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Os nóbeis

Participando de um evento na NYC Bar (associação de advogados de NYC) hoje de manhã, espiei o Financial Times do desconhecido ao lado e assim fiquei sabendo que Elinor Ostrom e Oliver Williamson ganharam o Prêmio Nobel de Economia de 2009 – ela, “por sua análise da governança econômica, especialmente quanto os commons (bens globais, como a atmosfera)”; ele, “por sua análise da governança econômica, especialmente quanto aos limites da firma”. Tanto Ostrom como Williamson são acadêmicos da escola da Nova Economia Institucional – que foi o marco teórico que usei na minha monografia final do curso de Economia.

Gostei. Pelo menos eles ganharam um prêmio por coisas que já fizeram (aliás, têm feito por muito tempo ao longo da vida), e não por coisas que apenas prometeram fazer. Uh, um pouco ácido… Na verdade eu não sou tão dramaticamente contrário à ideia de terem dado o Prêmio Nobel da Paz ao Obama. Embora meio temprano, talvez o lado bom seja o incentivo para que ele agora faça por merecer.

(Só a título de curiosidade: o Prêmio Nobel da Paz é mesmo um Prêmio Nobel, ou seja, pago com os rendimentos do legado de Alfred Nobel, o sueco que inventou a dinamite; o chamado “Prêmio Nobel de Economia” é na verdade um prêmio “em memória de Alfred Nobel”, criado não por ele, mas pelo banco central sueco.)

Entrevero de feriados

12 de outubro pelas Américas…

  • Brasil: oficialmente e para a população católica, Dia de Nossa Senhora Aparecida; mas, extraoficial e comercialmente, Dia da Criança;
  • Canadá: Dia de Ação de Graças (Thanksgiving), que no Brasil em geral não se comemora, e que aqui nos EUA é na quarta quinta-feira de novembro;
  • EUA: Dia de Colombo (Columbus Day), em homenagem ao “descobridor” das Américas (que, aliás, é pouco lembrado no Brasil!);
  • Maioria dos países hispânicos da América Latina (Argentina, Chile, México…): Dia da Raça (Día de la Raza; nome politicamente incorreto pro meu gosto), pelo primeiro encontro entre os povos ibéricos e os indígenas americanos;
  • Venezuela: Dia da Resistência Indígena (Día de la Resistencia Indígena – o contraponto à homenagem ao “descobridor”!).
Mesmo com tantos motivos… para a NYU não foi feriado. Portanto, tampouco para mim.

Sobe o preço do leite

O que é a total falta de assunto… Não, não é falta de assunto. Preocupações do lar (e com dólar) fazem parte do meu dia-a-dia. Ora, não dá pra simplesmente ignorar um aumento de 8,85% no preço do leite no Morton Williams.

Outras novidades? Hoje foi um dia lindo, ensolarado – e não fiz nenhum passeio outdoors. Aliás, não saí do básico, do beabá, do ABC fora de ordem (Culto, Alpha e Biblioteca). Mesmo assim, dia muito proveitoso!

Até a poupança Bamerindus se foi

Minha irmã Lu foi embora hoje… deixando aquele vaziozão, em vários sentidos! Enfim tiro um tempinho para organizar as memórias (inclusive fotográficas) de mais uma semana express.

Na quarta-feira, caminhando com pressa pelo Washington Square Park, passei por baixo do arco (Washington Arch). De relance, vi a data em que o arco foi inaugurado, e tive que parar e voltar pra conferir: May 4, 1895, dia e mês do meu aniversário! E o ano (1895) tem os mesmos algarismos do ano em que nasci.

À tardinha fui a uma feira de empregos aqui na NYU. E acho que não tinha nada pra mim – nem internacional, nem ambiental. A primeira pessoa com quem falei (sócio fundador de um escritório de advocacia), depois de me ouvir falar sobre meus interesses profissionais, disse que Direito Internacional não existe e que odeia arbitragem internacional. Espero que nos próximos eventos desse tipo eu encontre uma atmosfera mais amigável…

À noite Lu e eu fomos com os amigos brazuco-escoceses (!) Danielle e Conrado a um restaurante árabe e depois a uma gelateria italiana. Amo muito essas cosmopolitices.

