muitas construções antigas, sobretudo no entorno do Forte Mehrangarh. Antigamente, somente os membros da casta dos brâmanes podiam pintar suas casas de azul, com a intenção de afastar espíritos maus. Hoje, qualquer pessoa pode pintar sua casa dessa cor, e a intenção é repelir insetos. (Funciona?)

A primeira visita foi o Jaswant Thada, memorial de mármore branco construído por Sardar Singh no final do século XIX em memória do Marajá Jaswant Singh II. Também foi o primeiro de muitos memoriais de mármore branco que eu viria a visitar ao longo da viagem à Índia! É interessante observar a mistura de características da arquitetura muçulmana (as cúpulas laterais) e indiana (a cúpula central).

Fachada principal do Jaswant Thada
Colunas do Jaswant Thada
Interior do Jaswant Thada
Interior do Jaswant Thada

Do morro onde fica o Jaswant Thada também se veem belas paisagens da cidade e do Forte Mehrangarh.

Cemitério (à esquerda) e Forte Mehrangarh (ao fundo, à direita)
Em primeiro plano, parte da cidade, com algumas construções azuis.
Mais ao fundo, a muralha da cidade.
Ao longe, palácio Umaid Bhavan (que não visitei):
construção concluída em 1943; parte hotel, parte palácio

Rajastour, dia 2 (Jaisalmer): De camelo no deserto

Meu último passeio em Jaisalmer foi um safári de camelo pelo deserto de Thar para ver o pôr-do-sol. O deserto fica a Oeste da cidade, em direção ao Paquistão. No caminho de carro da cidade até o local da partida dos camelos, a paisagem desértica era dominante em todas as direções.

Deserto de Thar, perto de Jaisalmer

Chegando ao local de partida dos camelos (onde havia muitos turistas; muitos, forasteiros, como eu, mas também indianos), conheci meu novo amigo: Bab Loo, o camelo.

Garoto-propaganda NYU montado no Bab Loo

A experiência de andar de camelo (camelgar?) foi algo de espetacular. Primeiro, é impressionante a altura do animal: depois que ele sentou no chão, mesmo eu (com meus 191 cm de altura) tive de dar um pulinho para conseguir montar.

O momento em que ele levanta é de certa tensão. A pessoa tem de se inclinar para a frente enquanto o camelo levanta as patas dianteiras; depois, para trás, quando ele levanta as patas traseiras. Aí a pessoa se vê nas alturas, porque o animal realmente é alto.

Quando o camelo começa a andar, o sacolejar é bem mais intenso que o de montar um cavalo. Não sou lá um exímio cavaleiro, mas já montei a cavalo algumas vezes. Garanto: camelo é outra história. Meu motorista de camelo, que puxava as rédeas, sugeriu dar uma disparada, só para ver como era a sensação de camelgar mais rapidamente. O bicho vai mesmo muito rápido. Quem não se segura bem leva tombo certamente!

Um aspecto engraçadinho é que o camelo faz barulhos (grunhinhos, sei lá) engraçadinhos. Infelizmente, não sei descrevê-los. Não sou bom com onomatopeias. Fica apenas a memória auditiva.

Pode haver quem ache o camelo um animal desengonçado, mas, para mim, é de uma elegância extrema.

Não é uma elegância esse animal?

Concluo o post com algumas fotos do passeio de camelo e do espetáculo diário do pôr-do-sol no deserto.

Minha estreia de camelo no deserto
Sombras cada vez mais longas: dia chegando ao fim
Meu motorista de camelo e as dunas Sam do deserto de Thar estendendo-se até o horizonte
Sempre me lembro de fazer uma homenagem à Fabi
(se bem que não há azulejos no deserto)
Outros turistas desbravando o deserto
Sutilezas da criação divina: belas flores em uma paisagem seca
Pôr-do-sol no deserto de Thar
Pôr-do-sol no deserto de Thar
Que indiscrição a minha, mas não pude deixar de registrar o momento:
uma vaca (animal sagrado para os hindus) passa por ali bem quando
meu motorista de camelo (muçulmano) fazia suas orações no pôr-do-sol.

Rajastour, dia 2 (Jaisalmer): Bazaar e Havelis

Depois de um longo intervalo (vamos pular a parte de apontar motivos e ir logo ao que interessa, ok?), volto a contar da viagem à Índia. Eu estava contando sobre meus passeios pelo estado do Rajastão, na série Rajastour 2013.

Os últimos posts foram sobre o primeiro dia do Rajastour, em que fiz a viagem de Mumbai a Jaisalmer via Jodhpur, e sobre o segundo dia, em que visitei o Lago Gadsisar e, em seguida, o Forte de Jaisalmer. Como são muitos os lugares e fotos interessantes, o segundo dia ainda terá dois posts, começando por este, em que contarei do passeio pelo bazaar e pelas havelis de Jaisalmer.

Bazaar é “bazar”, em bom português, mas prefiro usar bazaar porque um bazaar indiano significa algo bem diferente daquilo a que nos referimos com a palavra “bazar”. É uma palavra de origem persa que significa, simplesmente, um mercado ou uma área pública (na rua, mesmo) onde há bancas (às vezes com um aspecto de camelódromo) e lojas dos mais diversos bens e serviços.

Na Índia, os bazaars que conheci (começando pelo de Jaisalmer) são bem característicos, porque exemplificam traços da vida urbana indiana: o caos (gente olhando, comprando e vendendo; produtos expostos à venda por todos os lados), pechincha (tanto no sentido de preço baixo quanto no de negociação para chegar lá) e diversidade (de produtos e esquisitices).

Vi tanta coisa que não duvido de que se possa encontrar de tudo, mas há destaques evidentes: têxteis, temperos e… quinquilharias industrializadas (o aspecto camelódromo que mencionei).

Bazaar em Jaisalmer: de tudo um pouco, principalmente têxteis
Segundo o guia turístico, bigode para cima + turbante colorido = hindu
Segundo o guia turístico, bigode para baixo + turbante branco = muçulmano
Pessoas, têxteis, comércio, caos
Banca de venda de hortaliças, legumes, verduras

Para terminar o passeio, visitei algumas das famosas havelis de Jaisalmer: são palacetes construídos principalmente no século XIX (embora ainda se encontrem havelis construídas recentemente, seguindo o mesmo estilo das mais antigas).

Os principais destaques das havelis são os jalis, sobre os quais já contei em outro post: as belas telas de treliça de pedra esculpidas no arenito. Elas protegem do sol forte, mas deixam entrar a brisa do deserto; também permitem que as mulheres muçulmanas vejam o movimento da rua sem ser observadas.

Estátua de elefante esculpido em arenito, em frente à Nathmalji Ki Haveli
Nathmalji Ki Haveli decorada para um casamento
Entrada da Nathmalji Ki Haveli
Detalhe da Nathmalji Ki Haveli
Cômodo dentro da Nathmalji Ki Haveli
Cottage Gallery, onde fiz uma paradinha para comprar algumas lembranças em pashmina
Chegando à Haveli Patwon Ki pelas ruas estreitas
Fachada principal da Patwon Ki Haveli
Havelis com sacadas projetadas sobre as ruelas
Detalhe da Patwon Ki Haveli
Bigodão
Para o almoço tardio, Ker Sangri (feijão do deserto com alcaparras) e naan de manteiga

Rajastour, dia 2 (Jaisalmer): Forte de Jaisalmer

Após a visita ao lago, fomos à atração principal do dia: o Forte de Jaisalmer, construído em 1156 pelo Maharawal Jaisal Singh. Milhares de pessoas ainda moram dentro do forte, fazendo dele o único ainda habitado da Índia. Segundo o guia, brâmanes (membros da casta mais elevada, dos adoradores do deus Shiva) têm direito vitalício e hereditário a morar dentro do forte.