Quinta-feira à noite saímos com outros amigos para mais cosmopolitices (dois brasileiros, uma canadense, um espanhol e dois italianos em um restaurante francês!), mas lamentavelmente esquecemos de tirar foto…

Último passeio com a Lu hoje de manhã: fomos ao m&m’s World, uma loja de 3 andares e mais de 2.000 metros quadrados onde se pode encontrar todo e qualquer badulaque temático de m&m‘s, desde o mais básico (camisetas e canecas temáticas de m&m‘s) até o que desafia os limites do imaginável (cortina de banheiro temática de m&m‘s). Seguindo no contexto chocolático, fomos à (bem mais modesta) casa da principal concorrente, a Hershey’s, do outro lado da rua!

A sexta-feira termina com arrumação de quarto, lavação de roupa (lelelelê…), comunicação com a família… e organização do meu mural de fotos! Finalmente! Não é propriamente um mural, porque eu não posso fazer furos na parede (!). Então é um mesal de fotos (?). (Sei lá, deve haver um nome adequado pra isso, mas agora simplesmente não me vem à cabeça.)

Claro que os leitores do blog que se encontrarem nas fotos do mesal podem ficar contentes, mas os que não se encontrarem ali não devem ficar tristes nem se sentir excluídos. A proposta do mesal inclui a ideia de rotatividade. ;)

P.S.: Eu sinto que devo um esclarecimento quanto ao título, “Até a poupança Bamerindus se foi”. É que, graças à memória extraordinária da Lucila e à nossa persistente disposição de nos engajarmos em divagações sobre temas aleatórios, conversações bastante inusitadas podem surgir. E surgem.

Por exemplo: uma sessão nostalgia (praticamente um ataque de flashback) relembrando alguns hits de outrora, desde os clássicos como músicas de Mary Poppins (Supercalifragilisticexpialidocious!) até jingles como o da Clorofina (quem pode se esquecer da “eficiência da Clorofina… há muitos anos sempre em primeiro lugar“?).

O jingle da poupança Bamerindus também entrou na história:

O tempo passa, o tempo voa
E a poupança Bamerindus continua numa boa…

Há algum tempo o banco Bamerindus foi extinto – e, com ele, foi extinta a promessa de que a poupança Bamerindus continuaria numa boa. Se até a poupança Bamerindus se foi, o que dizer então do tempo que passa e voa inexoravelmente?

Esporturistas no Central Park

Esta semana estou recebendo minha primeira visita desde que estou em NYC: minha irmã Lu! Hoje à tardinha fomos caminhar no Central Park – algumas fotos aqui e também no picasaweb do Guri.

Central Park ao entardecer

Lu & Gu: Projeto Espeto Noite Jovem Velharada!

NYC skyline – vista do reservatório do Central Park

NYC skyline – vista da cobertura do D’Agostino Hall

oportuNYdades

Recentemente aconteceram aqui a NYC Climate Week (20-26 de setembro) e a reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas (23-26 e 28-30 de setembro). São só dois exemplos dos tantos eventos que acontecem por aqui, que me interessam e têm tudo a ver com o que eu estudo, mas que eu simplesmente não posso ou não tenho tempo para acompanhar. Mesmo assim, algum proveitinho tenho conseguido tirar do fato de que um grande número de pessoas importantes e/ou com ideias interessantes (as duas características nem sempre andam juntas!) circula aqui por NYC.

Um exemplo: durante o período da Assembleia Geral, o Presidente da República Dominicana, Leonel Fernández Reyna, veio palestrar aqui na NYU Law sobre “Governança global e os países em desenvolvimento”; fui assistir. (Aliás, vale contar que um dos elevadores da faculdade travou e o Presidente ficou preso ali por algum tempo. Se fosse no Brasil, já viram o escândalo na mídia no dia seguinte, né?) A bem da verdade, discordei de várias das colocações dele – a maioria delas talvez perdoável por ele ser um político que, embora instruído e com uma admirável capacidade de se expressar em inglês, não é propriamente um “acadêmico”. Porém, de forma geral, foi positiva a experiência de assistir de perto a uma palestra de um chefe de Estado.