Forte de Jaisalmer ao fundo
Garoto-propaganda NYU posando para a foto
Primeiro portão de entrada no Forte de Jaisalmer: Ganesh Prol
Músico na entrada do Forte de Jaisalmer
Suraj Prol, um dos quatro portões de acesso ao forte
Pelos quatro portões que dão acesso ao forte (Ganesh ProlAkshaya ProlSuraj Prol e Hawa Prol) chega-se à praça Dussehra Chowk, de onde se pode ver o Raj Mahal (Raj = Rei, Mahal = Palácio, portanto, Palácio Real).
No palácio, como em muitas havelis (mansões) de Jaisalmer, há lindos exemplos de jalis: telas de treliça de pedra esculpidas no arenito. Elas protegem do sol forte, mas deixam entrar a brisa do deserto. Também têm a vantagem de permitir que as mulheres (muçulmanas) vejam o movimento da rua sem ser observadas.
Loja em Dussehra Chowk, com itens de tapeçaria em exposição
Jalis do Raj Mahal
Sacada em outro detalhe do Raj Mahal
Vista geral do Raj Mahal
Em diversas casas dentro do forte, vi decorações de casamento. Além das bandeirinhas e outros ornamentos, as pessoas costumam pintar painéis com o deus Ganesha, o filho de Shiva e Parvati que tem corpo de homem e cabeça de elefante. É considerado um deus de riqueza e proteção. Por isso é que as ilustrações deles são comuns nas casas dos recém-casados e no alto dos marcos das portas.
Casa de recém-casados com painel de Ganesha
O guia local em seguida me levou para o alto do Hotel Garh Jaisal, de onde se tem uma bela vista aérea do forte e de toda a cidade de Jaisalmer. Dali fica bem claro por que Jaisalmer é conhecida como a Cidade Dourada: as construções de arenito, em toda parte, reluzem sob o sol forte do deserto.
Entrada do Hotel Garh Jaisal
Jaisalmer, a Cidade Dourada
Entrada do forte de Jaisalmer, vista do Hotel Garh Jaisal
A última visita dentro do forte foi ao complexo de sete templos interligados da religião jainista, construídos entre os séculos XII e XVI. A arquitetura e a riqueza de detalhes são bastante impressionantes (embora opressivas aos olhos cristãos). Nas fotos seguintes, para encerrar o post, alguns detalhes. No próximo post, relatos e fotos das visitas às havelis (mansões ou palacetes) de Jaisalmer, do lado de fora do forte.
Fachada do principal templo jainista do Forte de Jaisalmer
Portal de entrada do templo jainista
Garoto-propaganda NYU no templo jainista
Detalhe de escultura decorativa
Mais uma escultura
Área central de um dos templos
Cúpula de um dos templos
Detalhe de escultura na parede
Detalhes de esculturas na parede
Templo jainista visto de cima

Rajastour, dia 2 (Jaisalmer): Lago Gadsisar

O primeiro passeio no primeiro e único dia em Jaisalmer foi o Lago Gadsisar ou Gadisagar, construído por Rawal Gadsi Singh em 1367 para servir de fonte de água.

A construção do portal de entrada foi ordem de uma cortesã real. Isso desagradou as maharanis (rainhas), que mandaram destruir o portal. Para evitar a demolição, a cortesã ordenou que se colocasse uma estátua do deus Krishna no alto do portal, que permanece intacto até hoje.

Portal do Lago Gadsisar
Do outro lado do portal do Lago Gadsisar
Lago Gadsisar
Foi também ali, à margem do lago, que visitei pela primeira vez um templo hindu.
Antes de entrar no templo: tirar os calçados
Vestíbulo do templo hindu

Um hindu colocando oferendas no altar.
No centro da foto, lingam (representando o deus Shiva)
e yoni (representando Shakti, energia criativa feminina)
Ficarão para o próximo post o relato e as fotos do passeio pelo Forte de Jaisalmer!