Exemplo de hoje: fui à Columbia University assistir a uma palestra sobre mudança climática, com alguma ênfase nas posturas da Índia e dos Estados Unidos, e nas expectativas para as negociações internacionais de dezembro em Copenhagen. Um dos palestrantes foi o Dr. Thomas Schelling, um simpático professor de 88 anos de idade, pioneiro no estudo de economia da mudança climática e ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2005. O outro palestrante foi o Dr. Rajendra Pachauri, diretor do IPCC desde 2002. O IPCC (que junto com Al Gore ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007) é um grupo de pesquisadores sobre mudança climática.

Curiosamente, ambos os palestrantes já foram assunto no meu outro blog (involuntariamente desativadíssimo), climabrasil. Comentei sobre Schelling aqui no meu outro blog em vista de um artigo sobre economia do clima que ele escreveu no The Times of India. E comentei sobre Pachauri no outro blog também por causa de um artigo sobre ele no The Times of India. Pachauri recomenda que os indivíduos mudem seus estilos de vida (“não coma carne, ande de bicicleta, seja um consumidor frugal”) para ajudar a reduzir o efeito estufa.

Enfim, são “velhos conhecidos”, a respeito de quem já tinha lido, e agora tive a oportunidade de ouvi-los de perto. Mais um oferecimento de… New York, New York!

Pronto pra visita

Como ontem não tive aula (esses meus professores cheios de compromissos… depois vai ter tanta coisa pra recuperar!) e como minha irmã Lu chega segunda-feira, aproveitei o dia pra fazer a faxina (e lavação de roupa) básica de fim de semana (lelelelê…), comprar um colchão inflável e mais um travesseiro, e preparar toalhas e roupas de cama extra. Agora estou devidamente equipado para receber visita!

Gente fiasquenta

Esta semana esfriou um pouco em NYC. Mas um pouquinho, só. Agora, por exemplo, tá fazendo 13 graus Celsius; até domingo a temperatura vai variar entre 9 e 22. Nada de mais, na minha opinião, mas acho que estou sozinho: por todo lado vejo gente usando blusões, mantas, jaquetas de couro (e não tô falando apenas de estudantes cariocas que até então não sabiam que o termômetro podia marcar abaixo de 20 graus Celsius – até canadenses e escandinavos (!) andam por aí agasalhados). Quanto a mim, sigo usando camiseta de manga curta, no máximo uma jaquetinha de verão. Ficam me perguntando, “aren’t you cold?”. Ora, não tô com frio porque não tá frio.

Mais grave ainda: hoje a administração do prédio avisou que o sistema central de ar condicionado já foi trocado da função “resfriar” para a função “aquecer”. Putz, aqui no meu quarto tá marcando 25 graus… pra que alguém ia querer aquecer mais do que isso? O que eu quero é resfriar! (Abaixo o aquecimento global!) Acho que vai ser um longo outono de janela aberta.

Othello

Acabo de voltar do teatro da NYU (Skirball Center) onde assisti à peça Othello, de Shakespeare! Gostei. Avaliando meu entendimento da coisa… Contexto: 90-95%. Em alguns momentos da peça (que foi longa: das 19h às 23h com 15 min de intervalo!) eu simplesmente me perdi; tipo, “what?”. Língua: 25-75%, melhorando progressivamente ao longo da peça. No fim já tava tão no clima da coisa, “get thee gone”. Mesmo assim, difícil entender. Shakespeare, século XVII… perdoável, né?

Cheguei em casa e casualmente encontrei um dos meus apartmentmates, que vai me emprestar o roteiro! Não sei quando vou conseguir tempo pra ler (!); dou um jeito.

West Third Street: onde as coisas acontecem!

Um dia o Presidente dos EUA almoça aqui e vem toda a mídia e a polícia e o povo todo na volta; outro dia dispara o alarme de incêndio do meu prédio e todos os moradores saem pra rua e é aquele rolo todo; hoje rompe um cano d’água e a rua começa a alagar e desligam a água do prédio…