Rajastour, dia 1: Rumo a Jaisalmer

Após o fabuloso casamento, comecei um tour de nove dias pela Índia, organizado por mim e pela agência de viagem Diethelm Travel a partir de roteiros sugeridos e dicas de amigas (a noiva Rahela e a Fernanda Kaur) e irmã (Lucy).

Na primeira parte do tour, fiz um “Rajastour”, visitando três cidades do Rajastão: Jaisalmer, Jodhpur e Jaipur. O Rajastão (Terra de Reis), na fronteira com o Paquistão, é o maior estado da Índia. É a terra dos marajás e de lindos e muito antigos fortes e palácios. Entrei no Rajastão pelo aeroporto de Jodhpur.

Área de desembarque do aeroporto de Jodhpur, onde provavelmente era proibido fotografar
Caos urbano de Jodhpur (mas poderia ser em qualquer outro lugar da Índia que eu tenha visitado)

Em Jodhpur, já me aguardavam o agente de viagem local e o Muni, que seria meu motorista pelos próximos dias. Dali comecei a viagem de cinco horas (!) a oeste, rumo a Jaisalmer, o primeiro destino do passeio.

Salvo poucas exceções (sobre as quais contarei mais adiante), fiz todos os traslados de carro (Tata Indigo) com motorista. De início, achei a ideia luxuosa e, portanto, absurda (eu? de carro alugado e motorista?), mas não me arrependo. A Índia não é a Europa, em muitos sentidos: o trânsito na Índia é confuso, as cidades não são exemplos de boa sinalização para turistas, a segurança é incerta, o transporte público (quando existe) não é necessariamente recomendável. Aventura de mochileiro pela Índia até seria legal, mas percebi que teria riscos de contratempos incompatíveis com o pouco tempo que eu tinha para aproveitar. Optei pelo carro com motorista para ter garantia do menor risco possível de contratempos.

Um caminhão levemente sobrecarregado…
Deserto rumo a Jaisalmer
Vaca (no meio da rodovia): uma instituição indiana
Deserto rumo a Jaisalmer

Lá pelo meio da tarde, fiz pausa para almoço em um hotel à beira da estrada. Provei o delicioso Shahi Paneer: cubos de queijo coalho cozidos em gravy de castanha de caju, servidos com creme e manteiga e  acompanhados de naan (pão indiano) de queijo e, só pra não perder o costume, masala chai.

Portão do hotel onde fiz pausa para almoço
Almoço: Shahi Paneer
Parque eólico no deserto

Cinco horas depois… enfim, Jaisalmer! Logo na chegada da cidade, chama a atenção o Forte de Jaisalmer, um dos maiores do mundo e ainda habitado. Foi construído em 1156 por Rao Jaisal (Jaisalmer = Jaisal + Mer = Forte de Jaisal). A onipresença do arenito, tanto no forte quanto na maioria das construções urbanas fora dele, dão à cidade desértica de Jaisalmer um aspecto dourado, especialmente no pôr-do-sol. Por isso, Jaisalmer é conhecida como a Cidade Dourada.

No próximo post, mais relatos e fotos da cidade e do forte. Encerro este com as fotos finais do dia de traslado e do lindo hotel onde fiquei, o Rang Mahal. (Confesso que, depois de achar lindo o hotel, meu primeiro pensamento foi “bah, não acredito que estou pagando duas diárias nesse palácio”. Minhas acomodações talvez pudessem ter sido mais simples. Mesmo assim, sem arrependimentos!)

Chegando a Jaisalmer: primeira vista do Jaisalmer Fort
Ala onde fiquei hospedado no Hotel Rang Mahal
Área da piscina e do bar no Hotel Rang Mahal
Hall de entrada do Hotel Rang Mahal
Sala de espera do Hotel Rang Mahal
Fachada externa do Hotel Rang Mahal